Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Heresias e Modismos


Lição 12 - A Superstição Religiosa



Leitura Bíblica em Classe

Atos 19.13-19


Esboço da Lição

Introdução

I.    Etimologia

II.  Características Animistas

III. Superstições do Cotidiano

IV. Superstições Supostamente Bíblicas

Conclusão


Tema deste Subsídio

A Loucura Escravizadora da Superstição

Autor

Pr. Silas Daniel. Jornalista, Conferencista, Editor do Jornal Mensageiro da Paz, Reporte do Programa Movimento Pentecostal, Articulista dos periódicos da CPAD e autor das obras: Reflexões sobre a Alma e o Tempo, História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil e do comentário bíblico Habacuque, todos editado pela CPAD.

Adaptação

Setor de Educação Cristã

Palavras-chaves

Superstição; Crendices, Magia; Simpatia; Pseudociência.

Introdução

A Bíblia diz que só a Verdade pode libertar (Jo 8.32). O apóstolo Paulo afirmou que uma das características da proximidade do Final dos Tempos é que os homens continuariam enganando e sendo enganados (2 Tm 3.13). Ora, se existe uma espécie de engano que escraviza bilhões de pessoas no mundo, deixando-as neuróticas, este é a superstição; e se existe um país onde os índices de supersticiosidade batem no teto, este é o Brasil.

É muito comum vermos as pessoas no Brasil envolvidas com alguma espécie de superstição, seja ela crendice, magia ou uma simples simpatia. Não são poucos que se apavoram com o mês de agosto, não fazendo nada de especial nessa época do ano por achá-la catalisadora de maus agouros. No entanto, o cristão genuíno, que guia sua vida pelas Sagradas Escrituras, está livre do jugo perturbador da superstição.

1. Superstição versus religiosidade

Bater na madeira para neutralizar eventos negativos; trazer consigo pé de coelhopara atrair sorte; não passar por debaixo de escada, nem cruzar com gato preto ou quebrar espelho, para não dar azar – essas são algumas das principais manifestações de ignorância decorrentes da superstição popular. 

1.1. Definição

Algumas manifestações estão ligadas à religiosidade, mas isso não significa que superstição e religião são sinônimas. Superstição é um termo que deriva do latim supers estitio e significa receio vão, fanatismo, culto ou religião falsos. Apesar de muitos pensadores modernos tentarem classificar todas as religiões como superstição, a literatura tradicional a respeito diferencia a religião da superstição.

a) Superstição e Sociologia: Para o sociólogo Durkheim, e ainda para os cientistas sociais Herbert, Mauss, Frazer e Malinowski, a superstição está associada a crenças que não são nem religiosas nem científicas, e teria um caráter anti-religioso e às vezes de falsa ciência.

b) Superstição e Religião: Porém, o fato de superstição e religião não serem sinônimas não significa que uma não está de alguma forma ligada à outra. Sem dúvida, a superstição está associada à religiosidade. 

Talvez a sua melhor definição seria a de um sentimento religioso errado ou exagerado, que não poucas vezes arrasta as pessoas ignorantes à prática de atos indevidos e absurdos. A Igreja Católica Romana, por exemplo, é uma das mais supersticiosas religiões do mundo. Sua religiosidade se contrapõe ao próprio ensino bíblico, que diz pregar.

2. O estudo da superstição

As ciências que estudam a superstição são a sociologia, a etnologia, a psicanálise e a psicologia. As formas como cada uma interpreta esse fenômeno social são bem diferentes. 

a) Sociologia e Etnologia: Para as duas primeiras, a superstição seria uma fuga diante de estados de imprevisibilidade, uma resposta cultural a uma necessidade de certeza. Em outras palavras, as práticas supersticiosas e a própria magia teriam como objetivo satisfazer no indivíduo um estado de ansiedade que origina-se das suas incertezas em relação aos desafios e ao sucesso.

b) Psicanálise: Para os psicanalistas, como Freud e Carl Jung, na origem da superstição não há leis nem lógica, mas imagens sentimentais e desejos. Nela encontra-se fundamentalmente o componente emocional. Sua manifestação seria, portanto, fruto de emoções enraizadas no subconsciente, que afloram quando determinadas condições são satisfeitas. Para Freud, a superstição poderia ser considerada uma neurose obsessiva. 

c) Psicologia: Já as teorias psicológicas associam basicamente a superstição à percepção da memória, ao desenvolvimento do pensamento da criança e à aprendizagem. Como pode-se perceber, a psicologia não está tão preocupada em entender o fenômeno social da superstição, mas, sim, as diferenças, reações e interações das pessoas supersticiosas.

Em suma, todas essas ciências concordam em linhas gerais que a superstição é resultado do medo. Ora, é a falta de conhecimento que leva ao medo. A pessoa que não tem Jesus na sua vida procura abafar suas incertezas e a ansiedade diante do mundo em que vive colocando sua fé em narcóticos psicológicos, mentiras e imaginações. Quem tem Jesus, por outro lado, não tem medo da vida. Disse Jesus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (...) Se o Filho vos libertar, verdadeira-mente sereis livres” (Jo 8.32,36); “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6).

A pessoa que aceitou Jesus como Senhor e Salvador de sua vida sabe que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Ele sabe de onde veio, quem é, o que está fazendo aqui e para onde vai. Ele conhece como será o fim, não vive de mentiras e em incertezas, mas ama e vive a Verdade, que é a única coisa que liberta realmente o ser humano.

3. Os mais supersticiosos

Quem pensa que a superstição é uma prática apenas da grande massa desprovida de conhecimentos formais está muito enganado. Alguns acreditam até que ela é ainda mais comum entre pessoas de classe mais alta, principalmente as de poder e mando. 

Conta-se que quando Napoleão Bonaparte, aos 27 anos, estava em uma batalha na Itália, conseguiu notar em meio ao intenso combate que no seu bolso se quebrara o vidro que protegia a miniatura de Josefina. Ao constatar isso, o imperador empalideceu terrivelmente, parou seu cavalo e disse: “Quebrou-se o vidro! Minha mulher está doente ou é infiel. Mas, prossigamos!” 

Segundo especialistas, as mulheres e os jovens (principalmente os de 18 a 24 anos) são os mais suscetíveis a crenças supersticiosas, pseudocientíficas, e a incidência de supersticiosidade é maior entre pessoas que têm atividades que envolvem riscos, como, por exemplo, atores, pilotos, pescadores e esportistas.

4. O medo de agosto

O mês de agosto é o mais marcado pela supersticiosidade no mundo.

a) Origem: Foram os romanos que deram ao oitavo mês do ano o nome de agosto, em homenagem ao imperador Augusto. Na época, o imperador estava logrando grandes vitórias, destacando-se entre elas a conquista do Egito e a sua elevação a cônsul. No entanto, foi entre os romanos que o mês de agosto começou a ser considerado azarento, embora não se saiba exatamente o porquê.  O que hoje sabemos é que os romanos acreditavam na existência de um dragão gigantesco e terrível que, durante o mês de agosto, passeava pelo céu cuspindo fogo pelas narinas. Posteriormente, a superstição foi explicada: tratava-se da constelação de Leão nos céus do hemisfério norte naquele período do ano. 

b) Ressurgimento em Portugal: O medo de agosto ressurgiu em Portugal no período das grandes navegações. As mulheres portuguesas não casavam nunca no oitavo mês, porque era nessa época que os navios das expedições saíam à procura de novas terras. Portanto, casar em agosto significava ficar sozinha e às vezes sem lua-de-mel. Algumas jovens senhoras ficavam viúvas. 

c) No Brasil: Com a colonização do Brasil pelos portugueses, essa superstição chegou ao continente americano e se espalhou. Daí o dito popular “Casar em agosto traz desgosto”. 

d) Na cultura africana: A cultura africana também demonizou o mês de agosto. Até hoje, o chamado “dia em que o Diabo anda solto”, e que nos candomblés brasileiros é o dia de todos os exus, é 24 de agosto.

e) Na América do Sul: Em alguns países da América do Sul, houve variações, frutos da má fama do mês combinada com ocorrências locais coincidentes. Na Argentina, por exemplo, muitos não lavam a cabeça em agosto porque acreditam que isso chama a morte. Há também as razões climáticas. Em muitos países, acredita-se que as assombrações, fantasmas que gemem e arrastam correntes, almas penadas que balançam as redes de quem dorme e outras coisas similares acontecem em agosto, porque este é o mês do frio e da ventania. Agosto também é o mês do “cachorro louco”. 

f) Na França: Cada país tem lá os seus motivos. Na França, o mês é malquisto porque em 24 de  agosto de 1572 Catarina de Medici ordenou o massacre de São Batolomeu, que tirou a vida de dezenas de milhares de pessoas. 

g) Na Polônia: Na Polônia, ele desperta antipatia porque em 14 de agosto de 1831 os poloneses foram derrotados pelos russos na Revolta de Varsóvia, que também matou muita gente. 

h) Em Marrocos, Cambodja e outros: Em Marrocos,  a explicação é que em 14 de agosto de 1844 a França invadiu o país.  Em Cambodja, porque em 11 de agosto de 1863 a França tomou a nação. Na Alemanha, em 3 de agosto de 1932, Hitler assumiu o governo alemão após a morte de seu antecessor. Na China, em 8 de agosto de 1937 o Japão invadiu Pequim, derramando muito sangue. No Japão, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, as cidades de Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas. Aliás, a Europa, de forma geral, ficou traumatizada com agosto porque foi neste mês que tiveram início tanto a Primeira quanto a Segunda Guerra Mundial. A guerra entre Paquistão e Índia começou em agosto de 1965.

O grande problema dessa teoria é que ela se esquece que em todos os meses do ano há registros de grandes fatos terríveis da História. Essas coisas não são exclusividade do mês de agosto. Só para citar um exemplo: o mês de setembro. Quem não se lembra do 11 de setembro de 2001? E do sangrento golpe no Chile, ocorrido na mesma data? E do “Setembro Negro”? Nem por isso setembro é visto como um mês amaldiçoado.

Para o cristão genuíno, todos os dias trazem consigo dificuldades (Mt 6.34), mas com Deus todos eles são uma bênção: “Este é o dia que fez o Senhor: regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118.24).

5. Crendices, simpatias e magias

Quando falamos de superstição, necessariamente temos que falar de crendices, simpatias e magia.

a) Definições: Crendice é uma crença insólita baseada no medo, mas em um medo específico. Ela só existe em relação a espíritos e feitiços. Alguns dos exemplos mais claros são a confiança em despachos depositados nas encruzilhadas, búzios, quiromantes, cartomantes, astrologia, amuletos e coisas do tipo, tudo com o objetivo de se proteger de espíritos malignos e maldições. 

b) Exemplos: As culturas africanas, com todo o seu animismo, são um exemplo nítido de crendice. A Igreja Católica Romana, cheia de elementos de toque, é também outro exemplo. O terço, as benzas, a idolatria e a água benta são crendices. Elas não atingem só o povo em geral, mas também a liderança do catolicismo, considerada “mais esclarecida”. Alguns exemplos são célebres. Conta-se que o papa Alexandre sempre pendurava ao pescoço o chamado “Santíssimo Sacramento” encerrado em um globo de ouro para que fosse livre dos males. Isso depois tornou-se costume de muitos papas. Devido à similaridade entre a cultura afro e o catolicismo no que diz respeito à superstição, essas duas vertentes são normalmente assimiladas e entrelaçadas pelo povo, formando um dos maiores sincretismos religiosos do mundo. É comum no país, por exemplo, a identificação de Aparecida com Iemanjá e a veneração de São Jorge por macumbeiros e católicos romanos. 

c) Simpatias: As simpatias, por sua vez, não estão ligadas necessariamente a religiões. Elas estão intimamente atreladas ao folclore e costumes do povo. São crenças populares difundidas oralmente, de geração em geração, e que têm suas origens no próprio povo. O povo as cria e recicla com o passar do tempo. 

d)  Exemplos: As primeiras simpatias de que se tem notícia datam historicamente do Antigo Egito. Séculos depois, destacam-se os celtas, na antiga Britânia. Os druidas, daquela região, formularam a arte das simpatias se servindo dos bosques das florestas para realizar suas reuniões. Na Idade Média, eram confundidos com bruxos, o que levou homens e mulheres à fogueira. Na verdade, muitos deles haviam se tornado mesmo verdadeiros feiticeiros, mas obviamente isso não justifica suas mortes.

As simpatias chegaram no Brasil por meio dos    portugueses e, sobretudo, dos escravos advindos da África. Muitos imigrantes que aqui chegaram nos séculos 19 e 20 trouxeram ainda mais simpatias para o país. 

e) Magia: A magia é uma superstição melhor definida como pseudociência. Ela se apresenta como ciência sem ser. Os magos do passado cultuavam o Sol e se dedicavam à adivinhação, astrologia, interpretação de sonhos, parapsicologia e paranormalidade. A magia crê que, na natureza, determinados objetos e ritos têm poderes espirituais que podem ser manipulados para o bem (magia branca) ou para o mal (magia negra).

Ainda hoje há adeptos de superstições que se apresentam também como ciências, as chamadas crenças paracientíficas, tais como astrologia, paranormalidade e ufologia, que estuda  a existência de seres extraterrestres.

6. A Bíblia condena qualquer tipo de superstição 

A Bíblia, diferentemente de muitas obras religiosas do mundo, não é baseada em superstições, mas é a Palavra de Deus (2 Tm 3.16-17). 

A Arqueologia tem mostrado dia após dia a veracidade da narrativa  bíblica, mostrando que tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos não se tratam de mitos. O Evangelho está enraizado em fatos históricos, não em mitos. Ele é baseado no testemunho ocular de vários homens, como enfatiza apóstolo Pedro: “Porque não nos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pe 1.16).

Além disso, a Palavra de Deus condena veementemente a magia e a feitiçaria, bem como a supersticiosidade. As fábulas, crendices e os falsos ensinos são combatidos nas Sagradas Escrituras (2 Tm 4.1-4). A expressão grega traduzida por fábula nesse texto de 2 Timóteo e em 1 Pedro é mythos. Ela é usada para descrever uma narrativa que, além de fictícia, é enganosa, sendo geralmente elaborada por um mestre falso com o objetivo de iludir. 

Em 1 Timóteo 1.4, Paulo exorta seu filho na fé para que “não se dê a fábulas”, neste caso uma referência às lendas forçosamente relacionadas a narrativas do Antigo Testamento.

Elas aparecem descritas pelo mesmo apóstolo em Tito 1.14 como “fábulas judaicas”.

Paulo ainda chega a ironizar a superstição judaica, chamando tais crenças sem fundamento de “fábulas profanas e de velhas” (1Tm 4.7). O apóstolo estava querendo dizer a Timóteo que, por não terem base bíblica, por serem simplesmente invenções humanas, criações que se tornaram populares para enganar o povo, eram ímpias, só servindo mesmo para entreter as conversas de velhinhas caducas. Já no caso do texto de 2 Pedro 1.16, a referência é às histórias fabulosas, crenças e superstições criadas pelos primeiros mestres gnósticos, que para difundi-las se utilizaram da divulgação de evangelhos apócrifos por eles mesmos escritos.

7. Superstição faz mal à alma e ao corpo

Segundo uma pesquisa feita por cientistas dos EUA e divulgada em 2001 pela revista British Medical Journal, as superstições causam estresse e podem levar à morte. O estudo foi realizado com japoneses e chineses, que temem o número 4 tanto quanto muitos ocidentais temem o 13. É que, em mandarim, chinês e japonês, a pronúncia das palavras “morte” e “quatro” é praticamente a mesma.

A superstição em torno do 4 é tão forte na Ásia que costumeiramente os orientais evitam morar no quarto andar, viajar no quarto dia do mês e usar placas de carro com o número 4. Segundo o estudo, liderado pelo professor David Phillips, sociólogo da Universidade da Califórnia, o número de mortes por problemas cardíacos entre chineses e japoneses é 7% maior no quarto dia do mês. Segundo o especialista, a razão dessas mortes é, em sua maioria, excesso de estresse e preocupação, que são reações que estariam  relacionados à superstição.

Pelo jeito, ser guiado pela superstição, e não pela Bíblia, não só acarreta um prejuízo eterno após a morte. Garante também uma péssima vida aqui na Terra.

(Texto publicado na Revista RESPOSTA FIEL, Ano 3, nº 8 jun/jul/ago 2003, pg.20-25.)


Glossário:
Conheça o significado de termos e expressões utilizados no estudo deste trimestre.




Para
saber mais:

Leia as obras do autor Silas Daniel:
DANIEL, Silas. Reflexões sobre a alma e o tempo: uma teologia de chrónos e kairós. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

DANIEL, Silas. Habacuque: a vitória da fé em meio ao caos. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

 



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Veja também:
- Outras lições
- Artigos
- Mapas e ilustrações



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