Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição A Igreja e Sua Missão


Lição 08 - A Missão Social da Igreja



Leitura Bíblica em Classe

At 2.42-46; 4.32,34,35-37

Esboço da Lição

Introdução

I. Fundamentos da responsabilidade social da igreja

II. A Responsabilidade social da igreja primitiva

III. Um profundo senso de responsabilidade social

Conclusão


Tema deste Subsídio

O serviço social cristão

Autor

Zenas J. Bicket

Palavras Chaves

Comunidade; Serviço social.

 

Boa Vontade mediante Serviços à Comunidade

Até que ponto o pastor deve se envolver na comunidade e assuntos cívicos? Deve-se trabalhar ativamente para corrigir os males da sociedade? São as mazelas do álcool, drogas, atividades de quadrilhas, poluição, imoralidade, pornografia e injustiça racial somente comentadas no púlpito (se é que chegam a ser mencionadas)? Ou se está obrigado a participar da retirada de tais injustiças e males? Claro que não se deve abandonar o Evangelho que transforma corações por um evangelho social. Mas a ênfase na transformação dos corações exime o ministro da responsabilidade de procurar ter uma sociedade mudada? 

1) Sal da terra. Jesus chamou seus seguidores de sal da terra. O sal tem de tocar em outra substância para que tempere ou preserve. Muito embora a pregação do Evangelho deixe pouco tempo para fazer frente grupal a uma variedade de causas sociais na comunidade, o pastor com sua presença deve dar sua parcela de cooperação nas tentativas da comunidade em resolver os problemas sociais. A voz do ministro como mensageiro de Deus pode falar com muita autoridade e influência. Possibilidades para envolvimento são muitas: servir como membro da mesa diretora da escola, participar da associação de pais e mestres e de clubes cívicos, cooperar com campanhas beneficentes, doar sangue e aceitar compromissos para chefiar empreendimentos que visam a melhoria da comunidade. Se o pastor presidente está impossibilitado de participar de tais atividades, um pastor auxiliar pode representar a igreja. 

2) Boa vontade. O pastor e a igreja obtêm a boa vontade da comunidade com maior rapidez mostrando amor, solicitude e compaixão do que fazendo cruzadas inclementes contra os males da comunidade. Deve-se sempre manter as prioridades na perspectiva correta. Ganhar a alma dos que fazem e/ou são a favor do aborto é mais importante do que registrar oposição rigorosa.

Mais aborteiros, prostitutas e caloteiros têm sido ganhos pelo testemunho silencioso e cheio de amor do que por violentas cruzadas contra suas práticas más. Há, obviamente, a hora de fazer cruzadas, mas que sejam quando Deus inconfundivelmente comissionar, como quando Ele o fez com os profetas do Antigo Testamento, um ministério profético e denunciatório. Mesmo assim, a mensagem do profeta nunca foi acompanhada pela violência. Quando uma mensagem de julgamento tiver de ser pregada, um coração quebrantado é a melhor fonte da palavra de julgamento final.

Quando o pastor investiga maneiras de ganhar a boa vontade da comunidade por meio de serviços humildes, ele não fica desapontado. 

3) Voluntários. Toda comunidade precisa de mais voluntários. E trabalhar em comissões, dar apresentações e fazer palestras públicas são oportunidades para conhecer as pessoas da comunidade. Aqueles abençoados com muito — e os crentes são abençoados com muito mais ainda — têm de dar algo em troca. Para satisfazer pessoas que precisam de relacionamentos com uma igreja e com o Jesus dessa igreja, é apenas uma oportunidade acrescida de esforços voluntários. Uma comunidade de tamanho médio promove anualmente uma Feira da Boa Comunidade, onde barracas de quase cem organizações que usam voluntários descrevem seus programas. Muitas dessas organizações funcionam em áreas relacionadas com os ministérios da igreja: por exemplo, hospícios, Exército da Salvação, voluntários em hospital, programas para idosos, clínicas de repouso e sanatórios, missões em ruas, Associação dos Portadores do Mal de Alzheimer e Aliança para os Mentalmente Doentes. 

4) Atenção aos jovens. A igreja e seu pastor devem estar preocupados sobretudo com os jovens da comunidade. Espreitando em cada esquina pela chance de enlaçar nossos jovens estão os traficantes de drogas, os líderes de gangues e os fornecedores de pornografia. Fazer cruzadas contra esses males pode ter algum valor, mas o tempo gasto em programas que forneçam atividades para os jovens que ainda não foram pegos pelas artimanhas diabólicas é muito mais eficaz nesta sociedade de constantes mudanças. O envolvimento em programas comunitários para jovens enviará forte mensagem para a mocidade da igreja: “O pastor preocupa-se com você e com o que pode acontecer com você; o pastor quer o melhor de Deus para você”. 

5) Os esforços do pastor e da igreja contra a imoralidade. O pastor servirá bem a comunidade e ganhará sua boa vontade quando a comunidade perceber os esforços vigorosos empreendidos pela igreja para proteger os valores da comunidade e a moralidade. A televisão, a TV por assinatura e o entretenimento local ameaçam obliterar todos os vestígios dos padrões morais e comportamentais. Mas é preciso que mais de uma voz se levante contra os anunciantes e fornecedores organizados de sujeira. Um empreendimento cooperativo de várias igrejas e grupos de igreja fará com que a comunidade saiba que os líderes religiosos e suas congregações estão preocupados — e orando. Mas os pastores devem estar cônscios das possíveis interpretações exteriores: que as igrejas estão se empenhando em fazer todos se conformarem aos padrões cristãos de conduta. Embora desejemos que todos venham a conhecer Jesus e a servi-lo fielmente (cf. 1 Co 7.7), nunca podemos forçar as pessoas a serem interiormente íntegras. Os indivíduos podem ser contidos por leis promulgadas por uma maioria de legisladores, mas igrejas que fazem tais cruzadas devem deixar claro que só estão procurando proteger os jovens inocentes e conservar as virtudes familiares pelo bem-estar de toda a comunidade. Cuspir acusações contra os réprobos traficantes de drogas e distribuidores de pornografia não os ganha para Cristo. Contudo, a comunidade e, esperançosamente, até os réprobos, serão tocados por uma preocupação compassiva e impulsionada pelo Espírito pelo futuro das crianças e da comunidade. Boicotar produtos de companhias que apóiem

entretenimento imoral é, às vezes, necessário. Porém, mais uma vez, a solicitude em vez do caráter vingativo deve ser a face apresentada à comunidade. 

6) Melhorando a Comunidade. Há muitas maneiras pelas quais a comunidade pode ser melhorada, e o envolvimento do pastor e da igreja em alguns desses empreendimentos ganhará a boa vontade da comunidade. A comunidade aprecia a igreja cujo grupo da mocidade aceita a responsabilidade de, por exemplo, limpar o lixo ao longo da estrada. Tornar os bairros mais bonitos não é necessariamente um exercício espiritual, mas pode ganhar a benevolência da comunidade, de forma que a mensagem de salvação seja bem recebida. 

Apoiar a criação de parques e instalações de recreação em bairros menos favorecidos é outra maneira de melhorar a comunidade. O pastor e a igreja não precisam sair à procura de projetos novos para iniciar. Toda comunidade comum tem líderes que discutem coisas que podem e devem ser melhoradas. Ao ouvir discursos públicos e ler o editorial do jornal, o pastor pode escrever comentários de apoio e oferecer ajuda para a realização desses projetos, de maneira a deixar subentendido que a igreja tem no coração o bairro, a comunidade ou a cidade.

Entretanto, nunca devemos deixar que aconteça com nossas igrejas pentecostais o que aconteceu com muitas igrejas tradicionais. O que começou como envolvimento para alcançar a comunidade pode se tornar o fim em si mesmo, em vez de ser os meios para atingir o fim. Tais igrejas caíram no erro de pregar um evangelho social, e sua falta de crescimento comprova isso. Trágico mesmo é a igreja pentecostal que nem está crescendo nem está alcançando a comunidade. Mas tocar a comunidade com um coração cheio de paixão pelas almas da comunidade trará como resultado uma igreja crescente. 

Referência Bibliográfica

 

BICKET, Zenas J. Gerando Boa Vontade na comunidade para com a igreja e o pastor. In: CARLSON, R.; TRASK, Thomas E. (et al.). Manual O pastor pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 541-3.

 


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