|
Pregador,
conferencista, articulista freqüente em periódicos teológicos
e editor-executivo da revista evangélica Christianity Today.
Matéria publicada na Revista
Resposta Fiel, em junho/2005.
James
Iaann Packer foi considerado pela revista norte-americana Times,
em edição de janeiro, um dos 25 evangélicos mais
influentes nos Estados Unidos. Packer é
notadamente um dos maiores teólogos da atualidade. Ele
é autor do best seller teológico O Conhecimento de
Deus e da obra O Plano de Deus para você, um dos
grandes lançamentos da CPAD em 2005.
Packer
nasceu em Gloucestershire, Inglaterra, em 1926, e estudou na
Universidade de Oxford, onde formou-se em Teologia em 1952 e
doutorou-se em Filosofia em 1954.
Em 1952, foi ordenado
ministro, servindo como ministro-assistente da Igreja de Saint
John, na Inglaterra, em Harborne, Birmingham, até que em 1954
foi convidado para ser professor sênior do Tyndale Hall, um
seminário anglicano em Bristol, onde lecionou de 1955 a 1961.
De 1961 a 1970, foi diretor do Latimer House, um centro
anglicano de estudos evangélicos em Oxford.
Em
1970, retornou a Bristol para ser reitor do Tyndale Hall.
Quando este fundiu-se em janeiro de 1972 com dois outros seminários
evangélicos para se tornar o Trinity College, Packer assumiu
a função de reitor associado da nova instituição.
Em
1979, tornou-se professor de Teologia Histórica e Sistemática
do Regent College, em Vancouver, Canadá. Desde 1996, é
presidente da mesa de professores de Teologia do Regent
College. Casado e pai de três filhos, ele tem pregado e
conferenciado em toda Grã Bretanha e América do Norte, e é
um articulista freqüente em periódicos teológicos. É ainda
editor-executivo da mais famosa revista evangélica do mundo,
a Christianity Today, e foi editor-chefe da versão
English Standard da Bíblia, publicada em 2001. Mesmo em meio
a muitas atividades, professor Packer cedeu entrevista a Resposta
Fiel, abordando o ecumenismo e o ensino do
“esvaziamento” de Cristo.
RF
O
senhor escreveu um livro sobre o plano de Deus para o homem,
publicado pela CPAD este ano. Qual é o propósito e a
mensagem desta obra?
JI
O
livro foi publicado em inglês em 2001 e é uma espécie de
suplemento para meu mais conhecido livro, O Conhecimento de
Deus. Seus capítulos cobrem alguns aspectos do
relacionamento com Deus, como alegria, autoconhecimento,
santidade, transformação conforme a imagem de Cristo,
comportamento diante da má saúde e das más situações, e
como ganhar sabedoria e enfrentar a morte. Mas o principal
alvo é mostrar que a graça de Deus em Cristo é adequada
para levar-nos ao enriquecimento espiritual e a vitórias em
todas as situações.
RF
Diversas
religiões apresentam sua crença sobre qual é o plano de
Deus para a vida das pessoas. Como o senhor sintetiza o plano
de Deus para a vida à luz das Sagradas Escrituras?
JI
O
compreensível plano de Deus para nós, pecadores salvos através
de Cristo, é que aprendamos a glorificá-lo e a alegrar-se
Nele, a amá-lo, adorá-lo e servi-lo com todo o nosso coração.
Isso requer regeneração, novo nascimento, transformação do
caráter através da renúncia à impiedade e a determinados
comportamentos, e do desenvolvimento de hábitos cristãos em
seu lugar, do Fruto do Espírito em nós, conforme Gálatas
5.22-23. Devemos guerrear espiritualmente contra o mundo, a
carne e o Diabo, que procuram obstruir e espoliar a obra de
Deus em nós. Precisamos ainda cultivar a companhia de Cristo,
e termos cuidado para não o desonrarmos por meio da pobre
qualidade do nosso discipulado. São também importantes
responder ao ministério íntimo do Espírito Santo quando ele
toca nossa consciência para a humildade e a santidade, e
tomar cuidado para não ofendê-lo com pensamentos orgulhosos,
palavras ásperas ou ações vergonhosas; deixar Deus
reestruturar nosso desordenado coração, para que possamos
dar amor a Ele e aos outros, e mantermo-nos assim todos os
dias da nossa vida; e, finalmente, sermos humildes e
transparentes em nosso relacionamento com os outros, ativos no
trabalho e testemunhas do Senhor em meio a este mundo de
escuridão espiritual que nos rodeia. Muito disso pode ser
encontrado em meus livros O plano de Deus para você e Rediscovering
Holiness (Re-descobrindo a santidade), que lancei em 1992.
RF
Qual
é a principal heresia de nossos dias?
JI
A
heresia que ameaça todas as formas de cristianismo hoje é o
pluralismo religioso, a idéia de que todas as religiões estão
escalando, na verdade, uma mesma montanha, mas de pontos
iniciais diferentes, e reunir-se-ão quando chegarem ao topo,
onde Deus, segundo os hereges dizem, é completamente
conhecido. O islã tem o propósito de conquistar o mundo,
como as missões cristãs um século atrás, e rejeitam o
pluralismo.
A
maior parte das religiões do mundo faz o mesmo, mas alguns
pensa-dores cristãos estão influenciados pelo sonho de todas
as religiões do mundo virem a abraçar-se proporcionando
alguma forma de complementação do conhecimento de Deus. Essa
heresia implica a negação da singularidade de Cristo como
Salvador do mundo, o único e suficiente caminho para o
singular Deus Pai, que perdoa nossos singulares pecados pelo
sangue singular de Cristo derramado no Calvário e recebe-nos
singularmente como filhos adotivos em sua família, na qual o
Senhor Jesus, nosso singular Mediador e Salvador, é também o
singular irmão mais velho. Todos os outros erros modernos são
insignificantes se comparados com este.
RF
Além
do ecumenismo, a Teologia da Prosperidade ainda é um grande
problema?
JI
A
Teologia da Prosperidade é o ensinamento de alguns
televangelistas e cristãos neopentecostais, e foi popular na
América do Norte há vinte anos, mas é raramente escutada
hoje por aqui. Não sei se ela ainda tem esse vigor
todo na África, Ásia e América do Sul, mas teve alguma
repercussão também nesses continentes. Esse ensino repousa
sobre os seguintes princípios: 1) Deus é fiel cumpridor
de suas promessas – o que é verdade; 2) reivindicar
promessas é uma maneira de orar – o que também não
deixa de ser verdade; 3) as promessas de prosperidade no
Velho Testamento como um sinal do favor divino aplicam-se
inalteravelmente em o Novo Concerto – o que é mais
falso do que verdadeiro, pois ainda que Deus encarregue-se de
suprir diariamente o pão durante nossa vida neste mundo até
o fim, as promessas de saúde-e-prosperidade para Israel
tipificam o enriquecimento espiritual aqui e a plenitude de
abundância depois daqui, no Céu; 4) e pedir a Deus brava
e audaciosamente em oração,
compelindo-o a responder nossas solicitações
exatamente nos termos em que nós as fizemos, em vez de
preferir que Ele responda-nos fazendo o melhor conforme a
nossa necessidade. Isso é falso, pois choca-se com o que
nos ensinam textos como 2 Coríntios 12.7-10.
RF
Recentemente,
alguns teólogos evangélicos liberais começaram a
ressuscitar a teoria de que o Inferno não é uma realidade.
Até um famoso teólogo evangélico inglês, conhecido no
mundo todo pela sua ortodoxia, chegou inicialmente a
simpatizar com a teoria. O senhor foi um dos que combateram
esse movimento. Quais os perigos dessa heresia?
JI
O
Inferno é o estado final de separação do amor de Deus e de
todas as coisas boas que ele concede diariamente nesta vida.
Ele é tão eterno quanto eterna é a vida; se a última é
interminável, então esse é o padrão (Mt 25.46; Rm 2.5-12 e
Ap 14.9-11, 20.12-15, 21.8). As Escrituras descartam a salvação
universal e a aniquilação do mau pela morte ou após o último
julgamento. Tudo isso foi muito debatido recentemente e em
detalhes em todo o mundo teológico de fala inglesa. O que
tenho dito até aqui parece ser a visão geral agora, quando
esse debate começou a morrer. Claramente, é improvável que
os que não acreditam em um inferno eterno sintam a urgência
do evangelismo fortemente como os que crêem nisso.
RF
O
senhor escreveu em seu best seller “Conhecimento de Deus”
sobre o sentido do termo grego kenosis, usado em Filipenses
2.7 e traduzido em algumas versões como “aniquilamento”
ou “esvaziamen to”. Como o senhor explica kenosis e,
conseqüentemente, a doutrina do “esvaziamento” de Cristo
em sua encarnação?
JI
Kenosis
é
uma palavra grega que significa “esvaziamento”. A teoria
de kenosis, como é conhecida, é a suposição – e não
mais do que isso, porque não há suporte para ela nas
Escrituras – de que na disposição de entrar plenamente na
experiência humana de limitação, o Filho de Deus entregou,
suspendeu e abandonou o exercício dos poderes de onipotência
e onisciência que eram seus antes. Isso significa que,
durante a vida encarnada de Jesus na Terra, o Pai, o Filho e o
Espírito não eram co-iguais. Tal teoria levanta o seguinte
dilema: O Filho, depois de glorificado, recuperou esses
poderes (neste caso, apoiando a teoria, sua vida hoje
glorificada não seria plenamente humana) ou ele não os
recuperou (neste caso, a co-igualdade com o Pai e o Espírito
nunca serão dele novamente)? Cristãos sensatos julgarão
acertadamente que, de um jeito ou de outro, essa teoria se
autodestrói. As limitações humanas de conhecimento de Jesus
em Marcos 5.30-32
e 13.32, e de energia em Marcos 4.38, devem ser explicadas em
dois termos. Primeiro, por causa do desejo do Pai de que o
Filho não usasse seus poderes divinos para transcender os
limites da experiência humana. A onisciência só se
manifestava em ocasiões de conhecimento à distância e do
futuro, capacidades concedidas também aos profetas. Vemos
isso em passagens como Mateus 17.17 e 21.2, Lucas 18.31- 34 e
22.10-13, e João 1.48. E, em segundo lugar, devido à satisfação
do Filho em relação ao desejo do Pai nessa matéria, de que,
por alguns instantes, não usasse seu poder para prever aquilo
que Ele sabia que seu Pai não desejava que previsse. Filipenses 2.6 e 2
Coríntios 8.9 afirmam um abandono temporário da nobreza e da
glória divinas, mas não dos poderes divinos. Isso está
claro no contexto dessas passagens.
RF
Quais
são suas principais recomendações para os estudantes da Bíblia?
JI
Leiam
a Bíblia regularmente e toda ela pelo menos uma vez por ano.
Tenham um esquema de leitura diária da Bíblia com meditação.
E quando voltarem-se para a Bíblia, seja para uma leitura
mais demorada ou para ler apenas pequenas porções, orem para
que o Espírito Santo vos conceda entendimento. Perguntem
sempre a si mesmos, em relação a tudo que foi lido: O que
isso revela sobre Deus, a vida humana sob Deus e a minha própria
vida neste dia? Releiam muitas vezes os quatro Evangelhos, que
têm sido chamados os mais preciosos livros do mundo, pois lá
vocês podem ver seu Senhor e ter contato direto com as suas
palavras. Aprendam a doutrina cristã, que está implícita em
todos os lugares das Escrituras, então verão mais claramente
o que está nas Escrituras, assim como uma pessoa que conhece
arte vê mais em um quadro em uma galeria do que alguém que
apenas o admira. E sempre pergunte ao Senhor como o que foi
lido se aplica para orientar e reformar a sua vida.
Entrevista
cedida a Revista
RESPOSTA FIEL Ano 4- nº 16 jun-ago 2005, pg.10-12.
|