Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Salvação e Justificação


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Lição 12 - A Tolerância para com os Fracos na Fé



Esboço da Lição


Introdução

I.     Devemos nos Aceitar Mutuamente.

II.   Tipos de Cristãos.

III.  Vivendo a Verdadeira Liberdade em Cristo.

Conclusão


Palavras-chaves

Tolerância; Fracos na fé; Fortes na fé; Ingestão de carnes.


Introdução

A declaração de Paulo concernente a abertura do capítulo 14 é uma exortação àqueles cuja fé é fraca, ou seja, aqueles cuja consciência não é “forte” o bastante para permitir uma maior liberdade de ação (o que nesta primeira seção significa uma falta de liberdade para comer carne). A razão para este apelo é dada no versículo 3c: Deus recebeu os fracos. O fato de a mesma palavra grega traduzida pelo verbo “receber” aparecer nos versículos 1 e 3 sublinha a reciprocidade entre nossa relação com Deus e uns com os outros. Devemos nos aceitar uns aos outros, porque Deus aceitou a cada um de nós. O fato de esta palavra aparecer mais duas vezes em exortação semelhante próximo do fim da discussão (Rm 15.7) — judeus e gentios devem aceitar uns aos outros assim como Cristo aceitou a ambos —, indica que a aceitação mútua é um tema que circunscreve a seção inteira.

1. Aceitem-se uns aos Outros; Não se Julguem (14.1-12). 

Por causa da aceitação de Deus não há lugar para condenação na comunidade formada pela graça. Cristo, cuja morte na cruz efetuou a aceitação dos crentes perante Deus (Rm 5.10), fará os fracos estarem em pé (v. 4) — quer dizer, capazes de viver sem condenação diante do Senhor, tanto agora quanto no fim (Rm 8.1). Porque somos servos de Deus, cada um de nós “está em pé ou cai” perante Ele (v. 4). Seu julgamento é, em última instância, tudo o que importa. Então, a pergunta apropriada para todo membro da igreja é: “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (v. 4a). 

a) Julgando inadvertidamente o próximo. Embora a preocupação primária de Paulo em Romanos 14.1 a 15.13 seja com a reação gentia aos crentes judeus, no versículo 3 Paulo mostra sua consciência de que havia atitudes prejudiciais nos dois campos. Ambos estavam julgando o comportamento do outro de maneira diferente, mas igualmente prejudicial. Assim, Paulo pede que os fortes não desprezem os abstêmios, e que os fracos não julguem os que comem tudo o que querem. 

- Os fortes menosprezavam os que não tiravam proveito da liberdade;

- Os fracos, que se viam como justos por causa do seu código de comportamento mais rígido, condenavam os que não tinham os mesmos escrúpulos. Talvez por trás da condenação dos fortes sobre os crentes fracos acha-se a pressuposição de que os fortes não eram os cristãos. Encontramos aqui uma representação precisa da natureza do facciosismo na Igreja Moderna. Comer carne já não é assunto constrangedor para a igreja contemporânea, mas atitudes divergentes para com outras áreas amorais de comportamento continuam dividindo os que fazem e os que não fazem. Não há unidade quando uma facção se considera superior à outra, ou quando uma facção questiona o mesmo cristianismo dos que não obedecem certos códigos de conduta.

b) Os dias santificados. No segundo parágrafo (vv. 5-8), Paulo continua formando suas razões apresentando outra fonte de fricção — o assunto dos dias santos (v. 5). A prática em questão aqui (como discutido acima) é a insistência judaico-cristã na observância continuada de certos dias considerados santos no judaísmo, como o sábado ou os dias de festas judaicos, ou ambos. Paulo então coloca esta disputa sobre dias especiais, como também a controvérsia sobre comer carne, dentro de um contexto de adoração (vv. 6-8). Visto que tudo na vida deve ser oferecido em adoração (Rm 12.1, a declaração programática dada no início da seção parenética de Romanos), a conduta de cada crente deve ser avaliada adequadamente. “Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo” acerca da conveniência de suas ações (v. 5c), de forma que o que quer que a pessoa faça ou não faça seja feito “para o Senhor”. É por isso que aquele que come e aquele que se priva são ambos retratados no versículo 6 como a oferecer uma bênção antes da refeição (cf. At 27.35; 1 Co 10.30). Isto ilustra vividamente que o crente que condena os outros pelo que eles comem está na posição perigosa de condenar, não um ato pecador, mas antes o ato de adoração da outra pessoa. Paulo reitera sua preocupação pelo tipo de pensamento renovado que vê tudo na vida como adoração, nos versículos 7 e 8, o que está resumido pela frase: “De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (v. 8c). Mais adiante, Paulo adaptará este mesmo princípio para a situação dos crentes colossenses: “E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, [...] porque a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3.23,24b; cf. 1 Co 10.31). 

Em resumo, a função dos versículos 5 a 8 é dupla. Reforça o ponto feito anteriormente — que o cristão deve aceitar em vez de julgar alguém que é servo de Deus — enfatizando o fato de que criticar a ação de outro crente é criticar a adoração que essa pessoa dá a Deus. Como também implica o que se tornará explícito depois: Todo servo de Deus é responsável por determinar se sua ação pode ser oferecida a Deus como ato de adoração. 

c)  O Senhorio de Cristo. A menção da morte e ressurreição de Cristo, no versículo 9 — estes eventos que capacitaram Cristo a se tornar “Senhor tanto dos mortos como dos vivos” — é incitada pela asserção anterior de que vivemos e morremos para o Senhor. A referência ao senhorio de Cristo levanta a questão feita primeiramente no versículo 4: “Mas tu, por que julgas teu irmão?” (v. 10). Se Cristo é o Senhor, então não temos o direito de julgar quem é responsável a Ele. O julgamento vem em curtíssimo tempo, quando cada um receberá o que lhe é devido. O crente não tem o direito de usurpar a autoridade de Deus julgar, ou tentar adiantar o dia do julgamento. Isto não quer dizer que não há julgamento para aquele que está em Cristo, “pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” (v. 10c). A citação do Antigo Testamento no versículo 11, uma combinação de Isaías 49.18 e 45.23, reforça o argumento de que cada servo é responsável e deve prestar contas ao Senhor. Deus julgará os outros crentes, mas Ele também julgará o indivíduo que se designou juiz dos outros. Uma coisa é esperar por justiça para ser cumprida nos outros; outra, é estar preparado para enfrentar o próprio julgamento. A introdução do tema da responsabilidade pessoal prepara o leitor para o próximo estágio da discussão. Assunto da lição de número 13.


Para saber mais:

ARRINGTON, F.L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

 


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Veja também:
- Outras lições
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