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Esboço
da Lição
Introdução
I. A
Ira de Deus Contra o Mal
II.
A
Revelação de Deus
III. O
Homem Escravizado pelo Pecado
Conclusão
Palavras-chaves
Revelação Natural; Corrupção; Ira Divina; Justiça
de Deus.
Introdução
Visto
que o argumento principal da carta começa no versículo 18, o
leitor é abruptamente trazido à terra desde as sublimes alturas da
declaração de Romanos 1.16,17 acerca do poder salvador do
evangelho, pois outro processo está atuando simultaneamente com a
revelação da justiça de Deus: a revelação da sua ira sobre
aqueles que retêm a verdade em injustiça. Ambos os processos são
realidades contínuas que antecipam o julgamento final, quando ambos
chegarão a um ponto de completude — a salvação final ou a
condenação final. É informativo que Paulo exponha o indiciamento
divino da humanidade pecadora (Rm 1.18—3.20) antes de ele discutir
o plano divino de salvação (Rm 3.21—5.21). A pessoa não pode
compreender a salvação sem primeiro confrontar o julgamento.
I.
A Difícil Situação
da Humanidade sob a Ira de Deus (1.18—3.20).
O tema da ira de Deus é desenvolvido nos próximos capítulos,
onde o apóstolo volta a atenção primeiro para os gentios e
depois para os judeus. O que o ocupa à medida que o argumento
progride é a preocupação de que os judeus possam
interpretar erroneamente seu status como povo escolhido de
Deus, com o significado de que eles receberam isenção
especial da ira de Deus, o que os gentios não gozam.
1.1. A Ira de
Deus sobre a Humanidade (1.18-32).
Paulo começa seu argumento explicando que o indiciamento
divino do gênero humano é resultado de a humanidade rejeitar
a revelação recebida de Deus. O destino de cada indivíduo
gira na aceitação ou na rejeição da revelação divina.
Agora a natureza da revelação de Deus e as conseqüências
de rejeitá-la serão descritas.
a)
Revelação Natural: Porque Deus se revelou a si mesmo (pois,
caso contrário, Ele é incognoscível) por meio de sua criação;
homens e mulheres são moralmente responsáveis pelo que pode ser
conhecido acerca dEle (Rm 1.19,20). É o que os teólogos chamam
“revelação natural”, ou seja, a revelação de Deus pelo
mundo físico. O que é revelado é o “poder eterno” e a
“natureza divina” do Criador. Esta “verdade”, ou seja, a
realidade de que há um Criador a quem a criação deve responder,
é suprimida por sua criação à medida que homens e mulheres
vivem de modo a rejeitar a supremacia de Deus.
Em resumo, eles são “inescusáveis” (v. 20) e merecem a ira
que está sobre eles.
A humanidade não é acusada por não ter encontrado Deus, mas por
não ter respondido à iniciativa de Deus. O que o leitor moderno
não entenderia em Romanos 1.18-32 é o eco dos argumentos sendo
usados durante os dias de Paulo por apologistas judeus, que
tentavam convencer os gentios da verdade do judaísmo. Nos versículos
18 a 20 Paulo utiliza este material à medida que ele interage com
uma forma popular de filosofia grega — o estoicismo. A expressão
“se entendem e claramente se vêem” (v. 20) parece ser referência
direta à crença estóica de que a existência do Deus invisível
poderia ser entendida pela mente racional. Paulo adota esta idéia
para afirmar que os gentios não vivenciaram o que sabiam.
Para muitos leitores da atualidade, o darwinismo lança uma sombra
de dúvida num ponto apologético como este. Todavia, a assinatura
do Criador no mundo físico tem sido testemunha da sua existência
durante séculos, e até hoje o testemunho do que foi feito ainda
exige uma resposta.
b)
Conseqüências da Rejeição a Deus: A
rejeição da humanidade da revelação de Deus e suas conseqüências
desastrosas são narradas com alguns detalhes (vv. 21-32):
-
Tornar-se cada vez mais profano: A espiral
descendente do pecado humano começa com a humanidade rejeitando
o conhecimento que já possui de Deus. Prossegue à medida que
as pessoas desempenham a rejeição trocando o divino pelo
profano. Este padrão de rejeição voluntariosa seguida por ação
rebelde é repetido à medida que homens e mulheres se afundam
cada vez mais na depravação. O que é particularmente notável
sobre este processo é o grau no qual Deus está ativo, e não
passivo. A tripla repetição “Deus os entregou” (vv. 24, 26
“Deus os abandonou”, v. 28) reforça o ponto desejado no
versículo 18 de que a ira de Deus está sendo dispensada, e
também especifica como é dispensada. Essa ira é dada em doses
à medida que Ele libera a humanidade para os efeitos do pecado.
-
Paralisia das Faculdades Mentais: No plano de
fundo dos versículos 21 e 22 está o pecado primitivo de Adão,
que conheceu Deus, mas não agiu de acordo. O resultado de seus
esforços em se elevar a um novo nível de sabedoria
independente de Deus sentenciou-o a um estado inferior. Paulo
resume a história da raça de Adão nestes versículos como a
perpetração repetida indefinidamente deste pecado primitivo. A
cada vez o resultado é o mesmo: “Dizendo-se sábios,
tornaram-se loucos” (v. 22). A pena por não responder com
honra e louvor a revelação de Deus é sofrer uma paralisia das
faculdades dadas por Deus. Com a rejeição da verdade, pensar
se torna fútil; com a rejeição da luz da revelação, o coração,
ou a essência do ser humano, se escurece (v. 21). Sem Deus, a
raça humana é sentenciada a procurar no escuro; sem Deus, a
vida é “vaidade, e aflição de espírito” (Ec 2.26).
-
Idolatria: A prática da idolatria (proibida no
Segundo Mandamento) figura proeminentemente nesta passagem.
Havia uma polêmica estabelecida no judaísmo (originada no
Antigo Testamento e continuada ao longo do Segundo Período do
Templo) contra a prática pagã da idolatria. Paulo a utiliza
aqui e no restante do capítulo, porque a idolatria serve para
ilustrar a que nível profundo homens e mulheres caem quando
rejeitam a revelação do verdadeiro Deus. Eles mudam “a glória
do Deus incorruptível” (v. 23), a qual é vista na criação
(v. 20), por imagens (ou semelhanças) das coisas criadas, quer
de um ser humano quer de um animal.
Não
há melhor ilustração contemporânea de como a prática da
idolatria continua nos dias de hoje do que a oferecida pela
filosofia do movimento da Nova Era. Em total desconsideração
pelo Deus verdadeiro, advoga um potencial divino no próprio ser
humano, dizendo que é permitido que cada indivíduo se torne o
próprio criador de sua realidade.
A
combinação de “glória” e “imagem” no versículo 23
lembra 1 Coríntios 11.7, onde o homem é descrito como “a
imagem e glória de Deus”. O casal original arruinou a imagem
de Deus na qual foram criados (Gn 1.27,28) ao tentarem ser
deuses comendo o fruto da árvore proibida. Esta resposta
rebelde à revelação de Deus fez com que a imagem fosse
manchada. Se a pessoa adota uma falsa imagem de Deus, então a
falsificação da imagem de Deus nessa pessoa é inevitavelmente
o resultado. Os versículos a seguir ilustram esta verdade.
-
Imundícia Sexual: O julgamento de Deus sobre a
humanidade quando substituiu a imagem de Deus pelas imagens
criadas é implementada à medida que Deus os libera (“Deus os
entregou”) para os efeitos da rejeição — “para
desonrarem o seu corpo entre si”, ou seja, “à imundícia
[sexual]” (vv.24,25). Que “Deus os entregou às concupiscências
do seu coração” não significa que Ele cria o desejo
pecador. Antes, Ele reage a isso. Por exemplo, faraó endurecia
o coração repetidamente diante da ordem de Deus (Êx
8.15,19,32) antes de Deus o liberar para que assim agisse (“o
SENHOR endureceu o coração de Faraó”, Êx 9.12; 10.20,27;
cf. Êx 10.1) e viesse a colher as conseqüências de sua resolução
pecadora. O relato da criação ensina que homens e mulheres
foram criados para viver em relação com o Criador e uns com os
outros. O fato de a humanidade rejeitar uma relação com o
Criador resulta na perversão de todas as outras relações. O
que Deus declarou bom, isto é, que homem e mulher vivessem
juntos numa relação como uma só carne (Gn 2.18-25), é
trocado por relações nas quais os homens se engajam em relações
sexuais com outros homens, e mulheres com outras mulheres (vv.
26,27).
Estes atos são “contrário[s] à natureza”, ou seja, eles
infringem a ordem criada. A frase no versículo 27, “cometendo
torpeza”, mostra que o que é condenado é o ato homossexual
ou lésbico, não a tentação em si. O contexto também deixa
claro que a razão de a homossexualidade ser abordada aqui não
é porque seja mais perversa que os outros tipos de pecado
sexual. Antes, Paulo a usa para mostrar como o pecado perverte a
ordem criada de macho e fêmea.
-
Punição Divina: O versículo 28 segue o mesmo padrão
que já vimos acima: O ato de a humanidade rejeitar o
conhecimento de Deus que lhes está disponível conduz à punição
divina. Há um jogo de palavras no original grego que reforça o
argumento de Paulo de que a punição se ajusta ao pecado.
Porque “eles se não importaram” (dokimazo) em reter o
verdadeiro conhecimento de Deus, “Deus os entregou a um
sentimento perverso [adokimos]”. A lista de vícios que se
segue denota os tristes efeitos da perda da capacidade de a
humanidade ver a verdade. A linha introdutória da lista de maus
comportamentos: “Estando cheios de toda iniqüidade” (v.
29), indica que o apóstolo quer que a lista seja considerada
como um todo. O ponto dos versículos 29 a 31 não deve ser
achado examinando cada ação mencionada. A ênfase está em
como o vasto alcance da depravação humana pode ser remontado
à rejeição voluntariosa de Deus. Listas de vícios como esta
eram comuns em escritos do período, tanto em escritos judaicos
quanto helenistas.
Síntese dos Temas do Capítulo 1.
|
1)
Causa surpresa ao leitor moderno que estes vícios
sejam tão comuns hoje quanto eram nos dias do apóstolo. |
| 2)
Paulo se esmerou em remontar o pecado à decisão feita
acerca de Deus. O que a pessoa pensa sobre Deus e
como ela responde a esse conhecimento determinam o ciclo de
comportamento. Isto é tão verdadeiro para nós hoje quanto
era para os romanos e para Adão e Eva. |
| 3)
O versículo final resume habilmente o ciclo descendente de
pecado descrito nos versículos 18 a 32. Ainda que
homens e mulheres tenham conhecimento do indiciamento de Deus
acerca do pecado deles, eles continuam no pecado. Mas o versículo
32 também chega a outro ponto desejado: A condição humana
afundou para outro nível, quando as pessoas não só fazem o
que é errado, mas até aprovam semelhante comportamento.
Infelizmente, tal condição é uma epidemia moderna. |
Para
saber mais:
ARRINGTON,
F.L.; STRONSTAD, R. Comentário bíblico Pentecostal. RJ:
CPAD, 2003.
ANDRADE,
Claudionor de. Geografia Bíblica. CPAD, 2001.
BALL,
Charles Ferguson. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. CPAD,1998.
CABRAL,
Elienai. Romanos: o Evangelho da Justiça de Deus. 7 ed., RJ:
CPAD, 2003.
CPAD.
Coleção de Mapas, vol.II, formato 57,5x57,5cm –
vertical
PEARLMAN,
Myer. Epístolas paulinas: semeando as doutrinas cristãs.
CPAD, 1998.
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