Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição A Igreja e Sua Missão


Lição 13 - Avivamento Espiritual: a missão dinâmica da igreja



Leitura Bíblica em Classe

1 Ts 1.1-10

Esboço da Lição

Introdução

I. A chama do avivamento da igreja tessalônica

II. Mantendo a chama do avivamento acesa

III. A chama do avivamento e a volta do Senhor

Conclusão


Tema deste Subsídio

O que é o Avivamento

Autor

Pr. Claudionor Corrêa de Andrade

Palavras Chaves

Avivamento; Renovação espiritual

 

O QUE É O AVIVAMENTO

 

I. INTRODUÇÃO

               Quando Moody chegou à Inglaterra, talvez não imaginasse o que tencionava fazer o Senhor naquelas ilhas. Bastaram, porém, os primeiros dias de labor, e agora já compreendia estar sendo usado para conduzir um dos maiores avivamentos da história da Igreja Cristã. Se tomarmos emprestada a figura cristalizada pelo pastor Boanerges Ribeiro, diríamos ter‑se incendiado a seara naquele pedaço de Europa, que já começava a perder a pujança dos avivamentos anteriores.

               Recuemos no tempo, e perguntemos a Moody: "O que é o avivamento?"

               Vivendo‑o intensamente, o evangelista norte-americano responder‑nos‑á tratar‑se de um movimento do Espírito Santo. Que é um movimento do Espírito, não há dúvida. O difícil, entretanto, é definir esse poderoso mover do Espírito Santo que tem muito do vento mencionado pelo Senhor. Um vento que sopra onde quer; ouvimos‑lhe a voz; não sabemos porém de onde vem, nem para onde vai.

               Como as perguntas recusam‑se a calar, garimpemos uma definição.

 

I. DEFININDO O AVIVAMENTO

               Não busco aqui discutir qual a terminologia mais correta: avivamento ou reavivamento? Difiram embora quanto ao étimo, sinonimizou-as a história da Igreja Cristã. Hoje, ambos os vocábulos são usados quase que indiferentemente. Como avivamento tornou‑se um termo mais comum nos arraiais evangélicos luso-brasileiros, optemos por ele.

               O avivamento pode ser definido como o retorno aos princípios que caracterizavam a Igreja Primitiva. É o retorno à Bíblia como a nossa única regra de fé e prática. É o retorno à oração como a mais bela expressão do sacerdócio universal do cristão. É o retorno às experiências genuínas com o Cristo, sem as quais inexistiria o corpo místico do Senhor. É o retorno à Grande Comissão, cujo lema continua a ser: "...até aos confins da terra..." O avivamento, enfim, é o reaparecimento da Igreja como a agência por excelência do Reino de Deus.

               De acordo com Arthur Wallis, o avivamento é a intervenção divina no curso normal das coisas espirituais: "É o Senhor desnudando o seu braço e operando com extraordinário poder sobre santos e pecadores".

               Depois de haver reanimado tantas igrejas que jaziam à morte, Charles Finney já tinha condições de afirmar ser o avivamento um novo começo de obediência a Deus. Onde buscaríamos outras definições? Em Lutero? Wesley? Ou, quem sabe, naqueles puritanos que procuravam alicerçar sua fé em experiências cada vez mais vívidas?

               Infelizmente, não podemos esquecer-nos dos céticos. Ao invés de estudarem o avivamento como um todo, vêem-no apenas como um "movimento dentro da tradição cristã que enfatiza o apelo da religião à natureza emotiva e afetiva dos indivíduos". Não! O avivamento não é só emoções. Não é só carga afetiva, nem aquela euforia que hoje nos embala, e amanhã desaparece como que por taumaturgia. Leve-nos embora às mais ruidosas manifestações, não é este o seu objetivo primacial, conforme acentuaria Ernest Baker: "Um avivamento pode produzir barulho, mas não é nisso que ele consiste. O fator essencial é a obediência de todo o coração".

               Ficássemos aqui a rebuscar outras definições, ver-nos-íamos obrigados a produzir volumosa antologia do que disseram e afirmaram os campeões do Evangelho. Seguindo, contudo, o conselho de Horatius Bonar, lancemo-nos a clamar pelo movimento do Espírito Santo. Vejamos, em primeiro lugar, qual o seu real objetivo.

 

II. O OBJETIVO DO AVIVAMENTO

               O principal objetivo do avivamento é manter a Igreja como a agência por excelência do Reino de Deus. É preservar-lhe as características de movimento. É arrancá-la ao denominacionalismo. É compungi-la a reassumir aquela característica que lhe deu o Cristo de forçar as portas do inferno. É conscientizá-la de que é, na verdade, um organismo e não uma organização que jaz sepultada em tradições meramente humanas.

               Segundo J. Edwin Orr, o avivamento visa reconduzir a Igreja aos tempos de refrigério. Tempos estes que, estar no cenáculo, não era privilégio apenas daqueles que compartilharam da experiência readquirida na rua Azuza no princípio do século XX; era um privilégio de todo o povo de Deus. Mas para que estejamos no cenáculo com os 120, faz‑se necessário vigiarmos com o Senhor no Getsêmani. Faz‑se urgente chorar por um avivamento até que este ressurja apesar dos olhos pesados e do coração sonolento.

               Enfim, o objetivo primordial do avivamento é levar a Igreja a agir como Reino de Deus. Igreja avivada não é instituição; é o Reino em movimento. Encarava assim Habacuque a Obra de Deus.

 

III. O AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO

               Foi num momento de profunda crise, que Habacuque lançou o pungente e inadiável clamor: "Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos faze‑a conhecida" (Hc 3.2). Se nos detivermos nos sucessos imediatos da história do povo de Deus, seremos forçados a concluir: a súplica do profeta não foi ouvida, porquanto Judá estava prestes a desaparecer como reino. Com a herança de Jacó, pereceriam Jerusalém e o Santo Templo. Não obstante tais contrários, a alma do profeta persistia a gritar: "Aviva a tua obra, ó Senhor".

               De uma forma ou de outra, o Senhor ouviu-lhe a prece. É certo que os tempos de refrigério não vieram de imediato; o exílio já campeava pelas cercanias da Cidade Santa. Mas quem disse ser o avivamento só bonança? Não fora a deportação à Babilônia; não fora esta amarga disciplina que, em tudo, se mostrava castigo; não fora este açoite de Jeová que levou Jeremias a escrever as Lamentações, os hebreus teriam desaparecido como povo, e como congregação do Senhor haveriam de desaparecer para sempre.

               A oração do profeta não deixou de ser ouvida; seu grito jamais se perderia no vazio.

               Habacuque não foi o único representante da Antiga Aliança a preocupar-se com o avivamento. Implícita ou explicitamente, os profetas todos de outra coisa não se ocuparam que não fosse em manter reavivada a flama da Obra de Deus. Logo nos primórdios da raça, vemos brotar e florescer um avivamento: "A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos: daí se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 5.26). Deste movimento, do qual sabemos tão pouco, dependeria a sobrevivência do plano divino naqueles idos já tão obscuros. Não começassem os antigos a invocar o Senhor, não teríamos um Enoque piedoso nem um Noé incorruptível. A semente de Adão não teria vingado, nem arca alguma teria sido construída para flutuar no dilúvio de Deus.

               Os avivamentos não pararam aí.

               Como as ondas da praia, os avivamentos fluíam e refluíam. É a luta de Jacó com o anjo em Jaboque. É o fogo do altar que arde contínua e incessantemente. É a lira de Davi que se nega a calar mesmo refugiada. É a presença de Deus que enche o Santo Templo, e empana de Salomão a singular glória. É Elias que desafia os profetas de Baal no atônito Carmelo. É Eliseu que mantém a escola de profetas num Israel que se paganizava. Avivamento é a coragem de Amós e o amor sofrido de Oséias; a intemperança missionária de Jonas e o serviço de Ageu e Zacarias.

               Ainda que outros casos possam ser citados, não haveríamos de esquecer o exemplo clássico de Josias. O avivamento promovido por este piedoso monarca judaíta foi essencialmente evangelical. Em nada difere dos movimentos desencadeados por Moody, Finney ou Spurgeon. Tudo começou quando o Livro da Lei foi achado no Santo Templo (2 Cr 34.14-17). Infelizmente, a revolução espiritual encetada por esse santo rei seria insuficiente para salvar a nação da tragédia de 586 a.C. O avivamento durou enquanto viveu Josias; morrendo este, foi sepultado o avivamento.

               No encerramento do cânon do Antigo Pacto, contudo, dá Malaquias a entender que, apesar das ameaças todas que pairavam sobre a verdadeira religião, o Reino de Deus jamais seria inumado. O Sol da Justiça haveria de refulgir e trazer salvação sob suas asas (Ml 4).

IV. O AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO

               Desde a derradeira profecia do Antigo Testamento, passar‑se‑iam cerca de quatrocentos anos até que a voz de um arauto do Senhor ecoasse por toda a Judéia. Voz solitária; em tudo, singular. Tinha, porém, muito do Testamento Antigo. As cores do sacerdócio e os matizes do profetismo de Moisés, Samuel e Elias, tinha aquela voz. Dir-se-ia que os profetas todos ali aportaram, para dar início ao novo pacto.

               No Novo Testamento, não encontramos a palavra avivamento. E para quê? A essência da aliança nova é justamente a vida que se refaz em cada um dos evangelhos, espalhando-se em Atos, nas epístolas e na revelação de Patmos. O avivamento jamais esteve ausente do organismo que, concebido na Galiléia dos Gentios, veio à luz no cenáculo no Dia de Pentecostes. Na célebre declaração de Cesaréia, já havia afirmado o Cristo: "Bem‑aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.17).

               Em essência, o que significa esta declaração? Que a Igreja haveria de ser não uma mera organização; e, sim um organismo! E, como tal, a vida jamais a deixaria; renovar‑se‑ia em suas Escrituras e revelações, em suas ordenanças e ministérios, em suas celebrações e adoração, em seus dons e carismas; em sua própria natureza, renovar-se-ia. Os Atos e epístolas despertam-nos a viver não uma nova religião; e, sim, um movimento em expansão permanente. Um movimento que não pôde ficar em Jerusalém, nem se deter na Judéia. Um movimento que invadiria Sicar. E, agora, em Antioquia, prepara-se a conquistar o império do Tibre. E, de fato, tornou o mundo vassalo!

 

CONCLUSÃO

               Na Epístola aos Efésios, sintetiza Paulo como deve andar a Igreja de Cristo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Sim, para o apóstolo que era tão íntimo do terceiro céu, a Igreja de Cristo não haveria de trafegar noutro lugar que não fossem as regiões celestiais. Isto implica num viver de vida em vida. Renovando-se sempre. Avivando-se continuamente. Reavivando-se a cada estação.

               O avivamento evangélico implica num viver contínuo nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Implica em nunca deixar morrer o amor primeiro. Mas se tal vier a ocorrer, o avivamento já não tem de esperar. Se este não for buscado, a advertência do Cristo torna-se mais que enérgica: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não se arrependeres" (Ap 2.4.5).

            Avivamento é retorno. É um retorno ao amor primeiro e sofrido do Calvário. Sem ele, pode haver até igreja enquanto instituição, jamais porém como Reino de Deus.

 

 


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