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Leitura
Bíblica em Classe
Ap 19.11-19
Palavras-chaves
Rei dos reis; Apocalipse; Interpretação.
Autor
Esdras Costa Bentho
Para auxiliar os
professores das Lições Bíblicas, preparamos pequenos parágrafos
exegéticos a fim de reforçar e balizar o ensino deste
domingo. O professor já conhece o contexto da lição,
portanto, nos limitaremos apenas aos aspectos explicativos que
reforçam o conhecimento do professor. O prezado mestre deve
ministrar a lição, usando, para isso, os parágrafos exegéticos
abaixo, conforme a necessidade. Imprima o texto e corte cada tópico
formando fichas individuais, e, de acordo com o
desenvolvimento da aula, utilize-os. Estes adendos não
substituem a lição, mas a complementa.
1. Em Ap 19.11-16,
encontramos: a) o céu aberto; b) a identificação do
cavaleiro vitorioso; c) a descrição do cavaleiro; d) e o
propósito do cavaleiro. Cristo é o cavaleiro descrito
gloriosa e poderosamente. O sangue salpicado no manto é tema
controverso. Uns sugerem ser o sangue do Cordeiro, outros, o
dos mártires, e ainda os que consideram como sendo o sangue
dos inimigos de Cristo. Em cada uma das três posições há
respeitadíssimos intérpretes. A posição adotada pelo
comentário das Lições Bíblicas é que se trata do
"sangue dos inimigos de Cristo". O cavalo
branco é símbolo da vitória do cavaleiro, Cristo, mas não
deve ser confundido com o cavalo e o cavaleiro de Ap 6.2, o
anticristo. A "espada afiada" é a palavra de Cristo
(Is 11.4; 49.2; Ef 6.14; Hb 4.12). O exército, provavelmente
é uma referência ao santos anjos e a Noiva do Cordeiro,
juntamente com os mártires que também vestem linho fino,
puro e branco – a justiça e santidade dos santos.
2. A expressão grega
Basileùs
basiléōn kaì Kýrios kyrìōn
(Rei dos reis e Senhor dos senhores) é descrita em tom
litúrgico e compõe mais um dos títulos cristológicos
mencionados no capítulo 19 de Apocalipse. No versículo onze,
o título Pistòs
kaì ălēthinós (Fiel e Verdadeiro)
refere-se à identificação de nosso Senhor Jesus à Igreja
(Ap 3.14), todavia, Rei
dos reis e Senhor dos senhores é o título por meio do
qual o mundo e os governantes da terra conhecerão o Senhor
Jesus Cristo. O Rei dos reis traz um nome secreto, não
revelado ao cortejo célico e muito menos aos inimigos – um
nome glorioso. Porém, Ele foi chamado (kéklētai)
ho Logos tou Theou, o
Verbo de Deus. Se o nome ho
Logos tou Theou está escrito em sua roupa,
provavelmente, o maravilhoso nome deve estar grafado nos
diademas ou na cabeça. Lembremos que este nome, ao que
parece, é revelado ao crente vencedor (Ap 3.12), que, também
possui um novo nome misterioso (Ap 2.17). Os infiéis serão
indignos de conhecer o Nome pelo qual o nosso Senhor Jesus
Cristo será conhecido na glória por todos os santos.
3. Embora a perícope
de Apocalipse 19.11-19 descreva o título, a expressão fora
mencionada por Paulo em 1 Timóteo 6.15. Neste texto paulino,
várias palavras que representavam os poderes políticos
constituídos são usadas: monos
dynástēs (único Soberano), basileùs
tōn basileuóntōn (Rei
dos reis – ver Ed 7.12; Ez 26.7), Kýrios
tōn kyrieuóntōn
(Senhor dos
senhores – título empregado na Bíblia apenas para
Deus, Dt 10.17; Sl 136.3; Ap 17.17).
4. No grego do Novo
Testamento, dois principais vocábulos são empregados para
descrever o termo "soberano" (ARA). Em Atos 4.24, 2
Pe 2.1 e Ap 6.10 usa-se o vocábulo "Déspota" (Dominador absoluto), enquanto em 1 Tm 6.15
encontramos "Dynástēs" (Líder soberano). No tempo do Novo
Testamento esses dois títulos eram usados juntamente com
"Kyrios", para se
referirem ao imperador e aos governadores de vastas regiões.
Contudo, os santos escritores do Novo Testamento, inspirados
pelo Espírito Santo, serviram-se dessas palavras para afirmar
que o Senhor é o único Soberano (monos
dynástēs – 1 Tm 6.15). O hino célico de 19.6
afirma que o Senhor (Kyrios),
o Deus (ho Theós) é o
Dominador de tudo (Pantokrátōr),
o Todo-Poderoso. Esses títulos expressam o conceito teológico
da soberania de Cristo sobre todas as coisas.
5. A Sagrada
Escritura afirma que o Senhor é o único e bendito Soberano sobre: a) a criação (At 4.24); b) os reis (1 Tm 6.15; Ap 1.5). Ele, o
Senhor, é: a) o único Soberano (1 Tm 6.15; Jd v. 4); b) o
soberano que resgata o homem (2 Pe 2.1); c) o Senhor Soberano,
santo e verdadeiro (Ap 6.10).
6. A soberania
de Cristo é ratificada nas expressões "à destra de
Deus" (deksiōn
tou Theou – Mc
16.19; At 2.23; 7.56; Hb 10.12; 1 Pe 3.22),
"exaltou" soberanamente (Fp 2.9),
"exaltou" a Príncipe e Salvador (At 13.17), e no
conceito de submissão dos inimigos de Cristo (Lc 20.43; Hb
10.13). Em Hebreus 1.13 a expressão "assentar-se à
direita de Deus" é combinada com "inimigos por
estrado dos teus pés". Portanto, a soberania de Cristo
é sobre os anjos (ăngelōn), poderes (dynámeōn), e autoridades (ěksousiōn), conforme a escritura de 1 Pedro 3.22.
7. Esses conceitos de
soberania e senhorio sobre tudo e todos são reminiscências
da idéia teológica de Jesus, o Messias, como filho de Davi (Lc
20.41-44). Como é sabido, Deus prometeu a Davi a perpetuação
de seu trono por meio de seu descendente, o Messias. Por um
ato gracioso, o Senhor revelou ao seu servo o futuro de seu
reino e gerações (1 Sm 7.11,16,19). No Salmo 110, o
salmista, inspirado pelo Espírito Santo, reafirma de modo
claro e contundente as grandes verdades ensinadas por Deus a
respeito de seu descendente soberano. Não esqueçamos que os
apóstolos atribuíam a Davi a função de profeta (At
2.25-28, 30), e, inúmeras vezes, interpretaram os salmos
messiânicos, principalmente o 110, em conexão com a vida e
ministério de nosso Senhor Jesus Cristo (At 2.34-36), pois
está é a tradição que receberam do próprio Cristo em
Lucas 20.41-44.
Dominus vobiscum
Para saber mais sobre
este assunto, visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot
Obras do autor:
Hermenêutica
fácil e descomplicada, CPAD.
A
Família no Antigo Testamento: história e sociologia,
CPAD.
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