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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus 16.24-26; 2 Timóteo 2.1-3
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A Tarefa da Igreja no Discipulado
II.
Discipulado e Discípulo
III.
A Igreja realizando o Discipulado
Conclusão
Tema
deste Subsídio
o significado da Grande Comissão
Autor
Ciro Mello
Palavras
Chaves
Discipulado;
Grande Comissão; Participação.
Aquele que entendeu o significado da Grande
Comissão
A ordem do Senhor aos seus discípulos,
ou àqueles que levam a questão do discipulado a sério, foi
a de fazer discípulos de todas as nações. Além de entender
o significado da Grande Comissão, o discípulo precisa, de
igual modo, sentir-se participante dela.
Ainda nos dias atuais, algumas
pessoas pensam que a ordem de “fazer discípulos” foi
endereçada somente a um grupo especial, como aqueles que
exercem alguma função no ministério, como evangelistas,
pastores ou missionários. Absolutamente não.
Não basta apenas estar ciente da
mensagem. Entender aqui significa obedecer.
Se você diz que entendeu o
significado da Grande Comissão, mas não “move uma palha”
no sentido de torná-la prática, então você ainda está em
desobediência. Não dá para discordar, não é?
Então, o que fazer?
Se esta pergunta reflete o gemido
de sua alma, observe:
Você está cansado de saber que
o trabalho de evangelismo, discipulado, missões e outros
ministérios semelhantes só podem ser bem-sucedidos se forem
feitos em equipe. O maior dos apóstolos conhecia bem a prática
do trabalho em equipe. Ele disse que um planta, outro colhe e
Deus dá o crescimento (1 Co 3.6-9). Veja bem o lado humano e
o lado divino nessa questão. O natural e o sobrenatural. O
homem tem de plantar e colher, mas não pode fazer a semente
germinar, crescer e produzir frutos. Esse é o trabalho
divino. Só Ele pode fazer isso.
Bem, precisamos fazer nossa
parte: plantar e colher, certo? Paulo disse que ele plantou e
Apolo regou (1 Co 3.6). O evangelista não pode fazer tudo
sozinho. Muito menos o missionário.
Aí é que entra o trabalho de
base, o trabalho de equipe. É verdade que nem todos têm a
mesma chamada no Corpo de Cristo, como também cada órgão no
corpo humano tem sua própria função, e nenhum deles
funciona sem a cooperação de outro, isoladamente. Em termos
gerais, na área da Grande Comissão funciona da mesma
maneira: o evangelista ou missionário vai, planta (a igreja)
e o pastor vai depois para solidificar o trabalho com ensino
sistemático, para produzir o aperfeiçoamento dos santos (Ef
4.12). Só que o evangelista ou o missionário não podem
“ir” sem que haja a cooperação da igreja local.
Quem não recebeu (ainda) a
chamada para algum ministério de liderança, pode começar
fornecendo condições para aquele que está liderando. Até
uma Bíblia que seja oferecida para o ministério de
discipulado já é uma boa cooperação. É claro que este
exemplo é muito simples. Muito mínimo.
Paulo disse que tanto o que
planta, como o que colhe não devem se vangloriar (1 Co 3.7),
mas a glória pertence ao Senhor, que produz o
crescimento.
O apóstolo Paulo afirmou ainda
que, tanto um como o outro receberão o justo galardão das mãos
do justo juiz (2 Tm 4.8). Esse juiz não se engana nem pode
ser subornado sob qualquer pretexto. Quem ofertou apenas uma Bíblia
usada, sem qualquer sombra de dúvida, receberá o galardão
equivalente a uma Bíblia usada. Lembra da história que minha
avó contava sobre a irmãzinha e o grande líder? Pois bem,
é por aí.
Vamos recapitular: Você entendeu
mesmo o significado da Grande Comissão?
Está disposto a começar?
Cooperar? Nós somos cooperadores de Deus, lembra de 1 Coríntios
3.9? Então, vai nessa força!
Aquele que Aprendeu a Ser Discípulo
Somente depois do reencontro de
Jesus com Pedro, após a ressurreição, é que ele conseguiu
pregar o maior sermão da história da Igreja. Até então,
Pedro não havia experimentado uma renovação autêntica.
Podia ser considerado um bom crente, mas não um bom discípulo.
Suas atitudes demonstravam que ele era apenas um homem comum.
Isso fica bem claro no reencontro que teve com o Mestre às
margens do mar da Galiléia (Jo 21.15-17). Ele declara, por
duas vezes seguidas, que considerava Jesus apenas como um bom
companheiro, mas não o considerava um amigo verdadeiro,
daquele tipo que é “mais chegado que um irmão” (Pv
18.24).
Veja o que Pedro disse alguns
anos mais tarde quando, de fato, aprendeu a ser um verdadeiro
discípulo: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo fábulas
artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua
majestade” (2 Pe 1.16). O apóstolo está afirmando que os
seus ensinos não foram baseados em contos de fadas, mas que
os seus próprios olhos viram a glória de Cristo. Há uma
grande diferença, não há?
Outro que deu um testemunho prático
do seu discipulado foi João, o apóstolo do amor. Leia em 1
João 1.1-3. Ele afirma que os seus ensinos foram baseados no
que ele mesmo viu e ouviu. E ainda mais, as suas próprias mãos
perceberam a presença do Filho de Deus.
Observe o nível de conhecimento
de João em relação ao seu Mestre (1 Jo 1.1-3):
• “O que vimos, com os nossos
olhos”,
• “O que temos
contemplado”,
• “E as nossas mãos tocaram
da Palavra da vida”,
• “O que vimos e ouvimos,
isso vos anunciamos”.
Permita-me mencionar outro
personagem que merece nossa consideração. Jó era o homem
mais justo da terra na sua época. O próprio Deus dava
testemunho a seu respeito (Jó 1.8). Era o juiz da sua cidade;
um homem de bem e piedoso. Lendo o livro que leva seu nome,
observamos as palavras poéticas que ele menciona a respeito
da criação e do Criador. Porém, tudo o que ele sabia a
respeito de Deus era baseado nas informações de outros. A
sua experiência com o Criador era muito limitada. Suas próprias
palavras é que afirmam isto: “... falei do que não
entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que
eu não compreendia” (Jó 42.3).
Mas depois de toda daquela provação
por que passou, ele teve uma nova visão a respeito de Deus. A
dimensão de sua vida devocional foi ampliada 100%. Compare a
conclusão do versículo 3: “Mas agora te vêem os meus
olhos” (Jó 42.5).
Desses exemplos, concluímos o
seguinte:
• Só podemos testemunhar com
êxito o que temos certeza, baseado na nossa própria experiência
e não na experiência alheia.
• Para ter sucesso no
discipulado é necessário conhecer bem o Mestre dos
mestres.
• Podemos ser até bons
ensinadores, mas sem uma experiência viva é provável que
nossa mensagem seja igual a comida sem sal.
Confiança no Poder do
Evangelho
Se o discipulador não acreditar
completamente que o Evangelho é o poder de Deus para
transformar o mais miserável pecador em uma nova criatura,
ele terá pouco sucesso no seu trabalho.
Ele terá de procurar as pessoas
boas ou razoavelmente boas para evangelizar e discipular.
Vale à pena lembrar alguns
exemplos deixados pelo próprio Senhor.
• Quem era Zaqueu?
Era um cobrador de impostos,
certo?
Ele não era santo, porque as
pessoas que o conheciam criticaram Jesus por entrar na casa
dele (Lc 19.7); além disso, ao se converter disse que
restituiria quatro vezes mais se houvesse defraudado alguém.
Logo, fica entendido que alguns impostos não foram creditados
aos cofres públicos, mas, certamente, foram parar em algum
paraíso fiscal. Ainda bem que as famosas ilhas Cayman não
eram conhecidas na época.
• Qual era a característica da
centésima ovelha que se perdeu, na parábola (Lc 15.1-7)?
• E o filho pródigo (Lc
15.11-32)?
As características desse filho
pródigo, conforme contado pelo próprio Jesus, demonstram que
ele passou pelos seguintes estágios:
• Mendicância
• Alcoolismo
• Prostituição
Quais foram as atitudes de Deus
Pai (simbolizado pelo pai do filho pródigo)?
• Saudade
• Amor
• Pressa em receber o filho
perdido (Lc 15.20). (É a única vez na Bíblia em que Deus, o
Todo-Poderoso, se apresenta correndo. Correndo para receber um
pecador que retorna à sua casa.) Isso não é comovente?
Outro bom exemplo que bem retrata
o poder do Evangelho é a cura e salvação do endemoninhado
gadareno (Lc 8.26-39).
Quem era ele antes de conhecer
Jesus?
Como ele ficou após o encontro
com Jesus?
“E saíram a ver o que tinha
acontecido e vieram ter com Jesus. Acharam, então, o homem de
quem haviam saído os demônios, vestido e em seu juízo,
assentado aos pés de Jesus; e temeram” (Lc 8.35).
Observe as palavras “vestido
e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus”.
Isto não é maravilhoso?
Somente o poder do Evangelho faz
isso!
Você precisa de um bom exemplo
no Antigo Testamento?
Você já ouviu falar do rei
Manassés?
Leia a história desse rei para
saber mais detalhes sobre as maldades que ele cometeu. Para
ter uma idéia, até seu próprio filho queimou no fogo em
sacrifício aos deuses cananeus (2 Cr 33.1-10).
Mas o que aconteceu quando ele se
arrependeu e buscou o Senhor (2 Cr 33.12,13)?
Sim. O Evangelho transforma e o
Senhor é grande em misericórdia!
Quem sabe o caro leitor tenha
sido um grande pecador no passado, mas agora foi alcançado
pela infinita graça de Deus!
Dedicação e Perseverança
O trabalho de discipulado pode
ser comparado com o trabalho de um agricultor.
O bom agricultor sabe que a
semente plantada pela manhã não vai dar frutos na tarde do
mesmo dia.
Observe o trabalho que deve ser
feito para se obter uma boa colheita:
• Escolha e seleção das
sementes
• Escolha do terreno
• Preparação do terreno
• Adubagem
• Plantação
• Irrigação (trabalho diário
–– às vezes tem de ser feito duas vezes ao dia)
• Podadura (desbastar os
galhos)
• Colheita e seleção dos
frutos, etc.
Já percebeu por que são poucos
os discipuladores?
Sem dedicação e perseverança não
há boa colheita.
Lembra o que aconteceu com a
plantação de um homem que semeou boa semente no seu campo e
depois foi dormir (Mt 13.24-30)?
O inimigo veio à noite e semeou
o joio no meio do trigo.
Por quê?
Não houve dedicação, muito
menos perseverança.
Fé
• Creia na atuação do Espírito
Santo.
• Creia na transformação do
pecador.
• Creia no poder de Deus.
• Creia no seu próprio
trabalho.
• Creia que Deus irá usá-lo
poderosamente.
• Creia que a semente lançada
irá germinar. A Palavra de Deus, uma vez proferida, não
voltará vazia (Is 55.11).
Total Dependência do Espírito
Santo
Jesus dependeu do Espírito
Santo. Os discípulos dependeram do Espírito Santo. Todo bom
discipulador deve depender do Espírito Santo.
O discipulador precisa acreditar
que o Espírito Santo é quem irá convencer o pecador e ajudá-lo
no seu crescimento espiritual, através do seu trabalho.
O Espírito Santo é o maior
interessado no sucesso desse trabalho.
Recomendações aos Discipuladores
O discipulador precisa
prevenir-se de algumas atitudes que, talvez,
involuntariamente, podem causar uma série de embaraços no
desempenho do novo discípulo. Ainda que sejam feitas com toda
a boa vontade do mundo, se não estiverem moldadas nos padrões
bíblicos prejudicarão o discípulo e, conseqüentemente, o
discipulador.
Zelo em Excesso
O que Jesus mais criticou nos
religiosos da sua época era exatamente o excesso, ou seja,
tudo o que ultrapassava o permitido, o legal, o normal.
Se uma senhora cuida de seu filho
adolescente, da mesma maneira que cuidava quando este ainda
era um bebê, isto é, chamado de excesso ou ridículo.
O novo discípulo superprotegido
adquire a superdependência e com a superdependência vem a
insegurança. Esse discípulo dificilmente atingirá a
maturidade cristã.
O discipulador precisa
administrar o seu lado samaritano, paternalista, se estiver em
excesso.
• Veja o efeito causado pelo
excesso de zelo:
superproteção <=>
superdependência = insegurança
Tomar o Lugar de Deus
Aliado ao excesso de zelo está o
perigo do discipulador tentar tomar o lugar de Deus. O fator
chamado limite deve entrar em ação aqui. Ajudar é um dever
cristão dos mais dignos, mas carregar uma pessoa adulta nos
ombros sem que esta esteja impossibilitada de andar, não é
tarefa do discipulador.
É válido citar aqui o provérbio
chinês: “Não dê um peixe ao homem; ensine-o a pescar”.
Jesus ensinava os seus discípulos,
mas também fazia a verificação da aprendizagem, enviando-os
para fazer algum tipo de serviço evangelístico em forma de
teste, para ver se haviam aprendido a lição.
Este mesmo princípio deve ser
aprendido pelo discipulador: ensinar o novo discípulo a
andar, até que este aprenda a andar sozinho. O Espírito
Santo se encarregará de conduzi-lo vitoriosamente, sem o
excesso de ajuda do discipulador.
A responsabilidade do
discipulador vai até aonde ele alcançar a maturidade cristã,
à capacidade de reproduzir-se.
Se Deus deseja, por exemplo, por
sua soberana vontade, permitir que um de seus discípulos
passe por alguma situação difícil, a fim de moldar-lhe o
caráter, ou ensinar-lhe alguma lição específica, o cuidado
em excesso do discipulador pode interferir no trabalho do Espírito
Santo. O discipulador deve estar, portanto, em constante
comunhão com o Espírito Santo para entender qual deverá ser
sua posição. Geralmente, nesses casos, a posição do
discipulador deve ser de conselheiro. Uma palavra amiga, um
gesto, ou mesmo que seja só a presença (ainda que em silêncio),
tem um valor incalculável.
Autoritarismo
É preciso haver conscientização
de que o novo discípulo não é uma propriedade particular do
discipulador, nem um criado para suprir-lhe os caprichos.
O discipulador deve resistir à
tentação de vir a assenhorear-se do seu discípulo quando
este mostrar-se agradecido através de gestos e palavras,
porque o verdadeiro discípulo irá procurar servir de alguma
maneira aquele que o instrui, como uma espécie de recompensa
pelo trabalho de conduzi-lo ao conhecimento do Senhor.
O autoritarismo e a manipulação
de pessoas não provém de Deus. É, antes de qualquer coisa,
uma tática satânica usada para escravizar pessoas incautas.
Esse sistema de governo já está em decadência no mundo
moderno. Tem-se tornado detestável. Pode até haver quem
“fure o bloqueio”, porém quando houver uma conscientização
e uma oportunidade para se conhecer a liberdade, o
autoritarismo cai, e aquele que o pratica – o ditador –
fica em situação difícil. Veja o que aconteceu com o
ditador romeno Nicolae Ceausescu! Foi fuzilado pelas mesmas
pessoas as quais escravizava.
Veja a admoestação aos líderes
em 1 Pedro 5.2,3.
Ameaças “Espiritualizadas”
Estão associadas ao
autoritarismo. Geralmente ocorrem quando há uma ameaça de
perda do poder. Essas ameaças geram constrangimentos, temor e
senso de escravidão espiritual.
Veja se você conhece algumas
dessas ameaças muito conhecidas no meio pentecostal:
– “Se você não fizer
assim... o Senhor vai pesar a mão”,
– “O Senhor vai jogá-lo em
um leito”,
– “O Senhor vai levar a
pessoa que você mais ama”, etc.
A tendência do novo discípulo
é transformar a ameaça em mandamento bíblico. Tais ameaças
não passam de meras suposições antibíblicas e diabólicas,
porque diante do raio X da Palavra de Deus são desmascaradas.
O uso de autoridade equilibrada
é sinal de temperança, fruto do Espírito que dignifica o
discipulador (Gl 5.22). Além disso, ele precisa avaliar a
questão da competência. Há situações em que o uso da
autoridade compete ao líder da igreja, ao pastor, unicamente.
Cuidado com Expressões Ambíguas
Chamar o novo crente de bebezinho
pode causar complicações. Conheço um crente que mudou de
igreja porque alguém o chamou de “irmãozinho”. Embora
fosse um tratamento carinhoso, o “irmãozinho”, ou melhor,
o irmão se sentiu ofendido. Outro quase se desviou logo no
primeiro dia após a conversão porque foi chamado de criança
em Cristo, “coitadinho”.
Embora sejam palavras de cunho bíblico,
devem ser evitadas. Se for preciso fazê-lo, explique o
significado, por favor.
Outras Observações Rápidas
• Não perca tempo com assuntos
triviais. Vá direto ao objetivo.
• Não comente os problemas da
igreja (se houver), nem os defeitos do pastor.
• Trate dos problemas do novo
discípulo como conselheiro. Não chore nos seus ombros.
A Dimensão Espiritualdo Trabalho Discipulador
Este assunto é indispensável
para o bom entendimento do trabalho do discipulador cristão.
Já cheguei a enfatizar no
primeiro capítulo que o nosso trabalho tem implicações para
a eternidade. Neste capítulo, em especial, vou enfatizar as
dimensões espirituais do ministério do discipulador.
Você sabe que uma alma
acrescentada no Reino de Deus terá de ser, necessariamente,
diminuída do reino das trevas. Você há de convir comigo que
para ganhá-la houve um esforço, um planejamento. Para ser
mais claro, houve uma batalha. Uma batalha na dimensão
espiritual, concorda? Ou você acha que Satanás ficou
saltitando de felicidade em perder um de seus prisioneiros?
Com certeza ele ficou bufando de raiva e soltando fumaça
pelas ventas. Ou você pensa que ele não tentaria recuperar a
“ovelha” perdida?
A propósito: você sabia que
antes de sermos ovelhas do aprisco do Senhor (Sl 100.3), éramos
“ovelhas” de Satanás (Ef 2.2)?
Vamos observar um pouco mais de
perto o que acontece no mundo espiritual quando uma alma é
arrebatada do fogo do inferno, como está dito em Judas 23:
“E salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tendo deles
misericórdia com temor...” Jesus disse aos fariseus que o
questionavam acerca de sua autoridade em expulsar demônios:
“Como pode alguém entrar em casa do homem valente e furtar
os seus bens, se primeiro não manietar o valente, saqueando,
então, a sua casa?” (Mt 12.29).
Quem pode entrar na casa do homem
valente para desarmá-lo e saquear seus bens, senão outro
mais valente? E quem é esse “alguém” mais valente, senão
o próprio Jesus que aniquilou “o que tinha o império da
morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da
morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb
2.14,15)?
Paulo declara, pelo Espírito, em
Colossenses 2.15 que todos os principados e potestades foram
despojados, isto é, desarmados, assim como um soldado
vencedor fazia com seu inimigo derrotado, expondo-o ao vexame
diante da multidão: “E, despojando os principados e
potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si
mesmo”. A versão Almeida e Atualizada acrescenta a expressão
“triunfando deles na cruz”. Nesta área de batalha
espiritual, este texto é um dos mais belos, onde Paulo faz um
paralelo entre as guerras romanas e a vitória de Cristo sobre
Satanás e o inferno. Era comum haver um desfile do exército
pelas principais ruas de Roma, sempre que havia uma batalha
vitoriosa. Os prisioneiros de guerra desfilavam acorrentados,
sem as armaduras, seminus, desfigurados e humilhados pela
multidão que gritava refrãos pejorativos aos derrotados. Ao
mesmo tempo a multidão ovacionava o exército vencedor, que
desfilava com toda pompa e todos os soldados usavam folhas de
louros sobre a cabeça, como símbolo de vitória.
Se o inimigo já está desarmado,
o crente que possui as “armas poderosas em Deus, para
destruição das fortalezas” (2 Co 10.4) participa desse
triunfo ao declarar guerra contra o reino das trevas. Dessa
forma pode entrar em sua casa, que é o mundo, e tirar os
cativos da “casa” de Satanás para a “casa” de Jesus.
É disso que fala o apóstolo Paulo em Colossenses 1.13:
“Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou
para o Reino do Filho do seu amor”. Afinal, “Para isto o
Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do
diabo” (1 Jo 3.8).
De que maneira os salvos podem
declarar guerra contra Satanás?
Esta é fácil de
responder.
Basta assumir a real posição de
obediência à Grande Comissão.
Quer que eu o lembre?
Muito bem. Jesus disse para todos
os seus discípulos, dos quatro cantos da terra, e em todos os
tempos, o seguinte: “Façam discípulos de todas as nações”
(Mt 28.19 – Bíblia Viva).
Como Atuam os Demônios
no Trabalho de Discipulado
Já parou para pensar por que as
pessoas não se convertem a um Deus tão bondoso e maravilhoso
como o nosso? E quando se convertem, muitos se desviam logo em
seguida.
Abra os olhos e veja bem:
Primeiro, as pessoas não podem
entender o plano de salvação e seguir um Deus bondoso,
porque Satanás faz uma verdadeira “lavagem cerebral” na
mente das pessoas que, diga-se de passagem, já estão cativas
por ele mesmo. Lembra o que o maldito comunismo fazia com os
crentes nos países onde reinava essa praga? A propósito, o
comunismo foi a maior mentira de Satanás deste século.
Imagine alguém sem comida, trancado em um quarto escuro,
ouvindo a mesma mensagem 24 horas, durante uma semana:
“COMUNISMO É BOM, JESUS CRISTO É RUIM; COMUNISMO É BOM,
JESUS CRISTO É RUIM...” O que esta pessoa vai falar, pensar
e agir, após sair desse quarto? Richard Wumbrand, autor do
best-seller Cristo em Cadeias Comunistas, que passou
por esta amarga experiência, afirma que ao sair desse
processo estava completamente louco.
Leia o que afirma Paulo: “Nos
quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos,
para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória
de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4.4).
O pastor e fundador da igreja em
Corinto também se preocupava com seu rebanho, no sentido de
que Satanás lançasse a semente da corrupção na mente dos
crentes. Veja o que ele falou: “Mas temo que, assim como a
serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam
de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem
da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3). Observou que
até o afastamento da “simplicidade que há em Cristo”
pode ser uma ação maligna?
Outro detalhe que não podemos
esquecer é o fato de que todo incrédulo é manipulado pelo
Diabo, como verdadeiro fantoche.
Donald Stamps, autor dos comentários
da Bíblia de Estudo Pentecostal, da CPAD, ao comentar Efésios
2.2, afirma o seguinte: “Todo aquele que está sem Cristo é
controlado pelo ‘príncipe das potestades do ar’, i.é.,
Satanás”. Eis o texto de Efésios, começando do primeiro
ao terceiro versículo: “E vos vivificou, estando vós
mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes,
segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das
potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da
desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos
nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os
outros também”.
Segundo, as pessoas não podem se
converter porque Satanás atrapalha a germinação da semente
da palavra semeada nos corações pelo evangelista e
discipulador.
Veja como ele é sujo: após a
mensagem ser pregada, ele vem e arranca a palavra semeada. É
real. O verbo correto é este mesmo: arrancar, e, quem
arranca, o faz com muita violência. Ele não pede licença,
ou por favor, nem bate à porta, mas vai arrombando logo a
porta dos corações e arranca o que foi semeado. Imagino que
ele age como um pai de família embriagado que chega em casa
batendo na esposa e nos filhos pequenos, sem motivo. Imagino
que ele vai logo dando um safanão naquela pobre alma e aos
berros adverte, ameaçadoramente: “Eu não disse pra você não
dar atenção a esses ‘bíblias’ desocupados?” E por aí
vai! Dá para tratar com esse inimigo com carinho?
Foi o próprio Jesus quem falou,
ao explicar a Parábola do Semeador, em Marcos 4.15: “E os
que estão junto ao caminho são aqueles em quem a palavra é
semeada; mas, tendo eles a ouvido, vem logo Satanás e tira a
palavra que foi semeada no coração deles”. Em Lucas 8.12 há
um complemento ainda mais esclarecedor: “para que se não
salvem, crendo”.
Se você tem o bom costume de
sublinhar textos específicos em sua Bíblia, sugiro que
sublinhe a expressão “tira a palavra” e “para
que se não salvem, crendo”.
Viu como a coisa é séria?
Dá para entender agora por que
seu colega de trabalho aceitou tão educadamente você
falar-lhe de Jesus, mas, depois, procurou evitar cruzar com
você no corredor? E depois, você observou que essa pessoa
permaneceu como se nunca tivesse ouvido as Boas Novas de
liberdade do Evangelho?
É, meu caro. A coisa é mais séria
do que eu e você podemos imaginar.
Dá para entender agora, por que
o gráfico apresentado no início reflete a mais límpida
realidade?
Dá para entender agora, por que
os resultados em evangelismo, discipulado e missões são tão
pequenos?
Afirmou Gilberto Pickering em seu
livro Guerra Espiritual, publicado pela CPAD: “Das
pessoas que Deus chama para a missão transcultural, Satanás
derruba a maioria por aqui: nunca chegam ao campo. Dos poucos,
relativamente, que alcançam o campo missionário, a metade é
tirada do páreo dentro de quatro anos –– voltam
derrotados para seus países de origem e nunca mais voltam”.
Precisamos assumir uma posição
definitiva em relação à tarefa suprema da Igreja, pelo fato
de que no mundo espiritual não pode haver neutralidade. Foi o
próprio Mestre Jesus quem assegurou aos discípulos a
impossibilidade de andar por dois caminhos ao mesmo tempo,
entrar por duas portas, servir a dois senhores, enfim, em
Lucas 11.23, Jesus disse: “Quem não é por mim é contra
mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. Não dá para
“assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”.
Perceba bem: ou assumimos uma
posição séria diante de Deus ou podemos estar a serviço do
inferno, inocentemente! Sei que essa declaração soa como uma
colisão de uma carreta contra um fusca, mas, felizmente ou
infelizmente, é a mais pura verdade. Pessoalmente, gostaria
que essa verdade não fosse tão verdadeira, mas é.
Creio já ter o leitor percebido
que o nosso trabalho de discipulado tem implicações tanto
eternas quanto espirituais.
Em Moçambique, onde a guerra
civil deixou milhares de vítimas, ainda restaram milhares de
minas enterradas e espalhadas por todo o país. É comum
encontrar nas ruas crianças e velhos aleijados, vítimas de
explosões. A fatalidade é que, inocentemente, pisaram em um
explosivo enterrado. Com isso quero dizer que, se não nos
cuidarmos, podemos pisar em uma “mina”, se o Senhor não
usar de misericórdia para conosco. Em outras palavras, volto
a reafirmar: o território do inimigo é perigoso e, se não
usarmos os armamentos adequados com a devida perícia, nosso
sucesso nesse tipo de trabalho pode não ser o esperado.
Com mais esta ilustração fica
ainda mais claro o entendimento do texto de Efésios 6.10-19,
onde um dos mais experientes soldados na batalha espiritual
explica que a nossa luta não é contra as pessoas que vamos
evangelizar, mas sim, contra os próprios demônios. E
lembre-se de que eles são organizados em forma de um
verdadeiro exército, com soldados, sargentos, capitães, e
tudo mais. É disso que fala o texto ao mencionar os termos
“hostes”, “principados”, “potestades”, “dominações”
e “forças espirituais”.
E não pense que estou falando
“pelos cotovelos”, não. A Bíblia afirma que o nosso
adversário é o Diabo. E não é o adversário dos ímpios, não.
Os ímpios são até amigos dele. É o adversário dos
crentes, lavados pelo sangue do Cordeiro! E quem falou isso
foi o apóstolo Pedro. Ele tinha experiência de sobra para
falar sobre isso. Lembra do episódio de Pedro e da pedra (Mt
16.13-23)? E depois, o que foi dito ao irmão Pedrinho? (Esse
assunto está mais detalhado no 3° requisito para entrar na
escola de discipulado de Jesus, que é a consciência da
cruz.)
Ouçamos o irmão Pedro: “Sede
sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em
derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”
(1 Pe 5.8).
Cuidado para não dormir no
ponto!
Veja mais outros títulos e
adjetivos que a Bíblia aplica ao adversário das nossas
almas:
• “Engana todo mundo” (Ap
12.9)
• Apresenta-se como “anjo de
luz” (2 Co 11.14)
• É tentador (1 Ts 3.5)
• “príncipe das potestades
do ar” (Ef 2.2)
• “deus deste mundo” (2 Co
4.4)
• “príncipe deste mundo” (Jo
16.11)
• “mundo jaz no maligno” (1
Jo 5.19)
• Veio para matar, roubar e
destruir (Jo 10.10)
• Serpente (Gn 3.1-6)
• Homicida e pai da mentira (Jo
8.44)
Gostaria de mencionar mais dois
fatos sobre a ação do Inimigo. Satanás e os demônios agem
de maneira até surpreendente, pois eles têm acesso à nossa
mente.
Lembra do irmão Pedro (Mt
16.13-23)? O que foi que Jesus disse para ele? “Para trás
de mim, Satanás”! Estranho, não? Pois é, Satanás tem
acesso à nossa mente e pode colocar palavras em nossa boca.
Lembro-me que certo irmão ao falar nas reuniões do ministério,
podia-se ouvir várias vozes falando baixinho algumas frases
que sugeriam pavor e defesa contra o adversário: “Senhor,
tem misericórdia!”, “cobre-nos com o teu sangue”,
“fecha a boca do leão”, etc. Não dava outra. Era briga
na certa. Esse irmão tinha o “dom” de tumultuar as reuniões.
Quando ele não ia às reuniões era um alívio.
Hoje entendo que aquelas sugestões
do dito irmão nada mais eram do que palavras dos demônios em
sua boca. Pelos “frutos” que mais tarde foram sendo
descobertos, ficou ainda mais claro o porquê de tanta briga
quando aquele “irmão” falava. E o “irmão” ainda
pertencia ao ministério! Durma com um barulho desses!
Outra coisa: você consegue orar
sem que seus pensamentos vagueiem? Consegue se concentrar? Não
há nenhuma interrupção? Não sente sono? Desânimo? Cansaço?
Não faltam palavras? Consegue orar sem nenhuma dificuldade?
De repente você lembra de um escorregão do passado, de uma
palavra mal empregada. Tudo ocorrido há muitos anos. Por quê?
São as ingerências demoníacas
na nossa mente, para atrapalhar a oração. Quando começamos
a orar entramos na dimensão espiritual. É quando mexemos com
o inimigo. Ele se sente imediatamente ameaçado.
Por isso ele emprega todos os
esforços para nos desviar da oração. Ninguém ora sozinho.
Jesus foi tentado exatamente
quando orava e jejuava. Mas Ele não desanimou, não cedeu,
Ele enfrentou e derrotou o Inimigo.
Agora, observe bem. Às
vezes quando alguém desperta para estas verdades se
impressiona de forma exagerada e passa a ver demônio em tudo,
ou então, acha que ao colocar a culpa no Diabo, pode fugir da
responsabilidade diante de Deus. Não é bem assim. É preciso
discernimento. A busca incessante do dom de discernimento
espiritual é muito importante para um bom guerreiro de
Cristo.
Todos esses comentários não são
para enaltecer o Inimigo ou cultuá-lo, mas para que haja uma
conscientização dos perigos que ele representa.
De Bobo Ele não Tem Nada
Já mencionamos que o nosso
arquiinimigo não descansa. De bobo ele não tem nada. Pelo
contrário, Satanás e seus demônios “são seres
espirituais com personalidade e inteligência” (Bíblia de
Estudo Pentecostal –– estudo acerca do Poder sobre Satanás
e os Demônios, CPAD).
Não é de se estranhar que nos
últimos dias da Igreja sobre a terra, eles (os demônios) estão
mais ativos do que nunca. Você já observou como tem
aumentado a violência no mundo? Os números de assaltos,
assassinatos, furtos, suicídios e tudo o que não presta,
simplesmente, triplicaram. Mesmo quem não é tão idoso e que
tenha um pouco mais de quarenta anos de idade, vai observar
que há 20 anos a coisa era diferente, não é verdade?
Só mais uma coisinha: as
penitenciárias do mundo todo estão sempre acima de sua
capacidade de lotação. Os presos são amontoados como
animais e os governantes não sabem o que fazer para resolver
o problema. Com um agravante que chega a ser chocante, para não
dizer assustador: a faixa etária de mais de 50% dos presos
está entre 18 e 25 anos. Ou seja, estão na flor da idade. A
idade da conquista, da preparação para o futuro, e o Diabo
os engana, lançando-os atrás das grades. Alguns só
conseguem sair após quarenta ou cinqüenta anos de idade. O
período mais importante da vida foi perdido! Triste não é?
Há pouco tempo precisei acompanhar uma pessoa até uma
delegacia policial. Ela havia sido vítima de assalto. Levaram
todo o seu salário do mês, exatamente no dia do pagamento. A
vítima tentou identificar o assaltante em meio a uma centena
de fotos. Para meu espanto e tristeza, quase todos os
assaltantes eram moças e rapazes! O mais velho talvez não
tivesse trinta anos.
Recentemente, um prefeito de uma
cidade no Estado de São Paulo descobriu que a maioria dos
crimes era praticado quando as pessoas estavam embriagadas.
Decidiu, então, que os botequins fossem fechados mais cedo. O
resultado foi positivo. O índice de ocorrências caiu pela
metade!
Outro grande responsável pela
desgraça no mundo é o tóxico. Seja a maconha, ou qualquer
derivado da cocaína, como crack ou ecstasy, ou
até a “inofensiva” cola de sapateiro. O que leva uma
pessoa a induzir outra para usar droga? Geralmente, para
induzir os jovens a experimentarem drogas, os traficantes
apelam para o brio, para a dignidade, usando argumentos como:
“Você não é homem. Se fosse homem você
experimentaria”, ou “Você é um medroso, um covarde”,
ou ainda “Vê se sai debaixo da saia da mamãe”.
Imagine bem:
Quem pode colocar um poder de
convencimento tão audacioso na mente desses traficantes, que
geralmente agem na porta das escolas?
O que leva um adolescente ficar
rebelde contra seus pais e usar tóxico?
Depois de experimentar a primeira
vez, que força motivadora faz com que o viciado use todos os
meios para adquirir a maldita droga, muitas vezes roubando os
próprios pais?
O que leva um pai de família a
pegar todo seu salário do mês e gastar com cerveja, deixando
sua família passar necessidades?
O que leva esse mesmo pai de família
a gastar todo seu dinheiro com prostituição, com jogos de
azar, etc.?
Já percebeu quem induz a tudo
isso?
Ou você ainda acha que todas
essas coisas acontecem por acaso?
Você pode, então, me perguntar:
por que tanta ignorância sobre este assunto? Por que este
assunto é tão pouco falado nas igrejas?
Algumas vezes, ao falar sobre
Missões, sempre procuro cavar uma brecha para tocar nesse
ponto. Confesso que nem sempre tenho alcançado êxito. Certa
vez, durante uma preleção, um “irmãozinho” assentado
atrás de mim no púlpito gritou tanto o “sangue de Jesus
tem poder”, que parecia que eu mesmo estivesse
endemoninhado. Só não passei vergonha porque o Senhor estava
abençoando a mensagem, colocando palavras de sabedoria na
minha boca.
Ora, sabemos que o inimigo está
aí mesmo, que é esperto e maquiavélico, que não dorme no
ponto, mas parece que há um receio muito |