|
Leitura
Bíblica em Classe
Sl 19.1-6; 136.3,5-9; Hb 11.3
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A grandeza do Universo
II.
O que diz a Bíblia sobre a origem do universo
III.
O que diz a verdadeira ciência
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Criação do Universo segundo o relato de Gênesis
Autor
Esdras Costa Bentho
Palavras-
Chave
Criação; Criacionismo; Hexaémeron; Teoria da Lacuna; Mitos babilônicos.
A criação (1-2).
O capítulo 1 do livro de
Gênesis está distribuído em oito parágrafos principais:
1.1-2; 3-5; 6-8; 9-13; 14-19; 20-23; 24-25; 26.31. A ênfase
característica de cada uma dessas unidades é o poder
criador de YaHWeH. Deus é o
agente ou o sujeito ativo na criação: “No princípio,
criou Deus”, Ele cria através de seu poder “os céus e a
terra”, por esta razão Deus é designado pelo nome de
Elohim, que significa “O Forte”, “Líder Poderoso” ou
“Deidade Suprema”. Seu ato criador está em seu poder (Elohim),
pelo qual os céus e a terra vêem a existência sem qualquer
matéria existente. Os termos hebraicos que designam a
atividade criadora e ressaltam a onipotência de Deus além de
bara é ‘ãsâ,
isto é, “fazer” e yasar “formar”. A imagem metafórica
que é expressiva da ação criadora é o “Deus Oleiro”.
As etapas da criação
As etapas da criação
são chamadas em grego de hexaémeron, isto é, a obra dos
seis dias, pois descreve a criação do mundo em seis
dias, conforme uma ordem claramente traçada.
A narração desses seis dias criacionais está
disposta de forma lógica e simétrica com propósito
religioso e não científico. O autor apresenta o texto em
quatro fases: a obra da criação, de distinção,
de ornamentação e de consumação.
1.
Obra da Criação (1.1,2):
Nessa etapa o autor
apresenta como Deus criou a matéria em estado caótico, o
caos primitivo, de onde aos poucos havia de tirar ou
distinguir as diversas regiões do mundo; esse caos constava
de uma massa de terra (“a terra informe e vazia” [1.2]),
envolvida de águas (“abismos”, “águas”) sendo tudo
isso cercado de trevas (1.2). Após esses eventos é que
decorre o hexaémeron, ou a obra dos seis dias: obras de
distinção e de ornamentação.
1.1.
A Teoria da Lacuna:
A
teoria da lacuna foi proposta inicialmente por C.H.Pember
em 1876, na obra "As Idades mais Remotas da Terra e a
Conexão delas com o Espiritualismo Moderno e a Teosofia”.
A teoria que afirma que entre o versículo 1 e 2 do primeiro
capítulo de Gênesis existe uma lacuna onde existiu uma raça
pré-adâmica e onde foi a habitação original dos homens pré-históricos
e dos antigos dinossauros, foi popularizada depois pela Bíblia
de Referência de C.I.Scofield em 1917, mais tarde pelo
pentecostal assembléiano Finis Jennings Dake em sua Bíblia
de estudos anotada “Dake’s Annotated Reference Bible” e
no Brasil por Lawrence Olson em sua obra “Plano
Divino Através dos Séculos”. Segundo
Pember e seus seguidores em Gênesis 1.1 Deus criou o universo
completo e perfeito, e Satanás era o arcanjo que habitava e
governava essa Terra pré-adâmica, um reino originalmente
perfeito. Então, Satanás e os habitantes pré-adâmicos
dessa Terra se rebelam contra o Criador de todas as coisas, de
tal forma que ele e a primitiva população foram amaldiçoados
e destruídos por uma inundação. Segundo os defensores dessa
teoria os resultados dessa inundação são vistos em Gênesis
1.2. Alegam ainda que a expressão “sem forma e vazia”
quer dizer “tornou-se sem forma e vazia” aludindo a expansão
arruinada e devastada como resultado de um julgamento e que
deve, portanto, ser interpretada como “uma ruína e uma
desolação”.
Entretanto,
a teoria da lacuna apresenta várias fragilidades. Entre elas
podemos citar aquela que está relacionado à língua
hebraica. Primeiro, a gramática hebraica não
permite uma lacuna de milhões ou bilhões de anos entre os
dois primeiros versículos de Gênesis. O hebraico tem uma
forma especial, que indica seqüência e introduz aquela forma
a partir de 1.3. Nada indica uma falta de seqüência entre
1.1 e 1.2; pelo que, os versículos devem ser interpretados em
seu sentido óbvio e próprio. “O céu e a terra” é uma
expressão consagrada em hebraico para designar o universo (Gn
2.1,4; 11.19,22; Sl 68.35; 114.15). O versículo 1 e 2a
descreve o estado em que se achava o universo nos seus primórdios:
a terra, informe e vazia (tohu-wa-bohu), era toda
recoberta de águas (tehom, abismo cheio de águas),
sobre as quais se estendia as trevas.
Em
segundo lugar o autor sagrado falava de acordo com os
matizes de seu tempo, para significar que
anteriormente à ordem e à harmonia existentes no mundo,
havia, de fato, o caos; este, porém, não constava de deuses
ou monstros mitológicos como se costumava pensar na cultura
mesopotâmica dos quais um teria suplantado os demais e
plasmados tanto o mundo visível como o homem; constava, ao
contrário, dos elementos mesmos do mundo atual, os quais não
tem existência indefinida nem eterna (como eterno é o único
verdadeiro Deus), mas foram tirados do nada por um Criador. E,
para descrever essa matéria dependente do Senhor, o hagiógrafo
usou de termos que tinham ressonâncias nas mitologias
orientais, onde significam divindades: assim bohu
(vazio), lembrava Baaú, O caos personificado dos Fenícios; tehom
(abismo oceânico, águas), o monstro Tiamat dos Babilônicos;
tais divindades pagãs eram sutilmente apresentadas pelo hagiógrafo
como meras e impotentes criaturas.
Quanto
ao estado preciso em que Deus suscitou a matéria, quanto às
idades geológicas que esta atravessou, o autor nada quis
dizer, pois isto é do domínio científico e não interessava
diretamente a finalidade religiosa do livro sagrado.
Portanto,
a teoria da lacuna, apresenta-se como uma teoria débil, sem
qualquer valor teológico ou bíblico. Entre as diversas
considerações do teólogo Willmington sobre a teoria em apreço
ele conclui afirmando que ela não é científica, não é bíblica
e não é necessária.
O Tríplice Problema da
Teoria da Lacuna
| NÃO É CIENTÍFICA |
Foi um intento do cristianismo de reconciliar o relato da criação com
os longos períodos geológicos da teoria da evolução.
A evolução, porém, não é científica e contraria
a segunda lei da termodinâmica. |
| NÃO É BÍBLICA |
A teoria descreve Adão andando sobre um grande cemitério de animais
fossilizados, além é claro de admitir uma raça pré-adâmica. |
| NÃO É NECESSÁRIA |
A interpretação mais natural de Gênesis 1.1,2 é tomada pelo seu valor
literário e próprio, sem qualquer acréscimo ou
subtrações. |
Gênesis 1.1 é uma
declaração resumida da criação:
No versículo 1 diz o que
Deus fez;
No
versículo 2 nos diz como foi feito.
Obra de distinção:
Estabelece as três
regiões do mundo que a cosmologia judaica admitia, três regiões
que correspondem exatamente aos três elementos caóticos
sobrepostos (trevas, águas, terra).
No primeiro dia
(1.3-5), constitui a região dos céus. Deus age
sobre a camada
superior do caos, restringindo a duração das trevas; estas
deverão, a intervalos, ceder À luz. Eis a primeira distinção:
a de trevas e luz, dia e noite, que sucederão no domínio do
mundo;
No
segundo dia (1.6-8), constitui-se a região
das águas. Deus intervém agora na segunda camada do
caos, ordenando que parte das águas se transfira para a região
do céu, onde é guardada em reservatórios especiais; entre
águas do céu e águas da terra o Senhor cria uma abóbada
aparentemente sólida, chamada o firmamento. São
as águas do céu que por meio de canais caindo sobre a terra,
produzem chuva, nevem geada, etc. (cf. Jó 38.37);
No
terceiro dia (1.9-13), o Criador atinge a
terra, recolhendo as águas que ainda a recobrem em lugares próprios,
que são os mares e os rios (cf. Jó 38.11). A terra, ao
aparecer, é logo revestida de plantas. O fato de que judeus
concebiam vegetação como forro da terra, explica que a
constituição da terceira região devia compreender duas
obras: a produção da terra nua, arcabouço, e ao seu estrado
verde aderente.
Obra de Ornamentação
Assim concluído a
formação as três regiões do mundo nos três primeiros dias
(obra de distinção), o hagiógrafo mostra como o Criador,
nos três dias seguintes, deu a cada uma os seus habitantes ou
a sua ornamentação; estes habitantes, sendo todos móveis,
formam como que um magnífico exército, sempre pronto a
executar as ordens do seu Senhor, como se diz em Gênesis 2.1:
“Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu
exército”. Portanto:
a)
Na região do céu, Deus colocou os astros nos quais grande quantidade
de luz se concentrou (4º dia; 1.14-19); à distinção feita
no primeiro dia entre dia e noite, correspondem agora o sol,
que rege o dia; a lua e as estrelas, que regem a noite;
b)
Na região das águas, o Senhor estabeleceu os monstros marinhos, os
peixes e os voláteis (os quais povoam o ar, espaço entre as
águas inferiores e superiores), (5º dia; 1.20-23);
c)
A região da terra começou a ser habitada pelos demais animais e pelo
homem, que é a coroa da criação, destinado a dominar o
mundo terrestre (6º dia; 1.24-31). Por fim, aos animais e ao
homem foram dados como alimento os vegetais oriundos no
terceiro dia, o que estabelece perfeita correspondência entre
as obras do terceiro e do sexto dia.
d) Obra de
Consumação
Tal qual a obra da criação
(1.1-2), diz respeito ao mundo inteiro: o autor refere que
Deus descansou de todas as suas obras e abençoou o sétimo
dia de descanso (2.1-3).
Segundo as Escrituras a
criação ocorreu em seis dias sucessivos:
| Dia |
Texto |
Tema |
| Primeiro Dia |
(1.2-5): |
Criação da Luz |
| Segundo Dia |
(1.6-8): |
Separação das Águas |
| Terceiro Dia |
(1.9-13): |
Criação da Vida Vegetal |
| Quarto Dia |
(1.14-19): |
Criação do Sol, da Lua e das Estrelas |
| Quinto Dia |
(1.20-23): |
Criação dos Peixes e das Aves |
| Sexto Dia |
(1.24-31): |
Criação dos Animais da Terra e do Homem |
| Sétimo Dia |
(2.1-3): |
Deus Descansa |
Uma minuciosa investigação revelará que as duas palavras forma
e vazia, são os conceitos precípuos da história da
criação. Os atos do 1º, 2º e 3º dia ocupam-se
especificamente do verbo formar, enquanto o 4º, 5º e 6º dia
do conteúdo pleno dessa forma.
| FORMA |
CONTEÚDO PLENO |
| 1º Dia
Luz e Trevas |
4º Dia Luzeiro do Dia e da Noite |
| 2º Dia
Mar e Céus |
5º Dia Criatura das Águas e dos Ares |
| 3º Dia
Terra Fértil |
6º Dia Criaturas da Terra |
Existe uma grande simetria entre o 3º e o 6º dia, pois se referem a
produção de dois, e não de um só gênero de criaturas.
Oito são, pois, as produções ou obras que o hexaémeron (procedente de três termos: hex (seis); heméra
(dia) e érgon (obra). Literalmente obra dos seis dias)
narra distintamente.
|