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Esboço da Lição
Introdução
I.
A Chamada para a Salvação
II.
O Livre-arbítrio e a Soberania Divina
III.
Salvação
Palavras-chaves
Livre-arbítrio;
Salvação; Soberania Divina.
Introdução
Alguns
vêem nesta seção forte argumento em favor do calvinismo, o
qual considera que a soberania de Deus na eleição
predetermina o destino eterno de todos os indivíduos, quer
para a salvação, quer para a danação. Diferente de Romanos
8.29,30, a eleição de indivíduos não é o tópico aqui.
Antes, a eleição de Deus no capítulo 9 diz respeito à eleição
de nações e de povos.
I.
O Propósito de Deus (9.6-29).
Os
indivíduos nomeados nos versículos 7 a 13 são aqueles a
quem Deus elegeu para cumprir funções necessárias para o
avanço da sua obra com as nações. A ênfase não está no
destino individual dos que foram nomeados, mas nos papéis
históricos que eles desempenharam para as nações que eles
representam. Podemos acrescentar que a eleição das nações
feita por Deus não é determinativa para as pessoas dentro
dessas nações. Por exemplo, considerando que a eleição de
Israel era a decisão de Deus, a participação de um
israelita nas bênçãos auferidas pelo concerto dependia da
resposta desse indivíduo a Deus. Em resumo, Deus alcançará
seus propósitos para as nações.
A inclusão de um indivíduo em particular dentro da graça
salvadora depende da resposta pessoal à misericórdia de
Deus.
1.1.
Declaração teológica central.
A
declaração teológica central dos capítulos 9 a 11 é feita
em Romanos 9.6; o que se segue é uma defesa e elaboração
desta proposição. Asseverar que a Palavra de Deus não
falhou é o assunto primário para Paulo. Como Stuhlmacher
comenta, só depois de mostrar que o evangelho é efetivo para
Israel é que “sua mensagem merece ser chamada o poder de
salvação para todo aquele que crê, para os judeus
primeiramente, mas também para os gentios, como ele o
designou em Romanos 1.16,17”.
a)
Defesa
de Paulo.
A primeira fase da defesa de Paulo — de que a palavra ou
promessa de Deus para Israel não se mostrou falsa pelo fato
de Israel rejeitar Cristo — ocorre no versículo 6b. Com a
frase “porque nem todos os que são de Israel são
israelitas”, o apóstolo faz distinção entre o Israel
nacional e o verdadeiro Israel. Este é ponto crucial para
sua argumentação. Se esta distinção for reconhecida, então
permite que Paulo argumente que ainda que o Israel nacional
tenha rejeitado o evangelho prometido, é o verdadeiro
Israel que é o recebedor e beneficiário das promessas de
Deus.
b)
O
modelo das duas gerações.
Para defender esta distinção das Escrituras, Paulo lembra
dois momentos semelhantes na história da salvação, de
duas gerações sucessivas (vv. 7-9,10-13), quando Deus
escolheu um entre dois irmãos para promover seu plano salvífico.
Como ocorreu quando Paulo discutiu Adão e Cristo e seus papéis
na história de salvação, estes dois conjuntos de irmãos
servem de representantes. Diferente de Romanos 5.12-21, onde
a ênfase estava no que Adão e Cristo fizeram e como suas ações
definiram as eras velha e nova, o foco aqui está somente na
eleição soberana de Deus. Quando Deus escolheu um irmão e
rejeitou o outro, não foi com base no que um tinha feito,
nem teve a ver com a salvação ou danação pessoal. A eleição
divina desses indivíduos foi baseada no propósito divino,
e dizia respeito aos destinos das entidades nacionais.
Não
se pode, Paulo advoga, definir Israel com base unicamente na
ascendência de Abraão. Claro que tal asserção era um
desafio direto à crença dos judeus de que os membros do
povo do concerto eram definidos assim:
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1ª
Proposição
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Aplicação
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A
primeira prova bíblica desta proposição é esta: Abraão
tinha dois descendentes, Isaque e Ismael, mas só Isaque
foi escolhido para representar os filhos de Deus, os
filhos da promessa. Como Gênesis 21.12 declara: “Em
Isaque será chamada a tua descendência” (Rm 9.7). |
A
promessa que Deus fez a Abraão de lhe dar um filho, o
que era um ponto focal em Romanos 4, figura
proeminentemente em Romanos 9.8,9. Recordamos a discussão
do capítulo 4 concernente à justificação de Abraão
por graça, e não pelas obras. Deus ocasionou a
promessa por iniciativa própria, visto que Abraão e
Sara já tinham passado da época de terem filhos. A única
estipulação impingida em Abraão era que ele aceitasse
a promessa pela fé. Agora, ao reapresentar a promessa
feita a Abraão, Paulo recorda a discussão feita no capítulo
4 e o grandioso tema da graça ali encontrado — um
tema que ficará cada vez mais explícito à medida que
o argumento progredir.
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2ª
Proposição
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Aplicação
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A
segunda prova de Paulo de que unicamente a ascendência
não é suficiente para definir o povo de Deus diz
respeito à eleição de Deus de Jacó sobre Esaú (vv.
10-13). Para que ninguém pense que não há base de
distinção entre Ismael e Isaque, porque eles eram
meio-irmãos, Paulo dá o exemplo de dois indivíduos
que tinham os mesmos pai e mãe e eram gêmeos.
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Deus
escolheu apenas um irmão para continuar a linha da
promessa meramente com base em sua vontade. De fato, sua
seleção de Jacó sobre Esaú inverteu a hierarquia
social padrão, na qual se esperava que o mais jovem
servisse o mais velho (cf. v. 12, que cita Gn 25.23).
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c)
Exposição. A
declaração bastante surpreendente do versículo 13:
“Amei Jacó e aborreci Esaú” (citação de Ml 1.2,3),
merece comentário:
1)
Lembremo-nos
do contexto aqui:
comprovar que Israel não pode presumir que ser o eleito de
Deus tem algo a ver com ascendência ou outro tipo de mérito.
2)
O
amor e ódio de Deus descritos
aqui não são expressões de emoção. Eles têm a ver com
as ações de Deus escolher um acima do outro (cf. Mt 6.24).
3)
Jacó
e Esaú representam Israel e os edomitas,
respectivamente. A frase “o maior servirá o menor” é
tirada de Gênesis 25.23, que começa identificando Jacó e
Esaú como duas nações. Além disso, o contexto de
Malaquias 1.2,3 também diz respeito aos edomitas e Israel.
4)
A
escolha de Jacó não significou que Deus
se recusou a agir graciosamente para com os descendentes de
Esaú. Por exemplo, o Senhor proibiu os israelitas de fazer
guerra ou tirar vantagem dos edomitas quando Israel
atravessou a região desse povo durante a peregrinação do
êxodo (Dt 2.4-6).
A
dupla ênfase nos versículos 11 a 12 de que a eleição de
Deus não foi influenciada pelas ações humanas (“nem
tendo feito bem ou mal”; “não por causa das obras”)
sublinha a soberania de Deus. Eu concordo com Dunn que, ao
mencionar “obras”, Paulo está colocando novamente a idéia
da lei em vista. Ele acabara de lembrar o conteúdo do capítulo
4 (em Rm 9.7-9), onde a lei e as obras foram contrastadas
com a graça e a fé. É esta associação de idéias que
vem vindo desde então que explica a pergunta no versículo
14.
d)
Diatribe.
“Que diremos, pois?” (v. 14) aparece uma vez mais em
contexto no qual o parceiro judeu no diálogo de Paulo
levanta uma objeção (cf. Rm 3.5; 6.1; 7.7). A pergunta que
se segue não é sobre a ética da eleição. A linguagem da
justiça indica que aquele que objeta está perguntando
sobre a fidelidade de Deus ao concerto. Esta é uma objeção
ao argumento de Paulo como um todo (Rm 9.6-13). Quer dizer,
se Deus está fazendo uma distinção sobre a identidade do
verdadeiro Israel, que não está baseado em ser descendente
de Abraão, e se esta distinção não tem nada a ver com
obras (i.e., guardar a lei exarada no concerto), então Deus
está sendo fiel ao concerto?
e)
Resposta.
A resposta está emoldurada pela “misericórdia de Deus”
(vv. 15,16). O versículo 15 cita o que Deus disse a Moisés
depois do incidente do bezerro de ouro. Em resposta ao
pedido de Moisés para que Deus se revelasse, Deus concordou
falando de sua compaixão e misericórdia. Paulo cita Êxodo
33.19 para arrazoar que a misericórdia de Deus, e não as
considerações humanas, explicam sua eleição. Deus está
agindo com justiça para com o povo do concerto, porque está
age conforme sua misericórdia, que é como eles foram
formados (Rm 9.7-13). E, como o apóstolo mostrará mais
adiante, a misericórdia continua explicando como Deus
ampliou o povo de Deus para incluir os gentios com judeus
(vv. 24ss).
f)
O propósito de Deus.
O propósito de Deus na história de salvação também é
ilustrado pelo modo como Deus usou faraó (v. 17). Faraó
foi levantado por Deus para que o poder divino fosse exibido
e seu nome proclamado em toda a terra. O nome de Deus foi
revelado às nações pelos procedimentos divinos com faraó.
Os mágicos de faraó reconheceram o dedo de Deus (Êx
8.19); alguns egípcios saíram com os israelitas quando
eles foram libertos (Êx 12.38); e os filisteus ouviram
falar do poder de Deus por causa das pragas (1 Sm 4.8). Em
suma, até o endurecimento de Deus é informado por sua
misericórdia. Mais tarde, Paulo argumentará que Israel
sofreu endurecimento semelhante, mas endurecimento temporário
por causa da misericórdia de Deus (Rm 11).
II.
Predestinação
e Eleição.
Romanos
9 é freqüentemente usado para defender a doutrina da
predestinação.
O endurecimento de faraó é tomado como evidência de que
Deus tem misericórdia de alguns para os salvar e endurece
outros para os condenar.
1.1.
O endurecimento de faraó.
Devemos
lembrar que no relato do Êxodo foi faraó que endureceu o próprio
coração repetidas vezes (Êx 7.13,22; 8.19; 9.7) antes de
Deus finalmente secundar o movimento (Êx 9.12). Além disso,
o que Deus fez com faraó não era para determinar o destino
final do monarca, mas para dar glória ao nome divino e
libertar seu povo.
O
versículo 19 lida com outra objeção ao argumento de Paulo.
Se Deus elege, se Ele determina seu propósito para as nações,
então por que as pessoas são culpadas? Afinal de contas,
ninguém pode resistir ao que Deus determina. A resposta de
Paulo (vv. 20,21) começa com uma série de perguntas retóricas
que derivam principalmente da metáfora do Antigo Testamento
do oleiro e do barro (Is 29.16; 45.9; Jr 18.1-6). Questionar o
Criador a respeito de seus desígnios para as diferentes
partes da criação é tão inane quanto o vaso exigir uma
explicação do oleiro.
O
versículo 22 começa com a aplicação da ilustração do
vaso, mas a presença da palavra grega de (“mas”; não traduzida na RC) no começo deste versículo
informa o ouvinte que o modo de Deus para com a humanidade é
um pouco diferentes do modo de um oleiro para com a massa de
barro. Enquanto o oleiro forma o barro para propósitos que vão
desde o nobre ao comum (v. 21), Deus não cria vasos para a
destruição:
a)
Distinção
entre os vasos da ira e da misericórdia.
No entanto, como a frase “que para glória já dantes
preparou” denota a eleição de Deus para a salvação,
assim a frase “preparados para destruição” é
considerada no sentido de que Deus elege alguns para a danação
(Moo). Mas há uma diferença significativa no modo como
Paulo descreve o procedimento de Deus para com os vasos da
ira (v. 22) e os vasos de misericórdia (v. 23). São
somente os vasos de misericórdia que já dantes estão
preparados para a glória (“dantes preparou”, proetoimazo;
cf. Rm 8.17,30).
b)
O
verbo katartizo.
O verbo grego que Paulo usa no versículo 22, o qual é
traduzido por “preparados”, é katartizo. Como
destaca Dunn, o uso habitual de Paulo deste verbo, que
significa “ajustar-se junto” ou “restabelecer”
(e.g., 1 Co 1.10; 2 Co 13.11; Gl 6.1; 1 Ts 3.10), não
transmite a idéia de que estes vasos foram criados de fato
para a destruição. Antes, eles estão sendo habilitados
para a destruição. Em outras palavras, a ênfase não está
no que tornou estas pessoas injustas, mas em como Deus está
respondendo a essa injustiça.
c)
A
ira de Deus.
Romanos 1.18-28 ajuda a explicar o que Paulo quer dizer
aqui. A ira de Deus está atualmente sendo derramada nos
pecadores à medida que Ele os solta para os resultados dos
seus desejos maus. Eles estão sendo habilitados para a
destruição enquanto permanecem na espiral descendente de
pecado. Ainda há uma ira final por vir (que é o que a
“destruição” [apoleia] denota), mas ainda há
tempo de evitá-la.
Parece
que Paulo tem em mente as declarações introdutórias de
Romanos 1.16-18 enquanto dita estes versículos. O aspecto
dual do propósito de Deus dado em Romanos 9.22 —
“mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder” —
espelha este texto anterior. O evangelho é o poder de Deus
para salvação (Rm 1.16), e é o que Deus está revelando
ao mundo; mas Ele também manifesta sua ira nos pecadores
impenitentes. Para que o mundo conheça seu poder salvador,
Deus suporta “com muita paciência os vasos da ira” (Rm
9.22). Quer dizer, sua paciência dá oportunidade de
arrependimento (veja Rm 2.4). É esta oportunidade de
arrependimento, esta expressão de misericórdia, que Deus
está sustentando para os gentios e para os judeus (Rm
11.23,24).
A
resposta à objeção no versículo 19 é similar à dada à
objeção do versículo 14. Ambas focalizam a misericórdia
de Deus, que é o contexto no qual os planos eletivos de
Deus são concebidos e executados. O crítico dos
procedimentos de Deus para com a humanidade recebe a
resposta de que Deus não lida com homens e mulheres como
eles merecem, mas com misericórdia. Nós merecemos nosso
castigo justo; não há a coação que requeira a paciência
de Deus para conosco.
Aqueles
que já estavam preparados de antemão para a glória (v.
23) são os que Deus chamou, judeus e gentios (v. 24). O
argumento em Romanos 9.6b-24 estabeleceu que a chamada de
Deus não está sujeita a raça ou obras, mas flui de sua
misericórdia. Ele é livre para chamar gentios e judeus,
como os textos do Antigo Testamento demonstram.
Os
textos do Antigo Testamento provam o que Paulo asseverou em
Romanos 9.6a — a Palavra de Deus não falhou. Embora a
maioria dos judeus tenha rejeitado a mensagem do evangelho e
os gentios a estejam recebendo com alegria, esta situação
não é indicação de que as promessas de Deus foram
quebradas. Sua Palavra não falhou porque os profetas
falaram só de um remanescente de Israel que será salvo
(vv. 27-29) e da salvação dos gentios (vv. 25,26).
As
duas referências que Paulo seleciona para mostrar a chamada
dos gentios são retiradas de Oséias (Os 2.23 e 1.10). O
que as faz notáveis é que Oséias estava escrevendo sobre
a redenção das tribos do norte de Israel, não sobre os
gentios. Mas Paulo vê em Oséias o princípio de que Deus
reúne pessoas que não eram do seu povo, as que estavam
alienadas dEle, para estabelecer uma relação com Ele através
de sua chamada graciosa.
Para
saber mais:
ARRINGTON,
F.L.; STRONSTAD, R. Comentário
Bíblico Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica
fácil e descomplicada.
3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
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