Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Jesus Cristo Verdadeiro homem Verdadeiro Deus
1º trimestre/2008


Lição 07 - O Sacerdócio Eterno de Cristo



Leitura Bíblica em Classe
Hb 7.11,20-28


Introdução

I. A InfâI. Transitoriedade da ordem de Arão

II. O sacerdócio de Melquisedeque

III. O sacerdócio perpétuo de Cristo

Tema deste Subsídio
O sacerdócio eterno de Cristo

Conclusão

Autor: Severino Pedro da Silva

Obra: A vida de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.

Acréscimos e adaptação: Setor de Educação Cristã

I. O Sacerdócio Corrompido

1 Porque todo sumo sacerdote,tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, 2 e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. 

O título “sumo sacerdote” aparece cerca de 16 vezes nesta epístola e está presente nos seguintes textos (2.17; 3.1; 4.14,15; 5.1,5,10; 6.20; 7.26,27 [plural]; 8.1,3; 9.7,11; 13.11). Esta expressão, na maioria das vezes, é tomada para representar a superioridade do ofício de Cristo em relação àqueles que a Lei designou para serem sumos sacerdotes. Nos dias de Jesus, além do sumo sacerdote supremo, aparentemente havia um outro ao qual também era outorgado este título. O sumo sacerdote que condenou Jesus à morte chamava-se Caifás; mas seu sogro, Anás, teve cinco filhos, todos os quais foram sumos sacerdotes, sucessivamente.

Anás fora sumo sacerdote de 6 a 15 d.C., e Caifás, seu genro, ocupou esse ofício de 18 a 36 d.C. Segundo a prática judaica, o sumo sacerdote era nomeado em caráter vitalício, de forma que Anás, mesmo tendo sido destituído por Quirino cerca de 7 anos antes, ainda conservava este título, pois os judeus não consideravam sua destituição (Lc 3.2). A missão destes homens era trabalhar “... a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus”, sacerdócio este que teve em Jesus a sua mais completa perfeição.

A missão primordial do sumo sacerdote e de seus auxiliares, denominados “principais sacerdotes”, ou “príncipes dos sacerdotes”, e “principais do povo” (Mt 27.1; Mc 15.1; At 4.8), era “compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” e em seguida oferecer a Deus “dons e sacrifícios pelos pecados” que estes tinham cometido. Infelizmente, nos dias de Jesus estes representantes do povo escolhido tinham se desviado de seu alvo principal. Por esta razão o escritor sagrado, aqui, passa a apresentar Jesus como sendo um sumo sacerdote misericordioso, terno e compadecido. Neste Sumo Sacerdote as pessoas encontram a solução para os seus problemas e angústias, pois até mesmo diante das dores mortais que martirizavam o seu corpo, Ele demonstrou seu cuidado para com aqueles que o seguiam (Jo 19.26,27).

No versículo anterior nos foi dito que o sumo sacerdote humano estava “... rodeado de fraqueza”, por esta razão nos é dito aqui no texto em foco que “por esta causa, deve ele...” oferecer sacrifícios: primeiro em seu favor e depois, em favor do povo. O perdão divino baseava-se no sacrifício oferecido de acordo com as normas estabelecidas por Deus no Pentateuco. Para o povo, o sacerdote não inspirava confiança em si mesmo para perdão dos pecados, visto que ele mesmo era também pecador. Com efeito, porém, Cristo é superior, porque doravante os cristãos podem confiar tanto em seu sacrifício (sua morte na cruz) como na sua pessoa, que, oferecendo-se uma única vez, permanece sacerdote para sempre. Essa permanência de Cristo em sua função sacerdotal traz para o seu povo uma garantia com relação ao futuro, porque suas necessidades e anseios estão todos patentes diante de seus olhos, que são comparados à chama de fogo (Ap 1.14). 

II. A Escolha de Arão

4 E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.

Flávio Josefo nos informa que a honra sacerdotal era tão elevada, que até mesmo Moisés a desejou para si, dizendo: “... eu confesso que, se essa escolha tivesse dependido de mim, eu teria podido desejar essa honra, que porque todos os homens são naturalmente levados a desejar incumbência tão honrosa, quer porque vós não ignorais quantas dificuldades e trabalhos sofri por vosso bem e da república; mas Deus mesmo, que destinava Arão, há muito tempo, para esse sagrado ministério, conhecendo-o como o mais justo dentre vós, o mais digno de ser honrado, deu-lhe seu voto e julgou em seu favor...”.

Este relato, portanto, confirma o que diz o versículo 4: “... ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão”. Por esta razão, quando se faziam “... sacerdotes dos mais baixos do povo”, especialmente durante os períodos da monarquia e do cativeiro, foram por Deus reprovados (1 Rs 12.31; Ed 2.62).

5 Assim, também Cristo se não glorificou a si mesmo,para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.

A escolha de Arão para se tornar o sumo sacerdote do povo hebreu não se deu por sua vontade própria, nem pela vontade de Moisés ou escolha do povo; ela foi determinada exclusivamente pela vontade de Deus. Salmos 105.26 diz que Arão foi escolhido sumo sacerdote por opção de Deus. 

Assim, Cristo, o Filho de Deus bendito, não se glorificou a si mesmo, escolhendo-se para tal função. Sua escolha partiu diretamente de Deus, que disse: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte Sião” (Sl 2.6). E outra vez: “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). A dignidade de Cristo junto a Deus e sua humildade de coração o dignificou e o capacitou diante do Pai para esta tão elevada posição de honra e de glória. Por esta razão sempre ouvimos nas estrofes dos cânticos celestiais: “Digno é o Cordeiro” (Ap 5.9,12).

 III. O Sumo Sacerdote Segundo a Ordem de Melquisedeque

6 Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.

Jesus pertence à ordem de Melquisedeque, sendo Sacerdote à semelhança daquele monarca, embora, no sentido estrito do termo, não houvesse taksis, ou sucessão de sacerdotes dessa ordem de Melquisedeque. Este monarca surge como um rei que tinha funções e direitos sacerdotais (Gn 14.8-20). O próprio Abraão lhe prestou homenagem. Cristo assumiu esse sacerdócio real, mas revestido de ainda maior glória. Notemos que o profeta Zacarias, referindo-se ao Messias, atribui-lhe tanto o ofício de rei como o de sacerdote (cf. Zc 6.13). Oautor sagrado volta a considerar o sacerdócio de Melquisedeque de forma mais completa em Hebreus 7.1, com o propósito definido de mostrar sua superioridade sobre o sacerdócio araônico. Seu argumento visava mostrar que, em Cristo, todos os tipos sacerdotais são cumpridos e ultrapassados, não havendo mais qualquer necessidade de um sumo sacerdote terreno.

7 O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.

Orar “como” Jesus deve ser o verdadeiro exemplo a ser seguido pelos cristãos em qualquer tempo e lugar. Orar é um dever e uma necessidade, sendo Jesus o nosso modelo por excelência!  Ele nasceu orando (Hb 10.5,7), viveu orando (Hb

7.5), morreu orando (Lc 23.46) e continua orando (Rm 8.34; Hb 7.25). Ele nos ensinou, dizendo: “Orai...” (Lc 23.40).

Muitas destas orações do Senhor eram acompanhadas de “grande clamor e lágrimas”, o que mostra quebrantamento e uma intensidade tanto física como espiritual. Sempre que orava, Jesus sabia que o Pai lhe ouvia, conforme Ele mesmo afirma: “Eu bem sei que sempre me ouves...” (Jo 11.42). Aqui Ele também “... foi ouvido quanto ao que temia”. Em tudo Cristo nos deu o exemplo, especialmente na oração. Ele estava sempre orando. Orou por si mesmo, orou pelos seus discípulos e orou por nós, que ainda nem se quer existia-mos (Jo 17.1,9,20). 

8 Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.

Pedro, falando sobre o sofrimento, disse: “... se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pe 2.20,21). 

Algumas vezes passamos por provas tão duras em nossas vidas, que até chegamos a perguntar a Jesus: “Senhor, tu não tens uma maneira mais suave para nos ensinar?” E vez por outra o Senhor nos responde com amor e ternura: “O que eu faço, não o sabes tu, agora, mas tu o saberás depois” (Jo 13.7). Em nenhum momento em sua vida José questionou a Deus, mesmo sendo maltratado por seus irmãos, e depois, ao ser vendido como escravo para o Egito, ou ainda quando foi posto na prisão injustamente. Apesar de todos estes infortúnios, José conservou firme sua fé em Deus e em suas promessas para sua vida. E, por fim, ao reencontrar seus irmãos, não mais como um escravo, mas como o governador do Egito, José disse: “Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para conservar vossa sucessão na terra e para guardarvos em vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus...” (Gn 45.7,8).  

9 E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem,

O autor sagrado apresenta Cristo como sendo a “causa” e o “efeito” da salvação da pessoa humana. Isto é, Ele é o motivo e o meio pelo qual o homem pode se chegar a Deus. O leitor deve observar bem que a “causa” aqui é Cristo. Ele veio

a ser a causa de eterna salvação. Entendemos que, em si mesma, a salvação é eterna – mas no homem, ela é condicional. “Uma vez salvo, salvo para sempre” não encontra garantia nas Escrituras.

Existem inúmeros textos na Bíblia que afirmam que um salvo pode perder-se (At 8.13,20-24; Gl 1.6; 3.1,3; 5.4; 1 Tm 1.18-20; 3.6,7; 4.1; 5.11,12,15; 6.10,21; 2 Tm 2.12,17; 4.4,10; Tt 1.14; Hb 2.1; 3.12; 4.1,11; 6.4-6; 10.25-27,32,35,38; 12.3,13,16,17,25; 2 Pe 2.1,15,20-22; 1 Jo 5.16; Jd 24; Ap 3.1,2, etc.). Estas passagens não só mostram a possibilidade de um verdadeiro deslize na fé, mas também nos exortam à perseverança na fé dos santos, pois somente assim fazendo alcançaremos nosso objetivo final: a salvação de nossas almas (1 Pe 1.9).

10 chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

O Salmo 110 apresenta o Messias como sumo sacerdote eterno segundo a ordem de um rei de Salém, chamado Melquisedeque, dizendo: “Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). 

O ofício de sacerdote, em relação a Cristo, envolve tanto Arão como Melquisedeque. Posto que nossas informações sobre Melquisedeque são bastante escassas, quase todos os tipos e símbolos sobre o ofício de Cristo se acham baseados no sacerdócio araônico. Entretanto, no que diz respeito à semelhança de Melquisedeque (segundo se diz, Cristo pertencia a essa ordem), as aplicações simbólicas parecem ser estas: • Cristo é o Rei-Sacerdote, tal como Melquisedeque (Gn 14.18; Zc 6.12,13); • Cristo é o Rei Justo de Salém, ou Jerusalém (Is 11.5); • Cristo é o Rei Eterno, não havendo registro de seu início no tempo (Jo 1.1; Hb 7.3).

Nunca tendo sido nomeado por homem algum para o seu ministério (Sl 110.4; Rm 6.9; Hb 7.23-25) e como o mesmo também não terá fim, assim Ele não teve “... princípio de dias nem fim de vida”, conforme é dito acerca de Melquisedeque. Vê-se, pois, que a obra de Cristo seguiu o padrão do sacerdócio araônico, mas que a alusão a Melquisedeque fala sobre sua autoridade real, sobre sua eternidade, sobre a natureza perene de sua obra, idéias estas que não estavam vinculadas ao sacerdócio araônico. 

Desse modo, certos aspectos de superioridade são atribuídos ao sacerdócio de Cristo, que é segundo a ordem de Melquisedeque.

Conheça as obras do autor:

Epístola aos Hebreus (CPAD)

Entrando no campo da fé (CPAD)


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