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Leitura
Bíblica em Classe
Romanos 1.21-15.
Esboço da Lição
Introdução
I.
O Homem Interior
II.
A Cura Interior
III.
O que é Regressão Psicológica?
IV.
A Regressão Psicológica no G-12
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Hipnose Técnica
Ocultista Travestida de Ciência.
Autor
Jorge
de Andrade. Formado em Teologia e Jornalismo, articulista dos
periódicos da CPAD e editor da revista Manual do Obreiro.
Adaptação
Setor de Educação
Cristã
Palavras-chaves
Hipnose; Ocultismo; Cura Interior; Psicologia; Terapia.
Introdução
Em
tempos de grande estresse e tensão gerados a partir da
organização urbana da vida social, ressurge no cenário mais
um modismo – a hipnose, que alega oferecer alívio imediato
aos problemas hodiernos.
Em
vários países ocidentais, a hipnose tem se tornado uma
ferramenta terapêutica para alguns profissionais de saúde,
que com ela pretendem ajudar seus clientes a deixarem o
tabagismo, problemas de obesidade, ansiedade, medos, fobias,
enxaqueca e asma, e a melhorar sua vida sexual. Tratamentos de
quimioterapia sem náuseas, indução à cura com maior
rapidez, evitando os desconfortos do pós-operatório, e a
melhoria da qualidade de vida em geral são alguns argumentos
atrativos para os leigos.
De
acordo com a matéria Hipnose, produzida pela repórter
Danielle Soares, da Agência Brasil (25/1/2003), a hipnose pode
ser a solução para o medo de certos pacientes que se
assentam na cadeira do dentista, pois odontólogos brasileiros
estão usando as técnicas hipnóticas em conjunto com óxido
nitroso para relaxar clientes, minimizar dores e sangramento.
Assim, hipnose e sedação passaram a fazer parte das novas técnicas
odontológicas. O tema foi discutido no 21º Congresso
Internacional de Odontologia de São Paulo, promovido pela
Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). E,
segundo Pedro
Polimeni Filho, diretor do grupo de estudos de hipnose da
APCD, as pessoas estão condicionadas a procurarem a hipnose
porque já esgotaram todas as alternativas, por isso o
processo é um sucesso.
1.
O que é hipnose?
1.1.
Conceito.
Hipnose é a indução deliberada à condição de profundo
relaxamento mental, passividade ou transe parecido com sono,
no qual a pessoa torna-se altamente sugestionável e flexível
dentro de um estado de consciência passível de manipulação
às vezes
até com expressões dramáticas.
1.2.
Hipnose como terapia.
A hipnose na terapia busca tratar problemas pelo emprego de
estados hipnóticos ou informações para mudança de
comportamento.
A regressão hipnótica na psicoterapia usualmente leva a
pessoa de volta ao passado ou infância para sepultar memórias,
de forma a resolver conflitos escondidos. Na Nova Era e nas
aplicações ocultistas, a hipnose regressiva é usada para
uma ampla variedade de fins psíquicos, incluindo o
desenvolvimento por terapia do potencial humano e “a
descoberta de vidas passadas”, o que se constitui prática
ocultista.
1.3.
A base da Hipnose. A
base da hipnose é a fixação da atenção em objetos sob uma
gradual fonte de estimulação até que a pessoa fique sob a
condução do hipnotizador. Essa variação é realizável
pela repetição de instruções em baixo volume de voz ou
pelo hipnotismo do olhar da pessoa fito sobre um objeto fixo
ou móvel sob a luz ou num quarto escuro.
1.4.
Sugestões pós-hipnóticas.
Uma das características da hipnose é que o paciente
hipnotizado não se lembra de nada do que aconteceu durante o
período de hipnotismo e certas atitudes podem ser
sugestionadas para continuarem agindo depois que a pessoa
retorna à consciência. Essas são as chamadas sugestões
pós-hipnóticas.
2.
Hipnose não é novidade
A
hipnose tem sido usada há centenas de anos por curandeiros, médiuns,
pajés, hindus, budistas e iogues.
2.1.
Hipnose e ocultismo.
Não é preciso voltar muito no tempo para perceber a associação
da hipnose com o ocultismo. De acordo com Cathy Burns, os
hipnotizadores referem-se à atividade como sessão. De fato,
historicamente a hipnose tem sido vista como parte do
ocultismo. Um artigo assinado pelo especialista Kerry Pechter
e publicado na revista secular norte-americana Prevention
trouxe luz ao assunto: “Assim
como a alquimia e a astrologia, a prática da hipnose pertence
ao mundo do ocultismo”.
Outro
especialista diz: “Curandeiros, praticantes de Sufi, espíritas,
hindus, budistas e iogues têm praticado a hipnose”. Na Índia,
a pratica é antiga e conhecida como Jar-phook. Não é
preciso então cruzar o oceano para perceber que a hipnose está
ligada ao oculto. O seu ritual e a dança eram elementos na
comunicação dos feiticeiros com os espíritos, entre os índios
da América do Norte.
2.2.
O cristão e a hipnose.
Qualquer pesquisador sincero não pode negar essa conexão da
hipnose com o ocultismo. Portanto, nenhum cristão deve se
envolver com a hipnose. Com que base pode-se fazer essa afirmação? Vejamos: “Entre ti não achará quem faça passar pelo
fogo a seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem
prognosticador, nem agoureiro, nem quem consulte os mortos;
pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor;
e por essas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de
diante de ti” (Dt 28.10-12).
De
acordo com o pesquisador e apologista David Hunt as palavras
adivinhador e prognosticador compreendem
elementos “que tornaram-se aceitáveis pela Medicina
e Psiquiatria e envolvem essas antigas práticas mais
recentemente conhecidas como hipnose”. A Palavra de Deus é
enfática: “Não agourareis nem adivinhareis” (Lv
19.26b).
3.
Hipnose pode fugir ao controle
Embora um hipnotizador encoraje somente um leve ou médio
transe, ele não pode prevenir o hipnotizado de ir a uma área
perigosa, a qual pode incluir o senso de separação do corpo,
parecendo clarividência, alucinação, estados místicos
similares àqueles descritos por místicos orientais, à
semelhança do que o pesquisador norte-americano Ernest
Hilgard descreveu como possessão demoníaca.
Em
Mococa, interior de São Paulo, um escândalo envolvendo
hipnose abalou a região, conforme noticiou o Jornal
da Tarde em 9 de junho de 2001. O padre Fernando Jorge
chegou a ser preso porque hipnotizou uma doméstica, que fora
lhe pedir conselhos.
O patrão, intrigado com o relato, acompanhou a doméstica à
igreja e avisou para ela tentar abrir a porta do gabinete do
padre caso o fato se repetisse. Após 30 minutos, o padre
trancou a porta e o patrão da moça tentou arrombá-la.
Quando conseguiu, viu a moça nua, aos gritos, saindo
desesperada pelas ruas de Mococa. Nesse instante, o padre
estava ajeitando a calça.
O
cientista, prêmio Nobel, John Eccles, disse que a mente
humana é “uma máquina na qual fantasmas podem operar”.
Milhões de pessoas estão abrindo suas mentes a fantasmas
(demônios) através de um estado alterado de consciência.
Mas o que é isso? De acordo com os especialistas John
Ankerberg e John Weldon, é o cultivo deliberado de um estado
anômalo de consciência, estados normalmente experimentados
fora de técnicas específicas ou programa para desenvolvê-los.
4.
Por que a hipnose é perigosa?
4.1.
Hipnose e sugestionabilidade.
De acordo com Hunt, “a introdução à hipnose consiste em
um sistema de manipulação verbal e não verbal para levar a
pessoa a um elevado estado de sugestionabilidade, à condição
na qual qualquer um irá acreditar em qualquer coisa”. Essa
afirmação implica no fato de que o hipnotizado pode ouvir
uma mentira e acreditar nela.
Na
opinião de Bernard Diamond, professor de psiquiatria jurídica,
em artigo no Califórnia
Law review, uma pessoa sob estado hipnótico poderia
“enxertar em suas memórias fantasias e sugestões
deliberada e inconscientemente comunicadas pelo hipnotizador e,
após a hipnose, o indivíduo não poderia diferenciar a
verdade entre a recordação e a fantasia ou um detalhe
sugestionado”.
4.2.
Ação diabólica.
A hipnose é perigosa porque a mente perde a distinção entre
o fato e a fantasia (verdadeiro ou falso), o que abre
oportunidade para Satanás agir. Nos anos 80, um grupo de 6
mil pessoas envolveu-se com pesquisas em hipnose. Desse grupo,
mais da metade dos hipnotizados disseram que viveram vidas
passadas ou em outros planetas. Isso é antibíblico (Hb
9.27).
De
acordo com estudos do pesquisador Peter Francuch, “as
pessoas que foram hipnotizadas
eram capazes de descrever precisamente em minutos o que
aconteceu com amigos, distantes 300 quilômetros naquele
momento. Ao mesmo tempo, a pessoa era capaz de descrever o que
aconteceu havia um mês, um ano, ou dez anos no mesmo
lugar”.
Como
isso é possível? Contato demoníaco! Um autor da Nova Era
alega que a hipnose pode abrir a porta para experiências
espirituais de muitos tipos e, em uma pessoa emocionalmente
instável, insegura ou neurótica, a possibilidade de obsessão
ou invasão sobrenatural de um tipo ou de outra é sempre
presente. Em Atos 16.16-18, vemos a força dos poderes
espirituais.
5.
Técnicas de hipnose em igrejas
Uma variada gama de psicoterapias disfarçadas sob uma
terminologia cristã estão agora fazendo estragos em algumas
igrejas, levando os crentes a afastarem-se de Deus e a
deslocarem sua fé às técnicas persuasivas, e aos seus
mestres, geralmente amantes de si mesmos. As mais nocivas são
as terapias regressivas, criadas para sondar o inconsciente do
indivíduo à procura de lembranças escondidas que
supostamente causam males que vão desde a depressão até os
acessos de ira e às más condutas sexuais. Uma mistura de
aspectos das teorias freudianas e jungianas, baseadas no
ocultismo há décadas, vêm causando um impacto destrutivo na
sociedade.
6.
A chamada cura interior
David Hunt, em sua obra A Sedução do Cristianismo,
afirma que a forma mais popular de terapia de regressão é a
chamada “cura interior”, introduzida entre os crentes pela
ocultista Agnes Sanford. No início predominava entre igrejas
carismáticas e liberais, mas espalhou-se amplamente nos
círculos evangélicos, onde é praticada de forma mais
sofisticada por psicólogos e igualmente por terapeutas leigos
como os norte- americanos Fred e Florence Littauer. A
insistência veemente dos Littauer de que rara é a pessoa
“que pode dizer que verdadeiramente teve uma infância
feliz” certamente condiciona seus aconselhados a recobrar
memórias traumáticas e infelizes.
Mesmo
que fosse possível, com precisão e segurança, deveríamos
sondar o passado para trazer à tona memórias esquecidas?
Notoriamente, a memória é enganosa e está a serviço do
ego. É fácil persuadir alguém a “lembrar-se” de algo
que jamais pode ter ocorrido. Pela sua própria natureza, tal
como outras formas de psicoterapias, a cura interior cria
falsas memórias. Além disso, por que deverá alguém revelar
a lembrança de um abuso passado para que possa ter um bom
relacionamento com Deus? Onde se encontra isso na Bíblia? Se
parcelas do passado devem ser lembradas, por que não cada
detalhe? Essa tarefa se mostraria impossível. Entretanto, uma
vez aceita essa teoria, jamais se terá certeza de que algum
trauma não continue escondido no inconsciente – um trauma
que detém a chave do bem-estar emocional e espiritual!
7.
Novidade de vida
Contrastando com essa idéia, Paulo esquecia-se do passado e
prosseguia para o prêmio prometido (Fp 3.13-14) a todos
quantos amam a Vinda de Cristo (2Tm 4.7-8). Se os cristãos
são verdadeiramente novas criaturas, as conseqüências do
passado são insignificantes para quem “as coisas antigas
já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).
Investigar o passado de alguém a fim de achar uma
explicação para o seu comportamento atual choca-se com o
ensino completo das Escrituras. Pode parecer uma ajuda por
algum tempo, mas, na realidade, está tirando da pessoa a
solução bíblica através de Cristo. O que importa não é o
passado, mas o nosso relacionamento pessoal com Cristo
agora.
Mesmo
assim, muitas pessoas afirmam ter sido ajudadas pela terapia
regressiva. Descobrir a causa em um trauma passado
(seja real ou uma “memória” implantada por sugestão no
processo terapêutico) pode produzir uma mudança de atitude e
de comportamento por algum tempo. No entanto, mais cedo ou
mais tarde, voltará a depressão ou a ira, a frustração ou
a tentação, levando a pessoa a renovar a busca no passado
para descobrir o trauma “chave”, cuja lembrança ainda
não foi revelada. E assim continuamente.
Jamais
se encontra na Bíblia alusão a José, Davi, Daniel ou
qualquer outro herói da fé precisando de terapias
como as que estão por aí, consideradas hoje tão
vitais e eficazes. Foi quando Jó teve um vislumbre de Deus e
disse “Eu me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó
42.6) que ele foi restaurado pelo Senhor. Foi também quando
Isaías teve a visão de Deus e clamou: “Ai de mim!” (Is
6.1-8) que Deus pôde usá-lo. Precisamos mudar o foco de
nossa atenção, volvendo os olhos para o Senhor e não para
nós mesmos. O fruto do Espírito não vem como resultado de
compreendermos a nós mesmos através do uso de técnicas ou
análises humanistas, mesmo revestidas de linguagem bíblica,
mas pela manifestação do poder do Espírito Santo em nossa
fraqueza. Seja dependente de Deus o suficiente para que Ele
possa usá-lo!
(Publicado
originalmente in Revista RESPOSTA FIEL, Ano
4, nº 12, jun/jul/ago de 2006, pg.7-9.)
Glossário:
Conheça
o significado de termos e expressões utilizados no estudo
deste trimestre.
Entrevista:
Paulo
Romeiro, é apologista e o maior especialista em modismos
teológicos no Brasil, alerta sobre
movimentos religiosos que distorcem o conteúdo do Evangelho e
como tratar vítimas dessas distorções.
Para
saber mais:
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Seitas
e heresias: um sinal dos tempos. RJ:
CPAD, 2002.
ROMEIRO, Paulo; RINALDI,
Natanael. Desmascarando as seitas. RJ: CPAD, 1996.
SOARES, Esequias. Manual de
apologética cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
GEISLER,
Norman L.: RHODES, Ron. Respostas às Seitas. RJ, CPAD, 2000
Revista
Resposta Fiel. RJ: CPAD.
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