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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus 3.1-6, 13-17
Introdução
I.
A InfâI. O Profeta João
II. O Batismo em Águas na Bíblia
III.
O Batismo do Senhor Jesus
Conclusão
Organizado pelo Setor de Educação
Cristã
1. O Batismo
de Jesus (3.13-17)
Quando
Jesus foi batizado no rio Jordão, os céus se abriram, o Espírito
Santo desceu sobre Ele como pomba e uma voz do céu confirmou
que Ele é o Filho de Deus. Cada um dos Evangelhos Sinóticos
registra esta informação; João menciona somente a descida
do Espírito Santo, e não o próprio batismo de Jesus. Cada
escritor dos Evangelhos apresenta este acontecimento-sinal
para fazer certas declarações teológicas sobre Jesus.
Marcos, por exemplo, o inclui porque oferece oportunidade para
afirmar a razão de ele escrever — apresentar o “evangelho
de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1.1). Lucas enfatiza a
capacitação que Jesus teve em resultado da descida do Espírito
Santo (cf. Lc 4.1,14,18).
1.1.
Jesus É Maior do que João Batista (3.13,14).
Diferente
de Lucas, Mateus ressalta o acontecimento do batismo de Jesus
e chama atenção especial ao fato de que quando Jesus pediu
para ser batizado por João Batista, este mostrou-se relutante
em fazê-lo (vv. 13,14). O interesse de Mateus em escrever seu
Evangelho inclui a cristologia, mas ele também deseja afirmar
quem é Jesus em relação a João Batista. Lembre-se de que a
audiência de Mateus era de orientação judaica, e talvez
seus integrantes estivessem se perguntando: “Como pode Jesus
ser maior do que João Batista se este o batizou?” (Note que
a seita de João Batista perdurou por muito tempo depois dele
e Jesus; veja At 19.1-4.) De acordo com Mateus, Jesus é maior
do que João Batista; até o próprio João Batista reconheceu
a superioridade de Jesus e estava renitente em consentir o
pedido do Messias.
1.2.
Por que Jesus se Submeteu ao Batismo? (3.15).
Há
várias maneiras de responder. De acordo com Lucas, era necessário
para que Jesus recebesse o poder do Espírito Santo a fim de
cumprir sua chamada como Messias. Em Mateus, Jesus disse:
“Assim nos convém cumprir toda a justiça” (v. 15). Ele
carecia de purificação de pecados? Não, pois o Novo
Testamento destaca que o entendimento que os primeiros cristãos
tinham de sacrifício exigia um sacrifício sem mancha nem
pecado, como nos sacrifícios judaicos. Jesus é apresentado
como o Cordeiro imaculado de Deus e o sacrifício pascal
(e.g., Mt 26.17-29; Jo 1.29; Ap 5.6-8). Paulo também entendeu
que Jesus não tinha pecados (2 Co 5.21); portanto, a purificação
de pecados não é o ponto de debate para Jesus.
O
freqüente tema de Mateus — cumprimento — afiança a
resposta: para “cumprir toda a justiça”. A justiça para
Mateus não é meramente guardar normas e regulamentos. É
verdade que Jesus não põe de lado a ética de Deus, antes a
intensifica (e.g., Mt 5.21-48). Contudo a verdadeira justiça
está baseada numa relação com Deus, que está implícita no
seu perdão misericordioso, e num recebedor arrependido que
deseja cumprir a justiça de Deus — e não no próprio
entendimento que a pessoa tenha disso (Mt 5.20; 6.33). Uma
chave para cumprir a justiça de Deus é oferecer misericórdia
quando ela não é merecida (Mt 5.38-42; 18.21-35). Note que o
pai terreno de Jesus, sendo homem “justo”, não desejou
expor Maria à vergonha pública quando ela achou-se grávida
(Mt 1.19). Esta identificação misericordiosa com os
necessitados de misericórdia, mitigada com um respeito ativo
pela vontade de Deus, é característica da justiça de Jesus
conforme a apresentação de Mateus (cf. Mt 18.35).
No
batismo Jesus se identificou com os carentes de perdão, os
quais, pela simples letra da lei, mereciam julgamento severo.
Ele se identificou tanto com eles que entrou na água de banho
suja deles e ficou com eles, apesar de Ele continuar
pessoalmente limpo. Jesus cumpriu esta justiça surpreendente
por obediência ao Pai. O batismo é o catalisador que aplica
em nós a justiça misericordiosa de Deus, até os efeitos da
cruz de Jesus e sua ressurreição que dá vida (Rm 6.3-7; 1
Pe 3.21). Os cristãos se unem com Jesus no batismo: Ele os
encontra lá na água.
1.3.
O Testemunho Divino no Rio Jordão (3.16,17).
Três
coisas principais aconteceram neste evento: os céus se
abriram, o Espírito Santo desceu e uma voz do céu proclamou
que Jesus é o Filho de Deus. Cada um destes fatos reveladores
merecem atenção.
Os
céus foram rasgados (cf. Mc 1.10). A palavra “abriram”
expressa a idéia de revelação. A experiência de Jesus é
rememorativa à chamada do profeta Ezequiel, que estava de pé
ao lado do rio Quebar quando os céus se abriram; ele teve visões
de Deus e o Espírito de Deus entrou nele (Ez 1.1; 2.2).
A
pomba desceu. A associação do Espírito Santo com uma pomba
era rara nas escrituras hebraicas e judaicas até o tempo de
Jesus. O símbolo da pomba tornou-se imagem freqüente no
cristianismo. Em Gênesis 1.2, o Espírito pairou sobre as águas,
o que pode ser alusão a uma pomba, como John Milton presume tão
eloqüentemente na sua obra Paraíso
Perdido:
Tu dos primeiros
Estavas presente, e com grandiosas
asas abertas
Como pomba sentaste a chocar o vasto abismo
E o tornaste grávido.
O
Espírito Santo capacitou os profetas do Antigo Testamento
(e.g., Ez 2.2; Mq 3.8; Zc 7.12), e as profecias relativas ao
Messias prediziam uma acompanhante dotação do Espírito
(e.g., Is 42.1,5; 61.1-3). Assim Jesus recebe uma unção e
capacitação especiais do Espírito Santo para proclamar a
mensagem de Deus e fazer maravilhas. A vinda do Espírito
sobre Ele é sinal de que Ele é o Messias, o Cristo (lit.,
“o Ungido”). Isto não significa que esta é a primeira
vez que Jesus foi envolvido com o poder do Espírito; Ele foi
concebido do Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1.35) e obviamente
foi guiado pelo Espírito ao ministrar no templo quando era
menino (Lc 2.46-52). Nem significa que Jesus foi “adotado”
pelo Espírito no batismo e nesse momento tornou-se Messias,
pois Ele era o Filho de Deus antes do batismo (Mt 1.20; 2.15;
Lc 1.35; 2.49; Jo 1.1,14,18; 3.16).
A
voz do céu falou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”
(Mt 3.17; em Mc 1.11 lemos: “Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo”;
em Lc 3.22: “Tu és meu Filho amado; em ti me tenho
comprazido” [ênfases minhas]). Esta mensagem reflete duas
passagens do Antigo Testamento: “Tu és meu Filho; eu hoje
te gerei” (Sl 2.7), e: “Eis aqui o meu Servo, a quem
sustenho, o meu Eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o
meu Espírito sobre ele” (Is 42.1). O Salmo 2 descreve a
entronização do rei Davi. No antigo Oriente Próximo, quando
o rei assumia o trono, era considerado o filho do deus
nacional, e assim o poder da deidade era investido no rei. Em
sua coroação ele era considerado “gerado” do deus.
Israel também considerava que o seu rei estava investido com
o poder de Javé, o Deus deles.
A
segunda parte da declaração da voz do céu alude a Isaías
42.1: “Meu Servo/Filho, Meu Eleito/Amado, em quem minha Alma
se deleita” (tradução minha; veja também Gn 22.2). As
palavras “servo”, “criança”, “filho” (todas traduções
do termo grego pais) assume sentido messiânico em Isaías.
“Amado” era usado como título messiânico nos círculos
cristãos (cf Mt 17.5; Mc 1.11; 9.7; Lc 3.22; 2 Pe 1.17). A
tradução do termo grego ho agapetos (lit., “o Amado”) pela expressão “a
quem eu amo”, ainda que leitura possível, não trata a
expressão como título messiânico. A palavra agapetos às vezes se refere a um único filho ou
filha (e.g., Gn 22.2,12,16; Jz 11.34; Mc 12.6; Lc 20.13).
A
combinação de um salmo de entronização de Davi, que
identifica o rei como filho de Deus, e o uso do título
“Amado, com quem Deus se compraz”, acompanhado pela
descida do Espírito Santo, mostra aos leitores de Mateus que
Jesus é o Filho messiânico de Davi, o Filho de Deus
capacitado pelo Espírito Santo para inaugurar o reinado de
Deus e falar as suas palavras.
O
uso de Mateus de “Este é o meu Filho” em vez de “Tu
és o meu Filho amado” levanta uma questão: Jesus foi o único
que ouviu a voz, ou João Batista e/ou as pessoas também a
ouviram? Não podemos saber com certeza. Se a leitura
“este” é original, então muitas pessoas a teriam ouvido,
e a idéia de que Jesus era o Messias teria se espalhado;
contudo, tal não foi o caso na primeira parte do seu ministério.
De fato, durante algum tempo Jesus a considerou informação
confidencial. É inevitável que o ministério de milagres de
Jesus tivesse levado alguns a considerar a possibilidade de
messiado. É possível que a voz disse “este”, e os
circunstantes a ouviram; para Jesus teria tido o significado
de “tu”, visto que dizia respeito a Ele diretamente. Se a
voz tratasse Jesus por “tu” e houvesse espectadores que a
ouvissem, então eles teriam tido a força de testemunhas
concernentes a Jesus.
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