Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição A Igreja e Sua Missão


Lição 04 - Discipulado, a Missão Educadora da Igreja



Leitura Bíblica em Classe

Mateus 16.24-26; 2 Timóteo 2.1-3


Esboço da Lição

Introdução

I. A Tarefa da Igreja no Discipulado

II. Discipulado e Discípulo

III. A Igreja realizando o Discipulado

Conclusão


Tema deste Subsídio

o significado da Grande Comissão

Autor

Ciro Mello

Palavras Chaves

Discipulado; Grande Comissão; Participação.

 

Aquele que entendeu o significado da Grande Comissão 

A ordem do Senhor aos seus discípulos, ou àqueles que levam a questão do discipulado a sério, foi a de fazer discípulos de todas as nações. Além de entender o significado da Grande Comissão, o discípulo precisa, de igual modo, sentir-se participante dela.

Ainda nos dias atuais, algumas pessoas pensam que a ordem de “fazer discípulos” foi endereçada somente a um grupo especial, como aqueles que exercem alguma função no ministério, como evangelistas, pastores ou missionários. Absolutamente não. 

Não basta apenas estar ciente da mensagem. Entender aqui significa obedecer.

Se você diz que entendeu o significado da Grande Comissão, mas não “move uma palha” no sentido de torná-la prática, então você ainda está em desobediência. Não dá para discordar, não é?

Então, o que fazer?

Se esta pergunta reflete o gemido de sua alma, observe:

Você está cansado de saber que o trabalho de evangelismo, discipulado, missões e outros ministérios semelhantes só podem ser bem-sucedidos se forem feitos em equipe. O maior dos apóstolos conhecia bem a prática do trabalho em equipe. Ele disse que um planta, outro colhe e Deus dá o crescimento (1 Co 3.6-9). Veja bem o lado humano e o lado divino nessa questão. O natural e o sobrenatural. O homem tem de plantar e colher, mas não pode fazer a semente germinar, crescer e produzir frutos. Esse é o trabalho divino. Só Ele pode fazer isso. 

Bem, precisamos fazer nossa parte: plantar e colher, certo? Paulo disse que ele plantou e Apolo regou (1 Co 3.6). O evangelista não pode fazer tudo sozinho. Muito menos o missionário. 

Aí é que entra o trabalho de base, o trabalho de equipe. É verdade que nem todos têm a mesma chamada no Corpo de Cristo, como também cada órgão no corpo humano tem sua própria função, e nenhum deles funciona sem a cooperação de outro, isoladamente. Em termos gerais, na área da Grande Comissão funciona da mesma maneira: o evangelista ou missionário vai, planta (a igreja) e o pastor vai depois para solidificar o trabalho com ensino sistemático, para produzir o aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.12). Só que o evangelista ou o missionário não podem “ir” sem que haja a cooperação da igreja local.

Quem não recebeu (ainda) a chamada para algum ministério de liderança, pode começar fornecendo condições para aquele que está liderando. Até uma Bíblia que seja oferecida para o ministério de discipulado já é uma boa cooperação. É claro que este exemplo é muito simples. Muito mínimo. 

Paulo disse que tanto o que planta, como o que colhe não devem se vangloriar (1 Co 3.7), mas a glória pertence ao Senhor, que produz o crescimento. 

O apóstolo Paulo afirmou ainda que, tanto um como o outro receberão o justo galardão das mãos do justo juiz (2 Tm 4.8). Esse juiz não se engana nem pode ser subornado sob qualquer pretexto. Quem ofertou apenas uma Bíblia usada, sem qualquer sombra de dúvida, receberá o galardão equivalente a uma Bíblia usada. Lembra da história que minha avó contava sobre a irmãzinha e o grande líder? Pois bem, é por aí. 

Vamos recapitular: Você entendeu mesmo o significado da Grande Comissão?

Está disposto a começar? Cooperar? Nós somos cooperadores de Deus, lembra de 1 Coríntios 3.9? Então, vai nessa força!

 

Aquele que Aprendeu a Ser Discípulo

Somente depois do reencontro de Jesus com Pedro, após a ressurreição, é que ele conseguiu pregar o maior sermão da história da Igreja. Até então, Pedro não havia experimentado uma renovação autêntica. Podia ser considerado um bom crente, mas não um bom discípulo. Suas atitudes demonstravam que ele era apenas um homem comum. Isso fica bem claro no reencontro que teve com o Mestre às margens do mar da Galiléia (Jo 21.15-17). Ele declara, por duas vezes seguidas, que considerava Jesus apenas como um bom companheiro, mas não o considerava um amigo verdadeiro, daquele tipo que é “mais chegado que um irmão” (Pv 18.24). 

Veja o que Pedro disse alguns anos mais tarde quando, de fato, aprendeu a ser um verdadeiro discípulo: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pe 1.16). O apóstolo está afirmando que os seus ensinos não foram baseados em contos de fadas, mas que os seus próprios olhos viram a glória de Cristo. Há uma grande diferença, não há?

Outro que deu um testemunho prático do seu discipulado foi João, o apóstolo do amor. Leia em 1 João 1.1-3. Ele afirma que os seus ensinos foram baseados no que ele mesmo viu e ouviu. E ainda mais, as suas próprias mãos perceberam a presença do Filho de Deus.

Observe o nível de conhecimento de João em relação ao seu Mestre (1 Jo 1.1-3):

 

• “O que vimos, com os nossos olhos”,

• “O que temos contemplado”,

• “E as nossas mãos tocaram da Palavra da vida”,

• “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”.

 

Permita-me mencionar outro personagem que merece nossa consideração. Jó era o homem mais justo da terra na sua época. O próprio Deus dava testemunho a seu respeito (Jó 1.8). Era o juiz da sua cidade; um homem de bem e piedoso. Lendo o livro que leva seu nome, observamos as palavras poéticas que ele menciona a respeito da criação e do Criador. Porém, tudo o que ele sabia a respeito de Deus era baseado nas informações de outros. A sua experiência com o Criador era muito limitada. Suas próprias palavras é que afirmam isto: “... falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia” (Jó 42.3).

Mas depois de toda daquela provação por que passou, ele teve uma nova visão a respeito de Deus. A dimensão de sua vida devocional foi ampliada 100%. Compare a conclusão do versículo 3: “Mas agora te vêem os meus olhos” (Jó 42.5).

Desses exemplos, concluímos o seguinte:

• Só podemos testemunhar com êxito o que temos certeza, baseado na nossa própria experiência e não na experiência alheia.

• Para ter sucesso no discipulado é necessário conhecer bem o Mestre dos mestres. 

• Podemos ser até bons ensinadores, mas sem uma experiência viva é provável que nossa mensagem seja igual a comida sem sal. 

Confiança no Poder do Evangelho

Se o discipulador não acreditar completamente que o Evangelho é o poder de Deus para transformar o mais miserável pecador em uma nova criatura, ele terá pouco sucesso no seu trabalho. 

Ele terá de procurar as pessoas boas ou razoavelmente boas para evangelizar e discipular. 

Vale à pena lembrar alguns exemplos deixados pelo próprio Senhor.

• Quem era Zaqueu?

Era um cobrador de impostos, certo?

Ele não era santo, porque as pessoas que o conheciam criticaram Jesus por entrar na casa dele (Lc 19.7); além disso, ao se converter disse que restituiria quatro vezes mais se houvesse defraudado alguém. Logo, fica entendido que alguns impostos não foram creditados aos cofres públicos, mas, certamente, foram parar em algum paraíso fiscal. Ainda bem que as famosas ilhas Cayman não eram conhecidas na época. 

• Qual era a característica da centésima ovelha que se perdeu, na parábola (Lc 15.1-7)?

• E o filho pródigo (Lc 15.11-32)?

As características desse filho pródigo, conforme contado pelo próprio Jesus, demonstram que ele passou pelos seguintes estágios:

• Mendicância

• Alcoolismo

• Prostituição

Quais foram as atitudes de Deus Pai (simbolizado pelo pai do filho pródigo)?

• Saudade

• Amor

• Pressa em receber o filho perdido (Lc 15.20). (É a única vez na Bíblia em que Deus, o Todo-Poderoso, se apresenta correndo. Correndo para receber um pecador que retorna à sua casa.) Isso não é comovente?

Outro bom exemplo que bem retrata o poder do Evangelho é a cura e salvação do endemoninhado gadareno (Lc 8.26-39).

Quem era ele antes de conhecer Jesus?

Como ele ficou após o encontro com Jesus?

“E saíram a ver o que tinha acontecido e vieram ter com Jesus. Acharam, então, o homem de quem haviam saído os demônios, vestido e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram” (Lc 8.35).

Observe as palavras “vestido e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus”.

Isto não é maravilhoso?

Somente o poder do Evangelho faz isso! 

Você precisa de um bom exemplo no Antigo Testamento?

Você já ouviu falar do rei Manassés?

Leia a história desse rei para saber mais detalhes sobre as maldades que ele cometeu. Para ter uma idéia, até seu próprio filho queimou no fogo em sacrifício aos deuses cananeus (2 Cr 33.1-10).

Mas o que aconteceu quando ele se arrependeu e buscou o Senhor (2 Cr 33.12,13)?

Sim. O Evangelho transforma e o Senhor é grande em misericórdia!

Quem sabe o caro leitor tenha sido um grande pecador no passado, mas agora foi alcançado pela infinita graça de Deus! 

Dedicação e Perseverança

O trabalho de discipulado pode ser comparado com o trabalho de um agricultor.

O bom agricultor sabe que a semente plantada pela manhã não vai dar frutos na tarde do mesmo dia.

Observe o trabalho que deve ser feito para se obter uma boa colheita:

• Escolha e seleção das sementes

• Escolha do terreno

• Preparação do terreno

• Adubagem

• Plantação

• Irrigação (trabalho diário –– às vezes tem de ser feito duas vezes ao dia)

• Podadura (desbastar os galhos)

• Colheita e seleção dos frutos, etc.

 

Já percebeu por que são poucos os discipuladores?

Sem dedicação e perseverança não há boa colheita.

Lembra o que aconteceu com a plantação de um homem que semeou boa semente no seu campo e depois foi dormir (Mt 13.24-30)?

O inimigo veio à noite e semeou o joio no meio do trigo.

Por quê?

Não houve dedicação, muito menos perseverança.

• Creia na atuação do Espírito Santo. 

• Creia na transformação do pecador.

• Creia no poder de Deus.

• Creia no seu próprio trabalho.

• Creia que Deus irá usá-lo poderosamente.

• Creia que a semente lançada irá germinar. A Palavra de Deus, uma vez proferida, não voltará vazia (Is 55.11).

 

Total Dependência do Espírito Santo

Jesus dependeu do Espírito Santo. Os discípulos dependeram do Espírito Santo. Todo bom discipulador deve depender do Espírito Santo. 

O discipulador precisa acreditar que o Espírito Santo é quem irá convencer o pecador e ajudá-lo no seu crescimento espiritual, através do seu trabalho.

O Espírito Santo é o maior interessado no sucesso desse trabalho.

Recomendações aos Discipuladores

O discipulador precisa prevenir-se de algumas atitudes que, talvez, involuntariamente, podem causar uma série de embaraços no desempenho do novo discípulo. Ainda que sejam feitas com toda a boa vontade do mundo, se não estiverem moldadas nos padrões bíblicos prejudicarão o discípulo e, conseqüentemente, o discipulador.

Zelo em Excesso

O que Jesus mais criticou nos religiosos da sua época era exatamente o excesso, ou seja, tudo o que ultrapassava o permitido, o legal, o normal.

Se uma senhora cuida de seu filho adolescente, da mesma maneira que cuidava quando este ainda era um bebê, isto é, chamado de excesso ou ridículo.

O novo discípulo superprotegido adquire a superdependência e com a superdependência vem a insegurança. Esse discípulo dificilmente atingirá a maturidade cristã.

O discipulador precisa administrar o seu lado samaritano, paternalista, se estiver em excesso.

• Veja o efeito causado pelo excesso de zelo:

superproteção <=> superdependência = insegurança

Tomar o Lugar de Deus

Aliado ao excesso de zelo está o perigo do discipulador tentar tomar o lugar de Deus. O fator chamado limite deve entrar em ação aqui. Ajudar é um dever cristão dos mais dignos, mas carregar uma pessoa adulta nos ombros sem que esta esteja impossibilitada de andar, não é tarefa do discipulador. 

É válido citar aqui o provérbio chinês: “Não dê um peixe ao homem; ensine-o a pescar”. 

Jesus ensinava os seus discípulos, mas também fazia a verificação da aprendizagem, enviando-os para fazer algum tipo de serviço evangelístico em forma de teste, para ver se haviam aprendido a lição.

Este mesmo princípio deve ser aprendido pelo discipulador: ensinar o novo discípulo a andar, até que este aprenda a andar sozinho. O Espírito Santo se encarregará de conduzi-lo vitoriosamente, sem o excesso de ajuda do discipulador.

A responsabilidade do discipulador vai até aonde ele alcançar a maturidade cristã, à capacidade de reproduzir-se.

Se Deus deseja, por exemplo, por sua soberana vontade, permitir que um de seus discípulos passe por alguma situação difícil, a fim de moldar-lhe o caráter, ou ensinar-lhe alguma lição específica, o cuidado em excesso do discipulador pode interferir no trabalho do Espírito Santo. O discipulador deve estar, portanto, em constante comunhão com o Espírito Santo para entender qual deverá ser sua posição. Geralmente, nesses casos, a posição do discipulador deve ser de conselheiro. Uma palavra amiga, um gesto, ou mesmo que seja só a presença (ainda que em silêncio), tem um valor incalculável.  

Autoritarismo

É preciso haver conscientização de que o novo discípulo não é uma propriedade particular do discipulador, nem um criado para suprir-lhe os caprichos.

O discipulador deve resistir à tentação de vir a assenhorear-se do seu discípulo quando este mostrar-se agradecido através de gestos e palavras, porque o verdadeiro discípulo irá procurar servir de alguma maneira aquele que o instrui, como uma espécie de recompensa pelo trabalho de conduzi-lo ao conhecimento do Senhor.

O autoritarismo e a manipulação de pessoas não provém de Deus. É, antes de qualquer coisa, uma tática satânica usada para escravizar pessoas incautas. Esse sistema de governo já está em decadência no mundo moderno. Tem-se tornado detestável. Pode até haver quem “fure o bloqueio”, porém quando houver uma conscientização e uma oportunidade para se conhecer a liberdade, o autoritarismo cai, e aquele que o pratica – o ditador – fica em situação difícil. Veja o que aconteceu com o ditador romeno Nicolae Ceausescu! Foi fuzilado pelas mesmas pessoas as quais escravizava.

Veja a admoestação aos líderes em 1 Pedro 5.2,3.

Ameaças “Espiritualizadas”

Estão associadas ao autoritarismo. Geralmente ocorrem quando há uma ameaça de perda do poder. Essas ameaças geram constrangimentos, temor e senso de escravidão espiritual.

Veja se você conhece algumas dessas ameaças muito conhecidas no meio pentecostal:

– “Se você não fizer assim... o Senhor vai pesar a mão”,

– “O Senhor vai jogá-lo em um leito”,

– “O Senhor vai levar a pessoa que você mais ama”, etc.

A tendência do novo discípulo é transformar a ameaça em mandamento bíblico. Tais ameaças não passam de meras suposições antibíblicas e diabólicas, porque diante do raio X da Palavra de Deus são desmascaradas.

O uso de autoridade equilibrada é sinal de temperança, fruto do Espírito que dignifica o discipulador (Gl 5.22). Além disso, ele precisa avaliar a questão da competência. Há situações em que o uso da autoridade compete ao líder da igreja, ao pastor, unicamente.

Cuidado com Expressões Ambíguas

Chamar o novo crente de bebezinho pode causar complicações. Conheço um crente que mudou de igreja porque alguém o chamou de “irmãozinho”. Embora fosse um tratamento carinhoso, o “irmãozinho”, ou melhor, o irmão se sentiu ofendido. Outro quase se desviou logo no primeiro dia após a conversão porque foi chamado de criança em Cristo, “coitadinho”.

Embora sejam palavras de cunho bíblico, devem ser evitadas. Se for preciso fazê-lo, explique o significado, por favor.  

Outras Observações Rápidas

• Não perca tempo com assuntos triviais. Vá direto ao objetivo.

• Não comente os problemas da igreja (se houver), nem os defeitos do pastor.

• Trate dos problemas do novo discípulo como conselheiro. Não chore nos seus ombros. 

A Dimensão Espiritualdo Trabalho Discipulador

Este assunto é indispensável para o bom entendimento do trabalho do discipulador cristão. 

Já cheguei a enfatizar no primeiro capítulo que o nosso trabalho tem implicações para a eternidade. Neste capítulo, em especial, vou enfatizar as dimensões espirituais do ministério do discipulador.

Você sabe que uma alma acrescentada no Reino de Deus terá de ser, necessariamente, diminuída do reino das trevas. Você há de convir comigo que para ganhá-la houve um esforço, um planejamento. Para ser mais claro, houve uma batalha. Uma batalha na dimensão espiritual, concorda? Ou você acha que Satanás ficou saltitando de felicidade em perder um de seus prisioneiros? Com certeza ele ficou bufando de raiva e soltando fumaça pelas ventas. Ou você pensa que ele não tentaria recuperar a “ovelha” perdida? 

A propósito: você sabia que antes de sermos ovelhas do aprisco do Senhor (Sl 100.3), éramos “ovelhas” de Satanás (Ef 2.2)? 

Vamos observar um pouco mais de perto o que acontece no mundo espiritual quando uma alma é arrebatada do fogo do inferno, como está dito em Judas 23: “E salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tendo deles misericórdia com temor...” Jesus disse aos fariseus que o questionavam acerca de sua autoridade em expulsar demônios: “Como pode alguém entrar em casa do homem valente e furtar os seus bens, se primeiro não manietar o valente, saqueando, então, a sua casa?” (Mt 12.29).

Quem pode entrar na casa do homem valente para desarmá-lo e saquear seus bens, senão outro mais valente? E quem é esse “alguém” mais valente, senão o próprio Jesus que aniquilou “o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15)?

Paulo declara, pelo Espírito, em Colossenses 2.15 que todos os principados e potestades foram despojados, isto é, desarmados, assim como um soldado vencedor fazia com seu inimigo derrotado, expondo-o ao vexame diante da multidão: “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. A versão Almeida e Atualizada acrescenta a expressão “triunfando deles na cruz”. Nesta área de batalha espiritual, este texto é um dos mais belos, onde Paulo faz um paralelo entre as guerras romanas e a vitória de Cristo sobre Satanás e o inferno. Era comum haver um desfile do exército pelas principais ruas de Roma, sempre que havia uma batalha vitoriosa. Os prisioneiros de guerra desfilavam acorrentados, sem as armaduras, seminus, desfigurados e humilhados pela multidão que gritava refrãos pejorativos aos derrotados. Ao mesmo tempo a multidão ovacionava o exército vencedor, que desfilava com toda pompa e todos os soldados usavam folhas de louros sobre a cabeça, como símbolo de vitória. 

Se o inimigo já está desarmado, o crente que possui as “armas poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4) participa desse triunfo ao declarar guerra contra o reino das trevas. Dessa forma pode entrar em sua casa, que é o mundo, e tirar os cativos da “casa” de Satanás para a “casa” de Jesus. É disso que fala o apóstolo Paulo em Colossenses 1.13: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor”. Afinal, “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 Jo 3.8).

De que maneira os salvos podem declarar guerra contra Satanás? 

Esta é fácil de responder. 

Basta assumir a real posição de obediência à Grande Comissão. 

Quer que eu o lembre?

Muito bem. Jesus disse para todos os seus discípulos, dos quatro cantos da terra, e em todos os tempos, o seguinte: “Façam discípulos de todas as nações” (Mt 28.19 – Bíblia Viva). 

Como Atuam os Demônios no Trabalho de Discipulado

Já parou para pensar por que as pessoas não se convertem a um Deus tão bondoso e maravilhoso como o nosso? E quando se convertem, muitos se desviam logo em seguida.

Abra os olhos e veja bem:

Primeiro, as pessoas não podem entender o plano de salvação e seguir um Deus bondoso, porque Satanás faz uma verdadeira “lavagem cerebral” na mente das pessoas que, diga-se de passagem, já estão cativas por ele mesmo. Lembra o que o maldito comunismo fazia com os crentes nos países onde reinava essa praga? A propósito, o comunismo foi a maior mentira de Satanás deste século. Imagine alguém sem comida, trancado em um quarto escuro, ouvindo a mesma mensagem 24 horas, durante uma semana: “COMUNISMO É BOM, JESUS CRISTO É RUIM; COMUNISMO É BOM, JESUS CRISTO É RUIM...” O que esta pessoa vai falar, pensar e agir, após sair desse quarto? Richard Wumbrand, autor do best-seller Cristo em Cadeias Comunistas, que passou por esta amarga experiência, afirma que ao sair desse processo estava completamente louco. 

Leia o que afirma Paulo: “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4.4).

O pastor e fundador da igreja em Corinto também se preocupava com seu rebanho, no sentido de que Satanás lançasse a semente da corrupção na mente dos crentes. Veja o que ele falou: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3). Observou que até o afastamento da “simplicidade que há em Cristo” pode ser uma ação maligna?

Outro detalhe que não podemos esquecer é o fato de que todo incrédulo é manipulado pelo Diabo, como verdadeiro fantoche. 

Donald Stamps, autor dos comentários da Bíblia de Estudo Pentecostal, da CPAD, ao comentar Efésios 2.2, afirma o seguinte: “Todo aquele que está sem Cristo é controlado pelo ‘príncipe das potestades do ar’, i.é., Satanás”. Eis o texto de Efésios, começando do primeiro ao terceiro versículo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”.

Segundo, as pessoas não podem se converter porque Satanás atrapalha a germinação da semente da palavra semeada nos corações pelo evangelista e discipulador. 

Veja como ele é sujo: após a mensagem ser pregada, ele vem e arranca a palavra semeada. É real. O verbo correto é este mesmo: arrancar, e, quem arranca, o faz com muita violência. Ele não pede licença, ou por favor, nem bate à porta, mas vai arrombando logo a porta dos corações e arranca o que foi semeado. Imagino que ele age como um pai de família embriagado que chega em casa batendo na esposa e nos filhos pequenos, sem motivo. Imagino que ele vai logo dando um safanão naquela pobre alma e aos berros adverte, ameaçadoramente: “Eu não disse pra você não dar atenção a esses ‘bíblias’ desocupados?” E por aí vai! Dá para tratar com esse inimigo com carinho?

Foi o próprio Jesus quem falou, ao explicar a Parábola do Semeador, em Marcos 4.15: “E os que estão junto ao caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo eles a ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada no coração deles”. Em Lucas 8.12 há um complemento ainda mais esclarecedor: “para que se não salvem, crendo”.

Se você tem o bom costume de sublinhar textos específicos em sua Bíblia, sugiro que sublinhe a expressão “tira a palavra” e “para que se não salvem, crendo”.

Viu como a coisa é séria? 

Dá para entender agora por que seu colega de trabalho aceitou tão educadamente você falar-lhe de Jesus, mas, depois, procurou evitar cruzar com você no corredor? E depois, você observou que essa pessoa permaneceu como se nunca tivesse ouvido as Boas Novas de liberdade do Evangelho?

É, meu caro. A coisa é mais séria do que eu e você podemos imaginar.

Dá para entender agora, por que o gráfico apresentado no início reflete a mais límpida realidade?

Dá para entender agora, por que os resultados em evangelismo, discipulado e missões são tão pequenos?

Afirmou Gilberto Pickering em seu livro Guerra Espiritual, publicado pela CPAD: “Das pessoas que Deus chama para a missão transcultural, Satanás derruba a maioria por aqui: nunca chegam ao campo. Dos poucos, relativamente, que alcançam o campo missionário, a metade é tirada do páreo dentro de quatro anos –– voltam derrotados para seus países de origem e nunca mais voltam”.

Precisamos assumir uma posição definitiva em relação à tarefa suprema da Igreja, pelo fato de que no mundo espiritual não pode haver neutralidade. Foi o próprio Mestre Jesus quem assegurou aos discípulos a impossibilidade de andar por dois caminhos ao mesmo tempo, entrar por duas portas, servir a dois senhores, enfim, em Lucas 11.23, Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. Não dá para “assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”.

Perceba bem: ou assumimos uma posição séria diante de Deus ou podemos estar a serviço do inferno, inocentemente! Sei que essa declaração soa como uma colisão de uma carreta contra um fusca, mas, felizmente ou infelizmente, é a mais pura verdade. Pessoalmente, gostaria que essa verdade não fosse tão verdadeira, mas é.

Creio já ter o leitor percebido que o nosso trabalho de discipulado tem implicações tanto eternas quanto espirituais. 

Em Moçambique, onde a guerra civil deixou milhares de vítimas, ainda restaram milhares de minas enterradas e espalhadas por todo o país. É comum encontrar nas ruas crianças e velhos aleijados, vítimas de explosões. A fatalidade é que, inocentemente, pisaram em um explosivo enterrado. Com isso quero dizer que, se não nos cuidarmos, podemos pisar em uma “mina”, se o Senhor não usar de misericórdia para conosco. Em outras palavras, volto a reafirmar: o território do inimigo é perigoso e, se não usarmos os armamentos adequados com a devida perícia, nosso sucesso nesse tipo de trabalho pode não ser o esperado. 

Com mais esta ilustração fica ainda mais claro o entendimento do texto de Efésios 6.10-19, onde um dos mais experientes soldados na batalha espiritual explica que a nossa luta não é contra as pessoas que vamos evangelizar, mas sim, contra os próprios demônios. E lembre-se de que eles são organizados em forma de um verdadeiro exército, com soldados, sargentos, capitães, e tudo mais. É disso que fala o texto ao mencionar os termos “hostes”, “principados”, “potestades”, “dominações” e “forças espirituais”. 

E não pense que estou falando “pelos cotovelos”, não. A Bíblia afirma que o nosso adversário é o Diabo. E não é o adversário dos ímpios, não. Os ímpios são até amigos dele. É o adversário dos crentes, lavados pelo sangue do Cordeiro! E quem falou isso foi o apóstolo Pedro. Ele tinha experiência de sobra para falar sobre isso. Lembra do episódio de Pedro e da pedra (Mt 16.13-23)? E depois, o que foi dito ao irmão Pedrinho? (Esse assunto está mais detalhado no 3° requisito para entrar na escola de discipulado de Jesus, que é a consciência da cruz.)

Ouçamos o irmão Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8).

Cuidado para não dormir no ponto!

Veja mais outros títulos e adjetivos que a Bíblia aplica ao adversário das nossas almas:

 

• “Engana todo mundo” (Ap 12.9)

• Apresenta-se como “anjo de luz” (2 Co 11.14)

• É tentador (1 Ts 3.5)

• “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2)

• “deus deste mundo” (2 Co 4.4)

• “príncipe deste mundo” (Jo 16.11)

• “mundo jaz no maligno” (1 Jo 5.19)

• Veio para matar, roubar e destruir (Jo 10.10)

• Serpente (Gn 3.1-6)

• Homicida e pai da mentira (Jo 8.44) 

Gostaria de mencionar mais dois fatos sobre a ação do Inimigo. Satanás e os demônios agem de maneira até surpreendente, pois eles têm acesso à nossa mente. 

Lembra do irmão Pedro (Mt 16.13-23)? O que foi que Jesus disse para ele? “Para trás de mim, Satanás”! Estranho, não? Pois é, Satanás tem acesso à nossa mente e pode colocar palavras em nossa boca. Lembro-me que certo irmão ao falar nas reuniões do ministério, podia-se ouvir várias vozes falando baixinho algumas frases que sugeriam pavor e defesa contra o adversário: “Senhor, tem misericórdia!”, “cobre-nos com o teu sangue”, “fecha a boca do leão”, etc. Não dava outra. Era briga na certa. Esse irmão tinha o “dom” de tumultuar as reuniões. Quando ele não ia às reuniões era um alívio. 

Hoje entendo que aquelas sugestões do dito irmão nada mais eram do que palavras dos demônios em sua boca. Pelos “frutos” que mais tarde foram sendo descobertos, ficou ainda mais claro o porquê de tanta briga quando aquele “irmão” falava. E o “irmão” ainda pertencia ao ministério! Durma com um barulho desses!

Outra coisa: você consegue orar sem que seus pensamentos vagueiem? Consegue se concentrar? Não há nenhuma interrupção? Não sente sono? Desânimo? Cansaço? Não faltam palavras? Consegue orar sem nenhuma dificuldade? De repente você lembra de um escorregão do passado, de uma palavra mal empregada. Tudo ocorrido há muitos anos. Por quê?

São as ingerências demoníacas na nossa mente, para atrapalhar a oração. Quando começamos a orar entramos na dimensão espiritual. É quando mexemos com o inimigo. Ele se sente imediatamente ameaçado.

Por isso ele emprega todos os esforços para nos desviar da oração. Ninguém ora sozinho.

Jesus foi tentado exatamente quando orava e jejuava. Mas Ele não desanimou, não cedeu, Ele enfrentou e derrotou o Inimigo.

Agora, observe bem. Às vezes quando alguém desperta para estas verdades se impressiona de forma exagerada e passa a ver demônio em tudo, ou então, acha que ao colocar a culpa no Diabo, pode fugir da responsabilidade diante de Deus. Não é bem assim. É preciso discernimento. A busca incessante do dom de discernimento espiritual é muito importante para um bom guerreiro de Cristo. 

Todos esses comentários não são para enaltecer o Inimigo ou cultuá-lo, mas para que haja uma conscientização dos perigos que ele representa.

De Bobo Ele não Tem Nada

Já mencionamos que o nosso arquiinimigo não descansa. De bobo ele não tem nada. Pelo contrário, Satanás e seus demônios “são seres espirituais com personalidade e inteligência” (Bíblia de Estudo Pentecostal –– estudo acerca do Poder sobre Satanás e os Demônios, CPAD).

Não é de se estranhar que nos últimos dias da Igreja sobre a terra, eles (os demônios) estão mais ativos do que nunca. Você já observou como tem aumentado a violência no mundo? Os números de assaltos, assassinatos, furtos, suicídios e tudo o que não presta, simplesmente, triplicaram. Mesmo quem não é tão idoso e que tenha um pouco mais de quarenta anos de idade, vai observar que há 20 anos a coisa era diferente, não é verdade?

Só mais uma coisinha: as penitenciárias do mundo todo estão sempre acima de sua capacidade de lotação. Os presos são amontoados como animais e os governantes não sabem o que fazer para resolver o problema. Com um agravante que chega a ser chocante, para não dizer assustador: a faixa etária de mais de 50% dos presos está entre 18 e 25 anos. Ou seja, estão na flor da idade. A idade da conquista, da preparação para o futuro, e o Diabo os engana, lançando-os atrás das grades. Alguns só conseguem sair após quarenta ou cinqüenta anos de idade. O período mais importante da vida foi perdido! Triste não é? Há pouco tempo precisei acompanhar uma pessoa até uma delegacia policial. Ela havia sido vítima de assalto. Levaram todo o seu salário do mês, exatamente no dia do pagamento. A vítima tentou identificar o assaltante em meio a uma centena de fotos. Para meu espanto e tristeza, quase todos os assaltantes eram moças e rapazes! O mais velho talvez não tivesse trinta anos.

Recentemente, um prefeito de uma cidade no Estado de São Paulo descobriu que a maioria dos crimes era praticado quando as pessoas estavam embriagadas. Decidiu, então, que os botequins fossem fechados mais cedo. O resultado foi positivo. O índice de ocorrências caiu pela metade!

Outro grande responsável pela desgraça no mundo é o tóxico. Seja a maconha, ou qualquer derivado da cocaína, como crack ou ecstasy, ou até a “inofensiva” cola de sapateiro. O que leva uma pessoa a induzir outra para usar droga? Geralmente, para induzir os jovens a experimentarem drogas, os traficantes apelam para o brio, para a dignidade, usando argumentos como: “Você não é homem. Se fosse homem você experimentaria”, ou “Você é um medroso, um covarde”, ou ainda “Vê se sai debaixo da saia da mamãe”. 

Imagine bem:

Quem pode colocar um poder de convencimento tão audacioso na mente desses traficantes, que geralmente agem na porta das escolas?

O que leva um adolescente ficar rebelde contra seus pais e usar tóxico?

Depois de experimentar a primeira vez, que força motivadora faz com que o viciado use todos os meios para adquirir a maldita droga, muitas vezes roubando os próprios pais?

O que leva um pai de família a pegar todo seu salário do mês e gastar com cerveja, deixando sua família passar necessidades? 

O que leva esse mesmo pai de família a gastar todo seu dinheiro com prostituição, com jogos de azar, etc.?

Já percebeu quem induz a tudo isso?

Ou você ainda acha que todas essas coisas acontecem por acaso?

Você pode, então, me perguntar: por que tanta ignorância sobre este assunto? Por que este assunto é tão pouco falado nas igrejas?

Algumas vezes, ao falar sobre Missões, sempre procuro cavar uma brecha para tocar nesse ponto. Confesso que nem sempre tenho alcançado êxito. Certa vez, durante uma preleção, um “irmãozinho” assentado atrás de mim no púlpito gritou tanto o “sangue de Jesus tem poder”, que parecia que eu mesmo estivesse endemoninhado. Só não passei vergonha porque o Senhor estava abençoando a mensagem, colocando palavras de sabedoria na minha boca. 

Ora, sabemos que o inimigo está aí mesmo, que é esperto e maquiavélico, que não dorme no ponto, mas parece que há um receio muito