Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição A Igreja e Sua Missão


Lição 10 - Visitação: a missão consoladora da Igreja



Leitura Bíblica em Classe

Lc 10.1-12

Esboço da Lição

Introdução

I. A importância do ministério da visitação

II. A visitação de Jesus aos lares

III. Os apóstolos e o trabalho de visitação após o Pentecostes

IV. O ministério de visitação na Igreja

Conclusão


Tema deste Subsídio

O ministério do visitador cristão

Autor

Pastor Temóteo Ramos de Oliveira

Palavras Chaves

Visitação; Aconselhamento; Necessitados

 

Características do Visitador Cristão

Todo servo ou serva de Deus que se coloca à disposição da igreja para realizar o importante trabalho de visitação precisa possuir valores espirituais que o(a) credenciem para tal atividade. É certo que outras características devem ser encontradas no instrumento de Deus que presta tão relevante serviço, mas o fundamental é que seja realmente espiritual, o que implica ter vida de comunhão com Deus através da oração. Para o Visitador Cristão, como já falamos antes, não basta apenas gostar de fazer visita, mas é necessário ter conhecimento daquilo que vai efetuar. Este conhecimento compreende saber o que a Palavra de Deus diz acerca da ação de visitar e possuir habilidades espirituais e naturais para o trabalho. As habilidades aqui requeridas se referem a uma boa preparação nas diferentes áreas da vida do visitador [...] 

A preparação na esfera natural certamente dependerá da participação do líder da igreja no que tange à orientação ao visitador para as diferentes tarefas a serem cumpridas [...]

Vejamos algumas características do visitador cristão que representam elementos fundamentais na sua preparação.

a) Sabedoria.

A sabedoria é indispensável característica do visitador. Esta capacitação, que não é meramente intelectual, mas principalmente espiritual, deve possuir o instrumento de Deus que se dá para a missão de visitar. A sabedoria aqui referida certamente é aquela recomendada pelo apóstolo Tiago, a sabedoria do plano vertical, que diz: “Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia” (Tg 3.17). Este texto define de modo sublime a sabedoria que o visitador cristão deve possuir a fim de realizar um importante trabalho no seu desiderato espiritual. A falta de tão importante qualidade na vida de quem ingressou no campo da visitação tem gerado males sem conta, e aquele tão almejado e esperado resultado não se verificou. Sabemos que muitos desejam realizar um trabalho para Deus em diferentes setores das atividades da igreja, mas reconhecem que lhes falta a necessária sabedoria para se dedicarem no trabalho que aspiram fazer para o seu Senhor! Quero animar a estas pessoas a prosseguirem no seu sentimento observando o recomendado pelo supra citado apóstolo Tiago: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tg 1.5)

b) Fé. 

A Fé é outro elemento indispensável na vida do Visitador Cristão. 

Em primeiro lugar, a Bíblia nos adverte que sem fé é impossível agradar a Deus. O trabalho que se realiza visitando a alguém tem, como objetivo, agradar a Deus, antes de agradar ao visitador e ao visitando. Logo, é da maior importância que o servo ou serva de Deus, ocupado na missão de visitar, seja pessoa que desenvolva atos de fé no seu labor para Cristo. Não raro, o visitador se defronta com situações bastante complicadas, que demandam atitudes de uma fé atuante, e que sem ela o trabalho ficará sem fruto algum. 

Em segundo lugar, a fé é fator preponderante nas atividades dos servos de Deus, e quando se trata do ofício de visitar qualquer pessoa, em qualquer circunstância, a fé deve operar na vida do visitador porque a palavra que levará ao visitando será, por certo, uma palavra de fé, posto que a palavra que pregamos é uma palavra de fé (Rm 10.8c). Ora, o visitador vai ao encontro de uma pessoa para falar-lhe das possibilidades de Deus para solução dos nossos problemas, e se sua palavra não estiver misturada com a fé (Hb. 4.2), certamente os frutos do seu trabalho não serão obtidos. A fé, portanto, é basilar na atividade do Visitador Cristão, e se esta ainda não atingiu o grau suficiente para o exercício do ministério abraçado, é imprescindível que a oração, a leitura da Palavra de Deus e sua meditação, faça parte do dia a dia do obreiro ou obreira que vai atuar como visitador Cristão. Pela oração e meditação da Palavra de Deus, com certeza a fé vai se desenvolver grandemente, tornando-se elemento contagiante na vida do obreiro ou da obreira do Senhor. Será contagiante, sim, porque o visitado sentirá os efeitos da fé do visitador e assim, o milagre acontecerá para glória de Deus. Se tal efeito não é produzido, o resultado do trabalho pode ser nulo, inclusive poderá até agravar o estado espiritual ou natural da pessoa visitada. Todos nós precisamos e devemos pedir mais fé como o fizeram os discípulos quando falaram ao Senhor: “Disseram, então, os apóstolos do Senhor: Acrescenta-nos a Fé”. (Lc 17.5). Que o Senhor a todos conceda uma fé crescente, que produza muitos frutos para o seu eterno Reino. 

c) Amor. 

O amor é outra característica do visitador cristão. Este sentimento deve atuar na vida do agente visitador em todas as ocasiões, posto que o amor representa o próprio Deus. “Deus é amor” (1Jo 4.16). A iniciativa de visitar alguém deve ser, já no primeiro momento, uma demonstração de genuíno amor. Todas as vezes que o Mestre empreendia uma visita, o fazia com muita solicitude, de tal forma que, o testemunho do amor se esboçava possantemente no seu gesto e ato de visitar (Jo 11.11-36; Mt 25.36). Jesus enfatiza a importância da ação de visitar e, como Ele o fez, espera que façamos também. (Jo 13.15) O apóstolo Paulo nos exorta dizendo: “Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade” (1 Co 16.14). Assim procedamos. É muito importante que o visitador cristão leia sempre o capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, onde poderá conhecer mais profundamente, como o verdadeiro amor se desenvolve e é aplicado.

 

A Quem a visita Será Feita (enfermos, crentes desanimados, outros)

É da maior importância que o visitador saiba a quem vai visitar. Tal conhecimento deve ser obtido com precisão e muita segurança, para evitar-se descompassos no trabalho a ser desenvolvido. Embora não conheça a pessoa pessoalmente, o visitador deve saber de quem se trata, se é pessoa do sexo feminino ou masculino, criança, adolescente, jovem ou adulto. É bom conhecer até a faixa etária, para que o tratamento seja correspondente.  

Se o visitando está enfermo e a sua enfermidade é o motivo da visita. Se o grau da enfermidade está avançado e de quê se acha enfermo. Muitas vezes a enfermidade exige por parte do visitador cuidados especiais, tanto no que se refere a contrair infecções como transmitir. As pessoas que sofreram cirurgias são muito susceptíveis de contrair infecções, e não raro, um simples aperto de mãos ou coisa parecida pode ser motivo de contaminação no visitando ou no visitador [...]. 

Aconselha-se ainda que, após se deixar o local da visita, o visitador procure, discretamente, água para lavar as mãos. Se tal cuidado houver sido observado antes da visita, também se terá praticado uma atitude benéfica em relação ao visitando. Se a visita vai ser feita a uma pessoa do sexo feminino, é imprescindível que na comissão haja algum membro do mesmo sexo, contudo, a composição da comissão deve ser criteriosa, evitando-se duplas mistas, (homem e mulher) que não sejam casais. Muitas vezes, quando o motivo da visita já foi elucidado, pelo menos em parte, não comporta a presença de visitador do sexo oposto ao do visitando. Não raro, a pessoa visitada tem alguma coisa a relatar para o visitador e sendo este de outro sexo, quase sempre a inibição se instala e o trabalho fica infrutífero. Quando destacamos que o conhecimento das faixas etárias é relevante, queremos lembrar ao nosso leitor que as pessoas assumem comportamentos e até contraem enfermidades físicas e mentais, que são próprias da sua idade. Sabendo-se a quem se visitará e porquê, com certeza a tarefa tornar-se-á mais fácil a partir da sua preparação. Quando a visita vai ser feita a pessoas com problemas de ordem espiritual, também é bom conhecer acerca da pessoa tanto quanto possível. Ver o cadastro de membros é uma boa iniciativa para verificar se a pessoa já tem ou alguma anotação digna de análise ou apreciação com relação à conduta, embora isso não deva fazer parte explícita do trabalho de visitação. Queremos dizer que se houver algum registro no rol de membros — sobre a pessoa a ser visitada — que constitua algum mal precedente, não deve ser elemento presente na visita, pois é uma visita tem como finalidade restaurar pessoas no plano espiritual, e não fazer devassa da vida de quem quer que seja. Entendemos que os casos de conflitos geradores de disciplina deverão ser tratados internamente, em nível de gabinete pastoral, e se tal procedimento exigir uma visita a alguém para esclarecer os fatos, isso deve ser feito com muita cautela, principalmente quando o ato for praticado no domicílio do visitando. 

O Visitador Cristão não pode ser uma pessoa arrogante, que desconheça os limites de sua competência e das conveniências que o momento do seu trabalho envolva. 

O visitador deve proceder a sua preparação específica para cumprir a sua nobre missão: oração, seleção de um ou mais textos bíblicos, enfim, tudo que o caso requeira. O trabalho do visitador cristão não se cinge apenas a pessoas enfermas fisicamente ou a crentes com problemas de ordem espiritual. Muitas vezes, a visita é feita em presídios, e mesmo que tal trabalho seja feito, quase sempre com o público detento, algumas vezes o visitador é comissionado para uma tarefa específica em relação a uma pessoa. Desta forma, é de bom alvitre conhecer bem a história da pessoa a ser visitada inclusive os motivos que a levaram à prisão; isto posto, com certeza dará ao visitador mais elementos compatíveis com o trabalho a ser desenvolvido. Sabemos que há outras classes de pessoas e tipos de necessidades de visitas a serem atendidas. Casos que desconhecemos podem surgir a qualquer momento para uma comissão de visita, e certamente o líder do grupo irá analisar o pedido ou a necessidade surgida, que muitas vezes é bem diferente de todas as experiências vividas por qualquer visitador cristão. São as surpresas que o dia-a-dia do labor da igreja apresenta, e nesta área, a VISITAÇÃO, não é diferente. Os conselhos aqui oferecidos devem ser reexaminados, de acordo com as necessidades que apareçam no cotidiano do rebanho e nas atividades gerais da Igreja do Senhor Jesus.

Referência Bibliográfica

 

OLIVEIRA, Temóteo Ramos de. Manual do visitador cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

 


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