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Esboço da Lição
Introdução
I.
O Amor Cristão.
II.
O individualismo é Prejudicial ao Amor.
III.
Liberdade
Cristã.
Conclusão
Palavras-chaves
Amor;
Liberdade; Individualismo.
Introdução
Enquanto
o primeiro estágio do argumento de Paulo, tratado na lição
anterior (12), tratou de atitudes de julgamento, o segundo
incita o ouvinte a considerar que tipo de ação é apropriado
numa comunidade formada pela aceitação graciosa de Deus de
todos os crentes. Há uma estrutura quiasmática rústica, ou
seja, os pontos feitos na primeira parte dos versículos 13 a
23 são tratados novamente em ordem reversa na última parte.
O que observamos é uma repetição de temas dos versículos
13 a 15 nos versículos 20 a 23, e o “centro e, portanto, o
ponto da ênfase” no meio da passagem (vv. 16-19). Diferente
dos versículos 1 a 12, onde a exortação do apóstolo era
dirigida aos fracos e fortes, é a maneira na qual Paulo
enfoca a atenção para o restante do capítulo nos fortes. O
que se segue é a diretiva aos membros gentios da igreja
romana de que a liberdade deve ser confinada aos interesses do
amor.
1.
Ajam com Amor uns pelos Outros; Não Escandalizem (14.13-23).
O
versículo 13 marca uma transição na discussão. Ele resume
o argumento precedente: “Assim que [i.e., com base na
responsabilidade de cada crente a Cristo como Senhor e a Deus
como Juiz] não nos julguemos mais uns aos outros” (v. 13a).
E exige uma nova resolução: “Antes, seja o vosso propósito
não pôr tropeço ou escândalo ao irmão” (v. 13b). Esta
exigência de mudança de atitude é reforçada por um jogo de
palavras: O apóstolo usa o mesmo verbo grego krino
(“julgar”) no versículo 13a e no versículo 13b. A tradução
literal do grego é: “Assim que não nos julguemos mais uns
aos outros; antes, julguem [i.e., resolvam ou determinem] isto
— não pôr tropeço ou escândalo uns aos outros”. O
pensamento renovado rejeita as atitudes de julgamento e adota
os pensamentos que promovem o bem-estar dos outros no corpo de
Cristo (cf. Rm 12.3-9).
a)
Tropeço
e escândalo.
Os termos tropeço e escândalo são usados de modo sinônimo
como metáforas para algo que faz alguém perder a fé. O
“tropeço” é algo que pode fazer alguém tropeçar; um
“escândalo”, que se referia originalmente ao pedaço de
madeira que mantinha aberta a armadilha para animais, é
usado no Antigo e Novo Testamentos como algo que poderia
levar a pessoa a pecar. A imagem é clara: O exercício
aberto de liberdade pelos fortes apresenta uma tentação
para os fracos, o que poderia resultar em queda no pecado.
-
O
uso no Antigo Testamento.
Para ouvir a força da combinação destas palavras, temos
de recordar o uso destes dois conceitos em Romanos 9.33,
onde aparecem na citação de Isaías 8.14. Lá, o tropeço
(“uma pedra que faz os homens tropeçarem”) e o escândalo
(“uma pedra que os faz cair”) se referem a Cristo. Os
judeus tropeçaram em Cristo, ou seja, eles ficaram
ofendidos com Ele, e ao rejeitarem Jesus como Messias eles
rejeitaram a iniciativa salvadora de Deus;
-
O uso paulino.
Semelhantemente,
em Romanos 14 Paulo exorta os gentios a evitar qualquer ação
que possa levar outros judeus a perder a fé em Cristo.
Desta vez, o tropeço é comer carne ou não observar
certos dias santos.
b)
“Nenhuma
coisa é de si mesma imunda” (v. 14)
O
pronunciamento de Paulo de que “nenhuma coisa é de si
mesma imunda” (v. 14) é prefaciado com a justificação:
“Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus que...” A combinação
destas duas frases para apresentar a convicção do apóstolo
sobre este assunto trai o sentimento de que seus pensamentos
extrairiam veemente oposição dos fracos, a quem as normas
dietéticas continuavam tendo significado no concerto.
Alguns entendem a frase “no Senhor Jesus” como
equivalente à expressão paulina “em Cristo”, a qual é
“o modo mais característico [de Paulo] definir sua relação
com o Salvador”. De acordo com Dodd, Paulo está afirmando
que sua convicção “é inseparável de sua experiência
cristã”. Não obstante, o uso da palavra “Jesus”
distingue esta expressão da frase “em Cristo” ou da
expressão variante “no Senhor”. Em outras palavras,
Paulo cita o nome “Jesus”, porque ele está pensando no
ministério terreno de Jesus e não em sua relação com o
Cristo ressurreto. O apóstolo está firmando sua posição
no ensino de Jesus, que nos foi preservado em Marcos
7.15-23.
-
Tradições
dos Anciãos.
No
debate de Jesus com os fariseus sobre as tradições
concernentes ao estado de limpo e imundo, ocasionado pela
crítica de os discípulos não lavarem as mãos antes de
comer (Mc 7.1-5), Jesus fez o pronunciamento de que nada
que entra no homem o torna impuro, mas sim o que sai dele
(Mc 7.15). O que Paulo está convencido “no Senhor
Jesus” (Rm 14.14) é que os fracos não têm base teológica
para firmar-se na insistência de que leis dietéticas
sejam observadas pela comunidade cristã.
-
Consciência
individual.
O
apóstolo imediatamente qualifica a aplicabilidade da sua
radical declaração da liberdade cristã, de que nenhuma
comida é imunda, com o padrão estabelecido pela consciência
individual. Enquanto comer carne não é em si mesmo nem
correto nem pecador, é moralmente errado para a pessoa
que acredita na abstinência como base espiritual. Em
outras palavras, a moralidade cristã tem um componente
subjetivo. Claro que não há o pensamento de que toda
conduta ética seja subjetivamente determinada. Romanos
13.13, para citar um exemplo, contém uma lista de
atividades proibidas a todo aquele que afirma estar
andando na luz do dia. Partindo da premissa de que a
consciência individual desempenha um papel determinante
para a conduta ética do indivíduo, pelo menos duas
implicações ocorrem para os fortes:
1.
A
consciência dos fracos não deve ser menosprezada ou
desconsiderada, mas antes levada em conta por causa do
mandamento do amor.
Comer
na frente de alguém que considera a prática errada é
cometer o engano de colocar o princípio da liberdade na
frente do princípio do ágape. “O amor”, como Paulo
escreveu em Romanos 13.10, “não faz mal ao próximo”.
2.
É não apenas ofensivo, mas potencialmente destrutivo os
fortes desconsiderarem os sentimentos dos fracos.
Paulo
não poderia ter expressado esta advertência aos fortes
sobre tal comportamento corruptor com maior força do que
vemos ao término do versículo 15: “Não destruas por
causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. Em uma
frase Paulo confronta os fortes com o exemplo supremo do
amor, o sacrifício de Cristo, o que expõe o egoísmo que
está por trás da exibição franca de liberdade e os faz
lembrar do valor inestimável daqueles por quem Cristo pagou
com a vida.
c)
Abuso
Flagrante de Liberdade.
A
possibilidade de um irmão ser destruído por um abuso
flagrante de liberdade revela o papel crítico que a consciência
desempenha na vida cristã. Quando a consciência é minada
numa área, torna-se vulnerável também em outras. Outras
convicções podem se tornar abertas a dúvidas; outras práticas,
anteriormente proibidas, começam a ser entretidas e então
desfrutadas — inclusive as práticas que são
intrinsecamente más. O fim do processo pode significar a
destruição da alma. A parêntese na carta de Paulo para os
romanos foi iniciada com uma chamada para que cada membro do
corpo assumisse a responsabilidade pelos outros membros
usando os dons em benefício do corpo inteiro (Rm 12.3-8). A
exigência de sensibilidade para com as crenças de outros
crentes no capítulo 14 nos mostra outro modo de assumir a
responsabilidade pelo bem-estar de outros cristãos.
d)
Fundamentação da argumentação
paulina. Nos
versículos 16 a 19, o centro do argumento dos versículos
13 a 23, ocorrem diversas declarações que resumem e
fundamentam o que precede e o que se segue. A incerteza do
versículo 16: “Não seja, pois, blasfemado o vosso
bem”, tem resultado em várias interpretações. Por
exemplo, Dunn vê nesta declaração uma advertência para
que os não-cristãos não venham a menosprezar o Evangelho
por causa de desarmonia na Igreja. Ele entende que a expressão
“o vosso bem” seja referência ao Evangelho e vê a
mudança da segunda pessoa do singular, no versículo 15,
para o plural “vós”, no versículo 16, como indicação
de que os fracos e os fortes estão sendo admoestados a
viver de tal modo que a Igreja não seja ultrajada por um
mundo que é espectador.
-
A
mudança do singular para o plural é muito sutil para
servir de indicação de que a audiência em vista é
agora a Igreja inteira, e não apenas os fortes.
É
preferível ver a mudança como artifício estilístico
para dar ênfase (CA frase “o reino de Deus” aparece
raramente nas cartas paulinas, o que é bastante
surpreendente considerando sua ocorrência freqüente nos
Evangelhos. Em vez de usar a terminologia do reino, Paulo
tende a definir a esfera da existência cristã com frases
como “em Cristo” e “andar no Espírito”. O
significado de “o reino de Deus” aqui, como Dunn
comenta com perfeição, é indicado pela referência ao
Espírito Santo no fim do versículo. A conexão do
Espírito com o Reino de Deus é que “tanto para Jesus
quanto para Paulo o Espírito é a presença do Reino,
ainda no futuro em sua realização completa”. A frase
“o Reino de Deus não é comida nem bebida” envia uma
mensagem aos judeus e gentios. Para os gentios, significa
que a essência do cristianismo é algo mais que insistir
na liberdade de comer e beber. Colocando em terminologia
mais moderna, o Reino não é a luta pelos direitos
individuais. O que Paulo prescreve é o que ele praticou
regularmente: “Sendo livre para com todos, fiz-me servo
de todos, para ganhar ainda mais” (1 Co 9.19). Esta
postura revela a verdadeira liberdade que o apóstolo
descobriu. Embora a abordagem de Paulo a esta seção
continue sendo para os fortes, o versículo 17 também
teria chamado a atenção dos fracos. Se Paulo pode dizer
para os fortes que o Reino não é comida e bebida, então
a implicação é que o Reino também não é
abstinência, ou seja, não-comida e não-bebida. A lei
já não tem papel a desempenhar na prescrição dos
termos da justiça, porque Cristo é o fim da lei (Rm
10.4). A justiça não é ganha ou mantida por
regulamentos dietéticos ou por qualquer outra prática de
guarda da lei. Se os crentes judeus continuam sendo
observando de certas leis, a única razão para tal é a
preferência cultural, e não a exigência divina. Ao
insistir que os gentios graciosamente aceitem as práticas
dos judeus, Paulo está simultaneamente insistindo que os
judeus não têm base teológica para tentar alterar os
hábitos alimentares dos gentios.ranfield). Além disso, a
frase grega traduzida por “vosso bem” é uma expressão
canhestra para aludir ao evangelho; mais naturalmente
descreve o que os fortes entendiam como liberdade dentro
da vontade de Deus (cf. Rm 12.2). Os fortes devem evitar
que a liberdade — ou o que eles sabem que é bom perante
Deus — “seja [...] blasfemad[a]”. O pensamento de
blasfêmia remete de volta ao versículo 6, onde os atos
de comer e abster-se são estabelecidos dentro de um
contexto de adoração. O problema que Paulo antecipa é
que o que os fortes consideram parte da adoração
espiritual (Rm 12.1), os judeus consideram profano. Isto
é similar à discussão de Paulo registrada em 1 Coríntios
10.30 sobre comer carne: “Se eu com graça participo,
por que sou blasfemado naquilo por que dou graças?”
Paulo está preocupado com o modo como os fortes vêem os
fracos, e também como os fracos percebem os fortes, e
esta preocupação se estende a Romanos 14.17.
-
A
base teológica para o que Paulo está argumentando é
dada no versículo 17: “Porque o Reino de Deus não é
comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito
Santo”.
A
frase “o reino de Deus” aparece raramente nas cartas
paulinas, o que é bastante surpreendente considerando sua
ocorrência freqüente nos Evangelhos. Em vez de usar a
terminologia do reino, Paulo tende a definir a esfera da
existência cristã com frases como “em Cristo” e
“andar no Espírito”. O significado de “o reino de
Deus” aqui, como Dunn comenta com perfeição, é
indicado pela referência ao Espírito Santo no fim do
versículo. A conexão do Espírito com o Reino de Deus é
que “tanto para Jesus quanto para Paulo o Espírito é a
presença do Reino, ainda no futuro em sua realização
completa”. A frase “o Reino de Deus não é comida nem
bebida” envia uma mensagem aos judeus e gentios. Para os
gentios, significa que a essência do cristianismo é algo
mais que insistir na liberdade de comer e beber. Colocando
em terminologia mais moderna, o Reino não é a luta pelos
direitos individuais. O que Paulo prescreve é o que ele
praticou regularmente: “Sendo livre para com todos,
fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais” (1 Co
9.19). Esta postura revela a verdadeira liberdade que o apóstolo
descobriu. Embora a abordagem de Paulo a esta seção
continue sendo para os fortes, o versículo 17 também
teria chamado a atenção dos fracos. Se Paulo pode dizer
para os fortes que o Reino não é comida e bebida, então
a implicação é que o Reino também não é abstinência,
ou seja, não-comida e não-bebida. A lei já não tem
papel a desempenhar na prescrição dos termos da justiça,
porque Cristo é o fim da lei (Rm 10.4). A justiça não
é ganha ou mantida por regulamentos dietéticos ou por
qualquer outra prática de guarda da lei. Se os crentes
judeus continuam sendo observando de certas leis, a única
razão para tal é a preferência cultural, e não a exigência
divina. Ao insistir que os gentios graciosamente aceitem
as práticas dos judeus, Paulo está simultaneamente
insistindo que os judeus não têm base teológica para
tentar alterar os hábitos alimentares dos gentios.
-
Tendo
estabelecido o que não é o Reino de Deus, o apóstolo
passa a defini-lo em termos de relação: “Justiça, e
paz, e alegria no Espírito Santo” (v. 17b).
“No
Espírito Santo” modifica os três substantivos que o
precedem e não apenas o último, “alegria”. Por
conseguinte, estes substantivos descrevem vários aspectos
de viver no Espírito. O problema está em determinar se
estes aspectos da vida no Espírito serão entendidos como
expressões de nossa relação vertical com Deus ou de
nossa relação horizontal com os outros. Se
interpretarmos verticalmente a justiça, a paz e a
alegria, então esta ocorrência final em Romanos da
palavra “justiça” diz respeito à justiça forense,
quer dizer, o resultado da justificação do crente feita
por Deus que coloca o indivíduo em posição correta
diante dEle. “Paz” é a nossa paz com Deus (cf. Rm
5.1), e “alegria”, a nossa resposta à obra de Deus em
nosso favor. Se entendermos que estes três aspectos
descrevem nossa interação uns com os outros no corpo de
Cristo, então:
1.
a
justiça no Espírito Santo é a “ação correta”.
2.
Paz
no Espírito Santo é a paz que temos de ter uns com os
outros, com alegria que é o resultado. Como
muitos comentaristas notaram, o paralelo desta referência
à paz e alegria no Espírito é a lista do fruto do Espírito
que está registrada em Gálatas 5.22,23.
3.
O
contexto sugere que estes três aspectos da vida no
Espírito têm a ver com relações horizontais. A
totalidade de Romanos 12.1 a 15.13 tem a intenção de
explicar como os argumentos teológicos dos capítulos 1 a
11 devem atuar na vida da comunidade cristã em Roma. Além
disso, os versículos que se seguem (Rm 14.18,19)
ressaltam o servir e o fazer — isto é, o que se supõe
que os cristãos devem fazer —, o que sugere que o versículo
17b também é referente a viver corretamente. Por fim, a
frase que está em paralelo com “justiça, e paz, e
alegria no Espírito Santo” diz respeito ao
comportamento humano: comida e bebida (v. 17a). Assim,
Paulo está tratando da necessidade de ação comunitária
que é indicativa da vida no Espírito, e não do tipo
divisor de ação que coloca a liberdade à frente do
amor. A definição de Paulo do Reino de Deus na
imediatidade é agir com justiça, procurando a paz com os
outros e vivendo na alegria que surge quando a ação
correta leva à coexistência pacífica com outros membros
do corpo de Cristo. Deveria ser notado, porém, que embora
o enfoque no versículo 17 esteja na justiça ética, e não
na justiça forense, seríamos insensatos em separá-los
completamente. Pois é a obra de Deus em Cristo que coloca
o indivíduo em relação certa com Deus, que forma a base
para as relações no corpo de Cristo.
e)
Agradando a Deus. A
idéia de que o pensamento renovado revela “a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2) é
revisitada no versículo 18. Para dar mais força à exortação
no versículo 17, o apóstolo especifica que uma comunidade
que vive com justiça na busca da paz está “agradando a
Deus”. O fato de Paulo reapresentar tal declaração neste
ponto da carta dá a entender que, na sua mente, esta área
estava em necessidade particular de pensamento renovado.
Vivemos em dias que temas de direitos pessoais e liberdade são
patrocinados acima da virtude do amor sacrifical, fato que
sugere que precisamos da mesma renovação constante de
nossa mente.
f)
Edificação mútua. O
versículo 19 conclama os crentes a buscar ações que
promovam a “paz” e a “edificação de uns para com os
outros”. Como esta combinação indica, a paz entre os
crentes é mais que a ausência de conflito; a paz é posta
em prática na Igreja à medida que os membros vivem juntos
em uma unidade que fortalece todos os crentes. Isto faz
lembrar Romanos 12.3-8, onde Paulo aconselhou contra a
natureza divisora do orgulho, exortando os crentes em Roma a
se construírem uns nos outros pelo uso dos dons do Espírito.
Nos versículos restantes do capítulo 14 (vv. 20-23), são
repetidos e ampliados pontos já mencionados nos versículos
13 a 15. As repercussões advindas da ofensa causada em
outro cristão são agora descritas em escala mais ampla: Não
é só a alma do indivíduo ofendido que está em risco (v.
15), mas também “a obra de Deus” (v. 20). No que diz
respeito ao corpo de Cristo, um efeito produzido num membro
afeta o restante do corpo.
g)
Atos ofensivos. A
categoria de atos ofensivos é ampliada além da comida e
observância de dias especiais com a introdução de beber
vinho (v. 21) como possível ofensa à consciência fraca.
(Para o pano de fundo sobre isto, veja comentários introdutórios
a Rm 14.) Mais significativamente, Paulo escreve que
“outras coisas” que causem um irmão a cair também
devem ser evitadas. Esta qualificação importante alertará
a igreja romana aos perigos de futuras áreas de conflito.
Também serve para nos advertir a não pensarmos que uma
passagem que lida com problemas históricos de uma igreja do
século I não tenha relevância para nós. Nossas divisões
podem não ser sobre questões entre comedores de carne e
vegetarianos, mas nunca faltaram à Igreja assuntos novos
para discutir e dividir.
-
Os
versículos 22 e 23 contêm breve resumo do argumento para
este ponto: Os fortes têm o direito de desfrutar a
liberdade que têm — eles são bem aventurados por
poderem agir com uma consciência limpa.
Não
obstante, por causa do corpo, esta liberdade não deve ser
ostentada na frente dos fracos ou usada como lobby com o
propósito de mudar os hábitos dos outros. Os fortes
devem manter suas convicções entre si e Deus (v. 22).
-
Os
fracos, por outro lado, são condenados se transgredirem
suas crenças e, como a carta deixa explícito no versículo
23b, tais infrações não são só ofensas pessoais, mas
também pecados contra Deus.
Tudo
o que não pode ser oferecido a Deus em adoração,
“tudo o que não é de fé”, é nada mais, nada menos
que “pecado”. Isto nos remete de volta ao decreto de
Romanos 12.1,2, que a vida para o cristão não é
determinada pela lei, mas pela relação — a relação
estabelecida pela obra de Deus em Cristo e vivida no Espírito.
É por isso que Paulo diz que dois crentes podem
empreender a mesma atividade, mas apenas para um é
pecado. Uma religião sujeita à lei não permitiria tal
desvio; uma relação constituída pela fé com Deus tem
de permitir tal coisa.
Para
saber mais:
ARRINGTON,
F.L.; STRONSTAD, R. Comentário
Bíblico Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica
fácil e descomplicada.
3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
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