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Leitura
Bíblica em Classe
1 Ts 1.1-10
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A chama do avivamento
da igreja tessalônica
II.
Mantendo a chama do
avivamento acesa
III.
A chama do avivamento
e a volta do Senhor
Conclusão
Tema
deste Subsídio
O que é o Avivamento
Autor
Pr. Claudionor Corrêa de Andrade
Palavras
Chaves
Avivamento; Renovação espiritual
O QUE É
O AVIVAMENTO
I.
INTRODUÇÃO
Quando Moody chegou à Inglaterra, talvez não
imaginasse o que tencionava fazer o Senhor naquelas ilhas.
Bastaram, porém, os primeiros dias de labor, e agora já
compreendia estar sendo usado para conduzir um dos maiores
avivamentos da história da Igreja Cristã. Se tomarmos
emprestada a figura cristalizada pelo pastor Boanerges
Ribeiro, diríamos ter‑se incendiado a seara naquele
pedaço de Europa, que já começava a perder a pujança dos
avivamentos anteriores.
Recuemos no tempo, e perguntemos a Moody: "O que
é o avivamento?"
Vivendo‑o intensamente, o evangelista norte-americano
responder‑nos‑á tratar‑se de um movimento
do Espírito Santo. Que é um movimento do Espírito, não há
dúvida. O difícil, entretanto, é definir esse poderoso
mover do Espírito Santo que tem muito do vento mencionado
pelo Senhor. Um vento que sopra onde quer; ouvimos‑lhe a
voz; não sabemos porém de onde vem, nem para onde vai.
Como as perguntas recusam‑se a calar, garimpemos
uma definição.
I.
DEFININDO O AVIVAMENTO
Não busco aqui discutir qual a terminologia mais
correta: avivamento ou reavivamento? Difiram embora quanto ao
étimo, sinonimizou-as a história da Igreja Cristã. Hoje,
ambos os vocábulos são usados quase que indiferentemente.
Como avivamento tornou‑se um termo mais comum nos
arraiais evangélicos luso-brasileiros, optemos por ele.
O avivamento pode ser definido como o retorno aos princípios
que caracterizavam a Igreja Primitiva. É o retorno à Bíblia
como a nossa única regra de fé e prática. É o retorno à
oração como a mais bela expressão do sacerdócio universal
do cristão. É o retorno às experiências genuínas com o
Cristo, sem as quais inexistiria o corpo místico do Senhor.
É o retorno à Grande Comissão, cujo lema continua a ser:
"...até aos confins da terra..." O avivamento,
enfim, é o reaparecimento da Igreja como a agência por excelência
do Reino de Deus.
De acordo com Arthur Wallis, o avivamento é a intervenção
divina no curso normal das coisas espirituais: "É o
Senhor desnudando o seu braço e operando com extraordinário
poder sobre santos e pecadores".
Depois de haver reanimado tantas igrejas que jaziam à
morte, Charles Finney já tinha condições de afirmar ser o
avivamento um novo começo de obediência a Deus. Onde buscaríamos
outras definições? Em Lutero? Wesley? Ou, quem sabe,
naqueles puritanos que procuravam alicerçar sua fé em experiências
cada vez mais vívidas?
Infelizmente, não podemos esquecer-nos dos céticos.
Ao invés de estudarem o avivamento como um todo, vêem-no
apenas como um "movimento dentro da tradição cristã
que enfatiza o apelo da religião à natureza emotiva e
afetiva dos indivíduos". Não! O avivamento não é só
emoções. Não é só carga afetiva, nem aquela euforia que
hoje nos embala, e amanhã desaparece como que por taumaturgia.
Leve-nos embora às mais ruidosas manifestações, não é
este o seu objetivo primacial, conforme acentuaria Ernest
Baker: "Um avivamento pode produzir barulho, mas não é
nisso que ele consiste. O fator essencial é a obediência de
todo o coração".
Ficássemos aqui a rebuscar outras definições, ver-nos-íamos
obrigados a produzir volumosa antologia do que disseram e
afirmaram os campeões do Evangelho. Seguindo, contudo, o
conselho de Horatius Bonar, lancemo-nos a clamar pelo
movimento do Espírito Santo. Vejamos, em primeiro lugar, qual
o seu real objetivo.
II. O
OBJETIVO DO AVIVAMENTO
O principal objetivo do avivamento é manter a Igreja
como a agência por excelência do Reino de Deus. É preservar-lhe
as características de movimento. É arrancá-la ao
denominacionalismo. É compungi-la a reassumir aquela característica
que lhe deu o Cristo de forçar as portas do inferno. É
conscientizá-la de que é, na verdade, um organismo e não
uma organização que jaz sepultada em tradições meramente
humanas.
Segundo J. Edwin Orr, o avivamento visa reconduzir a
Igreja aos tempos de refrigério. Tempos estes que, estar no
cenáculo, não era privilégio apenas daqueles que
compartilharam da experiência readquirida na rua Azuza no
princípio do século XX; era um privilégio de todo o povo de
Deus. Mas para que estejamos no cenáculo com os 120,
faz‑se necessário vigiarmos com o Senhor no Getsêmani.
Faz‑se urgente chorar por um avivamento até que este
ressurja apesar dos olhos pesados e do coração sonolento.
Enfim, o objetivo primordial do avivamento é levar a
Igreja a agir como Reino de Deus. Igreja avivada não é
instituição; é o Reino em movimento. Encarava assim
Habacuque a Obra de Deus.
III. O
AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO
Foi num momento de profunda crise, que Habacuque lançou
o pungente e inadiável clamor: "Aviva a tua obra, ó
Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos
faze‑a conhecida" (Hc 3.2). Se nos detivermos nos
sucessos imediatos da história do povo de Deus, seremos forçados
a concluir: a súplica do profeta não foi ouvida, porquanto
Judá estava prestes a desaparecer como reino. Com a herança
de Jacó, pereceriam Jerusalém e o Santo Templo. Não
obstante tais contrários, a alma do profeta persistia a
gritar: "Aviva a tua obra, ó Senhor".
De uma forma ou de outra, o Senhor ouviu-lhe a prece.
É certo que os tempos de refrigério não vieram de imediato;
o exílio já campeava pelas cercanias da Cidade Santa. Mas
quem disse ser o avivamento só bonança? Não fora a deportação
à Babilônia; não fora esta amarga disciplina que, em tudo,
se mostrava castigo; não fora este açoite de Jeová que
levou Jeremias a escrever as Lamentações, os hebreus
teriam desaparecido como povo, e como congregação do Senhor
haveriam de desaparecer para sempre.
A oração do profeta não deixou de ser ouvida; seu
grito jamais se perderia no vazio.
Habacuque não foi o único representante da Antiga
Aliança a preocupar-se com o avivamento. Implícita ou
explicitamente, os profetas todos de outra coisa não se
ocuparam que não fosse em manter reavivada a flama da Obra de
Deus. Logo nos primórdios da raça, vemos brotar e florescer
um avivamento: "A Sete nasceu-lhe também um filho, ao
qual pôs o nome de Enos: daí se começou a invocar o nome do
Senhor" (Gn 5.26). Deste movimento, do qual sabemos tão
pouco, dependeria a sobrevivência do plano divino naqueles
idos já tão obscuros. Não começassem os antigos a invocar
o Senhor, não teríamos um Enoque piedoso nem um Noé
incorruptível. A semente de Adão não teria vingado, nem
arca alguma teria sido construída para flutuar no dilúvio de
Deus.
Os avivamentos não pararam aí.
Como as ondas da praia, os avivamentos fluíam e refluíam.
É a luta de Jacó com o anjo em Jaboque. É o fogo do altar
que arde contínua e incessantemente. É a lira de Davi que se
nega a calar mesmo refugiada. É a presença de Deus que enche
o Santo Templo, e empana de Salomão a singular glória. É
Elias que desafia os profetas de Baal no atônito Carmelo. É
Eliseu que mantém a escola de profetas num Israel que se
paganizava. Avivamento é a coragem de Amós e o amor sofrido
de Oséias; a intemperança missionária de Jonas e o serviço
de Ageu e Zacarias.
Ainda que outros casos possam ser citados, não haveríamos
de esquecer o exemplo clássico de Josias. O avivamento
promovido por este piedoso monarca judaíta foi essencialmente
evangelical. Em nada difere dos movimentos desencadeados por
Moody, Finney ou Spurgeon. Tudo começou quando o Livro da Lei
foi achado no Santo Templo (2 Cr 34.14-17). Infelizmente, a
revolução espiritual encetada por esse santo rei seria
insuficiente para salvar a nação da tragédia de 586 a.C. O
avivamento durou enquanto viveu Josias; morrendo este, foi
sepultado o avivamento.
No encerramento do cânon do Antigo Pacto, contudo, dá
Malaquias a entender que, apesar das ameaças todas que
pairavam sobre a verdadeira religião, o Reino de Deus jamais
seria inumado. O Sol da Justiça haveria de refulgir e trazer
salvação sob suas asas (Ml 4).
IV. O
AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO
Desde a derradeira profecia do Antigo Testamento,
passar‑se‑iam cerca de quatrocentos anos até que
a voz de um arauto do Senhor ecoasse por toda a Judéia. Voz
solitária; em tudo, singular. Tinha, porém, muito do
Testamento Antigo. As cores do sacerdócio e os matizes do
profetismo de Moisés, Samuel e Elias, tinha aquela voz. Dir-se-ia
que os profetas todos ali aportaram, para dar início ao novo
pacto.
No Novo Testamento, não encontramos a palavra
avivamento. E para quê? A essência da aliança nova é
justamente a vida que se refaz em cada um dos evangelhos,
espalhando-se em Atos, nas epístolas e na revelação de
Patmos. O avivamento jamais esteve ausente do organismo que,
concebido na Galiléia dos Gentios, veio à luz no cenáculo
no Dia de Pentecostes. Na célebre declaração de Cesaréia,
já havia afirmado o Cristo: "Bem‑aventurado és
tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o
sangue, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.17).
Em essência, o que significa esta declaração? Que a
Igreja haveria de ser não uma mera organização; e, sim um
organismo! E, como tal, a vida jamais a deixaria;
renovar‑se‑ia em suas Escrituras e revelações,
em suas ordenanças e ministérios, em suas celebrações e
adoração, em seus dons e carismas; em sua própria natureza,
renovar-se-ia. Os Atos e epístolas despertam-nos a viver não
uma nova religião; e, sim, um movimento em expansão
permanente. Um movimento que não pôde ficar em Jerusalém,
nem se deter na Judéia. Um movimento que invadiria Sicar. E,
agora, em Antioquia, prepara-se a conquistar o império do
Tibre. E, de fato, tornou o mundo vassalo!
CONCLUSÃO
Na Epístola aos Efésios, sintetiza Paulo como deve
andar a Igreja de Cristo: "Bendito o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3).
Sim, para o apóstolo que era tão íntimo do terceiro céu, a
Igreja de Cristo não haveria de trafegar noutro lugar que não
fossem as regiões celestiais. Isto implica num viver de vida
em vida. Renovando-se sempre. Avivando-se continuamente.
Reavivando-se a cada estação.
O avivamento evangélico implica num viver contínuo nas regiões
celestiais em Cristo Jesus. Implica em nunca deixar morrer o
amor primeiro. Mas se tal vier a ocorrer, o avivamento já não
tem de esperar. Se este não for buscado, a advertência do
Cristo torna-se mais que enérgica: "Tenho, porém,
contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois,
de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras;
quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o
teu castiçal, se não se arrependeres" (Ap 2.4.5).
Avivamento é retorno. É um retorno ao amor primeiro e
sofrido do Calvário. Sem ele, pode haver até igreja enquanto
instituição, jamais porém como Reino de Deus.
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