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Leitura
Bíblica em Classe
Hb 7.11,20-28
Introdução
I.
A InfâI. Transitoriedade da ordem
de Arão
II. O sacerdócio de
Melquisedeque
III. O sacerdócio perpétuo
de Cristo
Tema
deste Subsídio
O sacerdócio eterno de Cristo
Conclusão
Autor: Severino Pedro da Silva
Obra: A vida de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.
Acréscimos e adaptação: Setor de Educação Cristã
I.
O Sacerdócio Corrompido
1 Porque todo sumo sacerdote,tomado dentre os
homens, é constituído a favor dos homens nas coisas
concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios
pelos pecados, 2 e possa compadecer-se ternamente dos
ignorantes e errados, pois também ele mesmo está rodeado de
fraqueza.
O título “sumo
sacerdote” aparece cerca de 16 vezes nesta epístola e está
presente nos seguintes textos (2.17; 3.1; 4.14,15; 5.1,5,10;
6.20; 7.26,27 [plural]; 8.1,3; 9.7,11; 13.11). Esta expressão,
na maioria das vezes, é tomada para representar a
superioridade do ofício de Cristo em relação àqueles que a
Lei designou para serem sumos sacerdotes. Nos dias de Jesus,
além do sumo sacerdote supremo, aparentemente havia um outro
ao qual também era outorgado este título. O sumo sacerdote
que condenou Jesus à morte chamava-se Caifás; mas seu sogro,
Anás, teve cinco filhos, todos os quais foram sumos
sacerdotes, sucessivamente.
Anás fora sumo sacerdote
de 6 a 15 d.C., e Caifás, seu genro, ocupou esse ofício de
18 a 36 d.C. Segundo a prática judaica, o sumo sacerdote era
nomeado em caráter vitalício, de forma que Anás, mesmo
tendo sido destituído por Quirino cerca de 7 anos antes,
ainda conservava este título, pois os judeus não
consideravam sua destituição (Lc 3.2). A missão destes
homens era trabalhar “... a favor dos homens nas coisas
concernentes a Deus”, sacerdócio este que teve em Jesus a
sua mais completa perfeição.
A missão primordial do
sumo sacerdote e de seus auxiliares, denominados “principais
sacerdotes”, ou “príncipes dos sacerdotes”, e
“principais do povo” (Mt 27.1; Mc 15.1; At 4.8), era
“compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” e em
seguida oferecer a Deus “dons e sacrifícios pelos
pecados” que estes tinham cometido. Infelizmente, nos dias
de Jesus estes representantes do povo escolhido tinham se
desviado de seu alvo principal. Por esta razão o escritor
sagrado, aqui, passa a apresentar Jesus como sendo um sumo
sacerdote misericordioso, terno e compadecido. Neste Sumo
Sacerdote as pessoas encontram a solução para os seus
problemas e angústias, pois até mesmo diante das dores
mortais que martirizavam o seu corpo, Ele demonstrou seu
cuidado para com aqueles que o seguiam (Jo 19.26,27).
No versículo anterior nos
foi dito que o sumo sacerdote humano estava “... rodeado de
fraqueza”, por esta razão nos é dito aqui no texto em foco
que “por esta causa, deve ele...” oferecer sacrifícios:
primeiro em seu favor e depois, em favor do povo. O perdão
divino baseava-se no sacrifício oferecido de acordo com as
normas estabelecidas por Deus no Pentateuco. Para o povo, o
sacerdote não inspirava confiança em si mesmo para perdão
dos pecados, visto que ele mesmo era também pecador. Com
efeito, porém, Cristo é superior, porque doravante os cristãos
podem confiar tanto em seu sacrifício (sua morte na cruz)
como na sua pessoa, que, oferecendo-se uma única vez,
permanece sacerdote para sempre. Essa permanência de Cristo
em sua função sacerdotal traz para o seu povo uma garantia
com relação ao futuro, porque suas necessidades e anseios
estão todos patentes diante de seus olhos, que são
comparados à chama de fogo (Ap 1.14).
II. A Escolha de Arão
4 E ninguém toma para si esta honra, senão
o que é chamado por Deus, como Arão.
Flávio Josefo nos informa
que a honra sacerdotal era tão elevada, que até mesmo Moisés
a desejou para si, dizendo: “... eu confesso que, se essa
escolha tivesse dependido de mim, eu teria podido desejar essa
honra, que porque todos os homens são naturalmente levados a
desejar incumbência tão honrosa, quer porque vós não
ignorais quantas dificuldades e trabalhos sofri por vosso bem
e da república; mas Deus mesmo, que destinava Arão, há
muito tempo, para esse sagrado ministério, conhecendo-o como
o mais justo dentre vós, o mais digno de ser honrado, deu-lhe
seu voto e julgou em seu favor...”.
Este relato, portanto,
confirma o que diz o versículo 4: “... ninguém toma para
si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão”.
Por esta razão, quando se faziam “... sacerdotes dos mais
baixos do povo”, especialmente durante os períodos da
monarquia e do cativeiro, foram por Deus reprovados (1 Rs
12.31; Ed 2.62).
5 Assim, também Cristo se não glorificou a
si mesmo,para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele
que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.
A escolha de Arão para se
tornar o sumo sacerdote do povo hebreu não se deu por sua
vontade própria, nem pela vontade de Moisés ou escolha do
povo; ela foi determinada exclusivamente pela vontade de Deus.
Salmos 105.26 diz que Arão foi escolhido sumo sacerdote por
opção de Deus.
Assim, Cristo, o Filho de
Deus bendito, não se glorificou a si mesmo, escolhendo-se
para tal função. Sua escolha partiu diretamente de Deus, que
disse: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte
Sião” (Sl 2.6). E outra vez: “Tu és um sacerdote eterno,
segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). A dignidade de
Cristo junto a Deus e sua humildade de coração o dignificou
e o capacitou diante do Pai para esta tão elevada posição
de honra e de glória. Por esta razão sempre ouvimos nas
estrofes dos cânticos celestiais: “Digno é o Cordeiro”
(Ap 5.9,12).
III. O Sumo
Sacerdote Segundo a Ordem de Melquisedeque
6 Como também diz noutro lugar: Tu és
sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.
Jesus pertence à ordem de
Melquisedeque, sendo Sacerdote à semelhança daquele monarca,
embora, no sentido estrito do termo, não houvesse taksis, ou sucessão de sacerdotes dessa ordem de
Melquisedeque. Este monarca surge como um rei que tinha funções
e direitos sacerdotais (Gn 14.8-20). O próprio Abraão lhe
prestou homenagem. Cristo assumiu esse sacerdócio real, mas
revestido de ainda maior glória. Notemos que o profeta
Zacarias, referindo-se ao Messias, atribui-lhe tanto o ofício
de rei como o de sacerdote (cf. Zc 6.13). Oautor sagrado volta a
considerar o sacerdócio de Melquisedeque de forma mais
completa em Hebreus 7.1, com o propósito definido de mostrar
sua superioridade sobre o sacerdócio araônico. Seu argumento
visava mostrar que, em Cristo, todos os tipos sacerdotais são
cumpridos e ultrapassados, não havendo mais qualquer
necessidade de um sumo sacerdote terreno.
7 O qual, nos dias da sua carne, oferecendo,
com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o
podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.
Orar “como” Jesus deve
ser o verdadeiro exemplo a ser seguido pelos cristãos em
qualquer tempo e lugar. Orar é um dever e uma necessidade,
sendo Jesus o nosso modelo por excelência!
Ele nasceu orando (Hb 10.5,7), viveu orando (Hb
7.5), morreu orando (Lc
23.46) e continua orando (Rm 8.34; Hb 7.25). Ele nos ensinou,
dizendo: “Orai...” (Lc 23.40).
Muitas destas orações do
Senhor eram acompanhadas de “grande clamor e lágrimas”, o
que mostra quebrantamento e uma intensidade tanto física como
espiritual. Sempre que orava, Jesus sabia que o Pai lhe ouvia,
conforme Ele mesmo afirma: “Eu bem sei que sempre me
ouves...” (Jo 11.42). Aqui Ele também “... foi ouvido
quanto ao que temia”. Em tudo Cristo nos deu o exemplo,
especialmente na oração. Ele estava sempre orando. Orou por
si mesmo, orou pelos seus discípulos e orou por nós, que
ainda nem se quer existia-mos (Jo 17.1,9,20).
8 Ainda que era Filho, aprendeu a obediência,
por aquilo que padeceu.
Pedro, falando sobre o
sofrimento, disse: “... se fazendo o bem, sois afligidos e o
sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois
chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o
exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pe
2.20,21).
Algumas vezes passamos por
provas tão duras em nossas vidas, que até chegamos a
perguntar a Jesus: “Senhor, tu não tens uma maneira mais
suave para nos ensinar?” E vez por outra o Senhor nos
responde com amor e ternura: “O que eu faço, não o sabes
tu, agora, mas tu o saberás depois” (Jo 13.7). Em nenhum
momento em sua vida José questionou a Deus, mesmo sendo
maltratado por seus irmãos, e depois, ao ser vendido como
escravo para o Egito, ou ainda quando foi posto na prisão
injustamente. Apesar de todos estes infortúnios, José
conservou firme sua fé em Deus e em suas promessas para sua
vida. E, por fim, ao reencontrar seus irmãos, não mais como
um escravo, mas como o governador do Egito, José disse:
“Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para
conservar vossa sucessão na terra e para guardarvos em vida
por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me
enviastes para cá, senão Deus...” (Gn 45.7,8).
9 E, sendo ele consumado, veio a ser a causa
de eterna salvação para todos os que lhe obedecem,
O autor sagrado apresenta
Cristo como sendo a “causa” e o “efeito” da salvação
da pessoa humana. Isto é, Ele é o motivo e o meio pelo qual
o homem pode se chegar a Deus. O leitor deve observar bem que
a “causa” aqui é Cristo. Ele veio
a ser a causa de eterna salvação. Entendemos que, em si
mesma, a salvação é eterna – mas no homem, ela é
condicional. “Uma vez salvo, salvo para sempre” não
encontra garantia nas Escrituras.
Existem inúmeros textos
na Bíblia que afirmam que um salvo pode perder-se (At
8.13,20-24; Gl 1.6; 3.1,3; 5.4; 1 Tm 1.18-20; 3.6,7; 4.1;
5.11,12,15; 6.10,21; 2 Tm 2.12,17; 4.4,10; Tt 1.14; Hb 2.1;
3.12; 4.1,11; 6.4-6; 10.25-27,32,35,38; 12.3,13,16,17,25; 2 Pe
2.1,15,20-22; 1 Jo 5.16; Jd 24; Ap 3.1,2, etc.). Estas
passagens não só mostram a possibilidade de um verdadeiro
deslize na fé, mas também nos exortam à perseverança na fé
dos santos, pois somente assim fazendo alcançaremos nosso
objetivo final: a salvação de nossas almas (1 Pe 1.9).
10 chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a
ordem de Melquisedeque.
O Salmo 110 apresenta o
Messias como sumo sacerdote eterno segundo a ordem de um rei
de Salém, chamado Melquisedeque, dizendo: “Jurou o Senhor,
e não se arrependerá: Tu és sacerdote eterno, segundo a
ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4).
O ofício de sacerdote, em
relação a Cristo, envolve tanto Arão como Melquisedeque.
Posto que nossas informações sobre Melquisedeque são
bastante escassas, quase todos os tipos e símbolos sobre o ofício
de Cristo se acham baseados no sacerdócio araônico.
Entretanto, no que diz respeito à semelhança de
Melquisedeque (segundo se diz, Cristo pertencia a essa ordem),
as aplicações simbólicas parecem ser estas: • Cristo é o
Rei-Sacerdote, tal como Melquisedeque (Gn 14.18; Zc 6.12,13);
• Cristo é o Rei Justo de Salém, ou Jerusalém (Is 11.5);
• Cristo é o Rei Eterno, não havendo registro de seu início
no tempo (Jo 1.1; Hb 7.3).
Nunca tendo sido nomeado
por homem algum para o seu ministério (Sl 110.4; Rm 6.9; Hb
7.23-25) e como o mesmo também não terá fim, assim Ele não
teve “... princípio de dias nem fim de vida”, conforme é
dito acerca de Melquisedeque. Vê-se, pois, que a obra de
Cristo seguiu o padrão do sacerdócio araônico, mas que a
alusão a Melquisedeque fala sobre sua autoridade real, sobre
sua eternidade, sobre a natureza perene de sua obra, idéias
estas que não estavam vinculadas ao sacerdócio araônico.
Desse modo, certos
aspectos de superioridade são atribuídos ao sacerdócio de
Cristo, que é segundo a ordem de Melquisedeque.
Conheça
as obras do autor:
Epístola
aos Hebreus (CPAD)
Entrando
no campo da fé (CPAD)
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