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Leitura
Bíblica em Classe
Gálatas
3.19-26; 4.9-11.
Esboço da Lição
Introdução
I. Os
Primeiros Judaizantes
II. Os
Objetivos da Lei
III.
A
Questão do Sábado
IV. O
Sábado e o Kashruth
Conclusão
Tema
deste Subsídio
O
Anti-semita e o Judaizante: Pólos
que devemos evitar.
Autora
Sara
Alice Cavalcanti.
Formada em Letras pela UERJ, professora de Hebraico e
Literatura Hebraica, Especialista em História e Cultura
Judaica e colunista do jornal Mensageiro da Paz.
Adaptação
Setor de Educação
Cristã
Palavras-chaves
Semita;
Semitismo; Judaísmo; Anti-semitismo; Cultura Judaica.
Introdução
Entre
o ódio e a idolatria oscilam os corações de cristãos evangélicos
acerca do povo e do Estado judeus. Enquanto a acusação de
deicídio alimenta, em alguns púlpitos, o desprezo aos filhos
de Israel, outros ministérios optam pelo uso de símbolos da
cultura judaica em seus cultos.
Os
extremos dessas variações revelam o antigo anti-semitismo ou
o farisaísmo revivido nas posturas judaizantes. Os dois pólos
demonstram falta de entendimento bíblico do papel presente e
futuro dos descendentes de Abraão.
A
Inglaterra é exemplo de uma nação que viveu esse movimento
pendular. Em 1290, ela expulsou os judeus de seu território
e, em 1650, sob a influência de cristãos pré-milenistas,
chamou-os ao retorno, num momento em que eram fortes as tendências
judaicas na Teologia daquele país.
1.
Anti-semitismo
O
anti-semitismo poderia ser entendido como o antagonismo à
descendência de Sem, filho de Noé. Nesse caso, todos os
povos semitas estariam incluídos. A aplicação mais comum do
termo, no entanto, é à descendência física de Abraão. O
ódio e a conseqüente perseguição aos judeus caracterizaria
o anti-semitismo que, ao longo da História, alcançou momento
de extrema violência.
a)
A
Perseguição romana.
Segundo historiadores, mais de 14 milhões de judeus foram
mortos desde o ano 70 d.C. A data marca a destruição do
Templo pelos romanos e a dispersão dos judeus pelas nações.
Se o Império Romano foi responsável pelo massacre ocorrido
na ocasião, a Roma “cristianizada” foi, por sua vez,
responsável pelos horrores das Cruzadas e da Inquisição.
b)
A
perseguição russa e alemã e sua extensão mulçumana.
A Rússia czarista, com os “pogrons”, e a Alemanha
nazista, com o holocausto, levaram adiante a bandeira do
extermínio dos judeus, hoje passada, como um bastão numa
corrida de revezamento, aos terroristas islâmicos. Hamã,
na antiga Pérsia, já destilava anti-semitismo em atos políticos,
manipulações e conchavos com o intuito de perverter as ações
reais e destruir aqueles que tomou como seus inimigos. No
curso dos acontecimentos, observamos que prevaleceu o
decreto do Rei dos reis a favor de Israel: “Abençoarei
os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”.
Com seu ódio, Hamã tipifica o grande mentor do
anti-semitismo secular – Satanás. Entende-se tal
sentimento: Jesus, Aquele que foi prometido desde o Éden, o
único poderoso para destruí-lo, nasceria de Abraão.
Aquele que esmigalharia a cabeça da serpente viria ao mundo
como judeu. Usando Ramsés ou Herodes, Satanás tentou
impedir a chegada de seu destruidor. Usando Torquemada,
Hitler ou Arafat vingou-se da “mulher [Israel] que deu à
luz a um filho varão [Jesus]” (Ap 12.13). É necessário
entender que o Diabo, “príncipe deste mundo”, age nos
filhos da desobediência suscitando o ódio. Especialmente
agora, sabendo que “pouco tempo lhe resta”, seduz os
corações dos homens, especialmente o dos poderosos, para
lançá-los na conta de Israel e assim tocar aquela que é a
“menina dos olhos de Deus” (Zc 2.8) sabendo que, nela
tocando, fere-O diretamente. Para estar a salvo do
anti-semitismo, a Igreja precisa aprofundar seu conhecimento
das Escrituras. Nelas são revelados os propósitos do
Senhor para com Israel. Por ignorância ou preconceito, nem
sempre a Igreja acertou o alvo. No dizer de um judeu:
“Primeiro nos disseram: ‘Vocês não merecem viver entre
nós como judeus’. Depois nos disseram: ‘Vocês não
merecem viver entre nós’. Finalmente decretaram: ‘Não
merecem viver’”. Ações erradas partem de teologias
equivocadas.
c)
A
Teologia da Substituição
apregoou e apregoa que Israel deixou de ser alvo dos planos
de Deus, sendo substituída pela Igreja. Ora, a existência
da Igreja não anulará jamais a necessidade essencial de
Deus ser fiel a Si mesmo e à palavra que proferiu. Baseado
na substituição, o anti-semitismo evangélico foi o
pano-de-fundo teológico que levou ramos da Igreja alemã e
outros a, no mínimo, cruzar os braços (quando não apoiar)
o holocausto.
d)
No
Brasil,
onde o anti-semitismo foi alimentado pelas idéias de
Gabineau (amigo pessoal do imperador Dom Pedro II) e de Le
Bon, os conceitos de superioridade racial levaram às políticas
de branqueamento que ainda vigoravam a Era Vargas, e sendo
amplamente repetidas como conceitos “científicos” nas
escolas, reafirmadas em verbetes preconceituosos de enciclopédias
e dicionários. Outros livros omitem o sofrimento dos judeus
durante a Inquisição ou durante o regime nazistas. Livros
nacionais desprezam a presença judaica na formação do
povo brasileiro.
Em
consequência disso e sem a adequada refutação bíblica,
muitos cristãos carregam o peso de uma tradição de ódio
aos judeus. Quantos ainda acreditam que “todos os judeus são
ricos”, que “judeus são avarentos” ou que “Jesus
morreu por culpa dos judeus”. No entanto, a razão da nossa
fé está em Jesus, nascido judeu, imerso nas tradições
culturais de Seu povo para, a partir daí, alcançar todas as
nações da Terra.
2.
Por
amor de Sião
Quando
os ramos de jambuzeiro enxertado na oliveira reconhecem que
Deus pode facilmente reenxertar nela os ramos naturais, o
anti-semitismo é vencido pelo amor.
O
ex-primeiro ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, declarou
certa vez que os cristãos se anteciparam “ao movimento
sionista moderno em pelo menos meio século”.
Quando
nossos irmãos, antes de 1948, pregavam sobre o retorno dos
judeus dentre as nações e o restabelecimento da nação de
Israel, isso parecia distante ou impossível ao ouvido de
alguns. A Palavra inspirava os pregadores: “Canta e exulta,
ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de
ti, diz o Senhor” (Zc 2.10).
Sabemos
que virão tempos difíceis para a descendência de Israel após
o Arrebatamento da Igreja, mas o Senhor tratará com eles e
salvará para Si um povo. Quando as forças do Anticristo se
levantarem contra Israel, o Senhor entrará em juízo com elas
(Jl 3.1-2).
Todas
as promessas serão cumpridas: a posse da terra, desde o rio
do Egito até o rio Eufrates; o sacerdócio no Templo milenial;
a Raiz de Davi reinando eternamente; e a alegria da “Filha
de Sião”, quando vir o seu Senhor habitando e reinando no
meio dela. A esperança será cumprida (Zc 12.9-10).
Firmados
numa base teológica bíblica, pregadores cristãos pré-milenistas
como Arno Gaebelein (século 19) e William Blackstone
(reconhecido pela comunidade judaica por seu amor a Israel) e
muitos outros defenderam no passado o que seus sucessores continuam a defender: a infalibilidade das promessas e do
amor de Deus, ressuscitando Israel como a um vale de ossos
secos.
3.
Movimento
judaizante
Perigoso
desvio tem levado alguns irmãos a uma postura para com Israel
que chega à idolatria. Não é um toque de shofar (instrumento
musical feito de chifre de carneiro ou antílope) ou a presença
de uma menorah (candelabro de sete lâmpadas de ampla
simbologia) que torna uma igreja judaizante.
Também
as festas, quando tomadas como recurso que possa propiciar ao
povo um ensino da simbologia veterotestamentária e sua aplicação
à experiência cristã, não constituem um problema em si
mesmas. Ainda parece melhor realizar uma celebração sob
inspiração bíblica, seja ela uma “Festa da grande
pesca” ou “Festa da volta do filho pródigo”, do que
adotar costumes pagãos, transportando-os para o seio da
Igreja. O cuidado especial que se deve ter é jamais desviar o
foco das verdadeiras e mais significativas de nossas celebrações:
o Batismo e a Santa Ceia.
3.1.
Exageros e Contradições
O problema do uso de objetos como Kippah (cobertura
para a cabeça) e o talid (manto judeu de orações),
além das festas judaicas, é que, por trás do uso, se
esconde a substituição da graça pelo ritual religioso.
A
ênfase do cerimonial do culto disfarça a prevalência da
forma. A forma tende a substituir a essência,
principalmente quando alcança status salvífico.
Grupos
há que iniciaram por estabelecer as festas judaicas como
eventos isolados, como eventos estratégicos para o ensino e
a evangelização.
A
prática, quando não administrada com sabedoria, leva ao
que aconteceu com tais grupos: o que era eventual tornou-se
calendário eclesiástico; outras práticas foram
acrescentadas; chegaram à obrigatoriedade da circuncisão.
Existem mesmo os que julgam que para invocar Deus é mister
fazer uso de seus nomes em hebraico. Proíbem o nome de
Jesus, exigindo sua forma hebraica Yeshua.
Ainda
é necessário dizer que as águas do Jordão não lavam
pecados e que o óleo vindo de Israel não tem mais poder do
que um óleo de outra procedência, sendo um símbolo da unção
de Deus, derramada do alto.
O
apego à forma era a prática farisaica nos dias de Jesus.
Mesmo entre os nascidos de novo houve aqueles que se
apegaram às antigas práticas e deram trabalho a Paulo em
seu ministério aos gentios. O grupo de judaizantes, desde
então, tem provocado polêmica. Pior do que isso, tem
despertado no coração de líderes zelosos aversão por
tudo que diga respeito aos judeus, com prejuízo do que se
poderia adquirir num contato equilibrado e firme em sua
ortodoxia.
4.
Mesmas
trevas
Quer no anti-semitismo, quer na idolatria aos costumes judeus,
percebe- se a ação das trevas. Desvia-se do amor caem no ódio
aos judeus, desviados da prática sucumbem aos costumes que não
salvam.
Talvez
alguém defenda a aproximação às praticas judaicas como
prova de amor a Sião. E o que ocorre é que dificilmente
aquele que diz que ama os judeus sabe que a ação desse amor
é a evangelização mundial.
4.1.
Amor a Israel e Missões.
Uma Igreja que ama os judeus não pretende ser uma igreja
judaica. Ela evangeliza, faz missões, para que o tempo dos
gentios se cumpra, e o Senhor nos arrebate e volte a tratar
diretamente com a nação de Israel nos tempos trabalhosos
que virão. Se a Igreja de Cristo assim procede, não teme
um mergulho nas sombras da Antiga Aliança reconhecendo que somos participantes daquela revelação.
Assim,
qualquer semelhança com Israel é naturalmente entendida
como um entrelaçamento dos ramos, naturais ou enxertados,
da mesma oliveira.
(Publicado
originalmente in Revista RESPOSTA FIEL, Ano
5, nº 18, pg.7-9.)
Glossário:
Conheça
o significado de termos e expressões utilizados no estudo
deste trimestre.
Entrevista:
Paulo
Romeiro, é apologista e o maior especialista em modismos
teológicos no Brasil, alerta sobre
movimentos religiosos que distorcem o conteúdo do Evangelho e
como tratar vítimas dessas distorções.
Para
saber mais:
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Seitas
e heresias: um sinal dos tempos. RJ:
CPAD, 2002.
ROMEIRO, Paulo; RINALDI,
Natanael. Desmascarando as seitas. RJ: CPAD, 1996.
SOARES,
Esequias. Manual de
apologética cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
GEISLER,
Norman L.: RHODES, Ron. Respostas às Seitas. RJ, CPAD, 2000
Revista
Resposta Fiel. RJ: CPAD.
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