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Leitura
Bíblica em Classe
Lucas 2.40-51
Introdução
I.
A InfâI. A infância de Jesus
II.
O MeII. O Menino Jesus entre os Doutores
III.
O Despertar da Consciência Divina em Jesus
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Reação Gentílica ao Nascimento de Jesus de acordo com o Evangelho
de Mateus.
1. Os M1. Os Magos, Herodes e o Novo Rei (2.1-23)
1.1.
Os 1.1. Os Magos Vão a Jerusalém (2.1,2). O
primeiro acontecimento que Mateus relata depois do nascimento
de Jesus é os magos que chegam a Jerusalém, perguntando o
paradeiro do rei recém-nascido e contando que a estrela os
tinha alertado para este nascimento. Ardendo em ciúmes diante
da sugestão de outro “rei dos judeus”, o rei Herodes
pergunta aos principais sacerdotes e escribas da lei onde o
Cristo, o Messias, nasceria. Ironicamente, estes líderes
religiosos, que mais tarde tornaram-se inimigos mortais de
Jesus, foram os que verificaram para Herodes que Belém era o
lugar onde o Messias nasceria. O estabelecimento de Belém
como a localização do nascimento de Jesus é crucial para
Mateus, não só por causa do significado profético (vv.
5,6), mas também porque atende ao tema freqüente da
monarquia de Jesus (Belém é a cidade de Davi, o rei).
Na
profecia que nomeou o local do nascimento do Messias, Miquéias
estava predizendo que Deus usaria mais uma vez a
insignificante Belém para guiar o povo de Israel depois que
este fosse liberto do resultante julgamento dos maldosos assírios
e do posterior exílio na Babilônia (Mq 5.2-4). A esta
profecia Mateus inclui a referência ao “Guia que há de
apascentar o meu povo de Israel”. Miquéias 5.4 registra que
“ele permanecerá e apascentará o povo na força do
SENHOR”, mas as palavras que Mateus insere ao término de
sua citação da profecia de Miquéias são provenientes da
antiga profecia davídica: “Tu apascentarás o meu povo de
Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2 Sm 5.2); de
maneira típica e enfática Mateus faz o vínculo com o rei
Davi. É significativo que dos escritores dos Evangelhos, só
Mateus registre a narrativa dos magos e seu cumprimento da
profecia. Os temas do rei e seu cumprimento, que dominam sua
agenda teológica, motivaram-no a incluir este relato em seu
Evangelho.
Mateus
ajuda a estabelecer a data do nascimento de Jesus com a
expressão: “No tempo do rei Herodes” (Mt 2.1), cujo
reinado como rei da Judéia e áreas circunvizinhas durou de
37 a 4 a.C. Presumivelmente Jesus nasceu perto do fim do
reinado de Herodes, visto que Mateus nota que a morte do
malvado rei aconteceu antes que a família santa voltasse do
Egito (v. 19). Isto significa que Jesus nasceu de quatro a
seis anos antes de Cristo, de acordo com o calendário
atualmente em uso! Herodes, o Grande, era um político
surpreendente; no tumultuoso século I ele, como um gato,
sempre parecia cair com os pés no chão, apesar do fato de
ser pego em intrigas com pessoas influentes e perigosas como César
Augusto, Cássio, Marco Antônio e Cleópatra. Seu pai, Antípater
II, idumeu convertido ao judaísmo, apoiou o regente
hasmoneano Hircano II e subseqüentemente tornou-se o
verdadeiro poder por trás do trono em Jerusalém. Em conseqüência
disso, Herodes alcançou altas posições no governo judaico
como também no romano
Herodes
fizera nome empreendendo grandes construções e edificando
cidades, inclusive Cesaréia, nome dado em honra do imperador.
Ele também construiu fortalezas e templos pagãos,
anfiteatros, hipódromos e outros lugares nos quais as
atividades helenísticas eram incentivadas. Sua prestimosidade
às atividades pagãs não granjearam a estima dos judeus
conservadores, que as encaravam como abominações e uma violação
da lei de Deus. Quando reconstruiu, aumentou e embelezou o
templo judaico em Jerusalém, ele ganhou alguma simpatia dos súditos
judeus. Seu reinado trouxe muita prosperidade para a nação,
acompanhada de um fardo enorme de imposto e antagonismo.
Herodes
demonstrou ser um déspota astucioso e sanguinário, e até
seus parentes tinham medo dele. Matou a esposa, filhos e
parentes de quem suspeitou que estivessem tramando contra ele.
Seus súditos também tinham motivo para temê-lo. Herodes
executou quarenta e cinco dos aristocratas mais ricos que
tinham apoiado seu predecessor hasmoneano e confiscou-lhes as
propriedades para encher os cofres vazios. Execuções eram
comuns. Esta descrição, dada pelo historiador judeu Josefo,
encaixa-se com o relato de Mateus sobre a intenção dolosa de
Herodes para com os magos, a raiva ao perceber que fora
enganado, a tentativa de matar o menino Jesus e a ordem insensível
de executar todas as crianças do sexo masculino nas
redondezas de Belém.
1.2.
A Reação de Herodes e de Jerusalém diante das Novas
(2.3-8). Mateus nos conta que quando os magos chegaram
perguntando sobre o novo rei, não foi apenas Herodes que
ficou perturbado; toda a Jerusalém também ficou. O povo de
Jerusalém tinha boas razões para se preocupar; não só era
freqüente que a mudança de governo fosse sangrenta, mas as
pessoas sabiam que Herodes sacrificaria muitos para se manter
no poder. Ainda que a elite religiosa tenha respondido com
facilidade a pergunta de Herodes sobre o lugar do nascimento
do Messias, não temos registro de que eles tenham viajado
alguns quilômetros para procurar o Messias — talvez porque
estivessem com a mente absorta no ministério complexo e
detalhado no templo (Hannom, The Peril of the Preoccupied and
Other Sermons [O Perigo dos Preocupados e Outros Sermões],
1942). Embora esta acusação não possa ser comprovada, o
relato do nascimento de Jesus indica que, excetuando-se
algumas pessoas pobres, não muitos foram ver o novo rei. A lição
tem aplicação sensata para o ministério da Igreja dos dias
de hoje: Nós ministramos para adorar, ou adoramos o ministério?
Herodes
podia ser louco e paranóico, mas não era burro. Ele era
manhoso e falaz, com uma astúcia mortal e um fascínio que
desarma. Sua sugestão de que os magos o informassem para que
ele prestasse homenagens ao bebê era uma cortina de fumaça
para encobrir suas intenções assassinas dirigidas ao novo
bebê. A referência à adoração (proskyneo nos vv. 2,8,11)
diz respeito a uma deidade ou ser humano de alta posição. Não
podemos dizer com certeza o que os magos pretendiam, embora
seja provável que fosse o último. Herodes, é claro, não
pretendia nada. Mas dado o avanço da alça de mira de Mateus
e sua cristologia, ele considerou que a adoração divina é
mais apropriada aqui, pois Jesus deve ser adorado por judeus e
gentios igualmente.
1.3.
Os Magos Seguem a Estrela para o Novo Rei (2.9-12). A identidade dos magos (ou sábios) é um mistério
que durante séculos tem vexado exegetas e encantado clérigos.
Heródoto (século V a.C.) escreveu acerca de magos
sacerdotais entre os medos, que eram peritos em interpretar
sonhos. O Livro de Daniel menciona magos junto com mágicos,
encantadores, adivinhos, feiticeiros, sábios e astrólogos/astrônomos.
Nesses dias, a linha entre magia e adivinhação, por um lado,
e ciência nascente, de outro, não era mantida com clareza. Não
se pode dizer com certeza o quanto de cientista e o quanto de
mágico eles eram. É bastante afirmar que Deus pode usar até
antigas tradições e sabedorias pagãs para fornecer uma
testemunha cosmopolita do nascimento do Messias.
Na
transição de poder dos medos para o império persa, os magos
continuaram com suas atividades, e relatórios de suas práticas
aparecem durante a era romana. A referência a “Oriente”
levou muitos a considerar a Pérsia/Pártia como sendo o país
de origem dos visitantes estrangeiros de Jesus. Nos dias de
Jesus eles podem ter sido os sacerdotes zoroástricos. As dádivas
dos magos — incenso, ouro e mirra — eram produtos
associados com a Arábia. É possível que eles sejam os
judeus da Dispersão, que foram espalhados ao longo dos impérios
romano e parto. Há amplas evidências arqueológicas entre as
ruínas das sinagogas dessa era e nos escritos rabínicos que
a comunidade judaica se interessava por astrologia.
A
identidade e origem dos magos fica mais obscurecida quando
notamos que a expressão “do Oriente [anatole, lit.,
“nascente, que sobe”]” pode se referir ao nascimento da
estrela que sempre ocorria no leste por causa da rotação da
terra, e é o padrão do trajeto planetário no céu.
Considerando o destaque dado à estrela, o forte destes magos
é a astronomia primordial do dia.
Assim
como a identidade dos sábios, a natureza exata do fenômeno
que veio a ser conhecido por “a estrela de Belém”
permanece um mistério. Mateus é atraído para a história da
estrela e dos magos que a seguiram não somente porque
confirma a realeza de Jesus, mas também porque contrasta com
muita vividez a devoção dos não-determinados estrangeiros
com a injustiça da elite de Israel. Ao longo dos anos os
comentaristas procuram explicar a estrela como uma parte
natural do universo. Trata-se de esforço apropriado e louvável,
pois Deus usa meios comuns para expressar sua mensagem
sobrenatural. Contudo, nenhuma explanação astronômica comum
(um cometa, uma supernova, o alinhamento dos planetas que
teria a aparência de um corpo celeste [uma conjunção de Júpiter
e Saturno ocorreu em 7 a.C.], um asteróide brincalhão)
atesta inteiramente o conjunto da evidência. Nem o cinismo de
uma suposta cosmovisão “iluminada” que presume que o
relato é invencionice do evangelista, explica o fenômeno ou
apreende a totalidade do significado da mensagem de Mateus.
Se a
referência a “Oriente” (anatole) é figurativa de
“nascimento”, então o texto não pode estar dizendo que
os magos seguiram a estrela até Jerusalém. “Antes, tendo
visto o nascimento da estrela que eles associam com o Rei dos
judeus, eles vão à capital dos judeus em busca de mais
informação. Só no versículo 9 está claro que a estrela
serviu como guia de Jerusalém para Belém” (Brown, 1977, p.
174). É precisamente aqui que as sugestões citadas acima são
deficientes, já que os fenômenos astronômicos não podem
explicar como os magos foram conduzidos a Belém, oito quilômetros
ao sul de Jerusalém. Talvez o entendimento de Mateus sobre a
natureza e movimento da estrela seja mais dependente do
sobrenatural do que do natural.
A
questão mais importante e respondível é: Qual é o
significado do aparecimento da estrela no Evangelho de Mateus
e no plano global de Deus na história de salvação? O que
mais importa é que atesta o papel de Jesus como Rei. Assim
como se dá com a genealogia terrena no contexto prévio do
capítulo 1, a estrela fornece testemunho celestial da realeza
de Jesus. O testemunho dos magos não deixa lugar para
especulação quanto ao seu significado: “Onde está aquele
que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no
Oriente e viemos a adorá-lo” (v. 2a).
Uma
estrela já havia sido associada com o advento do Messias. Números
24.17, parte da profecia que Balaão entregou quando os
israelitas estavam prestes a dar início à conquista da Terra
Prometida, diz: “Uma estrela procederá de Jacó, e um cetro
subirá de Israel”. A maioria dos estudiosos identifica esta
profecia estelar com o rei Davi, pois os versículos
seguintes, com a referência à conquista das nações
circunjacentes, foram distintamente cumpridos nas suas
campanhas militares. Os contemporâneos de Mateus entenderam
que a passagem é messiânica, fato demonstrado na obra
pseudepigráfica O Testamento dos Doze Patriarcas, que associa
uma figura messiânica levita e sacerdotal “com sua estrela
[...] [que] subirá no céu como rei” (Testemunho de Levi
18.3). É interessante observar que tanto Balaão quanto os
magos eram estrangeiros, e ambos profetizaram sobre o Messias
hebraico (veja Brown, 1977, pp. 193-196, para mais comparações).
Isto também contribui para o programa geral de Mateus de
apresentar Jesus, o Rei, não só dos judeus mas de todos os
povos.
Os
três tesouros dos magos — incenso, ouro e mirra — eram dádivas
associadas com a realeza, e este era o entendimento e intento
de Mateus (v. 11). A Igreja mais tarde associou o ouro com
Jesus como Rei, o incenso com Jesus como Sacerdote e a mirra
como especiaria usada para embalsamento, relacionado-a com a
morte e sepultamento de Jesus. Antes de os magos partirem,
eles foram instruídos em sonho para não retornarem a
Herodes, mas voltarem para casa por uma rota diferente pela
qual vieram (v. 12).
1.4.
A Fuga para o Egito (2.13-15).
Depois da partida dos magos, José tem um sonho, entregue pelo
“anjo do Senhor” (v. 13), advertindo-o a fugir para o
Egito. Na Bíblia os anjos aparecem às vezes como seres
humanos (e.g., Jz 13.16); outras vezes como criaturas
brilhantes e que inspiram medo, cuja aparição e palavras os
seres humanos mal podem suportar (e.g., Êx 3.2; Jz
13.6,19-21; 1 Cr 31.12; Dn 8.17). Não nos é informado que
forma o anjo tomou no sonho de José. As gramáticas grega e
hebraica sugerem que a expressão “o Anjo do Senhor” é
tradução legítima. Às vezes no Antigo Testamento, o Anjo
do Senhor não pode ser distinguido do próprio Deus e deve
ser considerado como o próprio Senhor que aparece e fala
(e.g., Gn 16.11-13; Jz 6.12-14). Se esta interpretação é a
intenção de Mateus, então José tem uma revelação
especial diretamente de Deus, uma experiência amedrontadora e
magnífica, uma revelação especial para um homem especial, a
fim de realizar a tarefa especial e mais urgente de salvar o
menino Jesus.
A
força do particípio do aoristo (egertheis, “levanta-te”)
junto com o aspecto aoristo do imperativo do verbo principal (paralabe,
“toma”) conota grande pressa e urgência. Em outras
palavras: “Levanta-te da cama, sai daqui agora, e começa a
fuga para o Egito, pois Herodes está a ponto de iniciar uma
busca do menino Jesus”. Note que José pega Maria e Jesus de
noite para evitar que eles sejam descobertos pelos agentes do
rei ou por outras testemunhas.
Havia
uma grande comunidade judaica no Egito, sobretudo na cidade de
Alexandria, mas onde a família santa ficou e se José
encontrou ou não trabalho não nos é dito. Há os que
sugerem que os presentes preciosos que os magos lhes deram os
sustentaram no exílio. Lá, eles ficaram até a morte do rei
Herodes. O fato de Jesus e seus pais sofrerem o exílio com
paciência numa terra estrangeira deve promover a compaixão
cristã pelos refugiados de perto e de longe.
Mateus
vê o retorno de José, Maria e Jesus do Egito como um
cumprimento geográfico de profecia e uma reencenação dos
eventos históricos e tipos teológicos já anteriormente
ocorridos nos procedimentos de Deus para com os hebreus (veja
comentários sobre Mt 1.22,23). “Do Egito chamei o meu
Filho” é de Oséias 11.1, onde o profeta descreve a
prometida volta do exílio na Mesopotâmia nos termos da
libertação da escravidão do Egito. Estes dois
acontecimentos são vistos como atos salvadores de Deus.
Mateus considera a viagem da família santa do Egito para a
Terra Santa como um cumprimento até maior do primeiro Êxodo,
visto que o próprio Salvador está voltando à terra do seu
nascimento. Esta referência ao Êxodo pressagia o destaque
que Mateus dá a Jesus como o novo Moisés, ponto que ele
desenvolverá mais quando apresentar o ensino de Jesus.
1.5.
A Matança dos Inocentes (2.16-18).
Quando os magos não voltaram para revelar a localização do
rival ao trono, Herodes ficou enfurecido. Ele considerou a
desobediência deles como escárnio; a palavra traduzida por
“iludido” é depois usada em Mateus para descrever o escárnio
suportado por Jesus na narrativa da paixão (Mt 27.29,31,41).
Levando-se em conta seu reinado de terror (veja comentários
sobre Mt 2.1,2), o assassinato de Herodes de todos os meninos
de dois anos para baixo não está fora de seu caráter. O cômputo
das vítimas, baseado na população provável, é de vinte a
trinta crianças.
Há
os que questionam a historicidade do acontecimento, visto que
parece estranho que o plano e trama de Herodes permitissem que
os magos e Jesus escapassem da rede de espionagem. Ademais, a
demora de sua reação, às vezes calculada em um ano ou mais,
parece igualmente inverossímil. Mas não podemos presumir que
Herodes tenha mandado seguir os magos; mesmo que o fizesse, não
há como prever que sua organização de inteligência fosse
infalível. Outrossim Mateus acredita que a providência
divina teve parte na fuga dos magos e de Jesus. O período de
tempo entre a chegada dos magos a Jerusalém e à corte de
Herodes e a partida deles de Belém pode ter sido pequeno. O
limite de idade que Herodes escolheu para matar os bebês foi
provavelmente averiguado pela determinação de quando a
estrela apareceu a primeira vez. Os magos podem ter levado
muito tempo para decidir responder ao sinal celestial e
eventualmente percorrer o caminho à Terra Santa em busca do
bebê nascido para ser rei. O texto deixa a impressão que
assim que os magos saíram, a família santa também deixou
Belém.
Mateus
percebe mais uma vez o cumprimento de profecia na matança dos
inocentes, baseado na localização da tragédia: “Raquel
chora seus filhos” (Jr 31.15). Jeremias clamou que Raquel,
que morreu na era dos patriarcas e foi enterrada em Efrata
(também chamada Belém, cf. Gn 35.19), choraria séculos
depois quando seus descendentes seriam forçados a marchar
para o cativeiro na Babilônia do ponto de organização próximo
de Ramá. Efrata está a cerca de dezessete quilômetros ao
norte de Jerusalém e ao sul de Betel, na área de Benjamim e
perto de Ramá. Esta não deve ser confundida geograficamente
com Belém de Judá, que fica a oito quilômetros ao sul de
Jerusalém. Mais tarde alguns benjamitas do clã de Efrata
migraram para a área de Belém de Judá; por conseguinte as
cidades estavam estreitamente associadas.
O
entendimento que Mateus tem sobre a profecia de Jeremias é
que se Raquel chorou por sua morte na ocasião do exílio de
Judá, que matou muitos dos seus descendentes no século VI
a.C., então ela chorou novamente quando as vítimas infantis
de Herodes foram sacrificadas no século I d.C. Mateus
demonstra mais uma vez que o cumprimento maior da profecia
ocorre em eventos associados com a vida de Jesus. Ele também
se refere aos meninos assassinados a fim de unir a vida de
Jesus com a de Moisés, cujo papel Jesus completará como o
novo Legislador, pois Moisés também foi salvo da guerra de
um déspota no caso das crianças hebréias no antigo Egito (Êx
2.1-10).
1.6.
A Volta do Egito para Nazaré (2.19-23).
Pela terceira vez José recebe instruções do anjo do Senhor
num sonho. A família santa volta para sua pátria visto que
Herodes, o Grande, está morto e já não procura a vida da
criança. Avisado em outro sonho, José evita prudentemente
estabelecer-se no território de Judá regido pelo filho e
sucessor de Herodes, Arquelau, e fixa residência em Nazaré,
na Galiléia, governada por Herodes Antipas, outro dos filhos
de Herodes. Arquelau foi inumano ao suprimir uma insurreição,
matando mais de três mil dos peregrinos que subiam para a
Festa da Páscoa em Jerusalém. Ele se casou com a esposa do
seu meio-irmão, fato que não lhe granjeou a afeição dos
seus súditos mais piedosos. Seu reinado sofreu tamanho abalo
que uma delegação de judeus e samaritanos, inimigos jurados,
dirigiu-se a Roma e foi bem-sucedida ao solicitar que o
governo fosse retirado das mãos dele. Ele foi exilado subseqüentemente
na província romana da Gália. Herodes Antipas demonstrou ser
um regente mais benigno na Galiléia.
Para
Mateus a chegada da família santa a Nazaré cumpriu outra
predição feita “pelos profetas”: “Ele será chamado
Nazareno”. Não está claro a qual obra profética Mateus se
refere. Talvez ele esteja citando uma obra que já não
existente e que não foi incluída nem no cânon judaico ou no
cristão. Sabemos que nem todas as referências no Novo
Testamento são de livros canônicos; Judas 9, por exemplo,
cita a Assunção de Moisés. Também foi sugerido que Mateus
esteja fazendo um jogo de palavras, unindo “Nazareno” (nazoraios)
a Isaías 11.1, onde o profeta diz que o Messias virá de um
“rebento” (netser) que “brotará [...] do tronco de Jessé”.
Os termos nazoraios e netser têm sons semelhantes, embora não
sejam do mesmo radical semítico.
Outra
sugestão é que Mateus está unindo a cidade natal de Jesus
com a palavra “nazireu”. Ainda que Nazaré e nazireu (nazir)
não tenham a mesma origem etimológica, argumenta-se que
Mateus não pensa que é coincidência que as duas palavras
soem semelhantemente; é providencial e parte do plano divino
de cumprir a Escritura num sentido maior na vida de Jesus. O
anúncio angelical do nascimento de Sansão, o juiz nazireu,
contém fraseado similar ao anúncio do nascimento de Jesus
feito pelos anjos (cf. Mt 1.20,21 com Jz 13.2-7). A despeito
de Jesus ter atuado como líder carismático, dotado do Espírito
Santo, Ele não cumpriu todas as exigências dietéticas e
cerimoniais do voto de nazireu (Nm 6.1-21).
Considerando
que Mateus comenta que a profecia foi dita “pelas
profetas”, ele pode ter várias acepções em mente para o
significado do termo nazareno. O evangelista reputa que não
foi por acidente que Jesus seria criado lá, e que o nome do
torrão natal do Messias seria fértil em alusões à anterior
história de salvação.
Para
saber mais:
ARRINGTON,
F. L.; STRONSTAD, R. (eds.) Comentário bíblico
pentecostal: Novo Testamento. 2.ed., Rio de Janeiro: CPAD,
2004.
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