|
Leitura
Bíblica em Classe
Lucas
1.26-31, 34,35, 37, 38.
Esboço da Lição
Introdução
I.
O Que é Mariolatria?
II.
As Glórias de Maria.
III.
Maria na Liturgia do Catolicismo.
IV.
Outras Tentativas de Divinizar Maria.
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Verdade
sobre Maria Mãe de Deus.
Autor
José Gonçalves
da Costa Gomes
– Ministro evangélico no Piauí, conferencista, articulista
dos periódicos da CPAD, formado em Teologia e Filosofia,
professor de grego, hebraico, Teologia Sistemática e Religiões
Comparadas, membro da Comissão de Apologia da CGADB e autor
da obra
“Por que caem os valentes:
análise bíblica e teológica acerca do fracasso
ministerial”
editado pela CPAD.
Adaptação
Setor de Educação
Cristã
Palavras-chaves
Mariolatria;
Teologia Mariana; Marianismo; Dogmas; Antimariólatra;
Teologia Mariana; Co-redentora.
Introdução
No
Nordeste brasileiro, onde a tradição católica é mais
forte, os evangélicos são constantemente
acusados de não gostarem da mãe de Jesus. É evidente
que essa acusação é improcedente, o oposto dela é a
verdade, pois os evangélicos são os que realmente dão à mãe
do Salvador o lugar que a ela é atribuído pelas Escrituras.
O
que nós não podemos aceitar é que, fora do terreno bíblico,
alguém se invista de autoridade para contradizer o ensino canônico
da Bíblia Sagrada, mesmo que esse alguém seja uma
reconhecida autoridade eclesiástica, como o foi Irineu,
Agostinho ou mesmo um gênio do pensamento ocidental
como Tomás de Aquino. Precisamos distinguir o bíblico
do não bíblico, separar o joio do trigo.
1.
O Espírito Santo e Maria – Contradições na teologia
romanista.
O
cardeal belga Leon Joseph Suenens está consciente da grande
dificuldade em reconciliar católicos romanos e protestantes.
A maior dificuldade, segundo ele, gira justamente em torno do
culto a Maria. Para os católicos romanos, esse culto já se
tornou um dogma, enquanto os protestantes sabem que não passa
de uma forma de paganismo, uma vez que não tem fundamentação
bíblica.
Em
um de seus livros, Suenens escreveu um capítulo que intitulou
de O Espírito Santo e Maria. Nele, procura com muita
perspicácia tornar bíblico o marianismo. Suenens, que era um
“ecumenista” fervoroso, demonstrava conhecer o espírito
antimariólatra reinante no protestantismo:
Para
que se veja melhor o lugar de Maria no seio da renovação
pneumatológica, devemos tomar consciência daquilo que
influenciou desfavoravelmente os nossos irmãos protestantes
em relação a Maria. Para muitos deles, a posição católica
parecia desconhecer a função do Espírito Santo e, por
conseguinte, a única mediação de Cristo. Não há dúvida
de que a sua hesitação tem ainda outras fontes como certos
exageros de teologia ou de piedade popular ao verem que se
atribui a Maria aquilo que, a seus olhos, depende do Espírito
Santo (...) não estão longe de julgar que colocamos Maria
quase no lugar do Espírito Santo, e isso entrava o diálogo
ecumênico sobre este ponto, bloqueando o caminho para a
unidade. [1]
É
a partir desse ponto que Suenens se propõe a revelar uma
teologia mariana, que seria a grande síntese daquilo que
dizem os católicos romanos com aquilo que crêem os
protestantes. Em palavras mais simples, uma teologia mariana
que agradaria a gregos e a troianos.
Quero
frisar algumas das frases ditas por Suenens, com relação ao
posicionamento dos protestantes com respeito à teologia católica,
todavia corrigindo alguns termos usados pelo líder carismático:
1)
Desconhecimento
da Função do Espírito Santo.
A posição católica romana não parece desconhecer, mas de
fato desconhece a função do Espírito Santo. Isto é
revelado nas palavras dos seus próprios teólogos. O padre
carismático S. Falvo diz em um de seus livros que “será
Maria quem revelará Jesus nas páginas de seu livro”. [2]
Ele atribui à mãe do Salvador o papel de agente da revelação.
Ao afirmar nas páginas de seu livro, que Maria seria quem
revelaria Jesus, ele colocou sobre a mãe do Salvador uma função
que ela nunca reivindicou para si, e que é uma das atribuições
do Espírito Santo: “Quando, porém, vier o Consolador (o
Espírito Santo), que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito
da Verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim” (Jo
15.26). Em outro texto as Escrituras afirmam: “Quando porém
vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará a toda a verdade;
por que não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver
ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me
glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há
de anunciar” (Jo 16.13-14). Paulo tinha plena consciência
de que a fonte da revelação estava no Espírito Santo: “Mas
Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas
as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”
(1 Co 2.10).
Estes
textos não deixam dúvidas que o agente da revelação, e
quem, portanto, revela Jesus, é o Espírito Santo.
2)
Mediação de Cristo.
A posição católica romana não parece desconhecer, mas de
fato desconhece a única mediação de Cristo. Em uma recente
reportagem intitulada Maria está no meio de nós,
datada de 25/7/2001, a revista Istoé mostra o esforço
que a Renovação Católica Carismática vem mantendo no
sentido de tornar dogma a crença romanista que diz ser Maria “co-redentora,
mediadora de todas as graças e advogada do povo de Deus”.
[3]
Ao
falar da “poderosa intercessão (de Maria) a favor de todos
os filhos seus”, o também carismático padre Salvador
Carrillo Alday [4]
atropela o
texto bíblico de 1 Timóteo 2.5: “Porquanto há um só
Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus,
homem”.
3)
O culto mariólatra não é apenas das massas.
Não é somente no catolicismo romano popular (das massas) que
se atribui a Maria o papel que é devido somente à Trindade.
Tanto Agostinho, quanto Tomás de Aquino e Antônio Vieira, e
mais recentemente muitos carismáticos, fizeram uma verdadeira
apologia ao culto mariano. O culto à pessoa de Maria é
generalizado e não somente entre os mais incultos. O padre
Antônio Vieira, um dos sacerdotes mais cultos do catolicismo
romano, faz um resgate histórico das palavras de vários
pensadores, a fim de dar interpretação do que significa “o
nome Maria para a igreja de Roma”:
Letra
M
– “Mãe de Deus digna do digno, formosa do formoso, pura
do incorrupto. M, Maria que desceu do Céu, e com um manjar
mais suave que o mel sustenta a todo o mundo. M, Mão direita
de Cristo, a qual Ele estende para levantar a sua graça a
todos os caídos.
M, Mar Vermelho, que afogou o místico Faraó, isto é, o Demônio.
M, Mediadora para o mediador, que é Cristo para com o
Padre, e Maria com Cristo. M, Milagre dos milagres, e o maior
de todos os milagres”.
Letra
A
– “Árvore da vida, que só foi digna de dar o fruto da saúde
eterna. A, Adjutório do Altíssimo, por que Maria ajudou e
ajuda a Cristo a salvar o
gênero humano. A, Arca do Testamento, na qual estiveram
encerrados todos os mistérios arcanos da divindade. A,
Alabastro do ungüento de nossa santificação. A, Aula da
universal propiciação, em que se concedem os perdões a
todos os pecadores”.
Letra
R
– “Rainha, cujo reino fundado na Terra, e consumado no Céu,
é de potência inexpugnável. R, Razão única e total de
todas nossas esperanças. R, Raiz não só da glória, mas de
todos os bens ainda desta vida. R, Recreação e alívio
potentíssimo de todos os afligidos. R, Reparadora das ruínas
de Eva, que assim como por ela entrou no mundo a morte, por
Maria se restituísse a vida. R, Rosa do paraíso do Céu”.
Letra
I
– “Idéia digna da divindade. I, Íris, sinal de paz e
clemência; porque pondo Deus os olhos em Maria, como prometeu
do antigo arco celeste, desiste dos castigos que merecem os
pecados do mundo. I, Inventora magnífica da graça. I,
Intercessora imperial que não rogando como serva, mas
mandando como Senhora, impetra do Tribunal Divino quanto
procura. I, Ímã, ou magnete eficacíssima, a qual, como
aquela pedra atrai o ferro, assim Maria atrai e traz a Deus os
duros corações dos pecadores”.
Letra
A
– Neste ponto, comenta Vieira: “Só nos resta a última
letra, que é o segundo A, e posto que do primeiro dissemos tão
excelentes prerrogativas, ainda são maiores as que agora
ouvireis: A, Arca de Noé. A, Antídoto da vida contra o
veneno de Eva. A, Âncora firmíssima de todas as nossas
esperanças no mar tempestuoso deste mundo. A, Atlante do Céu
e da Terra, os quais já se tiveram arruinado, se Maria com o
poder de sua intercessão os não sustentara. A, Agregado de
todas as graças em si mesma, e para conosco.” [5]
Depois
de tudo isso, será que a mariolatria é própria apenas do
“povão”?
4)
O catolicismo substitui o Espírito por Maria.
O catolicismo romano não coloca Maria quase no lugar do Espírito
Santo, mas no lugar mesmo. No seu livro Aprendendo a dizer
sim com Maria, o padre carismático Marcelo Rossi
diz:
Aqui
veremos o que fazer para ter contato maior com nossa mãe,
que, em todos os momentos, por sua intercessão, nos guarda em
seu coração e nos conduz à santidade. [6]
Além
de atribuir o papel de intercessora a Maria, função esta que
é exclusivamente de Cristo, como já vimos, Rossi também
atribui à mãe do Salvador a função de
santificadora, que, segundo as Escrituras, é uma das
funções do Espírito Santo: “Entretanto, devemos sempre
dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor,
porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação,
pela santificação do Espírito e fé na verdade” (1 Ts
2.13). “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em
santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão
do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam
multiplicadas” (1 Pe 1.2). Estes textos bíblicos não
deixam dúvidas de que a santificação é uma obra do Espírito
Santo.
Observamos,
pois, que aquilo que o catolicismo romano diz acerca da mãe
de Jesus não tem fundamentação bíblica. Vejamos agora o
que as Escrituras dizem sobre ela.
2.
O que diz a Bíblia sobre Maria?
1)
Era da linhagem de Davi (Lc 3);
2)
Era uma virgem por ocasião da visita do anjo: “...a
uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da
casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (Lc 1.27);
3)
Foi agraciada por Deus ao ser escolhida para ser a mãe
do Salvador: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas,
porque achaste graça diante de Deus” (Lc 1.30);
4)
Concebeu do Espírito Santo: “E, projetando ele isso,
eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo:
José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher,
porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt
1.20).
5)
Foi a mãe de Cristo Jesus: “...e Jacó gerou a José,
marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o
Cristo” (Mt 1.16).
6)
Teve outros filhos além de Jesus: “Não é este o
filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus
irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?” (Mt 13.55; Mc
6.3). “Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele e sua mãe, e
seus irmãos, e seus discípulos, e ficaram ali não muitos
dias” (Jo 2.12).
7)
Servia a Deus: “Disse, então, Maria: Eis aqui a
serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o
anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38).
8)
Era devota ao Senhor: “Disse, então, Maria: A minha
alma engrandece ao Senhor” (Lc 1.46).
9)
Necessitou de um Salvador: “E disse Maria: a minha
alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em
Deus meu Salvador” (Lc 1.46-47).
10)
Era feliz pelas coisas que Jesus realizava: “José e
Maria se maravilharam das coisas que dele se diziam” (Lc
2.33).
11)
Mandou fazer tudo o que Jesus dissesse: “Sua mãe
disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser” (Jo
2.5).
12)
Estava presente por ocasião da crucificação de Jesus.
“E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua
mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena” (Jo 19.25).
13)
Ficou aos cuidados de João após a morte e ressurreição
de Jesus: “Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E
desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo
19.27).
14)
Estava reunida com os apóstolos por ocasião da
descida do Espírito Santo no Dia de Pentecostes: “Todos
estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com
as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At
1.14).
Estes
são textos bíblicos sobre Maria, a mãe de Jesus Cristo. Em
nenhum deles encontramos ela reivindicando ser a medianeira, a
co-redentora, ou mesmo buscando ser venerada. Aliás, em
nenhum texto das Escrituras encontramos os apóstolos e os
crentes da Igreja Primitiva defendendo esse ensino.
3.
Dogmas equivocados
O
dogma da perpétua virgindade de Maria afirma que a mãe de
Jesus manteve sua virgindade mesmo depois do parto. No terreno
bíblico não há nenhum elemento que nos permita afirmar que
Maria manteve-se sempre virgem. Saindo da Bíblia, existe
apenas a literatura apócrifa que defende essa idéia. Elas
afirmam que, mesmo depois do parto, a mãe de Jesus permaneceu
virgem. Esse ensino é posteriormente defendido por Agostinho
e Tomás de Aquino.
Fora
da visão bíblica, a idéia comum era associar sexo com
pecado. Assim sendo, Maria, após ter gerado Jesus, Jamais
poderia ter contato sexual com homem algum, mesmo que esse
homem fosse José, seu marido. Mantendo-se virgem mesmo depois
do parto, Maria também não poderia ter gerado outros
filhos.
3.1.
Agostinho.
É
interessante observarmos como Agostinho (354–430 d.C.), um
dos mais famosos Pais da Igreja, distorce a interpretação de
Ezequiel 44.2, conforme cita Tomás de Aquino:
Que
significa a porta fechada na Casa do Senhor, senão que
Maria sempre será intacta? E que significa a expressão
‘nenhum homem passará por ela’, senão que José não a
conhecerá? E ‘só o Senhor entrará e sairá por ela’,
senão que o Espírito Santo a fecundará e dela nascerá o
Senhor dos anjos? E que significa ‘estará eternamente
fechada’, senão que Maria será virgem antes, durante e
depois do parto? (Suma Teológica, pág.3746).
Tal
exegese carece de apoio bíblico.
3.2.
Origem apócrifa.
Se
esta doutrina católica romana não tem fundamentação bíblica,
qual, pois, a sua origem? O erudito J. Stafford Wright
responde:
A
idéia (da perpétua virgindade de Maria) aparece pela
primeira vez no Proto-evangelho de Tiago (um apócrifo
escrito provavelmente em fins do século 2d.C.), e, depois
disto, surge em vários escritores, e.g. João Damasco (de
fide Orthodoxa 4,15) e Bernardo (Sermo de Virginis
Nativitate 4) (Dicionário Internacional
de Teologia do Novo Testamento, Edições Vida Nova).
Como
vemos, o dogma que sustenta que Maria se manteve sempre virgem
não se apóia nas Escrituras, mas na literatura apócrifa e
na tradição.
A
Bíblia não fala da perpétua virgindade de Maria, como
alegam os teólogos romanistas. Comenta Wreight:
Esta
doutrina presta homenagem à idéia da virgindade perpétua
da Bendita Virgem Maria, mas enfrenta dificuldade na citação
deliberada que Lucas faz de ‘todo primogênito que abre a
madre de sua mãe’ (Lc 2.23 e Êx 13.2,12).
Em
palavras mais simples, a Escritura Sagrada contradiz essa crença
católica. Um outro ponto a ser destacado é que, segundo a Bíblia,
José, esposo de Maria, “não a conheceu [teve relações
sexuais] até o dia em que ela deu à luz um filho. E
ele o chamou com o nome de Jesus” (Mt 1.25). Após esse período,
há várias referências bíblicas mostrando que José e Maria
levaram a vida normal de um casal e geraram muitos filhos (Mt
12.46-47; Mc 6.3; Jo 2.12; 7.3-5). A esse respeito, a Bíblia
de Jerusalém, que é uma das mais conceituadas versões católicas,
comentando essa passagem, diz: “O texto não considera o período
ulterior e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria,
mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a
supõem”.
Há
somente uma ressalva a se fazer a esse comentário da Bíblia
de Jerusalém: “o resto do Evangelho”, ao qual faz referência,
também não apóia essa crença. A desculpa católica romana
para explicar quem são esses irmãos de Jesus, é que a
palavra grega adelphos, usada nesses textos, significa
na verdade “primos” e não “irmãos”. Dessa
forma, os irmãos do Salvador seriam na verdade seus
primos. Essa idéia foi difundida por Jerônimo, mas basta uma
consulta ao texto grego para verificarmos que ela não se
sustenta.
Em Colossenses 4.10, lemos: “Saúda-vos Aristarco,
prisioneiro comigo, e Marcos, primo (gr. Anepsios) de
Barnabé, sobre quem recebestes instruções; se ele for ter
convosco, acolhei-o”. Nesse texto, Paulo, ao se referir ao
primo de Barnabé, usa o termo
grego anepsios e não adelphos. O termo
grego anepsios significa literalmente “filho da irmã”
ou “primo”. É na tradição, na suposição, e não na Bíblia,
que tal crença está alicerçada.
3.3.
Dogma da imaculada conceição de Maria.
O
dogma da imaculada conceição de Maria é outro erro. Ele
ensina que Maria nasceu sem pecado. A exemplo de Agostinho,
Tomás de Aquino, cita Cantares 4.7 fora do seu contexto para
provar esse dogma. O livro de Cantares fala do relacionamento
entre um homem e uma mulher, e sempre foi visto como uma
alegoria representando Cristo e a sua Igreja. Por que não é
citada uma passagem clara do Novo Testamento para corroborar
tal crença? Simplesmente porque não existe nenhuma.
Evangelho
Árabe da Infância.
É no livro apócrifo Evangelho Árabe da Infância que
encontra-se tal ensino. No dia 8 de dezembro de 1854, o Papa
Pio IX declarou como dogma a crença na imaculada conceição.
A Igreja Católica Romana se esquece que, para Maria ser
isenta de pecado, era necessário que seus pais também o
fossem, e assim ad infinitum, o que contraria o texto bíblico
que diz: “Todos pecaram
e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A Bíblia
é clara em afirmar que somente o Senhor
Jesus jamais pecou (1 Pe 2.22).
O
dogma da assunção de Maria também vai além de qualquer
texto bíblico, ao afirmar que Maria subiu ao Céu em corpo e
alma. As Escrituras afirmam, porém, que “ninguém subiu ao
Céu, a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do
Homem” (Jo 3.13).
Passagem
da Bem-aventurada Virgem Maria.
De onde vem mais esse ensino antibíblico? Mais uma vez da
literatura apócrifa, como Passagem da Bem-aventurada
Virgem Maria, um texto produzido no 4º século. Em 1 de
novembro de 1950, o Papa Pio XII defendeu o dogma da assunção
de Maria. Algum texto bíblico é invocado para corroborar
essa crença católica? Não, apenas Tomás de Aquino, que
cita Agostinho, que por falta de evidência bíblica usou de
silogismos, e não a Bíblia: “Agostinho prova com razões
que a Virgem foi assunta ao céu em corpo, o que, contudo, não
o diz a Escritura” (Suma Teológica, volume 8, pág.
3729). Não há nenhuma evidência bíblica que fundamente
esse ensino.
4.
O que diz a Teologia Bíblica sobre Maria
Na
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, temos
um comentário sobre a pessoa de Maria, que resume bem o que
diz a Teologia Bíblica acerca da mãe do Salvador:
Evidentemente,
a genitora de Jesus era da linhagem de Davi (Lc 3), sendo
esposa de José e tendo sido declarada virgem quando da
concepção e do nascimento de Jesus (Mt 1.18,23 e Lc 1.27).
Não dispomos de informações abundantes acerca dela, sendo
evidente que não manteve grande contato com Jesus durante o
tempo de seu ministério público (...) parece algo indiscutível
que Maria teve outros filhos e também filhas, conforme
vemos com mais pormenores no trecho de Mateus
12.46,47.
Maria
estava em companhia de Jesus durante a sua paixão e morte,
segundo vemos em João 19.25-27; e, momentos antes de Jesus
expirar, foi entregue aos cuidados do apóstolo João”.
[...]
Acerca de Maria, mãe de Jesus, ninguém pode dizer mais do
que fez sua prima, Isabel, a saber: ‘Bendita és tu entre
as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre’ (Lc 1.42).
No tocante à vida de Maria, após a ascensão de Jesus,
temos a breve observação de Atos 1.14, que a menciona,
juntamente com os discípulos, entregue à oração. Porém,
o que o Novo Testamento deixou sem contar, os evangelhos apócrifos
e muitas lendas pias não tardaram em preencher, de tal modo
que, no caso de outros personagens destacados na vida
terrena de Jesus, grande acúmulo de material espúrio se
desenvolveu em torno dela, embora boa parte desse material
tenha sido acolhido como verdadeiro, especialmente nos círculos
da igreja cristã ocidental (catolicismo romano), incluindo
até mesmo a declaração de sua impecabilidade (a chamada
doutrina da “imaculada conceição”, que não teria sido
pecaminosa), e também a sua ressurreição e ascensão,
conforme a natureza da experiência de Jesus.
Tais
declarações lendárias, no entanto, não têm sido aceitas
pela igreja cristã em geral, excetuando a igreja ocidental
(romana) e a igreja ortodoxa grega, principalmente porque
esses informes apócrifos não gozam de qualquer apoio por
parte do próprio Novo Testamento e, por isso mesmo, embora
talvez tenham sido escritos com intenções piedosas, são
tidos como produtos da imaginação”.[7]
(Publicado
originalmente in Revista RESPOSTA FIEL, Ano 5, nº 17,
set/out/nov 2005, pg. 21-25.)
Notas:
1.
SUENENS,
León-Joseph. A
Renovação Carismática: um novo pentecostes? Apelação,
Portugal.
2.
FALVO,
S. O Espírito Santo nos Revela Jesus. São Paulo: Edições
Paulinas, 1983.
3.
ISTO
É, 25/07/01. Editora Três.
4.
ALDAY,
Salvador Carrillo. A
Renovação Carismática e as Comunidades Religiosas. São
Paulo: Ed. Ave Maria, 1999.
5.
VIEIRA,
Antônio. Sermão do Santíssimo Nome de Maria. Porto:
Lello & Irmãos, Vol. X. Obras Completas.
6.
In
REVISTA DEFESA DA FÉ, página 20, Março/Abril de 1999.
Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), São Paulo.
7.
CHAMPLIN,
Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e
Filosofia. São Paulo: Editora Candeia, Vol. 4, 1991.
Glossário:
Conheça
o significado de termos e expressões utilizados no estudo
deste trimestre.
Para
saber mais:
OLIVEIRA, Raimundo F. de. Seitas
e heresias: um sinal dos tempos. RJ:
CPAD, 2002.
ROMEIRO, Paulo; RINALDI,
Natanael. Desmascarando as seitas. RJ: CPAD, 1996.
SOARES, Esequias. Manual de
apologética cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
GEISLER,
Norman L.: RHODES, Ron. Respostas às Seitas. RJ, CPAD, 2000
Revista
Resposta Fiel. RJ: CPAD.
|