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Leitura
Bíblica em Classe
1 Timóteo 1.3-8
Esboço da Lição
Introdução
I.
Origem do Movimento
II.
Fonte de Autoridade
III.
Teologia Mormonista
IV.
Outras Crenças e Práticas
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Mormonismo – farsa travestida de revelação
divina.
Autor
José Gonçalves da C. Gomes. Ministro do
Evangelho, bacharel em Teologia, graduado em Filosofia,
professor de Grego, Hebraico, Teologia Sistemática e Religiões
Comparadas.
O texto apresentado pelo autor, difere-se da forma
que, até o momento, tem sido apresentado nestes subsídios,
pois trata-se de um diálogo real travado entre o autor e dois
mórmons. Embora em estilo de colóquio, isto é, conversação
entre duas ou mais pessoas, o articulista desenvolve o diálogo
apresentando as principais doutrinas da Igreja de Jesus Cristo
dos Santos dos Últimos Dias, bem como uma apologia às
Escrituras Sagradas.
Adaptação
Setor de Educação
Cristã
Palavras-chaves
Mormonismo; Poligamia; Doutrinas e Convênios;
Contradições; Revelações.
Introdução
Ainda não era 10h naquela ensolarada terça-feira quando ouvi
o toque da campainha. Ao abrir a porta, deparei-me com dois
jovens, um era brasileiro e o outro americano. Estavam bem
vestidos, usando camisas brancas de mangas curtas e gravatas
pretas, e cada um portava uma pequena mochila. Usavam também
duas pequenas plaquetas de identificação postas sobre os
seus respectivos bolsos. Eram os mórmons! Ao convidá-los a
entrar, um deles adiantou-se no diálogo perguntando-me se eu
de fato era o “senhor José Gonçalves”.
Após responder afirmativamente à sua indagação,
fiquei curioso querendo saber como aquele jovem obtivera
informação sobre a minha pessoa. Durante a nossa conversa, a
minha curiosidade foi plenamente satisfeita.
Havia aproximadamente dois anos e meio que eu
assumira na minha cidade uma congregação de uma igreja de
confissão evangélica da qual sou membro. Ao implantar um
sistema de evangelismo onde cada membro pôde exercer seus
talentos, os resultados não demoraram a aparecer. Muitas
vidas renderam-se aos pés do Senhor Jesus. Dentre os recém-conversos
alguns pertenciam à Igreja Mórmon. Como era de se esperar,
esse incidente provocou um grande incômodo na liderança mórmon
local. Foi graças a esses acontecimentos que eu recebia
naquela manhã aqueles simpáticos jovens. Pois bem, após as
cordiais apresentações, um dos jovens (o de nacionalidade
brasileira) sugeriu-me a apresentação de um vídeo que teria
a duração de 16 minutos sobre a doutrina mórmon. Falei-lhe
que aceitaria assistir a exibição do vídeo proposto por ele
desde que primeiramente eles me respondessem algumas perguntas
que eu lhes faria sobre a doutrina mórmon. Justifiquei o meu
pedido dizendo que havia alguns pontos na doutrina mórmon que
eu achava confusos e contraditórios.
Após uma olhadela de seu amigo brasileiro, o mórmon
americano disse com seu peculiar sotaque: “Sem problemas!”
1.
A
Única Igreja Verdadeira
“ – Vocês advogam a idéia de que todas as
outras igrejas apostataram?”, perguntei.
“ – Nós somos a igreja restaurada”,
responderam.
“
– Isso significa que vocês crêem que são
a única igreja verdadeira, como afirmou J. Reuben Clark Jr.,
um dos presidentes da Igreja Mórmon: ‘Ele (o presidente da
igreja mórmon) é único porta-voz de Deus na Terra para A
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, a única
Igreja Verdadeira’”. [1]
“
– Nós acreditamos que após a morte dos apóstolos a
igreja apostatou...”, disseram. Sobre o que observei:
“
– Você quer dizer: abandonou a fé, vindo até mesmo
a deixar de existir como igreja verdadeira?”
“
– Exatamente. Somente em 1830 o Evangelho
Restaurado foi revelado a Joseph Smith”, responderam.
“
– Isso significa que por um período
aproximadamente de quase XIX séculos a Igreja Cristã deixou
de existir?”
“
– Exatamente”.
“
– Mas isso não seria contradizer as
palavras do Senhor Jesus Cristo registradas no Evangelho de
Mateus: ‘Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela’ (Mt 16.18)?”
Continuando o argumento, disse:
“
– Isso não seria afirmar que Jesus se
enganou ao profetizar sobre a existência eterna da Igreja?
Explico melhor: de acordo com a Bíblia, nada prevaleceria
contra a Igreja (Mt 16.18), mas de acordo com a doutrina mórmon,
a Igreja foi vencida pela apostasia. Não é uma contradição?
Jesus teria de fato se enganado ou mentido?”
Um deles se limitou a explicar:
“
– Nós acreditamos que somos a Igreja
Restaurada”.
Nesse momento, observei que eles não queriam
que a missão deles fosse abortada logo no início, pelo que
resolvi continuar o nosso diálogo.
2. Deus não faz Acepção de Pessoas
Abrindo a Bíblia, li Atos dos Apóstolos
10.34-35: “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por
verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário,
em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo
lhe é aceitável. Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da
paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos”
(grifo do autor).
Após a leitura, fiz algumas observações
sobre o texto, destacando que os fatos narrados nesse capítulo
aconteceram dentro da primeira metade do primeiro século da
Era Cristã, e que os mos descreviam o desfecho de uma visão
que o apóstolo Pedro tivera da parte de Deus. Naquela ocasião,
foi revelado ao apóstolo que Deus não fazia acepção de
pessoas, corrigindo assim a visão preconceituosa e
exclusivista que os judeus mantinham em relação a outros
povos.
Depois dessas ponderações,
perguntei-lhes:
“
– Vocês concordam com o texto, que o
mesmo é claro em afirmar que Deus não faz acepção de
pessoas?”
“
– Claro, muito claro”, responderam em
coro.
“
– Ora”, ponderei, “ – se a Bíblia
diz que Deus não tem preconceito algum contra qualquer
humano, então porque o mormonismo, que surgiu somente 1830
anos depois, excluiu do sacerdócio os negros?”
Com o propósito de tornar mais claro o meu
raciocínio, pedi-lhes a atenção para a leitura de duas
escrituras mórmons que corroboravam o que eu acabara de
dizer. A primeira era de autoria de Brigham Young:
“Sabemos que há uma porção dos habitantes
da terra que moram na Ásia e que são negros, e dizem ser
judeus. O sangue de Judá não somente tem-se misturado com
quase todas as nações, mas também com o sangue de Caim, e
eles mesclaram suas descendências; esses judeus negros podem
guardar todas as ordenanças exteriores da religião judaica,
podem ter os seus sacrifícios, e podem realizar todas as
cerimônias religiosas que qualquer povo sobre a terra poderia
realizar, mas deixai-me dizer-vos que no dia em que eles
consentiram em mesclar sua descendência com Canaã, o sacerdócio
foi retirado de Judá, e aquela porção da descendência de
Judá jamais receberá nenhuma ordem ou bênção do sacerdócio
até que Caim o receba.
Deixai esta igreja que é chamada de o reino de
Deus sobre a terra; nós juntaremos a primeira presidência,
os doze, o supremo concílio, o bispado, e todos os anciãos
de Israel”. “Supondo que os juntemos aqui, e aqui
declaremos que é correto misturar nossa descendência com a
raça negra de Caim, que eles devem vir conosco e participar
conosco de todas as bênçãos que Deus nos tem dado.
Naquele
mesmo dia e hora em que agirmos desse modo, o sacerdócio será
retirado desta Igreja e reino, e Deus nos abandonará à nossa
sorte. No momento em
que consentirmos em nos mesclar com a descendência de Caim, a
Igreja deve ir para a destruição – deveremos receber a
maldição que foi colocada sobre a descendência de Caim, e
nunca mais seremos enumerados entre os filhos de Adão que são
herdeiros do sacerdócio, até que essa maldição seja
removida” (Brigham Young Addresses, Sermões de Brigham
Young, 5 de fevereiro de 1852). [2]
Após citar Brigham Young, segundo presidente
da Igreja Mórmon, achei oportuno citar a opinião de mais um
apóstolo mórmon, Joseph Fielding Smith, ditas em 1958:
“O Senhor decretou que os filhos de Caim não
deveriam ter o privilégio de participar do sacerdócio até
que Abel tivesse uma posteridade que alcançasse o sacerdócio,
e isso teria de ser no futuro distante. Quando isso for
realizado em algum outro mundo, então as restrições serão
removidas dos filhos de Caim” (Joseph Fielding Smith, Answers
do Gospel Questions, vol. 2, pág. 188). [3]
Citando as palavras dessas duas autoridades mórmons,
disse-lhes que estava certo que eles estavam conscientes da
“nova revelação” que os apóstolos mórmons haviam
recebido em 1978. Esta nova resolução agora incluía os
negros no exercício do sacerdócio. Concordando comigo, um
deles abriu a sua mochila retirando a citada resolução,
lendo-a em seguida. O seu texto, salvo algumas variantes, era
exatamente igual ao que eu dispunha:
“Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias – Escritório da Primeira Presidência
Salt Lake City, Utah 84150-8 de junho de 1978.”
“A
Todos os Oficiais Gerais e locais do Sacedócio da Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.”
“Queridos irmãos,
“Ao testemunharmos a expansão da obra do Senhor por sobre a
terra, estamos gratos por pessoas de muitas nações terem
respondido à mensagem do evangelho restaurado, e terem-se
unido à Igreja em número sempre crescente. Isto, por sua
vez, inspirou-nos o desejo de estender a todo membro digno da
Igreja todos os privilégios e bênçãos que o evangelho
proporciona.” “Cientes das promessas feitas pelos profetas
e presidentes da Igreja que nos precederam, de que em algum
tempo, no plano eterno de Deus, todos os nossos irmãos que
sejam homens dignos poderiam receber o sacerdócio, e
testemunhando a fidelidade daqueles a quem o sacerdócio tem
sido negado, temos rogado de longa data e sinceramente em
favor destes, nossos irmãos fiéis, passando muitas horas na
Sala Superior do Templo suplicando ao Senhor por orientação
divina.” “Ele ouviu nossas orações, e por revelação
confirmou que o dia, há tempos prometido: chegou, em que todo
homem digno e fiel à Igreja poderá receber o santo sacerdócio,
com o poder de exercitar sua autoridade divina, e desfrutar
com seus entes queridos cada bênção daí proveniente,
inclusive as bênçãos do templo. Conseqüentemente, todos os
membros dignos da Igreja do sexo masculino podem ser ordenados
ao sacerdócio, sem consideração quanto à raça ou cor. Os
líderes do sacerdócio são instruídos a seguir a política
de entrevistar cuidadosamente todos os candidatos à ordenação
tanto ao Sacerdócio Aarônico quanto ao de Melquisedeque, a
fim de assegurar-se de que eles correspondam aos padrões
estabelecidos para a dignidade.” “Declaramos com
sobriedade que o Senhor fez agora conhecida a sua vontade
quanto à bênção de todos os Seus filhos em toda a terra
que ouvirem à voz de Seus servos autorizados, e se prepararam
para receber todas as bênçãos do evangelho”. [4]
3. Pensamentos Confusos e Contraditórios
Tendo sido feitas essas citações, achei por
bem voltar a perguntar:
“
– Os senhores não acham que parece haver
uma confusão aqui? Explico: primeiro, é dito que os negros são
descendentes de Caim (ainda não sei como se chegou a essa
conclusão) e que por isso não poderiam exercer o sacerdócio.
Segundo, é dito que chegou o tempo em que todo homem digno e
fiel à Igreja poderá receber o santo sacerdócio. Ora, mas não
já havia sido dito que os negros só poderiam exercer o
sacerdócio no outro mundo ou ainda que no dia em que
isso ocorresse a Igreja dos Santos dos Últimos Dias teria apostatado
da fé e estaria sob maldição? Não há uma
confusão aqui? Os atuais mórmons não estariam sob maldição?
Toda essa confusão não teria sido evitada se os mórmons
tivessem aceitado o que a Bíblia já havia dito há séculos,
isto é, que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34-35)
e que todo crente, não somente uma classe privilegiada,
é um sacerdote (1Pd 2.9)?”
Nesse momento, vi a dificuldade dos dois jovens
em chegar a um raciocínio lógico. Mas assim mesmo um deles
arriscou:
“
– Isso é uma revelação e a revelação
está acima da razão”.
Ponderei:
“
– A revelação pode estar acima da razão,
mas ela não pode ser irracional, confusa e contraditória
dessa forma. E mais: a revelação não anula a razão. Somos
seres racionais e não podemos viver sem o pleno exercício de
nossa razão”.
Depois, adiantei:
“
– Você não acha que tudo isso parece
transformar Deus em um ser tremendamente estúpido? Primeiro
Deus diz na Bíblia que não faz acepção de pessoas (At
10.34-35), depois vem os apóstolos mórmons dizendo que Deus,
sim, faz acepção de pessoas, mas recentemente é desfeito
tudo. Ou seja, agora Deus não faz mais acepção de pessoas,
Ele arrependeu-se e já aceita os negros de volta! Isso se
parece com uma revelação divina? Isso não se parece com
algo irracional?”
4. Um deus Corpóreo e Limitado
Depois de ouvir uma resposta evasiva, achei por
bem avançar no diálogo.
“
– Estou certo de que o deus mórmon não
é o mesmo Deus da Bíblia”, disse, ao que indagou-me um dos
jovens:
“
– Como assim?”
Expliquei-lhes:
“
– O deus mórmon, além de ser inconstante
em seus princípios (já foi racista por um tempo, depois
mudou de idéia), possui também um corpo físico e não é
onipresente, isto é, está limitado pelo tempo e pelo espaço”.
“São palavras de Brigham Young:
‘Não podemos crer, por um momento sequer,
que Deus não possua um corpo, partes, paixões ou atributos
(...) Algumas pessoas gostariam de fazer-nos crer que Deus está
presente em toda parte. Isso não é verdade.”5 E ainda: “Se o véu se rompesse hoje, e o grande Deus que mantém
este mundo em sua órbita, e que sustenta todos os mundos e
todas as coisas por Seu poder, se fizesse visível – digo,
se vós pudésseis vislumbrá-lo hoje, vê-lo-íeis em forma
de homem (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pág.
336). Deus é um homem glorificado e perfeito, um
personagem de carne e osso. Dentro de seu corpo tangível
existe um espírito’.” [6]
De acordo com essas palavras, o deus mórmon
possui um corpo físico.
No entanto, o Deus da Bíblia é espírito. São
palavras de Jesus Cristo: “Deus é espírito; e
importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em
verdade” (Jo 4.24 – grifo do autor). E ainda, segundo o próprio
Cristo, um “um espírito não tem carne nem ossos” (Lc
24.39). É de se observar que o Deus da Bíblia não pode ser
limitado nem pelo tempo nem pelo espaço: “Para onde fugirei
da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha
cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as
asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá
me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se
eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, a luz ao redor
de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão
escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa”, Sl 139.7-13.
5. A Doutrina do Casamento Eterno e a Bíblia
Enquanto ainda argumentava sobre o que é
realmente a doutrina mórmon e como ela é vista à luz da Bíblia,
lembrei daquilo que um dos recentes casais mórmons
convertidos à fé evangélica havia me falado sobre o
casamento “eterno”. Aquele casal havia alimentado a esperança de
casarem-se no Templo Mórmon.
Dirigi-me novamente aos dois missionários.
“
– Foi o apóstolo mórmon Joseph F. Smith
quem disse: ‘Os santos dos últimos dias se casam para esta
vida e para a eternidade, não apenas até que a morte separe
o marido e a mulher’. [7]
“
– Estão certas
essas palavras? O casamento é eterno?”, indaguei.
“
– Sim”, responderam sem
titubearem.
“
– Como então se explica as palavras de
Jesus em Lucas 20.27-36: ‘Chegando alguns dos saduceus,
homens que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe:
Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de
alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão
deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido.
Ora, havia sete ir-mãos: o primeiro casou e morreu sem
filhos; o segundo e o terceiro também desposaram a viúva;
igualmente os sete não tiveram filhos e morreram. Por fim,
morreu também a mulher. Esta mulher, pois, no dia da
ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a
desposaram. Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste
mundo casam-se e dão-se em casamento; mas os que são havidos
por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição
dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não
podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos
de Deus, sendo filhos da ressurreição”.
Após a leitura, disse-lhes:
“
– O texto não é claro em dizer que na
eternidade não há casamentos?”
Um deles argumentou:
“
– Isso na ressurreição!”
Respondi:
“
– Mas o texto se refere à ‘Era
Vindoura’, em referência à eternidade, além do fato de
dizer que seremos como os anjos”. Em seguida, arrematei: “
– Os anjos são sexuados, isto é, possuem sexo? Onde se
fala na Bíblia do casamento dos anjos?”
A partir desse momento, observei que os dois
jovens já não demonstravam grande entusiasmo com o nosso diálogo.
Assim mesmo, decidi continuar a minha sessão de perguntas
esperando que ao final de tudo obtivesse uma resposta.
6. A Doutrina Mórmon da Poligamia
Lembrei ainda aos jovens discípulos de Joseph
Smith que a poligamia, embora não seja mais praticada hoje
pela principal corrente do mormonismo, em tempos passados foi
uma das suas principais práticas.
Em um sermão pregado na cidade de Salt Lake
City, no Estado de Utah, em 6 de abril de 1857, o apóstolo mórmon
Heber C Kimball pregou, dizendo:
“Eu não teria receio de prometer a um homem
de sessenta anos de idade que, se ele seguir o conselho do irmão
Brigham [8]
e de seus irmãos [de adotar a poligamia], ele renovará a sua
idade. Tenho percebido que um homem que só tem uma esposa, e
está inclinado a seguir aquela doutrina, logo começa a
definhar e a ressecar-se, enquanto que um homem que adota a
pluralidade [de esposas] parece novo, jovem e com
vivacidade. Por que isto e assim? Porque Deus ama esse homem,
e porque ele honra a sua obra e a sua palavra. Talvez alguns
de vocês não creiam nisso, mas eu não só creio nisso como
tenho também conhecimento de causa. Pois não é bom negócio
um homem de Deus ser confinado a uma mulher, pois com
dificuldades nos mantemos sob os fardos
que temos de carregar, e não sei o que faríamos se
tivéssemos apenas uma esposa cada um”. [9]
“
– Estas palavras se chocam com aquilo que
preceitua o Novo Testamento acerca do casamento, pois o texto
bíblico é claro quando diz que o homem deve ser “marido de
uma só mulher” (1Tm 6.12 e Tt 1.6). A monogamia era uma prática
neotestamentária, então porque tentar ressuscitar a
poligamia, que é uma prática pagã?
“
– Mas a própria Bíblia ensina essa prática
no Velho Testamento”, argumentou um deles.
“
– Mas não foi o próprio Cristo quem
disse, quando falou do casamento, que ‘o Criador, desde o
princípio, os fez homem e mulher’ (Mt 19.4)?
No Velho Testamento, alguns homens de fato praticaram a
poligamia, mas essa prática jamais foi aprovada por Deus, nem
tampouco é ensinada como doutrina nas páginas sagradas. Pelo
contrário, a Bíblia proibia a prática pluralista de
esposas. ‘Tampouco para si multiplicará mulheres’ (Dt
17.17)”.
Continuando o raciocínio, falei:
“
– Aqui se repete o mesmo ciclo doutrinário
que aconteceu em relação ao sacerdócio dos negros:
1) O homem deve ser marido de uma só mulher (Novo
Testamento); 2) O homem deve ter várias mulheres (doutrina
mórmon após 1830); 3) O homem agora deve ter somente
uma mulher (doutrina mórmon a partir de 1890). [10]
Já que a doutrina mórmon adota o cânon aberto, isto é, tem um
sistema de revelação contínua, quem garante que amanhã você
não vai chegar aqui me dizendo que um apóstolo mórmon teve
uma ‘nova revelação’ e que agora Deus voltou atrás e
aceita a poligamia novamente?”
Para que o diálogo não se transformasse em um
monólogo, arrematei:
“
– Embora Brigham Young, segundo apóstolo
mórmon, tenha dito que ‘não existe
conflito algum entre os princípios revelados na Bíblia,
no livro de Mórmon e em Doutrinas e Convênios’, [11] a verdade, como pôde ser demonstrada, é outra completamente
diferente. A Bíblia é a inspirada Palavra de Deus (2Tm
3.16), o livro de Mórmon é ‘um outro Evangelho (Gl
1.9)”. Nosso diálogo estava encerrado!
(Texto apresentado originalmente na Revista
RESPOSTA FIEL. Ano 4 – nº 13, pg. 20-25. Rio de Janeiro:
CPAD.)
Galeria
de fotos de Joseph Smith Jr e de suas "visões":
|

Joseph Smith Jr
|

Joseph Smith Jr
|

Estátua
de Joseph Smith Jr
|

Fundação
da Igreja Mórmon
|
|

A
"Visão" de Smith
|

A
"Visão" de Smith
|

Smith
e Oliver Caldwell "recebem" o sacerdócio
araônico
|

A
"Visão" de Smith
|
Glossário:
Conheça o significado de termos e expressões utilizados no
estudo deste trimestre.
Para
saber mais:
GEISLER,
Norman L.: RHODES, Ron. Respostas às Seitas. RJ, CPAD, 2000
Revista
Resposta Fiel. RJ: CPAD.
BICKEL,
B.; JANTZ, Stan. Guia
de seitas e religiões; uma visão panorâmica.
Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
IRWIN,
David K. O que os cristãos precisam saber sobre os mulçumanos.
RJ:CPAD, 2004.
SPROUL,
R.C.; SALEEB, Abdul. O
outro lado do Islã.
RJ: CPAD, 2004.
Notas:
1 HAROLD B. Lee.
Ensinamentos
dos Presidentes da Igreja. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, p.81
2 GEER, Thelma. Por que Abandonei o Mormonismo?. Editora
Vida, São Paulo.
3 GEER, Thelma. Ibid.
4 GEER, Thelma. idem
5 BRIGHAM, Young. Ensinamentos do presidente da Igreja. Igreja
dos Santos dos Últimos Dias, São Paulo, SP, 1997, p.29.
6 Princípios do Evangelho. Igreja dos Santos dos Últimos
Dias,1995, p.9.
7 SMITH, Joseph F. Ensinamentos dos Presdentes da Igreja.
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1998, p.177.
8 Brigham Young, apóstolo mórmon, de acordo com O Dicionário
de Religiões,Crenças e Ocultismo teve 20 esposas e 47
filhos.
9 KIMBALL, Heber. Journal of Discourses.
Vol
5, p.22. citado no livro Por que Abandonei o Mormonismo.
10 Por uma questão de conveniência (os mórmons queriam que seu
território se transformasse em Estado) e pressão social, o
presidente mórmon Wilford Woodruff aboliu essa prática
bizarra. Todavia uma outra facção mórmon (como mostrou
recentemente o Fantástico da Rede Globo de Televisão)
continua com essa prática.
11 YOUNG, Brigham. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja. Igreja
dos Santos dos Últimos Dias, p.120.
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