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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus
7.15-23.
Esboço da Lição
Introdução
I. Histórico
II. Fontes
de Autoridade
III.
Rhēma
e Logos
IV. Crenças
e Práticos
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Eco
da sedução do antigo Jardim do Éden.
Autora
Sara Alice Cavalcanti. Formada em Letras pela
UERJ, professora de Hebraico e Literatura Hebraica,
Especialista em História e Cultura Judaica e colunista do
jornal Mensageiro da Paz
Adaptação
Setor de Educação
Cristã
Palavras-chaves
Teologia da Prosperidade; Ter; Ser; Igreja-Corpo;
Igreja-Empresa.
Introdução
“Homem de Deus, há
morte na panela!” Esse grito de alerta registrado nas
Escrituras, por incrível que pareça, é tão atual e
pertinente, quando analisamos o pão, que tem sido repartido a
partir de muitos púlpitos evangélicos brasileiros, ainda com
fortes resquícios da teologia que invadiu de maneira
insidiosa o cristianismo nas últimas décadas.
A
capa de colocíntidas parece estar agarrada às folhas de muitos sermões e às aulas de seminários
e de Escola Dominical. Nossa própria linguagem revela-se
impregnada de termos que bem denunciam a presença
contaminadora do desvio doutrinário. Ainda que trabalhos de
reconhecida importância tenham sido publicados alertando
quanto ao perigo da chamada Teologia da Prosperidade,
sempre convém lançar alguns grãos a mais de farinha – e
cremos que muitos ainda serão necessários – até que o
veneno seja dissipado.
Filha da Pós-modernidade, sem a preocupação de esconder a origem, a
Teologia da Prosperidade avançou rapidamente com suas
afirmativas de que: pobreza é pecado, de que o pobre está
debaixo de maldição, assim como aquele que se acha enfermo;
Deus nos quer fazer a todos ricos nessa Terra; o homem possui
o direito de gozar uma vida terrena de pleno sucesso e o fato
de ser cristão lhe outorga o direito de requerer tais coisas
a Deus, sob o risco (para quem?) de que sua fé Nele seja
posta em dúvida.
1.
Proposições afirmadas pelos pregadores da
Teologia da Prosperidade
Para quebrar toda e qualquer resistência a essa
seqüência de inverdades, seus pregadores costumam iniciar
suas prédicas advertindo os ouvintes de que:
a)
Estão debaixo de uma
poderosa, nova e infalível revelação, normalmente citando
algum encontro especial, seja por visão, arrebatamento,
sonho ou com o próprio Senhor;
b)
Advertindo sobre o perigo de
não receber a palavra pregada como vinda da parte de Deus
– muitas vezes exortando o público a não cometer pecado
contra o “Espírito de Deus”;
c)
Alertando quanto à “ação
do Diabo”, que começará a por dúvidas acerca da pregação;
d)
Pedindo que se rejeite a
“religiosidade” e se aceite o “novo de Deus”;
e)
Diante de qualquer resistência,
assumem uma postura superior, como se a profundidade da
revelação fosse apenas privilégio de certos
“iniciados”;
f)
Concentrando toda a
responsabilidade pelo fluir ou
não da manifestação espiritual almejada na falta
de fé dos ouvintes.
Não é preciso dizer que gerou um imenso número
de ovelhas feridas, decepcionadas com Deus, consigo mesmas,
com seus pastores, iludidas por promessas, presas às dívidas
– contraídas em irresponsáveis “atos de fé” – e que
se vêem sem respostas para seus problemas, enquanto
alguns encontraram, nesse caminho, o meio de seu
enriquecimento pessoal.
Vale lembrar que o Senhor da Seara a tudo observa e que, um dia, todos nós
prestaremos contas de nossa administração. É com este
temor, além do zelo por aqueles que nos foram confiados como
discípulos e do amor que arde em nossos corações e que nos
faz clamar diária e constantemente: “Livra-me de errar!”,
“Livra-me de pecar contra Tua Palavra!”, “Livra-me de
pregar outro evangelho!”, que nos detemos mais uma vez para
meditar sobre os perigos desse nada novo desvio.
2.
Antigas Raízes.
Para a sociedade industrializada, repleta de
bens de consumo e vazia de ideais, faltou, num determinado
momento, uma teologia que justificasse, no coração do
crente, o atirar-se ao meio competitivo em que vivia, sem que
isso lhe gerasse conflitos interiores.
Era necessário trazer novos valores e, para
que fossem aceitos, revesti-los de biblicidade. A resposta foi
uma teologia que coloca palavras de estímulo à posse nos lábios
“do próprio Deus”. Junte-se a isso que tal conselho era o
que o homem queria ouvir. Embora atrelada em sua manifestação
à era Pós-moderna, na qual encontrou o pluralismo, o
relativismo, a mentalidade
empresarial, podemos dizer que as raízes dessa teologia são
mais distantes no tempo.
A concupiscência dos olhos, estimulada pela sedução satânica, abriu a
porta do caminho à cobiça já no Éden. Enquanto a indução
sussurrava dúvidas à Palavra de Deus e às suas intenções,
os olhos de Eva se enchiam antecipadamente do prazer de
possuir. “...cada um é tentado pela sua própria cobiça,
quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver
concebido, dá à luz o pecado; e o pecado consumado, gera a
morte” (Tg 1.14-15); “Cobiçais e nada tendes” (Tg 4.2).
Nada ter é, paradoxalmente, o ganho daqueles que investem sua
vida em construir celeiros para amealhar bens materiais. O
convite ao desvio, ainda que atribuído a Deus, nada mais é
do que um eco da sedução no antigo Jardim.
3.
Perigos da Teologia da Prosperidade
3.1.
No propósito de sua existência
(Ter versus Ser)
Quando se esquece de sua gloriosa criação, o
homem fica preso à civilização do espaço em que vive, e
onde o poder material triunfa. A civilização do espaço
subsiste por seus monumentos, por aquilo que se vê.
Nisso está a glória de seus participantes.
Desejosos de manipular e de construir um nome, fazem dos
objetos seu maior objetivo. Esquecem-se de que a tudo o que
fez o Senhor chamou de bom, mas a um só, ao homem, deu domínio
sobre as coisas criadas (Gn 1.26).
3.2. No alto preço a pagar (Meios
versus Fins). Para possuir é preciso alcançar. Os métodos
utilizados para isso acabam por ferir a ética cristã, uma
vez que a cobiça acaba por minar resistências morais. O
homem, então, não se importa em mentir, roubar ou jogar.
“A bênção”, aparentemente, não está mais em ganhar
o pão com o suor do trabalho honrado, mas em “se dar
bem”, não importa por quais meios.
Quantos casais têm abdicado de oficializar sua
união junto ao altar por não abrirem mão de alguma pensão
ou pecúlio? Quantos resistem às exortações contra os
jogos de azar? Quantos criticam o ensinamento bíblico dos dízimos
e ofertas ou utilizam-se da prática como barganha para com
Deus? Que dizer dos altos preços de algumas “participações”
em cultos? Nesses e noutros terríveis exemplos algo de
muito mais valioso que o dinheiro foi perdido – a aprovação
divina.
Alguns, no desejo de obter riquezas, votaram ao Senhor que, se os abençoasse,
investiriam na obra missionária. Muitos prosperaram
financeiramente, mas nem todos retornaram com as mãos
cheias de gratidão. Ninguém precisa possuir muito para dar
muito. Duas moedas podem
ser uma riqueza incomensurável. “Disse-lhe o senhor:
Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o
muito te colocarei: entra no gozo do teu senhor” (Mt
25.23).
3.3. Na relação com Deus (Senhorio
versus Serviço). A experiência do filho pródigo, antes
um ávido possuidor, depois um humilde servo, deveria tocar
os defensores da Teologia da Prosperidade. Servir a Deus é
um privilégio a nós concedido. Ele é Senhor e o único
Deus. A fina ironia expressa no Salmo 82 tem sido, muitas
vezes, interpretada como
uma declaração da divindade do homem. Era a postura do pródigo
antes de sua conversão: cheio de si, requerente,
determinista. Ao pai cabia, segundo sua visão, o dever de
atender suas petições. Afinal, era filho. Filhos e
herdeiros, devido ao sacrifício do Filho de Deus, que
assumiu a “forma de servo, sendo obediente até a morte, e
morte de cruz” (Fp 2.8), temos a consciência de que é
mister servi-lo, pois Ele é Digno. Não há, em Deus,
obrigação de atender nossas petições, embora o faça por
sua graça e misericórdia.
Determinar a Deus que faça, impor-lhe
respostas e prazos assemelha-se mais à postura da criança
mimada ao bater os pés e a fazer muxoxos. “Pedis e não
recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos
prazeres” (Tg 4.3).
Ao longo da caminhada cristã, quantas vezes
glorificamos a Deus por não ter atendido a uma determinada
oração? E quantas vezes fomos agraciados por respostas
muito além de nossas expectativas? Portanto, longe de ser
um gesto de incredulidade, acrescentar um se em
algumas de nossas orações é uma rendição ao
Soberano, reconhecendo que, embora
fazendo a Ele conhecidas todas as nossas petições,
somente Ele sabe o que é melhor para nós.
Assim, oraremos por curas que se realizarão e
por outras que o Senhor não fará realizar. Alguns idosos
de muitos dias serão levantados dos leitos e crianças de
poucos dias, por vezes, morrerão. Não nos foi dado
especular, mas orar com fé, sabendo que nenhuma oração a
Deus volta vazia, mas que algo superior está sendo efetuado mesmo antes de nós
pedirmos. É preciso resgatar a postura de entrega humilde
que o pródigo conseguiu conquistar: “Faze-me como um de
teus trabalhadores!” (Lc 15.11-32).
3.4. Na relação com o próximo
(Possuir versus Partilhar). Um dos mais terríveis danos da
Teologia da Prosperidade está em que minou de muitos filhos
de Deus a bênção de partilhar, não apenas seus bens
materiais, mas suas alegrias e dores. “Alegrai-vos com os
que se alegram, e chorai com os que choram. Tende o mesmo
sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes
orgulhosos” (Rm 12.15-16).
A orientação bíblica foi trocada, em muitas
vidas, por uma postura de acusação ao próximo. Assim, se
o irmão está doente é porque pecou. Se estiver em
dificuldade é porque não tem fé. Se seu carro foi roubado
é porque há algo de errado em sua vida. Se um casal gerou
um filho portador de alguma deficiência, logo está debaixo
de maldição. Arrazoando, buscando causas ocultas, perderam
aquela sensibilidade de achegar-se ao ir-mão, dividir um
sentimento e emprestar a voz em concordância às suas petições.
Em alguns ministérios, pessoas que estejam
passando por problemas de saúde são impedidas de orar pela
cura de outra pessoa, entendendo-se que está sob peso
espiritual. Quedemo-nos a pensar no Senhor ferido na cruz,
com seu lado traspassado, jazendo, e, naquele instante,
estendendo seu poder curador a todos nós. Também lembremos
de que somos chamados a consolar os outros com as mesmas
consolações com que temos sido consolados. Em lugar de
pensar no irmão enfermo como alguém sob um jugo, que tal
pensá-lo como estando debaixo de tremenda unção
fortalecedora, consoladora e, Deus sabe, curadora?
Também quanto aos bens materiais, não sei se houve, em outra época da
história da Igreja, igual quantidade de carros, casas, sítios,
etc, declarados “consagrados”. Parece que trocamos o
simples gesto de consagrar a vida, entendendo que, conseqüentemente,
todo o restante estaria consagrado, e passamos a fazer uma
“consagração por parcelas”. Porém, quando o mesmo
carro se torna necessário para conduzir uma irmã grávida,
acompanhada de seus filhos, de volta para casa depois do
culto, num dia de chuva, por vezes, a consagração é
esquecida.
4.
Perigos para a Igreja
4.1.
No centro de sua mensagem
(Homem versus Cristo). Nossa mensagem é cristocêntrica. Tudo o que se distanciar disso também
está distanciado da Bíblia e precisa retornar ao alvo
original. A mensagem da Teologia da Prosperidade é
humanista. Seu centro é o desejo do coração do homem,
esteja ele controlado ou não por Deus.
O teólogo Ricardo Gondin declarou: “Hoje,
por mais que se prometa que Deus resolverá todos os
problemas e que as pessoas alcançarão a autêntica
felicidade, as multidões permanecem passivas diante da
pregação do Evangelho. Por quê? Usamos os métodos
errados?... Por que os métodos evangelísticos usados hoje
não têm a força das cruzadas de Charles Finney? Qual o
segredo de John Wesley que evitou na Inglaterra um
derramamento de sangue semelhante ao da Revolução
Francesa?” A resposta não está nos métodos, segundo
esse autor conclui, mas na mensagem. Não fomos chamados
para apregoar que todos os homens devem vir a Jesus para
receber saúde, dinheiro, casa própria, casamento...
Somos testemunhas da morte e ressurreição de
Cristo. Pregamos o arrependimento dos pecados, o perdão e a
reconciliação com Deus mediante o sangue de Jesus.
Anunciamos a Vida Eterna. Convidamos a uma vida de separação
e serviço.
Nossa mensagem não é moderna ou pós-moderna.
Mas é infalível e eterna. A pregação da prosperidade
pode ser desejada por pessoas de países com grandes
dificuldades financeiras, mas desprezada por países com boa
infra-estrutura na área da saúde, moradia e educação,
embora em muitos deles seja uma maneira de supremacia econômica
sobre os outros.
O Evangelho é a necessidade do homem em
qualquer tempo, condição e lugar. O problema primordial do
homem é o pecado.
Certa senhora buscou auxílio em uma igreja
para a cura de uma terrível ferida em sua perna, que a
afligia há anos. Uma irmã, comovida com aquele terrível
sofrimento orou. Pelo poder de Deus, a senhora foi
imediatamente curada, podendo ser visto o fechamento da
ferida e a restauração do tecido atingido. Alegres, a irmã
e suas companheiras de oração convidaram aquela senhora a
uma entrega a Jesus. A resposta foi negativa. Perguntada se
sabia quem lhe havia curado, se estava claro que o poder
emanara do Senhor e que Ele, amorosamente, a convidava a
receber algo muito mais precioso, a resposta continuou a
mesma: “Sei quem me curou. Mas não o quero...”
Não podemos perder de vista que há uma chaga maior e mais terrível do
que a que podemos ver – a chaga do pecado na alma, para a
qual somente Jesus tem a cura. “Vendo-lhes a fé, Jesus
disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus
pecados” (Lc 5.20).
5.2. Em sua missão (Monumento versus
Templos para Deus). É com alegria que vemos um belo edifício,
construído para que ali se reúna o povo de Deus. É
reconfortante ver o resultado do esforço de irmãos
dedicados que, com seus dízimos e ofertas estão procurando
fazer o melhor pela obra. Sabemos, porém, que uma bem
arquitetada construção não é o objetivo primordial da
Igreja.
Cabe a nós o cumprimento da Grande Comissão
e, para tal, não podemos poupar recursos. Num
estabelecimento de prioridades, o luxo, a suntuosidade,
enfim, a já citada aparência, que a
sociedade do espaço persegue, não podem falar mais
alto que os campos já brancos para a ceifa. Esse é outro e
gravíssimo resultado da Teologia da Prosperidade. Não
apenas pessoas estão buscando o proveito próprio, mas
igrejas deixaram as indicações prioritárias do Reino,
trocando-as por um fazer incessante em “Jerusalém” e
reservando para a “Judéia”, Samaria e os confins da
Terra’ apenas as sobras, quando existem.
Talvez não possamos mensurar o abalo que a
Teologia da Prosperidade causou, nestes últimos anos, nos
campos missionários. Ocupados em realizações monumentais,
denominações deixaram de enviar obreiros aos campos ou os
fizeram retornar. Outras, ainda, é custoso admitir,
deixaram de corresponder às expectativas daqueles que um
dia enviaram. Perderam a cosmovisão, trocaram-na por outra,
tacanha e fragmentada – pós-moderna.
Pode-se compreender que, eventualmente, falte
aos cofres da igreja o necessário para a compra de Bíblias.
O que é difícil de ser entendido é que se gaste tanto em
granitos ou acrílicos que não sobre o suficiente para uma
caixa de folhetos para a evangelização. Cada homem que se
rende aos pés da cruz é um templo amado de Deus e lugar,
por ele escolhido, para sua habitação. É a planta que lhe
é mais confortável, a que lhe dá a mais ter-na satisfação.
Se nos deixamos envaidecer por grandes estruturas, corremos o risco de
deter o melhor em vidas humanas para sua manutenção. Dessa
forma, em lugar do melhor ser entregue para o campo, é
mantido para fazer funcionar a obra local. Entendendo que a
regra é: “dai e ser-vos-á dado”, o que também se
aplica a recursos humanos.
5.3) Em sua estrutura (Organização
versus Organismo). Surge uma lógica corporativa na qual
busca-se a produtividade; focalizam-se os sistemas de
organização em detrimento da comunidade. Assim, instala-se
uma filosofia fabril para substituir o investimento em
vidas, onde a lógica é a da competição e não a da
compaixão; os números, o dinheiro e a lucratividade
sobrepujam a nutrição de vidas com a Palavra de Deus”.
Competência, visão empresarial, lucro, são palavras que
rondam reuniões ministeriais influenciadas pelos novos
ventos. Jesus passou à condição de mercadoria e as
ovelhas à condição de clientes. O mundo, como clientela
em potencial, precisa ser atraído por superproduções que
em nada devem ficar devendo aos chamados shows.
ü
Igreja – corpo ou empresa. Todos perdem em
conseqüência da falta de visão de corpo. Um organismo
vivo, organizado, afetivo, moral, onde cada um é importante
para a edificação do outro. Igreja-corpo se, por um
lado, requer trabalho e atenção, também retribui seus
obreiros e membros, que crescem juntamente. A igreja-empresa
apenas exaure. Os obreiros se dão à exaustão para depois
serem repelidos por conta de sua “baixa produtividade”.
Mesmo aos entusiastas da Teologia da Prosperidade está
reservado dias difíceis, quando não estiver mais dando o
retorno esperado, quando não der mais “ibope”. “...vós
sois Corpo de Cristo...” (1 Co 12.27).
5.4. Em sua postura profética (O que o
homem quer ouvir versus o que Deus quer falar). A Igreja não pode perder, jamais, a condição de ser
instrumento para a proclamação da vontade de Deus na
Terra. Sua mensagem, caríssima, não foi dada como objeto
de compra e venda ao mercado. Nem sempre ela atende àquilo
que o homem quer ouvir, mas ao que o Senhor faz proclamar,
por seu terno amor ao homem que criou. Falsas bênçãos são,
em algumas ocasiões, “ofertadas” às igrejas em troca
da divulgação de nomes com propósitos políticos ou
comerciais. Nesses momentos, o preço do sangue deve clamar
mais alto, fazendo outras dádivas parecerem pequenas. A
obra do Senhor tem sido feita por pessoas humildes e fiéis,
aqueles de quem fala a Palavra: “Vi os servos a cavalo, e
os príncipes andando a pé como servos sobre a terra” (Ec
10.7). Preguiça (Pv 6.6-11), inveja (Sl 85.68), avareza (Pv
28.22), extravagâncias e vícios (Pv 20.13; 23.21),
apostasia, catástrofes naturais, injustiças sociais, podem
estar entre as causas da pobreza. Mas há um fator supremo
que foge à compreensão do homem. É Deus quem
empobrece.
É Deus quem enriquece. Mesmo a distribuição
dos talentos na parábola
não foi equânime. Não terá correspondido à
capacidade administrativa de cada um? A Palavra nos ensina
que os pobres sempre estarão entre nós. Ela também nos
orienta sobre a melhor maneira de administrar os recursos e
estimula-nos a dar socorro aos necessitados.
Mesmo um simples copo d’água oferecido é
segurança de recompensa
nos céus. Pastor Isaltino Coelho Filho declarou, em
conferência: “Dinheiro não enche a alma de
significado”. É um recurso que usamos para executar, na
Terra, nossa verdadeira missão. Não é um fim em si mesmo,
e os que dele fazem senhor, encontram em Mamon um ídolo
tirano e cruel.
As adorações – ao Deus vivo e a Mamon – são
mutuamente excludentes. Alguém que pensa estar prestando um
duplo serviço se engana e acorrenta sua alma com algemas
eternas (1 Tm 6.7-8).
A simplicidade das pombas e a prudência das serpentes são uma forma
segura de caminhar nestes dias de fartura de pão, mas também
de parras bravas e até de colocíntidas. “Eis que esta
foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de
pão, e próspera ociosidade teve ela e suas filhas: mas
nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado” (Ez
16.49).
BIBLIOGRAFIA
A
BÍBLIA ANOTADA. Versão Almeida, Revista e Atualizada. São
Paulo: Mundo Cristão, 1994.
GONDIN,
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na Igreja. São Paulo: Abba, 1996.
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teológicas e filosóficas na Igreja. Rio de Janeiro:
CPAD, 2002.
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R. Filosofia para Iniciantes. São Paulo: Vida Nova,
2002.
COELHO
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evangelho. Conferência apresentada aos pastores do Sul de
Minas Gerais. www. ejesus.com.br. Arquivo 2929, 2002.
HESCHEL,
A. O Shabat – seu significado para o homem moderno. São
Paulo: Perspectiva S.A., 2000.
(Texto
publicado originalmente na Revista OBREIRO, Ano 26 – nº 26,
pg.25-29.)
Glossário:
Conheça
o significado de termos e expressões utilizados no estudo
deste trimestre.
Para
saber mais:
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Seitas
e heresias: um sinal dos tempos. RJ:
CPAD, 2002.
ROMEIRO, Paulo; RINALDI,
Natanael. Desmascarando as seitas. RJ: CPAD, 1996.
SOARES,
Esequias. Manual de
apologética cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
GEISLER,
Norman L.: RHODES, Ron. Respostas às Seitas. RJ, CPAD, 2000
Revista
Resposta Fiel. RJ: CPAD.
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