Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Heresias e Modismos

 
Entrevista com o Pastor Enéas Tognini 

Presidente da Sociedade Bíblica do Brasil fala sobre a distribuição de Bíblias e apologética cristã.

Matéria publicada na Revista Resposta Fiel, em junho/2004.



Aos noventa anos de idade, completados em 20 de abril, dos quais 63 de ministério, pastor Enéas Tognini é um dos mais respeitados líderes evangélicos do país. 

Presidente da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), cargo que assumiu em agosto de 2003, ele é diretor do Seminário Teológico Batista Nacional do Estado de São Paulo e vice-presidente da Igreja Batista do Povo, que fundou em 17 de janeiro de 1981 e a qual liderou por mais de 20 anos.

Pastor Tognini foi o grande nome da segunda onda do Movimento Pentecostal no país, que foi marcada pelo  nascimento do Movimento de Renovação, que propugnava a bandeira das doutrinas pentecostais entre as denominações evangélicas tradicionais. Nesse período, o líder batista da renovação viajou pelo Brasil por 20 anos, pregando às igrejas tradicionais e históricas o batismo no Espírito Santo como uma bênção subseqüente à Salvação, e a contemporaneidade dos dons espirituais. Nesta entrevista, o presidente da SBB fala sobre a distribuição de Bíblias no país e a importância da apologética cristã.

RE Como o senhor analisa o atual crescimento evangélico no Brasil?

ET Eu acredito que é efeito de oração. Em 1963, Deus me levantou para fazer uma proclamação de um Dia  Nacional de Jejum e Oração. O comunismo estava às portas para tomar o Brasil. O povo foi aos joelhos em 15 de novembro de 1963, e o comunismo, que estava para entrar no país, acabou não entrando. Por isso, ficamos gozando da liberdade para pregarmos a Palavra de Deus, o que fez com que o crescimento prosseguisse. Naquele tempo, éramos apenas 12 milhões de evangélicos. Hoje, somos cerca de 30 milhões. De lá para cá, houve um avanço muito grande, pois, quando o povo de Deus começa a orar, o Senhor começa a responder.

RE Que fatores o senhor apontaria como causadores do aumento de heresias e modismos teológicos nos últimos anos?

ET Na verdade, essas heresias e modismos são o cumprimento das profecias bíblicas. Jesus disse que apareceriam falsos cristos. O apóstolo Paulo, no capítulo 20 do livro de Atos dos Apóstolos, afirmou que surgiriam falsos mestres, pregando heresias. Desde sua nascente, o cristianismo sempre foi atacado por heresias. No primeiro século, foram algumas heresias. No segundo século, também, bem como no terceiro, e assim por diante. Hoje estamos exatamente dentro daquilo que Jesus profetizou. Os falsos cristos estão aparecendo de toda a maneira e pregando um evangelho que não é o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

RE Como está a distribuição e venda de Bíblias no Brasil?

ET Estamos indo de vento em popa. Deus tem nos abençoado grandemente, porque estamos ampliando cada vez mais. Há pouco tempo, mandávamos imprimir 1,2 milhão de Bíblias por ano para o Brasil. Agora, imprimimos, só para o Brasil, 4 milhões de Bíblias, e mais ou menos 1,5 milhão para os demais países das Américas. Imprimimos Bíblias tanto para a língua inglesa quanto para os povos de língua espanhola. Portanto, a tiragem da Sociedade Bíblica do Brasil atualmente é de 5,5 milhões de Bíblias por ano. Isso sem contar os Novos Testamentos, que estamos imprimindo para os Gideões Internacionais, com uma tiragem que varia de 1 milhão a 2 milhões de exemplares por ano.

RE Alguns dizem que o aumento da venda e do número de Bíblias no Brasil não se reflete em aumento da qualidade do conhecimento bíblico do crente brasileiro. O senhor concorda com isso?

ET Não, não concordo. Onde está a Bíblia existe vontade de conhecer. Temos muita gente, principalmente jovens e adolescentes que, despertados pela Palavra de Deus, estão se esforçando para adquirir mais conhecimento, não só bíblico, mas secular. Muitos têm se despertado para fazer o ginásio, o secundário e o curso superior. Vemos isso principalmente nas igrejas. A Assembléia de Deus é um exemplo disso. Tem havido um avanço muito grande de conhecimento bíblico entre os assembleianos. Tenho acompanhado a literatura da CPAD, e estou admirado de ver a quantidade de revistas e livros de qualidade que estão sendo publicados por ela. O povo evangélico está avançando nessa direção. Nós, evangélicos, também trabalhamos com a alfabetização. A Sociedade Bíblica é um exemplo. Não alfabetizamos diretamente, mas fornecemos material. Muita gente tem sido alfabetizada. Temos literaturas específicas para as crianças. Aos poucos, estamos nos aproximando passo a passo da produção literária secular. 

RE O senhor acha que existem algumas doutrinas bíblicas que precisam ser enfatizadas hoje? O senhor concorda que há uma necessidade de muitos evangélicos redescobrirem algumas doutrinas bíblicas?

ET Sim. Precisamos dar mais ênfase à pessoa de Cristo, porque toda  heresia, toda deformidade teológica que aparece, é exatamente contra a pessoa de Jesus. Precisamos de mais profundidade no conhecimento de Deus. Como disse Jó: “Antes eu te conhecia de ouvir dizer, mas agora eu te conheço face a face”. Precisamos de mais profundidade no conhecimento de Cristo, porque, se examinarmos toda heresia, veremos que ela sempre ataca, de modo direto ou indireto, a pessoa de Cristo. Portanto, é exatamente nessa direção que precisamos nos firmar. Também acredito que o poder do Espírito Santo, o poder chamado pentecostal, que precisamos, é a base para um maior crescimento das denominações, das igrejas, do número de pastores e até mesmo, naturalmente, do consumo de Bíblias. Quem na realidade trabalha no crescimento da Igreja é o Espírito Santo.

RE O senhor foi um dos grandes representantes da segunda onda de avivamento que o Brasil experimentou no século 20. O que está faltando hoje para que ocorra um grande avivamento novamente?

ET Tenho percebido o que Deus tem nos mostrado. Vejo que um braseiro ardeu lá pelas décadas de 50, 60 e 70. Ardeu bastante entre as igrejas tradicionais. Agora, aquele braseiro está um pouco recoberto de cinza e precisa de um novo sopro do Espírito Santo para que volte a arder, como nos anos passados. Creio que estamos precisando de uma certa visitação do Espírito.

RE Como o senhor definiria o seu ministério de difundir a mensagem pentecostal entre as igrejas históricas?

ET Porque os pentecostais já existiam, Deus levantou-me exatamente para pregar nas igrejas tradicionais:batistas, presbiterianas, metodistas, presbiterianas independentes, congregacionais e até em algumas igrejas luteranas. Houve muita manifestação do poder de Deus entre os luteranos de Novo Hamburgo (RS), Londrina (PR) e Vitória (ES). Quando Deus nos dá uma missão, é até a terminarmos. Peço a Deus que me dê uma cabeça boa e uma voz boa para que continue a trabalhar ativamente em sua obra.

RE Como o senhor definiria a qualidade das traduções das Sagradas Escrituras disponíveis no Brasil?

ET Temos a Bíblia Revista e Corrigida de Almeida, que é a preferida dos pentecostais. Temos a Revista e Atualizada de Almeida, que hoje está ocupando um lugar de destaque entre todas as traduções. Recentemente, entrou em destaque também a Bíblia na Linguagem de Hoje. Essas três traduções têm sido uma grande benção para o Brasil. 

RE Ainda existe alguma resistência com relação à Bíblia na Linguagem de Hoje?

ET A oposição inicial à Bíblia na Linguagem de Hoje acabou, porque ela é a tradução preferida principalmente pelos jovens e o povo mais simples. Temos aproximadamente 8 mil vocábulos diferentes na Revista e Atualizada. Na Linguagem de Hoje, são apenas 5 mil vocábulos, de maneira que ela simplificou bastante a linguagem bíblica para as pessoas, sem, naturalmente,  alterar o sentido do texto. A Bíblia Linguagem de Hoje tem sido bastante consumida.

RE O senhor acredita que estamos precisando de mais apologistas e profetas no Brasil?

ET Sim, estamos precisando. Creio que esse trabalho que as revistas da CPAD publicam deve continuar. Esse ciclo de conhecimento bíblico e apologético tem grande valor. Precisamos defender o Evangelho puro e genuíno. Hoje, temos visto muitas igrejas pregando um outro evangelho, que classifico como o “evangelho do oba-oba”, um evangelho de qualquer maneira. Não há mais a necessidade de compromisso por parte das pessoas que recebem a Cristo.

RE Que características o senhor apresentaria como indispensáveis para um apologista da Palavra de Deus?

ET O apologista da Palavra de Deus deve ser, antes de tudo, uma pessoa firme na sua igreja, que dê bom testemunho, tenha plena convicção do novo nascimento e seja revestido de poder. Ele deve também ser uma pessoa culta e imparcial, que saiba julgar as coisas e compará-las com um bom conhecimento de lógica. Nessas condições e com amor, ele poderá exercer plenamente sua vocação. Particularmente, não tenho pendor para combater. Gosto de combater somente o pecado. Já o apologista tem um pendor natural por aquilo, ele enxerga o que a gente não vê, e está em condições de vasculhar e penetrar na coisa e dar uma solução boa. Ele está sempre alerta, comparando a heresia com a verdade que está na Bíblia.

RE Qual a importância do ensino teológico para a preparação dos obreiros?

ET O ensino teológico é indispensável, mesmo que não seja aplicado de forma formal, como em seminários. Se nós nos inspirarmos em Jesus, veremos que ele sempre valorizou o conhecimento das Escrituras, mas o seminário que ministrou aos seus discípulos foi peripatético e durou três anos e meio. Depois desse período, Ele já havia formado um grupo de discípulos, e este grupo, como disse apóstolo Paulo, passou para homens idôneos o que recebera do Senhor. Apóstolo Paulo também dedicou-se a essa obra. Por onde viajava estava levando consigo outros para treiná-los. Jesus disse que a Seara é grande e os trabalhadores são poucos. Quando prego, sempre chamo à frente para orar aqueles que sentem a chamada para o ministério. Temos hoje muitos pastores militantes que atenderam a esse chamado. No cenário nacional, infelizmente vemos alguns pastores com “p” minúsculo. Estamos precisando que Deus levante em nossos dias mais pastores com “P” maiúsculo.

Entrevista cedida a Revista RESPOSTA FIEL Ano 4- nº12 jun-ago 2004, pg.10-12.

 

 

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