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Esboço da Lição
Introdução
I.
Devemos nos Aceitar Mutuamente.
II.
Tipos de Cristãos.
III.
Vivendo a Verdadeira Liberdade em Cristo.
Conclusão
Palavras-chaves
Tolerância;
Fracos na fé; Fortes na fé; Ingestão de carnes.
Introdução
A
declaração de Paulo concernente a abertura do capítulo 14
é uma exortação àqueles cuja fé é fraca, ou seja,
aqueles cuja consciência não é “forte” o bastante para
permitir uma maior liberdade de ação (o que nesta primeira
seção significa uma falta de liberdade para comer carne). A
razão para este apelo é dada no versículo 3c: Deus recebeu
os fracos. O fato de a mesma palavra grega traduzida pelo
verbo “receber” aparecer nos versículos 1 e 3 sublinha a
reciprocidade entre nossa relação com Deus e uns com os
outros. Devemos nos aceitar uns aos outros, porque Deus
aceitou a cada um de nós. O fato de esta palavra aparecer
mais duas vezes em exortação semelhante próximo do fim da
discussão (Rm 15.7) — judeus e gentios devem aceitar uns
aos outros assim como Cristo aceitou a ambos —, indica que a
aceitação mútua é um tema que circunscreve a seção
inteira.
1.
Aceitem-se uns aos Outros; Não se Julguem (14.1-12).
Por
causa da aceitação de Deus não há lugar para condenação
na comunidade formada pela graça. Cristo, cuja morte na cruz
efetuou a aceitação dos crentes perante Deus (Rm 5.10), fará
os fracos estarem em pé (v. 4) — quer dizer, capazes de
viver sem condenação diante do Senhor, tanto agora quanto no
fim (Rm 8.1). Porque somos servos de Deus, cada um de nós
“está em pé ou cai” perante Ele (v. 4). Seu julgamento
é, em última instância, tudo o que importa. Então, a
pergunta apropriada para todo membro da igreja é: “Quem és
tu que julgas o servo alheio?” (v. 4a).
a)
Julgando
inadvertidamente o próximo.
Embora a preocupação primária de Paulo em Romanos 14.1 a
15.13 seja com a reação gentia aos crentes judeus, no versículo
3 Paulo mostra sua consciência de que havia atitudes
prejudiciais nos dois campos. Ambos estavam julgando o
comportamento do outro de maneira diferente, mas igualmente
prejudicial. Assim, Paulo pede que os fortes não desprezem
os abstêmios, e que os fracos não julguem os que comem
tudo o que querem.
-
Os
fortes menosprezavam os que não tiravam proveito
da liberdade;
-
Os
fracos, que se viam como justos por causa do seu código
de comportamento mais rígido, condenavam os que não
tinham os mesmos escrúpulos. Talvez por trás da condenação
dos fortes sobre os crentes fracos acha-se a pressuposição
de que os fortes não eram os cristãos. Encontramos aqui
uma representação precisa da natureza do facciosismo na
Igreja Moderna. Comer carne já não é assunto
constrangedor para a igreja contemporânea, mas atitudes
divergentes para com outras áreas amorais de
comportamento continuam dividindo os que fazem e os que não
fazem. Não há unidade quando uma facção se considera
superior à outra, ou quando uma facção questiona o
mesmo cristianismo dos que não obedecem certos códigos
de conduta.
b)
Os
dias santificados.
No segundo parágrafo (vv. 5-8), Paulo continua formando
suas razões apresentando outra fonte de fricção — o
assunto dos dias santos (v. 5). A prática em questão aqui
(como discutido acima) é a insistência judaico-cristã na
observância continuada de certos dias considerados santos
no judaísmo, como o sábado ou os dias de festas judaicos,
ou ambos. Paulo então coloca esta disputa sobre dias
especiais, como também a controvérsia sobre comer carne,
dentro de um contexto de adoração (vv. 6-8). Visto que
tudo na vida deve ser oferecido em adoração (Rm 12.1, a
declaração programática dada no início da seção parenética
de Romanos), a conduta de cada crente deve ser avaliada
adequadamente. “Cada um esteja inteiramente seguro em seu
próprio ânimo” acerca da conveniência de suas ações
(v. 5c), de forma que o que quer que a pessoa faça ou não
faça seja feito “para o Senhor”. É por isso que aquele
que come e aquele que se priva são ambos retratados no versículo
6 como a oferecer uma bênção antes da refeição (cf. At
27.35; 1 Co 10.30). Isto ilustra vividamente que o crente
que condena os outros pelo que eles comem está na posição
perigosa de condenar, não um ato pecador, mas antes o ato
de adoração da outra pessoa. Paulo reitera sua preocupação
pelo tipo de pensamento renovado que vê tudo na vida como
adoração, nos versículos 7 e 8, o que está resumido pela
frase: “De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do
Senhor” (v. 8c). Mais adiante, Paulo adaptará este mesmo
princípio para a situação dos crentes colossenses: “E,
tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao
Senhor e não aos homens, [...] porque a Cristo, o Senhor,
servis” (Cl 3.23,24b; cf. 1 Co 10.31).
Em
resumo, a função dos versículos 5 a 8 é dupla. Reforça
o ponto feito anteriormente — que o cristão deve aceitar
em vez de julgar alguém que é servo de Deus —
enfatizando o fato de que criticar a ação de outro crente
é criticar a adoração que essa pessoa dá a Deus. Como
também implica o que se tornará explícito depois: Todo
servo de Deus é responsável por determinar se sua ação
pode ser oferecida a Deus como ato de adoração.
c)
O
Senhorio de Cristo.
A menção da morte e ressurreição de Cristo, no versículo
9 — estes eventos que capacitaram Cristo a se tornar
“Senhor tanto dos mortos como dos vivos” — é incitada
pela asserção anterior de que vivemos e morremos para o
Senhor. A referência ao senhorio de Cristo levanta a questão
feita primeiramente no versículo 4: “Mas tu, por que
julgas teu irmão?” (v. 10). Se Cristo é o Senhor, então
não temos o direito de julgar quem é responsável a Ele. O
julgamento vem em curtíssimo tempo, quando cada um receberá
o que lhe é devido. O crente não tem o direito de usurpar
a autoridade de Deus julgar, ou tentar adiantar o dia do
julgamento. Isto não quer dizer que não há julgamento
para aquele que está em Cristo, “pois todos havemos de
comparecer ante o tribunal de Cristo” (v. 10c). A citação
do Antigo Testamento no versículo 11, uma combinação de
Isaías 49.18 e 45.23, reforça o argumento de que cada
servo é responsável e deve prestar contas ao Senhor. Deus
julgará os outros crentes, mas Ele também julgará o indivíduo
que se designou juiz dos outros. Uma coisa é esperar por
justiça para ser cumprida nos outros; outra, é estar
preparado para enfrentar o próprio julgamento. A introdução
do tema da responsabilidade pessoal prepara o leitor para o
próximo estágio da discussão. Assunto da lição de número
13.
Para
saber mais:
ARRINGTON,
F.L.; STRONSTAD, R. Comentário
Bíblico Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica
fácil e descomplicada.
3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
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