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Leitura
Bíblica em Classe
Hebreus 1.1-8
Introdução
I. Jesus, o Filho de Deus
II. Jesus, o Filho Unigênito de Deus
III. Jesus, o Primogênito de Toda a
Criação
IV. Os Filhos de Deus
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Divindade de Cristo
Autores
R. Allan Killen e John Rea
Jesus Cristo é o Filho de Deus e a essência do Deus
verdadeiro.
Ele é constituído da mesma essência que o Pai e que o Espírito
Santo, e igual em poder e em glória (Veja Divindade).
Desta forma, tudo o que pode ser dito do Pai e do Espírito
Santo poderá ser dito do Filho. Ele é o Criador (Jo 1.1-3;
Cl 1.16; Hb 1.2), assim como o Pai (Gn 1.1; Ap 4.11) e o Espírito
Santo (Gn 1.2) criaram. Ele é o que mantém e que sustenta
todas as coisas (Cl 1.17; Hb 1.3), assim como o são o Pai (Gn
8.21,22) e o Espírito Santo (Jó 27.3; 33.4). Ele é o
Redentor (Ap 5.9; Rm 3.24; Tt 2.14), assim como o Pai (Is
63.16).
Provas bíblicas da Divindade de Cristo.
A Divindade de Cristo é provada por algumas afirmações expressas
nas Escrituras (Emanuel, ou “Deus conosco”, em Is 7.14 e
Mt 1.23; Jo 1.1; Jo 1.18; Rm 9.5; Tt 2.13; Hb 1.8). Ele
reivindicou ser capaz de perdoar os pecados (Mc 2.5,10.11; Lc
7.48), o que é uma prerrogativa exclusiva de Deus, que assim
era reconhecida (Mc 2.7; Lc 5.21). Ele curou os enfermos (Mt
4.23,24; 8.14-17; 9.18-35; Lc 5.17-26; 7.18-23), e ressuscitou
os mortos (Lc 7.11-15; 41,42,49, 55; Jo 11.38-44; cf. 5.25-
29). Ele controlou a natureza acalmando as ondas (Mt 8.23-27).
Ele agiu com criatividade, multiplicando os pães e os peixes
(Mt 14.19-21; 15.32-38). Ele afirmou ser Deus (Jô 10.33); e
existir, com Deus, antes que o mundo existisse (Jo 8.58;
17.5). Ele é igual ao Pai (Jo 14.9; Fp 2.5-8) e um, em essência,
com o Pai (Jo 10.30). Somente Ele, dentre todos os homens, é
digno de ser adorado, um ato proibido quando dirigido aos
seres criados e reservado exclusivamente a Deus (Jô 9.38; Fp
2.9-11; Ap 5.11-14; 19.10; 22.8ss.; At 10.25ss.).
Provas filosóficas e teológicas.
Se devemos ter um Deus que é infinito em sua pessoa e em seus
relacionamentos, esse Deus deve ter uma natureza trina. Veja
Trindade; Teísmo. Qualquer visão – como a da fé muçulmana,
a do judaísmo, a das Testemunhas de Jeová – que afirme que
existe somente uma pessoa na Divindade prova ser inadequada.
Tal visão apresenta um Deus que só teria conhecido um
verdadeiro relacionamento sujeito-objeto (o relacionamento
Eu-isso), um relacionamento pessoal real (o relacionamento
Eu-Você) ou um verdadeiro relacionamento social (o
relacionamento Nós-Você), depois de ter criado tanto o mundo
como o homem.
Este é o problema fatal em todas as visões unitárias. Pelo fato
do homem conhecer e desfrutar de todos esses relacionamentos
ele seria, nesses aspectos, maior do que um Deus não trino
seria antes de criar o mundo e o homem. Assim, a eterna filiação
e Divindade de Cristo são filosoficamente convincentes e
necessárias.
A divindade de Jesus Cristo é de extrema importância para a nossa
salvação. Somente uma pessoa infinita poderia oferecer um
sacrifício infinito, suficiente para satisfazer a justiça de
Deus, e para expiar os pecados de todos aqueles que têm fé.
Embora o pecado tenha começado com um ato único de desobediência,
como um incêndio na floresta pode começar com uma única faísca,
ele se espalhou por toda a humanidade; e a sua expiação –
depois que o pecado envolveu toda a natureza e toda a
humanidade – exigiu não um simples ato de um homem, mas do
Todo-Poderoso, em Seu próprio Filho Onipotente.
Veja Encarnação.
O Credo Niceno.
Nos séculos II e III d.C., visões extremamente divergentes do
relacionamento de Jesus com Deus foram expressas nos escritos
de diversos líderes cristãos. Justino Mártir afirmou que o
Logos encarnado em Jesus Cristo era um segundo Deus. Irineu
enfatizou a unidade de Deus, ou o monoteísmo, ao passo que
Paulo de Samosata enfatizou a humanidade de Jesus, dizendo que
Ele foi um homem sem pecado desde o seu nascimento. Sabelio
acreditava que o Pai tinha nascido como Jesus Cristo, e
sofrido como o Pai; pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo
eram três modos ou aspectos de Deus. Tertuliano declarou que
Deus é uma única essência, mas três pessoas ou partições,
na atividade administrativa divina, e que Jesus era ao mesmo
tempo Deus e homem, uma única pessoa que possuía duas essências
ou naturezas. Orígenes era essencialmente ortodoxo, mas
ensinava que embora o Filho seja co-eterno com o Pai, Cristo
como a imagem de Deus, é dependente do Pai e subordinado a
Ele.
No início do século IV, Ário, um presbítero na igreja da
Alexandria, afirmou que o Filho tinha um começo, e que não
era uma parte de Deus. O Pai tinha criado o Filho para que Ele
pudesse criar o mundo. Tal foi a controvérsia desenvolvida na
parte leste do Império Romano, que o imperador Constantino
convocou um concílio de toda a igreja, que se reuniu em Nicéia,
na Ásia Menor, em 325 d.C. Este foi o primeiro concílio ecumênico,
com a presença de mais de 300 bispos. O jovem Atanásio, um
diácono de Alexandria, advogou a posição ortodoxa.
O credo adotado por esse concílio afirma que o Filho é da mesma
essência (homoousios) que o Pai. Ele diz o seguinte.
“Nós cremos em um único Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador
de todas as coisas visíveis e invisíveis, e em um só
Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, o único
gerado do Pai, da mesma essência (ousias) do Pai, Deus
de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado, da mesma essência (homoousion) do
Pai, por quem todas as coisas foram feitas, tanto as do céu
quanto as da terra, que para nós - seres humanos - e para a
nossa salvação desceu dos céus e se fez carne, sofreu,
ressuscitou no terceiro dia, subiu aos céus e virá para
julgar os vivos e os mortos” (K. S. Latourette,
A History of Christianity, Nova York. Harper,
1953, p.155).
Embora Ário fosse banido e a sua posição anatemizada, nas décadas
que se seguiram os seus discípulos tentaram anular a decisão
do concílio. Durante algum tempo, Atanásio teve tão pouco
apoio dos outros, que os historiadores falam de Athanasius
contra mundum, “Atanásio contra o mundo”. Ele morreu
em 373. Três bispos notáveis da Capadócia – Gregório de
Nazianzo, Basílio de Cesaréia e Gregório de Nissa – se
encarregaram da discussão e argumentaram que existe somente
uma ousia (substância, essência) que o Pai, o Filho e
o Espírito Santo compartilham, mas que existem três hypostases
(traduzida ao latim como personae, pessoas). Um
segundo concílio ecumênico foi realizado em Constantinopla
em 381, para trazer um final à controvérsia de Ário. A
doutrina ortodoxa estabelecida em Nicéia foi confirmada, e o
credo Niceno foi modificado e aumentado para a sua forma
atual.
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