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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus
7.24-29
Palavras-chaves
Milagre; Argumento ontológico;
Argumento teológico; Jesus.
Tema
deste Subsídio
A
Natureza dos Milagres
Adaptado pelo Setor de
Educação Cristã da obra Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD)
A Natureza do Miraculoso
Visto que o termo milagre
é popularmente aplicado a ocasiões incomuns, até mesmo por
aqueles que professam não acreditar no sobrenatural, nem
sempre é fácil atribuir o verdadeiro significado bíblico à
palavra. É provável que a definição mais simples seja.
“Uma interferência na natureza por um poder sobrenatural”
(C.S Lewis, Miracles, p.15). Uma definição de Machen
também é útil. “Um milagre é um evento no mundo
exterior, que é trabalhado pelo poder imediato de Deus” (J.
Gresham Machen, The Christian View of Man, p.117). Com
isto ele quer dizer que uma obra Divina é milagrosa quando
Deus “não usa meios, mas utiliza o seu poder criativo, como
o utilizou quando fez todas as coisas a partir do nada” (loc.
cit.). Em outras palavras, um milagre acontece quando Deus
dá um passo para fazer algo além do que poderia ser
realizado de acordo com as leis da natureza, do modo como a
entendemos, e que na verdade pode estar em desacordo com elas
e ser até uma violação delas. Além disso, um milagre está
além da capacidade intelectual ou científica do homem.
Termos Gregos
Quatro palavras gregas
aparecem nos Evangelhos para descrever as obras sobrenaturais
do Senhor Jesus. teras
(traduzido como “maravilha”) fala do seu caráter
extraordinário; sēmeion
(“sinal”) simboliza a verdade Celestial e indica a
imediata conexão com um mundo espiritual mais elevado; dynamis
(“poder”) descreve um exercício de poder Divino e
demonstra o fato de que forças superiores penetraram e estão
trabalhando neste nosso mundo inferior; ergon
(“trabalho”) se refere aos feitos miraculosos que Cristo
veio realizar. Os primeiros três desses termos estão
reunidos em Atos 2.22. “A Jesus Nazareno, varão aprovado
por Deus entre vós com maravilhas [ou milagres, dynamesi],
prodígios [terasi] e sinais [sēmeiois],
que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem
sabeis” (veja W. Graham Scroggie, A Guide to the
Gospels, pp.203-204).
O Propósito dos Milagres
Alguns tendem a ver os
milagres como eventos isolados na vida dos profetas ou do
Senhor Jesus Cristo. Presumivelmente, o desespero medonho de
uma pessoa, a seriedade de uma situação, ou a iniciativa de
Elias ditaram se um milagre deveria ou não ser realizado. Mas
os milagres não estão espalhados em uma confusão geral ao
longo da Bíblia Sagrada. Eles estão caracterizados em quatro
períodos na história bíblica: os dias de Moisés e Josué,
Eliseu e Elias, de Daniel, da igreja primitiva, e do próprio
Senhor e Salvador Jesus Cristo. Em cada caso, os milagres
serviram para dar crédito à mensagem e ao mensageiro de
Deus, em ligações importantes no desenvolvimento da tradição
judaico-cristã. Eles também preservaram a verdade de Deus da
extinção.
a) Moisés. Moisés era um estranho ao
seu povo e precisava de alguns meios para demonstrar que havia
sido enviado por Deus para guiá-los, tirando-os da escravidão.
Além disso, ele precisava de uma forma de persuadir Faraó a
libertar os israelitas escravizados. E é claro, uma vez que
Deus guiou os israelitas para fora do Egito, Ele tinha que
exercer um poder miraculoso para passar com milhões deles
pelo deserto até Canaã.
b) Eliseu. Eliseu e Elias ministraram
a Israel em uma época em que a adoração ao bezerro e a Baal
ameaçavam exterminar a fé no Deus verdadeiro. Atos
milagrosos mostraram que a mensagem dos profetas era
verdadeira e digna de crédito, e que o Deus deles era o único
Deus verdadeiro. Este fato fica especialmente claro no
confronto entre Elias e os profetas de Baal no Monte Carmelo.
c) Daniel. Daniel e seus associados
foram impulsionados às posições de liderança, no dia em
que o templo e o poder político judeu foram destruídos, e
quando uma grande porcentagem de membros e líderes da
comunidade hebraica foi exilada da sua terra natal. Muitas
questões devem ter passado pela mente dos exilados. Deus não
existe mais? Ele estava sempre com eles? Os assírios e babilônios
estavam certos quando zombavam, dizendo que o deus deles era
mais poderoso do que o Deus dos hebreus? O Deus hebreu era um
Deus local capaz de proteger seus adoradores apenas na
Palestina? Será que Deus ainda tinha poder, agora que o seu
templo estava destruído, e não tinha mais aonde habitar?
Daniel e seus associados estavam enganados em sua visão a
respeito de Deus e de seu poder? Os milagres realizados na
Babilônia responderam várias vezes a todas essas perguntas.
O Deus Celestial era o único verdadeiro, universal em seu
poder e amoroso em sua terna supervisão para com os seus. Ele
honrou o testemunho dos seus servos fiéis; mostrou que a
imagem de Nabucodonozor não era nada quando comparada ao seu
poder; Ele abateu Belsazar no exato momento em que este ousou
profanar as vestes sagradas do templo e ridicularizar a
Divindade judaica. Um povo tirado da sua terra natal e de seus
padrões normais de adoração precisava de tal demonstração
de poder para suportar os seus dias de cativeiro. O fato dos
hebreus não se assemelharem à população mesopotâmia, mas
manterem a sua nacionalidade distinta, por si só é um
milagre. É ainda mais notável que tantos que vieram à
Mespotâmia como prisioneiros de guerra e escravos, tenham se
tornado proeminentes na sociedade babilônia e persa.
Descobertas arqueológicas atestam este fato de uma forma incrível.
d) Jesus. Durante o ministério
terreno de Jesus, Ele usou os milagres para demonstrar a sua
Divindade, para provar que era o Enviado de Deus, para
sustentar o seu Messianato, para ministrar com compaixão às
multidões necessitadas, para guiar seus seguidores à fé
salvadora, para evidenciar um renascimento espiritual interior
(como no caso da cura do paralítico, Mc 2.10,11), e como um
auxílio na instrução e preparação de seus discípulos
para o ministério que eles estavam prestes a desempenhar (por
exemplo, Mc 8.16-21). E também está claro que os milagres da
encarnação, ressurreição e ascenção são parte
integrante da provisão Divina da salvação para a
humanidade.
Depois que o Senhor Jesus
Cristo ascendeu ao Céu, os seus discípulos começaram a
pregar em seu Nome, interpretando os acontecimentos de sua
vida e especialmente de sua morte, escrevendo aos seus
convertidos mensagens que traziam em si a autoridade do Espírito
Santo.
Então a questão da
comprovação (ou da autenticação) surgiu mais uma vez. Eles
eram verdadeiros mensageiros de Deus, interpretando
corretamente a mensagem e a obra de seu Filho? Os seus
pronunciamentos deveriam ser tratados como se fossem
inspirados? Os milagres ajudaram a responder estas perguntas
de forma afirmativa.
A
Plausibilidade dos Milagres
O homem que vive na época
da ciência tem dificuldade de aceitar os milagres. Desde o início
da nossa época de escola, ficamos impressionados com a lei
natural - com a constância ou uniformidade das operações do
universo. Quando crescemos e começamos a desenvolver um mundo
e uma visão da vida por nós mesmos, um conflito surge entre
este ponto de vista sobre a natureza e o sobrenatural. Como
podemos resolver esta questão? Podemos aceitar os milagres?
O fundamento para a solução
de qualquer problema desta natureza é uma visão adequada de
Deus. Uma forma de começar a chegar a este conceito é através
de argumentos filosóficos para a existência e a natureza de
Deus.
a) Argumento
Ontológico. O
primeiro deles é o argumento ontológico, aquele que
simplesmente afirma e argumenta que o homem tem dentro de si a
idéia de um ser perfeito. Se este ser é perfeito, ele deve
existir porque a perfeição inclui existência.
Alguns filósofos alegam
que é impossível discutir a existência real a partir de um
pensamento abstrato; mas Hegel, dentre outros, sentiu que o
ontológico era o argumento supremo para a existência de
Deus.
b) Argumento
Moral. Kant, por outro lado,
acreditava que o argumento moral era o mais importante.
Começando com o “deve” ou com um imperativo categórico
no homem, ele defendia a existência de um ser que tinha o
direito absoluto de comandar o homem - um legislador e juiz.
Outros expressam este argumento de forma diferente, e
sustentam que a ampla divergência entre a conduta do homem e
sua presente prosperidade requer um acerto de contas no
futuro, o que por sua vez requer um juiz absolutamente justo.
Contudo, alguns que utilizam o argumento moral enfatizam que a
alma ou o espírito religioso no homem exige um objeto pessoal
que seja infinito, ético e que possa ser conhecido.
c) Argumento
Cosmológico.
Um terceiro argumento é chamado cosmológico ou
argumento da casualidade. Cada parte do universo é dependente
de algo. Nem mesmo o universo é eterno, mas é um
acontecimento, e por isso deve ter uma causa.
O argumento retorna através
da relação de causa e efeito à causa que não foi induzida,
e Àquele que é auto-existente. Ao pensarmos na causa do
universo, concluímos que: (1) seja qual for a sua causa, o
universo é algo real; (2) o próprio universo é uma grande
causa que pode ser infinita; (3) esta causa deve ser livre ou
autodeterminada; (4) deve ser uma causa única ou unificada;
se existissem muitos deuses, eles estariam necessariamente
trabalhando juntos.
d) Argumento
Teológico. Um
quarto argumento é o teológico. Há uma ordem, um
ajuste, e um projeto visível em todos os lugares no universo.
Existe a evidência de um projetista do universo. A partir
deste argumento, podemos concluir que: (1) este Criador deve
ter um grande poder; (2) Ele deve ter grande inteligência;
(3) a partir de uma inteligência tão grande, podemos
concluir que este Glorioso Ser possui a sua personalidade e
autoconsciência.
Através de uma cuidadosa
consideração, podemos ir mais além nestes argumentos teístas
chegando a uma possibilidade, a uma probabilidade, e até
mesmo a uma alta probabilidade de um teísmo total: uma crença
em um Deus pessoal, sobrenatural, e onipotente. Embora
possamos chegar a certezas morais, não poderíamos chegar à
verdadeira certeza intelectual sem restar nenhuma dúvida
intelectual por parte do indivíduo. A certeza intelectual a
respeito de um Deus pessoal e ético só pode ser alcançada
através dos fatos da revelação cristã, e, de forma
conclusiva, apenas através de uma experiência interior com
Deus. Não é razoável concluir que o onipotente projetista
do universo não teria poder para revelar a si mesmo, ou que não
teria interesse em se revelar às suas criaturas (isto é,
através da Palavra escrita, a Palavra Viva).
Uma vez que admitimos a
existência de Deus, não podemos negar a sua atividade
sobrenatural no universo, no tempo e no espaço. Boettner
comenta. “Se a oposição ao sobrenatural for realizada de
forma consistente, ela não pode apenas negar os milagres, mas
deve levar a pessoa diretamente ao agnosticismo ou ao ateísmo.
A pior e mais acentuada inconsistência para o modernista é
admitir a existência de Deus e, contudo, negar os milagres
registrados nas Escrituras, por considerar que estes se opõem
à lei natural. Uma pequena reflexão deveria convencer
qualquer um de que uma concepção teística do universo como
um todo coloca em risco a crença nos milagres” (Loraine
Boettner. Studies in Theology,
p. 53).
Porém muitos encontram
pouca ou nenhuma ajuda nos argumentos teístas para o
estabelecimento dos milagres. Então considere uma outra
abordagem. olhe as próprias leis da natureza. O que elas são?
Será que elas impedem a possibilidade dos milagres? Quanto ao
caráter das leis da natureza, Boettner observa. “Elas não
são por si só forças na natureza, mas simplesmente declarações
gerais do modo como estas forças atuam, de maneira que
possamos ser capazes de observá-las. Elas não são forças
que governam toda a natureza forçando a obediência, mas sim
meras abstrações sem uma existência concreta no mundo
real” (ibid., p. 61).
Nesse mesmo ponto, C. S
Lewis conclui. “Temos o hábito de falar como se as leis da
natureza induzissem os acontecimentos; mas estes nunca foram
induzidos... E estas leis não induzem; elas ditam o padrão a
que cada acontecimento – se é isto que está sendo
considerado como indução - deve se adequar, assim como as
regras da aritmética definem o padrão a que todas as transações
com dinheiro devem se adequar – se houver algum dinheiro.
Assim, por um lado, as leis da natureza cobrem todo o campo do
tempo e do espaço; e, por outro, o que elas deixam de fora é
precisamente o universo real e inteiro - uma torrente
incessante de eventos que fazem a verdadeira história. Isto
deve vir de algum outro lugar. Pensar que as leis podem
produzir, é como pensar que você pode criar dinheiro
verdadeiro apenas fazendo contas” (Lewis, op. cit., p.
71).
Então deve ficar claro que
as leis da natureza são meramente observações da
uniformidade ou da constância na natureza. Elas não são forças
que dão início à ação. Elas simplesmente descrevem a
forma como a natureza se comporta – quando o seu curso não
é afetado por um poder superior. No plano humano, observamos
uma constante introdução de novos fatores ou forças para
interferirem no curso normal da natureza. É contrário às
leis da natureza, imensos navios de aço flutuarem, ou
aeronaves pesando toneladas voarem. Outros fatores têm sido
introduzidos. De acordo com as leis da natureza, produtos químicos
misturados em certas quantidades produzirão um composto benéfico
para o homem. Se outra força, como o calor ou outro produto
químico for introduzido, o resultado pode ser uma explosão
ou um veneno mortal.
O homem está
constantemente realizando “milagres” à medida que
interfere na natureza. Milhares de suas invenções
aparentemente violam as leis da natureza. Será que Deus é
menos do que o homem? Lewis chegou a uma boa conclusão.
“Quanto mais certos estivermos da lei, mais claramente
saberemos que se novos fatores forem introduzidos, o resultado
variará. O que não sabemos, como cientistas, é se o poder
sobrenatural pode ser um desses fatores... O milagre é, sob o
ponto de vista do cientista, uma forma de tratar, e até mesmo
de falsificar (como alguns preferem), ou mesmo de trapacear.
Ele introduz um novo fator na situação, ou seja, a força
sobrenatural que o cientista não tinha avaliado” (ibid.,
pp. 70-71).
Não precisaria haver um
conflito básico entre ciência e religião. “A ciência...
para a maioria agora, mostrou claramente que procurar descrever
uma ordem na natureza não implica em negar um fundamento da
natureza” (C. J. Wright, Miracle in History and in Modern
Thought, p. 178). Há uma tendência crescente de se
reconhecer que a ciência é uma coisa e a religião é outra.
A ciência procura descrever o fenômeno e desenvolver novas
invenções no mundo físico. Ela tenta responder à pergunta
“Como?” A religião procura descrever o fenômeno e
ampliar os horizontes no mundo espiritual. Ela busca as razões
que estão por trás do fenômeno. Ela se esforça para
responder à pergunta “Por quê? A ciência e a religião
podem se harmonizar através de uma abordagem inteligente do
problema. Fica claro que uma harmonização é possível pelo
fato de muitos cientistas proeminentes em nossos dias serem
totalmente sobrenaturalistas – crentes em milagres. A
dificuldade vem quando os homens “agem sob a hipótese de
que os milagres são algo impossível de acontecer”. Assim,
uma visão ateísta de mundo se torna o critério da história.
Ao invés de examinar o mundo para obter uma visão de mundo,
os incrédulos usam as suas visões de mundo para tentar
construir a história do mundo, e a história que eles construíram
é autocontraditória” (Gordon H. Clark, “The
Ressurrection”, Christianity Today, 15 de abril de
1957, p. 19).
Uma defesa dos milagres no
final do séc. XX requer um entendimento da opinião e do
pensamento moderno. Por algum tempo houve uma tendência de
abandonar a posição extrema de uma negação dos milagres.
Na virada do século, Adolf Harnack, um grande liberal,
escreveu. “Muito do que foi rejeitado anteriormente tem sido
re-estabelecido sob uma investigação mais profunda, e à luz
da experiência geral. Quem hoje, por exemplo, poderia
desprezar ou escrever apenas resumidamente a respeito da obra
de curas miraculosas como aquelas que são descritas nos
Evangelhos, como faziam os eruditos de antigamente?” (Adolf Harnack, Christianity and History, p.
63). Desde a sua época,
estabeleceu-se uma tendência ainda maior nessa direção. O
antigo liberalismo não tinha uma mensagem para o mundo que
estava convulsionado e chocado devido a duas guerras mundiais,
a corrida das armas nucleares, as guerras frias e quentes
entre o Ocidente e o Oriente, os constantes conflitos no
Oriente Médio, e os desafios da era espacial. Gradualmente,
os baluartes do antigo liberalismo desmoronaram diante dos
mundos em colisão, e dos ataques da neo-ortodoxia ou do
neo-supernaturalismo. A lei da relatividade de Einstein, e
outros fatores, modificaram o antigo conceito Newtoniano do
universo, e outras variáveis foram introduzidas, o que abriu
a porta para um retorno à posição conservadora sobre os
milagres.
Isto não significa que o
mundo esteja sendo convertido a um cristianismo conservador,
mas que a crença em milagres tem sido muito mais
intelectualmente respeitada do que costumava ser. Podemos então
concluir que uma crença nos milagres não é apenas plausível
nos nossos dias, mas que é a única esperança para uma
humanidade presa no redemoinho do poder político e de uma
iminente guerra atômica. Sem o elemento miraculoso, o
cristianismo não teria uma mensagem e nem um consolo para a
nossa era. Um Jesus que é simplesmente um mártir da verdade,
um príncipe dos filantropos, um modelo de professores éticos,
não poderia apresentar aos homens mais do que um idealismo
conhecido e desgastado. A única resposta para os mares
agitados da vida é um Salvador que possa dizer, “Cala-te,
aquieta-te” (Mc 4.39). A única esperança para a vitória
sobre o poder de Satanás, é Aquele que os demônios
reconhecem e obedecem. A única esperança para o corpo nesta
vida e na próxima reside naquele que é o Senhor da vida e da
morte. A única esperança para a alma descansa naquele que
morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e ainda vive para
interceder por nós.
Sugestões Para o Estudo dos Milagres
Muitas vezes, não se dá a
devida atenção aos milagres, e assim estes são facilmente
considerados um fenômeno interessante e dramático. Porém
uma investigação cuidadosa dos milagres proverá informações
verdadeiramente valiosas para o estudante da Bíblia, e
contribuirá para o aumento de seu conhecimento da metodologia
de estudo da bíblia. A seguir estão algumas maneiras de
abordar os milagres.
1.
Classifique os milagres. Por
exemplo, eles podem estar organizados de acordo com a
demonstração de poder sobre. a natureza, os demônios, as
enfermidades, ou as deformidades físicas.
2. Estude-os
como uma ferramenta de ensino.
Que ponto o realizador do milagre tentava atingir através do
milagre?
3. Observe o
valor apologético dos milagres;
por exemplo, considere-os como uma evidência da Divindade de
Cristo. Reconheça o fato de que, em todos os exemplos, as
maravilhas que Jesus realizou eram humanamente impossíveis.
4. Veja o que
eles revelam sobre a pessoa do
realizador do milagre. Alguns fatos bastante perceptíveis
através dos milagres de Cristo são: seu poder, compaixão,
amor, atitude em relação ao judaísmo, ao governo, e o
respeito pelas pessoas.
5. Observe o
método ou procedimento
obedecido na realização dos milagres. Jesus falou com
as três pessoas que Ele ressuscitou. Ele tocou um
leproso, e aplicou lodo aos olhos de um cego.
6. Veja o que
eles revelam sobre
a pessoa pela qual o milagre é realizado. O que eles falam
sobre a sua posição social, econômica, sob o seu ponto de
vista religioso e a sua gratidão? Que efeito o milagre exerce
sobre a vida psicológica e espiritual desta pessoa?
7. Observe as
necessidades
relativas daqueles que foram beneficiados pelos milagres.
8. Visualize
o drama do momento.
Desenvolva uma imaginação santificada. Por exemplo, imagine
Jairo profundamente ansioso e até mesmo nervoso e inquieto,
enquanto o Senhor Jesus, depois do seu pedido, se volta para a
mulher que tocou na orla das suas vestes, para tratar de sua
hemorragia. Talvez tenha passado pela mente de Jairo um breve
pensamento de que, se o Senhor Jesus tivesse se apressado, a
sua filha não teria morrido.
A Questão dos Milagres Hoje
Sempre se levanta a questão
se a igreja moderna pode desfrutar do mesmo poder de realizar
milagres como ocorria no início do NT. Deve-se considerar que
Deus é onipotente e pode capacitar os seus para realizar
milagres hoje. Apesar de estar claro pela história que Deus
parou de operar através de “sinais” no final do NT, os
milagres continuam acontecendo. Ocorrências bem comprovadas
de curas milagrosas aconteceram e continuam acontecendo em
nossos dias. Entre o povo das tribos, estes milagres serviram
para comprovar a mensagem e o mensageiro, em sua primeira
apresentação do Evangelho. Naquelas mesmas tribos os
milagres aparentemente não ocorreram com tanta freqüência
depois que a igreja se estabeleceu. Isto não significa que os
milagres não ocorreram ou não ocorrerão sob outras condições.
O dom de realizar certos
tipos de milagres está sempre relacionado à condição
espiritual da igreja, e é confirmado que se a igreja dos
nossos dias fosse mais espiritual, ela poderia exercer os dons
como fez a igreja do primeiro século. Veja, entretanto, que a
igreja de Corinto estava exercendo os preciosos dons, mesmo
vivendo em uma condição carnal. Além disso, 1 Coríntios 12
deixa claro que nem todos recebem do precioso Espírito os
mesmos dons, mas são dados dons variados aos diferentes
membros do Corpo de Cristo. Aparentemente, os dons são
concedidos de acordo com a soberana vontade de Deus, e não
necessariamente de acordo com a espiritualidade do vaso (veja
Dons Espirituais). Deve-se lembrar que alguns dos homens mais
espirituais na Bíblia Sagrada - como, por exemplo, Abraão e
João Batista (que foi cheio do Espírito desde o ventre
materno) - não realizaram milagres. E o apóstolo Paulo nem
sempre realizou milagres; lembre-se de que ele deixou Trófimo
doente em Mileto.
Fica claro pelas
Escrituras, que a realização dos milagres apostólicos em
geral está relacionada a um programa ou cronograma Divino.
Pode muito bem ser que alguma outra grande manifestação de
milagres ocorra nos últimos dias antes da volta de Cristo. No
Sermão do Monte das Oliveiras, o Senhor Jesus Cristo
profetizou que falsos profetas e cristos realizariam milagres,
e seriam tão astutos que, se fosse possível, enganariam até
os próprios escolhidos (Mt 24.24). Outras indicações
semelhantes podem ser encontradas em 2 Tessalonicenses 2.9 e
Apocalipse 13.12-15 (cf Mt 7.21-23). Se no plano de Deus as
falsas operações de milagres deverão ser neutralizadas,
podemos presumir que Deus permitirá aos crentes uma nova
demonstração apostólica de sinais Divinos e maravilhas com
esta finalidade específica.
Jamais nos esqueçamos de
que o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente, e assim
busquemos, recebamos e desfrutemos os seus milagres hoje.
Fontes Não-Cristãs de Poder para Operar Milagres
Já observamos que, no
final dos tempos, os milagres serão realizados pelo poder
demoníaco. Podemos presumir que o trabalho de Simão, o mágico;
e Elimas, o encantador, deveriam ser classificados na mesma
categoria (At 8.9-24; 13.6-12), assim como no caso dos mágicos
egípcios que competiram com Moisés (Êx 7–8). Para uma
discussão sobre esse assunto veja a obra de M F. Unger, Biblical
Demonology.
Os Milagres Bíblicos
Os milagres realizados por
Moisés e Josué podem ser facilmente encontrados e estudados
nos capítulos iniciais de Êxodo, nos capítulos subseqüentes
do Pentateuco e no livro de Josué. O trabalho maravilhoso de
Elias é descrito em 1 Reis 17 – 2 Reis 2, e o de Eliseu em
2 Reis 2–8. Os milagres do período de Daniel estão
registrados em sua profecia.
Visto que os milagres de
nosso Senhor estão relatados ao longo dos quatro Evangelhos,
e que alguns milagres são mencionados em mais de um
Evangelho, pode ser útil obter uma única lista completa. Os
milagres realizados pelos líderes da igreja primitiva podem
ser encontrados no livro de Atos, a partir do capítulo 3.
Os Evangelhos registram 35
milagres separados realizados por Cristo; entre estes, Mateus
cita 20; Marcos 18; Lucas 20; e João 7. Não se deve
concluir, entretanto, que o Senhor só realizou estes
milagres. Mateus, por exemplo, relembra 12 ocasiões em que o
Senhor Jesus realizou várias maravilhas (4.23-24; 8.16; 9.35;
10.1,8; 11.4,5; 11.20-24; 12.15; 14.14; 14.36; 15.30; 19.2;
21.14). Obviamente os escritores dos Evangelhos simplesmente
escolheram os milagres de acordo com o seu objetivo, dentre os
inúmeros que foram realizados pelo Senhor Jesus. Há muitas
formas de organizar os milagres individuais registrados nos
Evangelhos, dependendo do propósito do comentarista. Pode ser
de grande valia enumerá-los em sua ordem de ocorrência,
tanto quanto for possível.
1. A transformação da água
em vinho (Jo 2.1-11)
2. A cura do filho de um
nobre em Caná (Jo 4.46-54)
3. A cura um paralítico no
tanque de Betesda (Jo 5.1-9)
4. A primeira pesca
miraculosa (Lc 5.1-11)
5. A libertação de um
endemoninhado na sinagoga (Mc 1.23-28; Lc 4.31-36)
6. A cura da sogra de Pedro
(Mt 8.14,15; Mc 1.29-31; Lc 4.38,39)
7. A purificação de um
leproso (Mt 8.2-4; Mc 1.40-45; Lc 5.12-16)
8. A cura de um paralítico
(Mt 9.2-8; Mc 2.3-12; Lc 5.18-26)
9. A cura de um homem que
tinha uma das mãos mirrada (Mt 12.9-13; Mc 3.1-5; Lc 6.6-10)
10. A cura do servo do
centurião (Mt 8.5-13; Lc 7.1-10)
11. Jesus ressuscita o
filho de uma viúva (Lc 7.11-15)
12. A cura de um
endemoninhado cego e mudo (Mt 12.22; Lc 11.14)
13. Jesus acalma uma
tempestade (Mt 8.18,23-27; Mc 4.35-41; Lc 8.22-25)
14. A libertação de um
endemoninhado gadareno (Mt 8.28-34; Mc 5.1-20; Lc 8.26-39)
15. A cura da mulher que
tinha um fluxo de sangue (Mt 9.20-22; Mc 5.25-34; Lc 8.43-48)
16.J esus ressuscita a
filha de Jairo (Mt 9.18,19,23-26; Mc 5.22-24,35-43; Lc
8.41,42,49-56)
17. A cura de dois cegos
(Mt 9.27-31)
18. A libertação de um
mudo (Mt 9.32,33)
19. Jesus alimenta mais de
5 mil pessoas (Mt 14.14-21; Mc 6.34-44; Lc 9.12-17; Jo 6.5-13)
20. Jesus anda sobre as águas
(Mt 14.24-33; Mc 6.45-52; Jo 6.16-21)
21. Jesus expulsa o demônio
da filha de uma mulher siro-fenícia (Mt 15.21-28; Mc 7.24-30)
22. A cura de um surdo-mudo
em Decápolis (Mc 7.31-37)
23. Jesus alimenta mais de
4 mil pessoas (Mt 15.32-39; Mc 8.1-9)
24. A cura de um cego em
Betsaida (Mc 8.22-26)
25. A libertação de um
garoto (Mt 17.14-18; Mc 9.14-29; Lc 9.38-42)
26. Encontrando o dinheiro
do tributo (Mt 17.24-27)
27. A cura de um cego de
nascença (Jo 9.1-7)
28. A cura de uma mulher em
um sábado (Lc 13.10-17)
29. A cura de um hidrópico
(Lc 14.1-6)
30. Jesus ressuscita Lázaro
(Jo 11.17-44)
31. A purificação dos 10
leprosos (Lc 17.11-19)
32. A cura do cego Bartimeu
(Mt 20.29-34; Mc 10.46-52; Lc 18.35-43)
33. Jesus amaldiçoa a
figueira (Mt 21.18,19; Mc 11.12-14)
34. A restauração da
orelha de Malco (Lc 22.49-51; Jo 18.10)
35. A segunda pesca
maravilhosa (Jo 21.1-11)
Bibliografia. Frank
G. Beardsley, The Miracles of Jesus, Nova York.
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Londres. Hodder & Stoughton, 1890. C. S Lewis, Miracles,
Nova York. Macmillan, 1947. H. van der Loos, The Miracles
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“Miracle” ISBE, III, 2062-2066.
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